Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

Mostrar mensagens com a etiqueta Património Nacional. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Património Nacional. Mostrar todas as mensagens

domingo, 26 de agosto de 2018

Freitas: Protótipo de Jogador Portista, qual 115 de outros tempos, perante imagem 112 recente…


Quando algo não corre bem, como no caso de jogadores que se empenham menos, para não dizer de outra forma, há sempre qualquer exemplo que vem à tona das lembranças, de outras ocasiões melhor conseguidas com atletas mais esforçados, sem descurar chefias mais sincronizadas e orientações atentamente discernidas.


Ora, falando na primeira pessoa – porque sou adepto do FC Porto que sente e quando apresento qualquer razão é para meu bem estar portista, a bem dizer o mesmo quanto ao bem da coletividade – não vi jogar os maiores valores de tempos antigos do futebol do clube, obviamente, mas por conhecer a história do FC Porto, aprecio terem existido uns Pinga, Valdemar Mota, Acácio Mesquita, Siska, Gomes da Costa, Soares dos Reis, Araújo, Hernâni, Barrigana, Virgílio, Carlos Duarte, etc. Como vi jogar e admirei imenso o Américo, o Custódio Pinto, o Festa, o Jaime Silva, mais uns Nóbrega, Pavão, Rolando, Armando, Rui, Lemos, Manhiça, Cubillas, Rodolfo, Gomes, Fonseca, Duda, Oliveira, etc. etc. e tenho como protótipo de jogadores de tempos áureos mais recentes uns modelos tipo padrão à João Pinto, Paulinho Santos, Jorge Costa, Bruno Alves, Vítor Baía, Deco, Aloísio, Lucho, Lisandro, Adriano e por aí adiante. Logo vindo à ideia a necessidade paradigmática que urge voltar a existir. Como existiu em tempos idos um Freitas, que dispensa grandes apresentações explicativas, a não ser que é dos futebolistas que vestiram a camisola do FC Porto eternamente lembrados por quem sente o FC Porto.

Convém avivar, porque tem realidade, que jogadores houve e alguns mesmo andam por aí, que não marcam, nem jamais merecerão, a eternidade portista, por culpas próprias, apesar de em seu tempo de representação do FC Porto terem feito coisas agradáveis, mas que deixaram marcas desagradáveis pelo tempo posterior. Qual o caso dum tal Tozé que, primeiro num penalti inventado, quando jogava no Estoril, e posteriormente num golo caído do céu ao serviço do Guimarães, se tornou detestável com suas atitudes sempre que tem conseguido marcar golos contra o FC Porto, do pouquíssimo que consegue fazer... tal como um André André, que apesar de ter posto ao quadrado o nome de seu pai não lhe chega aos calcanhares da história... o qual, depois de há anos ter forçado um penalti contra o FC Porto quando jogava primeiramente no Guimarães (algo que foi atenuado posteriormente com o golo que marcou ao Benfica no único jogo de jeito que fez depois na equipa principal do FCP), agora corre a apanhar a bola logo após o seu golo no regresso ao Guimarães, depois de ter querido sair do FC Porto, quando antes andava a passo enquanto jogou no Dragão... 

Como tal evocamos desta feita uma recordação que vem a propósito – porque para bons entendedores não será necessário dizer mais…  

Na pertinência, junta-se aqui e agora uma crónica que há dias o Jornal de Notícias incluiu na rubrica Património Nacional, sobre o possante e dedicado defensor Freitas – antigo 112 do FC Porto (número de emergência antigamente, anterior ao telefónico 112 de agora):

Armando Pinto
((( Clicar sobre as imagens, para ampliar )))

domingo, 21 de janeiro de 2018

Filipe Santos: Hoquista Histórico do FC Porto como “Património Nacional”


No mundo azul e branco, depois do principal motor que é o futebol, outros impulsores existem a movimentar incitamento afetivo da alma portista, como acontece com o hóquei em patins. Num universo ativador que teve alma com o surgimento de Cristiano Trindade de Pereira e seus sucessores, depois continuidade com Vítor Hugo Silva e alguns mais, entre os quais se destacou Filipe Santos, até aos atuais hoquistas de azul e branco vestidos, que enchem as medidas dos pavilhões onde ecoa o batimento dos setiques a par com o pulsar portista.

Ora, como prova de toda essa feição memorial, depois de há tempos ter sido vincada a carreira de Cristiano no Jornal de Notícias, desta feita coube a Filipe Santos tal atenção do JN, agora tida com esse célebre defensor aguerrido que era artista na marcação de grandes penalidades. Tendo sido alvo duma distinção assim esse antigo hoquista dragão, este sábado recordado no Jornal de Notícias na rubrica “Património Nacional” do suplemento “Ataque”, caderno semanal publicado aos sábados.  


Sob título «O sentido adeus do homem dos penáltis», o JN resume num curto texto o que mais ressalta do percurso hoquístico de Filipe Santos:

«Diz-se que não há amor como o primeiro, mas, pela experiência de Filipe Santos, o último também tem que se lhe diga. É essa a história que conta esta foto em que o ex-hoquista exibe a camisola com que se despediu da carreira de atleta. "Por muito que saiba que um dia vai acabar, é sempre difícil. Foi um misto de orgulho e de nostalgia", recorda o atual responsável pelo projeto Dragon Force de hóquei em patins, a propósito do dia em que pendurou os patins. "Foram 24 anos a jogar no mesmo clube", assinala.

É que Filipe Santos até começou nos Carvalhos, mas ingressou nos dragões aos 14 anos e só saiu de lá ao fim de 30 títulos conquistados enquanto sénior. "O período do “decacampeonato” foi marcante, até por ter sido algo que fica para a história. O primeiro foi especial porque, à partida para a segunda fase, estávamos seis pontos atrás e acabámos por ser campeões ainda antes da última jornada. O terceiro também, porque houve uma grande renovação na equipa. E o último... por ser o último".

Enquanto isso, ia-se assumindo como o herói dos grandes títulos da seleção. "O meu primeiro momento alto foi quando; ainda júnior, fui ao Campeonato do Mundo sénior e acabei por ser o único a marcar no desempate por penáltis da final. Com a Itália. Anos depois, aconteceu o mesmo numa final de um Europeu, com a Espanha", lembra. "Curiosamente, nunca me achei especialista em penáltis", confessa. Que faria se fosse...» (segundo disse por suas palavras, transcritas para o jornal por Ana Tulha – conforme se mostra aqui abaixo, em recorte jornalístico respetivo – incluindo barra lateral com dados de seu “Bilhete Pessoal”).


Armando Pinto
((( Clicar sobre as imagens, para ampliar )))

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Franklim Pais - Guardião de Títulos e Um dos Rostos do Hóquei em Patins do FC Porto


No mundo de exotismo afetivo que engloba a História do FC Porto, como grande fenómeno existencial que é o baluarte da simbiose de cores azuis e brancas, constam tantos e tantos nomes que se formaram, evoluíram e contribuíram para o engrandecimento do colosso desportivo maioritariamente azul, a dar ênfase à tonalidade da cor das veias salientes dos adeptos apoiantes. Mas também, nesse universo azulado, se vão intercalando nomes de aderentes, entre desportistas que entraram e não mais saíram depois. Tal o caso de Franklim, antigo guarda-redes de hóquei em patins, mais tarde treinador e atualmente “team manager” dentro da estrutura do hóquei patinado portista. Oriundo de outras bandas mas que, tendo depois ingressado no seio do clube dragão, veio para ficar no FC Porto. Sendo que, depois que arrumou as caneleiras de guarda-redes e após triunfante percurso também como treinador, é na atualidade um elo de ligação entre o setor dirigente e o departamento técnico, qual diretor sempre presente, mesmo mais que assessor do treinador e ao mesmo tempo superdirigente atento à equipa, no que mais se vê do panorama da equipa principal de hóquei do FC Porto, além de tudo o mais perante tudo o que respeita à modalidade dentro do clube.


Franklim Pais, como guarda-redes, entrou no FC Porto e depressa se mostrou digno da galeria de bons guarda-redes que passaram pelo clube azul e branco, desde Moreira, Branco, Brito, Castro, Zé Manel, Luís Caetano, Beleza, Vítor Francisco, Domingos Guimarães, etc. Tendo tido depois uma carreira brilhante na defesa das balizas portistas, a pontos que, passados anos, ainda é constante recordação, considerado como é uma das referências dessa bonita modalidade no ecletismo portista. De tal forma que recentemente teve destaque no Jornal de Notícias, na coluna “Património Nacional” do suplemento semanal “Ataque” publicado aos sábados nesse diário português de forte implantação.

Atendendo ao facto, registamos essa deferência com transplante de tal peça jornalística, para aqui:

« Património Nacional - Franklim Pais: o topo da Europa sabe melhor a duplicar

Franklim Pais e as medalhas correspondentes às duas vitórias na Liga dos Campeões, em 1984/85 e em 1989/90
(Foto: João Manuel Ribeiro/Global Imagens – Jornal de Notícias)

Parecem iguais e, na verdade, dizem respeito à mesma competição. Mas contam histórias bem diferentes. Ambas entram no álbum das melhores memórias de Franklim Pais, antigo guarda-redes de hóquei em patins e hoje team manager do F. C. Porto. "Dizem respeito a duas Ligas dos Campeões, os dois títulos mais importantes que conquistei, a nível de clubes", explica.

A primeira (1984/85) foi especial por ser inédita no palmarés dos dragões e o coroar de uma época de ouro. "Ganhámos tudo. Lembro-me que na segunda mão da final, estávamos a perder 5-1 com o Novara ao intervalo e virámos para 7-5. Só que o ambiente estava tão adverso que começaram a atirar rolos de papel higiénico para o campo e o jogo não acabou. Tivemos de receber a taça no balneário", conta, recordando também o triunfo de 1989/90, após "um jogo memorável no Américo de Sá, com uma vitória por 6-0 frente ao Noia, na primeira mão da final" e a consequente festa em Barcelona, "em plena noite de S. João".

Depois, claro, há as memórias arrancadas a tantos anos de seleção. "A vitória no Campeonato do Mundo de 1982 é inesquecível. Portugal não ganhava um título há alguns anos e eu era o benjamim da equipa", aponta, antes de lembrar um momento mais caricato. "Um Portugal-Holanda, em Oviedo, na altura da ETA. O pavilhão teve de ser evacuado, porque houve uma ameaça de bomba. Saímos a correr, de patins e tudo, e só retomámos o jogo no dia seguinte".»

= Franklim entre Gente Portista, num encontro de convívio de antigos atletas e apoiantes do Hóquei em Patins do FC Porto.

^^^ ’’’ ^^^
« Passe Curto
Nome: Franklim José Ribeiro Pais
Naturalidade: Porto
Idade: 07/12/1961 (55 anos)

Clubes que representou:
Infante Sagres, Juventude de Viana, Famalicense, F. C. Porto
Principais títulos, pelo FC Porto e Seleção Nacional: duas Ligas dos Campeões, duas Taças CERS, uma Supertaça Europeia, seis campeonatos nacionais, cinco Taças de Portugal, oito Supertaças, dois Campeonatos do Mundo, dois Campeonatos da Europa »

~~~~ *** ~~~~
Posto isto, aproveitamos o caso para uma merecida homenagem evocativa a este senhor do hóquei portista, um dos grandes nomes do hóquei do FC Porto, enfileirando na galeria de grandes vultos como foram, por exemplo, uns Acúrcio Carrelo, Alexandre Magalhães, Cristiano Trindade Pereira, Vitor Hugo Silva, entre mais uns tantos que fazem parte da memória portista - tal a ficha de Franklim Pais, campeão nacional pelo FC Porto seis vezes como guarda-redes e 'Octa' como treinador.


Franklim José Ribeiro Pais, nascido no Porto a 7 de Dezembro de 1961, começou a jogar hóquei em patins no Infante de Sagres. Havendo de seguida continuado seu percurso pelo plantel da Juventude de Viana, até ter finalmente ingressado no F. C. Porto, onde teve a carreira que o levou a ser considerado um símbolo do FC Porto, clube que mais tempo representou. De tal modo que foi guarda-redes do FC Porto e da Seleção nacional de prestígio.


Entretanto, e por fim, Franklim chegara ao FC Porto na época 1984/85. Já com o FC Porto a habituar-se à conquista de títulos, embora até essa altura o clube das Antas tivesse apenas vencido 2 campeonatos nacionais, 1 Taça de Portugal, 2 Supertaças e 2 Taças das Taças. Tendo assim a sua chegada ao FC Porto coincidido com o início da caminhada vitoriosa portista na modalidade.


= Foto da equipa, orientada por Cristiano Pereira, que venceu o Novara na Final da Taça dos Clubes Campeões Europeus 1985/86.

Então, esse que é o guarda-redes mais titulado de Hóquei em Patins da história do FC Porto ficou associado a grande parte dos campeonatos de seniores de permeio conquistados pelo FC Porto na modalidade (recordando que anteriormente o FC Porto fora já campeão em 1982/83 e 1983/84). Aos Campeonatos nacionais conquistados passou também a somar diversas Taças de Portugal e Supertaças. Enquanto a nível europeu, só lhe faltou vencer a Taça das Taças, pois o FC Porto venceu essa competição (em 1981/82 e 1982/83) quando Franklim ainda representava a Juventude de Viana.


Como treinador, ainda, Franklim foi um caso raro no Desporto nacional, pois esteve incluído na maior série de campeonatos consecutivos na modalidade desportiva que em Portugal conquistou mais títulos, quer a nível de Seleções como de clubes.


Aos 8 campeonatos nacionais conquistados como técnico principal, Franklim junta ainda 6 campeonatos como jogador e 2 como treinador-adjunto (de António Livramento e Cristiano Pereira), além dos posteriores como dirigente supervisor. 

= Ao tempo em que era Adjunto de Cristiano, em 1999/2000

Como treinador, faltou-lhe ser também campeão da Europa (pois perdeu as finais que disputou frente ao Barcelona), um título esse que venceu por duas vezes quando era guarda-redes do FC Porto (vencedor portanto em 1986 e em 1990). Tendo Franklim sido primeiramente suplente utilizado (já que Domingos era o guarda-redes titular) naquela inesquecível final a duas mãos, frente ao Novara, em que o FC Porto chegou ao intervalo do jogo da 2ª mão a perder por 5-1 (venceu 7-5!), e foi titular na 2ª conquista da Taça dos Campeões Europeus, em 1990, frente ao Noia (vitórias por 6-0 e 5-2). A nível internacional, também merece destaque as duas Taça CERS (espécie de Taça UEFA do Hóquei em Patins) que conquistou enquanto jogador do FC Porto. A primeira, em 1993/94, numa vitória sobre o Vic (derrota por 2-5, na 1ª mão, e vitória por 7-1 na 2ª), e na segunda, em 1995/96, numa vitória sobre outra equipa espanhola, o Tordera (vitória por 3-0, na 1ª mão, e por 7-1 na 2ª). O outro troféu internacional que conquistou foi frente a uma equipa portuguesa, quando o FC Porto derrotou (vitória por 9-3, na 1ª mão, e derrota por 3-4 na 2ª) a Sanjoanense, na Supertaça Europeia em 1985/86.

Franklim também foi internacional por Portugal mais de uma centena de vezes, tendo-se sagrado por duas vezes campeão da Europa e campeão do mundo. Ao passo que dentro do FC Porto Franklim é dos poucos que recebeu o 'Dragão d´Ouro' como jogador e como treinador.

= No ano do 1º Título como treinador principal, em 2001/2002

Como um dos rostos do hóquei em patins portista, apesar de não se mostrar muito e não ser dos mais expansivos, Franklim, a par com sua figura no imaginário de apoio clubista, está na retina da memória ainda de fresco na conquista de três troféus na temporada finda de 2017. Fazendo assim parte da equipa do FC Porto, treinada por Guillem Cabestany, que conquistou triunfos na Supertaça, a abrir, depois o Campeonato Nacional, de forma épica vivida no último jogo, e fechando a época com a vitória na Taça de Portugal, ficando os Dragões novamente detentores de todos os troféus nacionais – feito que se fica a desejar tenha mais repetições na continuidade.


Armando Pinto
((( Clicar sobre as imagens, para ampliar )))

sábado, 25 de março de 2017

Eduardo Luís: Recordando a Taça dos Campeões de Viena, como lembrança de Património Nacional


Pode a hora mudar, como acontece agora –  tal é por decreto nas mudanças de Estação dos anos, à saída do inverno e pela entrada do outono... mudarem-se os tempos e certas vontades... mas há coisas que permanecem: Como a inesquecível vitória de Viena. Quando se dizia “havemos de ir a Viana”, em trocadilho gracioso ao verso de Pedro Homem de Melo, por então parecer quase inatingível  vencer em Viena, na Áustria. Onde o FC Porto foi enfrentar o campeão alemão Bayern e… venceu. Onde e quando ganhamos a nossa primeira Taça Europeia conquistada pelo FC Porto, a Taça dos Campeões Europeus de 1987. Algo que não mais esquece, coisa que sempre lembraremos como o início do maior crescimento do grande FC Porto.

Pois esse tema foi bem lembrado, também, na curta mas incisiva entrevista de Eduardo Luís ao JN, integrante da rubrica Património Nacional do suplemento Ataque do Jornal de Notícias, de publicação semanal aos sábados. Com lugar na edição daquele diário no passado sábado e que, como hoje é sábado, agora anotamos, transpondo para aqui como memória que é, já.


Perante título «Viena na alma e a répica à mão» e foto sob legenda «O ex-futebolista Eduardo Luís, com a réplica da Taça dos Campeões Europeus, conquistada ao serviço do F. C. Porto» aquela coluna do JN deu vez para Eduardo Luís evocar essa façanha em que ele esteve presente, como um dos heróis que estiveram em campo, lá longe no Pratter, em Viena de Áustria. E quem não pôde ir a Viena, viu pela televisão…  e vibramos como sonho que vimos realizado.

Pois o defesa de então, Eduardo Luís, não se remeteu à defesa, desta vez, e como aquilo foi algo especial, não fez por menos:

«”Ainda hoje, quando vou na rua, as pessoas me falam nisso e me lembram como foi. É como se a taça também fosse um bocadinho delas”, conta Eduardo Luís, antigo jogador do F. C. Porto. A taça é a que está retratada na réplica que segura carinhosamente e diz respeito ao título europeu conquistado pelos dragões, em 1987.


Da histórica final de Viena, frente ao Bayern de Munique, o ex-central recorda Hoeness, o avançado de quase dois metros que "nem chegou a fazer mossa", uns últimos 15 minutos "de grande categoria" e tudo o que conduziu ao histórico calcanhar de Madjer. "A jogada passou por quase todos os jogadores, sem que o Bayern tocasse na bola. Salvo erro, foram 17 toques", salienta.

Entre umas meias-finais da Taça das Taças "históricas", frente ao Aberdeen de Ferguson, e a final dessa prova, perdida para a Juventus, nesse ano de 1984, destaca ainda o bicampeonato conquistado pelos dragões. "Foi especial pela luta que houve até ao fim, com o Benfica. Decidiu-se tudo nas últimas duas jornadas", lembra, ele que, depois de quase 20 anos como treinador, decidiu que não vai "voltar ao futebol".

Por isso, agora, concilia um gabinete de fisioterapia com o trabalho numa empresa imobiliária. Mas as pessoas que o abordam na rua lembram-no a toda a hora da eterna grande conquista.»

«Bilhete Pessoal / Passe Curto:

Nome: Eduardo Luís Marques Kruss Gomes
Naturalidade: Loures
Idade: 06/12/1955 (61 anos)
Clubes que representou: Desportivo de Olivais e Moscavide, Benfica, Marítimo, F. C. Porto, Rio Ave, Ovarense.
Principais títulos: quatro campeonatos nacionais, duas Taças de Portugal, três Supertaças e uma Taça dos Campeões Europeus.»

ARMANDO PINTO

((( Clicar sobre as imagens, para ampliar )))

Obs.: O texto entre parênteses e as imagens com marca de água foram naturalmente retiradas na referida edição do Jornal de Notícias. Enquanto a cimeira imagem dupla, com marca personalizada, é de gravuras de calendários de bolso, usados nesse tempo e hoje de arquivo pessoal do autor deste blogue.

A. P.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Leopoldo: antigo futebolista portista recordado em tempo de bacalhau natalício…


O FC Porto é um mundo apaixonante, bem como é amoroso o sortilégio do Natal e outros fascínios. Tal como é encantador quando o FC Porto cativa as paixões portistas, a bem dizer conforme na atualidade acontece depois da presente série de vitórias e fase atual de ataque goleador, mais defesa consistente, contando os jogos de baliza bem fechada e remates que dão golos.

Assim sendo, quando o FC Porto volta a ter apoio dos portistas habituados aos bons e maus momentos da coletividade, assim como no Natal é época de reunião familiar, vem a propósito lembrar um antigo futebolista que ficou na memória portista – Leopoldo Amorim. O simpático defesa Leopoldo, do tempo da primeira passagem de Pedroto a treinador do futebol sénior azul e branco das Antas. Aquele mesmo Leopoldo que entre a massa de apoiantes portistas era conhecido por Bacalhau, um apelido popular que se lhe tornou nome de guerra no mundo do futebol. Epíteto esse que vem a calhar para evocar o Leopoldo, em tempo de quadra natalícia e do fiel amigo da gastronomia portuguesa, quando o típico bacalhau é rei nas mesas da consoada.


Pois Leopoldo foi tema de uma rubrica semanal do Jornal de Notícias, sendo sobre ele no passado fim de semana a coluna dos sábados que no JN vem dentro do suplemento Ataque, no espaço intitulado Património Nacional, sob título “Um Bacalhau à moda de Pedroto“, incluindo legenda identificativa do “Leopoldo Amorim, antigo jogador do F. C. Porto”, em foto acompanhante.

Na pertinência presente do futebol portista ter conseguido suplantar campanhas normalmente surgidas em momentos cruciais, quer porque as bolas não entravam nas balizas ou quem sente o clube naturalmente refere as roubalheiras das arbitragens contra o próprio clube, coisas que há sempre quem não queira que se aponte, embora outros clubes sejam levados ao colo e tenham favores sistemáticos… quer porque, na realidade do FC Porto estar em maré alta e os adversários com receio, aparece notícia visando um agente do mercado futebolístico receber comissões, algo que todos recebem por suas funções dumas formas ou doutras, mas por o mesmo ser identificado com o clube isso é visto de modo diverso (porém se fizesse negócios com outros clubes já fosse diferente)… quase como na história do velho e do burro… qual no piscar das luzes decorativas de Natal... é a preceito relembrar então Leopoldo, o popular Bacalhau, por sempre ter ficado associado a momentos que mexeram com a sensibilidade portista, aparecido então como um valor à parte.


Curiosamente, ao tempo em que Leopoldo evoluiu nos relvados com a camisola azul e branca, e mesmo depois, era desconhecido o porquê desse tal apelido com que normalmente o defesa portista foi conhecido. Até que no artigo de sábado, 10 Dezembro, em artigo desse espaço especial, o JN publicou a explicação do próprio, ao mesmo tempo que explanava quanto «Leopoldo Amorim recorda como o "Mestre" o convenceu a deixar um emprego numa empresa de tintas para jogar pelo F. C. Porto:

Aos 19 anos, a vida de Leopoldo Amorim parecia mais do que definida. Acabava de assinar contrato com o Amarante e ia conciliar o futebol com o trabalho numa empresa de tintas. Até que um homem lhe mudou a rota - esse mesmo, José Maria Pedroto. "Fui chamado para uma reunião nas Antas e disseram-me: "Vais ser profissional e ganhar dois contos e quinhentos por mês. Nem pensei em mais nada", recorda, salientando que, sem o "mestre", talvez nunca tivesse sido profissional.

Certo é que foi e que, logo ao primeiro jogo, envergou a braçadeira de capitão. "Só mais tarde o Pedroto me disse porquê. Na altura houve lá uns problemas, três jogadores foram suspensos e ele escolheu-me por eu não estar envolvido naquela história", conta.

Ora, em vez de o tranquilizar, o estatuto só lhe... aguçou os nervos. "O jogo até correu bem. Ganhámos 1-0 à CUF e eu estive bem, mas, nos primeiros dez minutos, andei perdido dentro de campo. Lembro-me que, antes do jogo, no balneário, o Pedroto disse-me para assobiar e eu nem isso conseguia", lembra o "Bacalhau", como um dia lhe chamou Djalma ("por ser muito magrinho", diz) e, num instante, todos os outros.

O nome ficou - e as memórias também. Como a do campeonato do segundo escalão conquistado pelo Varzim, ou da última época como atleta, ao serviço do V. Guimarães, antes de enveredar pela carreira de treinador. De tudo, sobra uma mágoa: a de nunca ter sido campeão pelos azuis e brancos.»


~~ * ~~
Bilhete Pessoal / Passe curto:  
- Nome: Leopoldo José Nogueira Amorim
- Naturalidade: Porto
- Idade: 19/11/1948 (68 anos)
- Clubes que representou: F. C. Porto, Varzim e V. Guimarães
- Principal título: um campeonato da antiga segunda divisão nacional (pelo Varzim)

~~ * ~~

Recorde-se que Leopoldo, depois de ter passado pelos escalões de formação do Sport Progresso, ingressou ainda como júnior no Futebol Clube do Porto. Havendo-se estreado como sénior na equipa principal do FC Porto em plena temporada de 1968/69, na sequência do caso que levou ao desfecho do campeonato desse ano. Sem nada ter a ver com ele diretamente, mas ficando ligado a tal episódio por ter sido chamado a alinhar, como o próprio relembra.


Passados entretanto os anos já decorridos, o caso dá para recordar como na vida do FC Porto sempre houve e haverá de modo marcante momentos bons e menos bons, mesmo com pessoas que ficaram relacionadas com boas e menos boas ocasiões. E no caso calha bem para fazermos memória de Leopoldo, um simpático defesa que vimos com a camisola linda das duas listas azuis sobre fundo branco, como o azul das veias ressalta na candura dos sentimentos.


Armando Pinto
((( Clicar sobre as imagens, para ampliar )))