quarta-feira, 22 de março de 2017

Eduardo Gomes - Um dos "Valentes" Vencedores Portistas da Taça de 1968!


No mundo azul e branco, do entendimento portista, os jogadores que souberam honrar a camisola do FC Porto estão em lugar de grande apreço na afeição clubista. Havendo entre todos sempre alguns que ficam ligados de modo especial, por momentos também especiais proporcionados no universo afetivo. Como aqui para o autor destas linhas ficaram os que venceram a final da Taça de Portugal em 1968 – por ter sido a primeira grande vitória vivida por quem começou a ser Portista em inícios dos anos sessentas… E entre os vencedores, além de Américo, Pinto, Valdemar, Nóbrega, Djalma, Atraca, Rolando, Pavão, Bernardo da Velha e Jaime, esteve também Eduardo Gomes. 


Eduardo Gomes na época era quase só conhecido por Gomes - e curiosamente passou depois a ser referido publicamente com o primeiro nome, mas mais nas referências históricas, devido ao aparecimento e importância do goleador Fernando Gomes... anos mais tarde.


Ora esse Gomes, o primeiro, era um futebolista muito útil e certeiro, por norma sem saber jogar mal, mas dentro do clube demorou um pouco a conquistar um lugar fixo na equipa principal. E tal como apareceu, quase sem se dar por ele, também desapareceu, saindo por fim do F C Porto sem grandes alaridos.


De nome completo Eduardo de Oliveira Gomes, nasceu no dia 12 de Agosto de 1942 em Matosinhos. E como tal, naturalmente, iniciou-se nas camadas jovens do clube da sua terra, inscrito pelo Leixões S C na Federação Portuguesa de Futebol em 1958/59. Ali, depois de ter percorrido os escalões da formação do Leixões, ascendeu à categoria sénior do clube leixonense em 1961, logo na época da conquista da Taça de Portugal ganha pelo Leixões, surpreendendo o FC Porto na final, que Gomes ajudou a conquistar. Para de seguida ter permanecido na equipa principal mais quatro épocas, até que em 1965/66 se transferiu para o Futebol Clube do Porto, na altura treinado por José Maria Pedroto.

= Eduardo Gomes na equipa de futebol do Futebol Clube do Porto. Em cima da esquerda para a direita: Rolando, Sucena, Almeida, Pavão, Atraca e Américo. Agachados: Gomes, Djalma, Bernardo da Velha, Custódio Pinto e Nóbrega. Época de 1967/68. =

Na sua primeira temporada ao serviço do FC Porto contribuiu na conquista da Taça Associação de Futebol do Porto. Enquanto durante as épocas que permaneceu no clube também esteve anualmente no lote vencedor do Torneio Início da Associação de Futebol do Porto, ao tempo disputado durante a pré-época – como se recorda aqui o caso da época de 1967/68, através de imagem e anotação pessoal de arquivo do autor.


Nas Antas permaneceu durante seis temporadas, sendo inicialmente utilizado como extremo-direito e depois como médio de ataque. 

= Equipa do FC Porto da época 1967/68: Em cima, da esq. p/ d.ta - Rolando, Fernando, Almeida, Mário, Atraca e Américo; em baixo, pela mesma ordem - Eduardo Gomes, Djalma, Custódio Pinto, Manuel António e Malagueta.

= Equipa do FC Porto da época 1967/68, no ato da entrega do trofeu referente à conquista do Prémio Somelos-Helanca pelo guarda redes Américo, como melhor do campeonato dessa época, segundo pontuação do jornal A Bola. Em cima , da esq. p / d.ta: Jaime, Rolando, Bernardo da Velha, Valdemar, Américo, Rui, Fernando, Sucena e Eduardo Gomes. Em baixo, pela mesma ordem, Lisboa, Luís Pereira, Djalma, Malagueta, Custódio Pinto e Ricardo. 


Foi como espécie de líbero, deambulando pelo meio campo e extrema direita que atuou no Estádio do Jamor, na final da Taça de Portugal da temporada de 1967/68. Pois Eduardo Gomes foi um dos titulares que derrotaram o Vitória de Setúbal por 2-1 e levaram para as Antas tão apreciado troféu, dez anos depois da última conquista na mesma prova. No que foi, nesse tempo de acirrado sistema federativo BSB, uma autêntica "lança metida em África" do regime, como grande triunfo da presidência de Afonso Pinto de Magalhães à frente dos destinos do FC Porto e do treinador Pedroto na sua primeira passagem no clube como responsável do futebol sénior portista.

= Equipa da Final da Taça /68!

Com Pedroto chegou Gomes a capitanear algumas vezes a equipa principal, como no caso do jogo da homenagem nacional a Vicente do Belenenses...


... e mais tarde, depois de ter estado envolvido no “caso Pedroto”, que em 1969 suspendeu alguns dos mais influentes do plantel (Américo, Pinto e Gomes) por divergências com alterações dos hábitos da equipa, devido a início de estágios, ao regressar à atividade Gomes voltou a ser capitão da equipa na fase final desse campeonato, perdido anteriormente durante a ausência dos titulares afastados. 


Depois ainda esteve na equipa durante a seguinte época de 1969/70, de fraca memória, sendo que, como período de transição, houve enfraquecimento da equipa com a saída de Américo da baliza, forçado por lesão a acabar a carreira, mais a saída de Djalma, Jaime e alguns outros, tal como ainda por mais diversos motivos, tornando-se época quase para esquecer. 

Equipa do FC Porto do início da época de 1969/70: Em cima, da esq. p/ d.ta: Gualter, Rolando, Pavão, Vieira Nunes, Leopoldo e Aníbal; em baixo pela mesma ordem - Lisboa, Custódio Pinto, Chico Gordo, Eduardo Gomes e Nóbrega.

De permeio, excetuaram-se algumas ocorrências dignas de nota, conforme foi a ida ao Brasil, em Janeiro de 1970, para a inauguração do então novo estádio do São Paulo, onde a equipa azul e branca participou no jogo de inauguração do Estádio Cícero Pompeu de Toledo, mais conhecido por Estádio do Morumbi. Cujo resultado da partida foi um empate a 1-1, em prélio presenciado por cerca de cem mil adeptos, que resultou na conquista do Trofeu Governador Abreu Sodré. Havendo também durante essa digressão sido ainda recebido no Rio um trofeu como reconhecimento público de popularidade (“F C Porto o mais popular clube português no Rio de Janeiro”), através dum concurso da rádio, como se pode ver e ler pelo recorte reportando esses dois galardões.


Depois disso esteve Gomes ainda na equipa portista durante o período de renovação do futebol dos dragões, até que no final da época de 1970/71 deixou de fazer parte do plantel do FC Porto. Após, na soma das seis épocas em que representou o clube Dragão, Eduardo Gomes ter disputado 100 jogos oficiais e apontado à sua conta 5 golos, também em jogos oficiais pelo FC Porto.

Plantel do FC Porto à época 1970/71: Em cima da esq. p/ d.ta - Tommy Docherty (Treinador), Rui, Manhiça, Rolando, Valdemar, Vieira Nunes, Pavão, Albano Soares, Gualter, Hélder Ernesto, Gomes, Armando Silva e António Teixeira (também treinador).

Mais tarde enveredou pela carreira de treinador, havendo já no comando técnico passado por vários clubes, como Coimbrões, Custóias, Trofense, Arcozelo, Valadares e Aliados de Lordelo. Reside atualmente em Vila Nova de Gaia e continua a ser lembrado entre os adeptos portistas, nomeadamente deveras recordado por conhecedores da História do FC Porto.

De sua carreira  brilhante juntamos mais algumas imagens, como corolário de sua ligação ao mundo portista, numa espécie de album de recordações dele e nosso – desde equipas de sucessivas gerações de ases da bola que envergaram a camisola do FC Porto, em que Gomes esteve incluído, até momentos épicos, como a final da Taça de Portugal ganha em 1968 e outras imagens comprovativas da sua polivalência valorosa. Como fica em nós a imagem do Gomes do tempo do Américo, Pinto, Rolando, Pavão, Nóbrega e C.ª !


Armando Pinto
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terça-feira, 21 de março de 2017

Estreia de Barrigana na Seleção A


A 21 de março de 1948, Barrigana, o “Mãos de ferro”, como ficou conhecido o guarda-redes retratado numa das esculturas que conduzem à entrada do Museu FC Porto, estreava-se pela Seleção Nacional A num amigável com a Espanha disputado no Nuevo Chamartín, o estádio do Real Madrid (que em 1955 seria rebatizado com o nome de Santiago Bernabéu, o histórico jogador, treinador e presidente dos “merengues”). Portugal perdeu nesse dia por 2-0 e Barrigana entrou na segunda parte, sofrendo de penálti um dos golos com que César, avançado do Barcelona, fez o resultado. Assim sendo, o primeiro golo havia sido sofrido por Sério, do Belenenses, enquanto depois Barrigana passou para a frente das redes aquando do outro golo do encontro, este de penalti.


Relacionado com esse jogo, pode acrescentar-se que também jogou um outro elemento portista, o Araújo, ao tempo um dos expoentes do futebol do clube (e que naquela época marcou 38 golos em 27 jogos pelo FC Porto, com um poker e cinco hat-tricks à mistura), tendo então António Araújo alinhado de início na equipa portuguesa.


Barrigana havia tido anteriormente sua estreia internacional por uma equipa representativa do futebol português em jogo pela Seleção B, jogando a 4 de Maio de 1947 contra a seleção de França B em Bordéus, cujo desfecho, de 4-2 a favor dos gauleses, só não foi mais dilatado graças a grande exibição de Barrigana, como rezam as crónicas do tempo.


Quanto à sua estreia na seleção principal portuguesa, Barrigana mereceu o seguinte comentário de José Parreira na “Biografia de Frederico Barrigana - O Homem das Mãos de Ferro”: «Em 21 de Março de 1948 Portugal defrontara a Espanha, no Estádio de Chamartin, em Madrid, levando o nosso team representativo Sério como efetivo e Barrigana como suplente. Para o segundo tempo e dado o nervosismo demonstrado pelo guardião belenense, Barrigana substituiu-o. E jogou muito bem. Sofreu apenas um golo, a 2 minutos do recomeço, mas este mesmo apontado de grande penalidade.»

Armando Pinto

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segunda-feira, 20 de março de 2017

Gustavo Veloso vencedor isolado da Clássica da Primavera/2017 na Póvoa de Varzim


Dando já um ar de sua graça, o categorizado ciclista Gustavo Veloso triunfou categoricamente na “Clássica da Primavera”, levando ao rubro a assistência presente junto à meta, perante a visão duma camisola da equipa de ciclismo do FC Porto passar no corpo do ciclista primeiro a ultrapassar o risco final, sob o pórtico da meta, na cidade da Póvoa de Varzim.


Como o ciclismo é uma modalidade em que não há árbitros a fechar os olhos a penaltis cometidos por equipas dos clubes adversários do FC Porto, ainda vai havendo verdade desportiva a dar ao pedal, através da classe dos melhores.


Efetivamente, o galego Gustavo César Veloso, da W52-FC Porto-Mestre da Cor, ganhou este domingo na Póvoa de Varzim a 21.ª edição da Clássica da Primavera, corrida com 147 quilómetros de percurso, perante ambiente primaveril anunciador da Primavera prestes a chegar, também. Tendo a parte decisiva da prova sido discutida entre um numeroso grupo de fugitivos, aos quais Veloso se escapou por fim.


A prova poveira, com sete subidas ao Monte de S. Félix, em curta mas difícil subida de piso empedrado, acabou por ter ficado decidida em terreno plano. Como o vencedor referiu, no final: «Vínhamos numa fuga numerosa em que havia equipas com mais elementos do que nós. Por isso, tentamos endurecer desde longe, para partir o grupo, de maneira a que o jogo de equipa não fosse tão importante. Ficamos três homens na frente e, na parte plana, ganhei uns metros e consegui ganhar. Ainda não estou no meu máximo, mas sinto-me melhor do que no ano passado por esta altura», nas palavras de Gustavo. Que antes, durante o percurso, aproveitou a marcação entre os adversários e as suas equipas para se isolar e vencer ao fim de 3 horas, mais 38 minutos e 36 segundos de tempo total de corrida. O segundo classificado foi o colombiano Omar Mendoza, da Equipo Bolivia, a 51 segundos, enquanto com a mesma diferença ficou em terceiro Domingos Gonçalves, da RP-Boavista.


Além do triunfo individual, Gustavo César Veloso também ganhou a classificação do Prémio da Montanha e contribuiu para o triunfo coletivo da W52-FC Porto, tendo o FC Porto vencido por equipas igualmente.


No fim de contas Gustavo Veloso, natural chefe de fila da equipa portista, começa assim esta época em bom andamento e a dar alegrias aos admiradores do ciclismo portista. Havendo sido bem acompanhado por toda a equipa que, desta vez, ainda classificou mais dois ciclistas nos primeiros lugares.


Classificação final:
1.º - Gustavo César Veloso (W52-FC Porto), 3h38m36s
2.º - Omar Mendoza (Equipo Bolivia), a 51s
3.º - Domingos Gonçalves (RP-Boavista), mt
4.º - Alejandro Marque (Sporting-Tavira), a 1m19s
5.º - César Fonte (LA Alumínios-Metalusa BlackJack), a 1m39s
6.º - Daniel Mestre (Efapel), a 3m14s
7.º - Samuel Caldeira (W52-FC Porto), mt
8.º - Daniel Freitas (W52-FC Porto), mt
15º - Ángel Sánchez +3:24
21º - Juan Ignacio Perez Martin - Ciclista +3:58
26º - João Rodrigues +4:00
32º - António Carvalho +4:00
40º - Jacobo Ucha +4:00
43º - Tiago Ferreira +5:54


Podio por equipas:
1º - W52/FC PORTO (PORTUGAL) - 11:02:16
2º - RP - BOAVISTA (PORT) - 11:03:10
3º - SPORTING / TAVIRA (PORT) - 11:03:41

Geral Montanha 
1º - Gustavo Veloso 
4º - Tiago Ferreira


Geral Metas Volantes 
4º - Gustavo Veloso


Em suma, havendo corrido sempre entre os mais rápidos desde início da prova, Veloso superiorizou-se aos restantes, tendo na última passagem (à 7ª contagem de montanha) pelo Monte de S. Félix, o ciclista da W52-FC Porto-Mestre da Cor surpreendido tudo e todos ao subir em ritmo forte e acelerado de modo aos adversários ficarem sem resposta, obtendo seu primeiro triunfo da época, de forma a dar confiança para o resto do calendário da temporada.


É pois, então, Gustavo Veloso do FC Porto o grande vencedor da 21ª edição da Clássica da Primavera.


Armando Pinto
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domingo, 19 de março de 2017

Dia do Pai em Flama Portista


Com o ambiente a anunciar a Primavera, chega o Dia do Pai pedindo meças à renovação da natureza. Na simbiose figurativa do santo patrono da data, sendo dia dedicado a São José, o patriarca da Sagrada Família e pai terreno de Jesus Cristo, servindo a preceito para elevar todos os pais. Num abraço que aqui queremos estender ao simbolismo portista, dando um abraço aos pais dos representantes do FC Porto e filhos que se foram e vão tornando pais, na história do FC Porto.


Serve então de pretexto o dia para mais um remirar de algumas imagens capazes de fazer lembrar gente boa do FC Porto. Sempre com a figura paternal presente, como dá para associar um jeito de afeto clubista, à imagem da foto que juntamos, a propósito, com António Oliveira a dar um beijo a seu pai.

Assim sendo, coincidindo ser dia de mais um jogo importante no estádio do Dragão, juntamos a motivação do próprio dia com o início desta dedicatória, a começar nas figuras de Oliver Torres e Casillas, por quanto já significam nos afetos e na expansão do clube.


De seguida, homenageando todos os pais através de alguns exemplos, em percurso pelo correr do tempo na vida do FC Porto, começamos um périplo com um representante de antigos homens do clube, pousando voo de memória em Soares dos Reis, o primeiro guarda-redes de futebol internacional do FC Porto, como figura simbólica dos anos trinta e mais tarde dirigente. Manuel Soares dos Reis que se vê na foto num convívio familiar, em cuja reunião de família à volta de merendeiro tradicional está seu pai ao centro, enquanto Manuel Soares dos Reis se encontra ao lado esquerdo da imagem, e mais ao lado o seu irmão José, também guarda-redes que defendeu as balizas do FC Porto.


Depois, passando à geração dourada dos anos cinquentas, enternece na memória coletiva recordar Hernâni, o “General” do futebol, aqui por meio de imagens elucidativas, quer de seu pai, como dele mesmo como pai, através da filha também. Assim como lembramos Américo, o “Primeiro Baliza de Prata” que foi figura ainda dos anos cinquentas e sobretudo da década de sessenta, presente no batizado do filho de Valdir conforme foto que colhe os dois futebolistas desse tempo. Mais recordação do “Cabecinha de Ouro” Pinto, com fotos de sua prole, segundo um dos livros sobre ele na coleção Ídolos do Desporto. Até um quadro terno do esquerdino Nóbrega também como pai.


Embora não sendo possível homenagear tudo e todos quantos seria de desejar, e privilegiando o futebol, naturalmente, intercala-se contudo uma imagem de gente do hóquei, como que tomando o todo pela parte (no caso pela presença do pai de Cristiano).


Entretanto, continuando viagem na máquina do tempo, procuramos fazer algo com alguns dos muitos exemplos possíveis, mantendo percurso, passamos a períodos seguintes, com pais e filhos, mais filhos já como pais, numa sequência  reportando a Fernando Gomes, Oliveira, Freitas, Murça, Zé Beto, Adelino Teixeira, Albertino, Frasco, Lipcsei, António André/André André, Domingos/Gonçalo Paciência, Hulk, Iker Casillas e Tiquinho Soares – cujos rostos e fisionomias, além de algumas legendas, deixam ramos floridos de apreço.


Com pais e filhos assim, entre tantos e tantos, o caso serve especialmente para vincar (no jeito popular de dizer as coisas ao contrário, ironicamente com outro sentido), qual conceito nosso: - Não há pai pró Porto...! 

Armando Pinto
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