Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

sábado, 16 de novembro de 2019

16º Aniversário da Inauguração do Estádio do Dragão


Parece ainda ter sido há pouco tempo, para quem já viveu algo mais, mas realmente até já se passaram 16 anos desde aquele domingo de temperatura meteorológica agreste mas ambientalmente atraente. Como foi andar ali entre a multidão ao redor do estádio novo e nas cercanias do antigo, até que lá dentro foi toda uma explosão de admiração que mais parecia estarmos nas nuvens, a ver aquilo quase sem sabermos ainda muito bem como ali estávamos, em algo nosso que ainda nem conhecíamos bem. Quase como quando sonhamos com locais que nos parecem surreais, em mistura de ilusões e realidade sonhada.


Entretanto, passados 16 anos desde esse inesquecível dia, em que deixei de ir ao magusto anual dum agrupamento fundado precisamente por mim uns bons anos antes, para então estar quanto mais tempo possível no novo mundo azul e branco... longe estava de imaginar que 16 anos depois estaria a apresentar um livro próprio, na mesma data, este ano, agora, em novo motivo regionalista e de afeição local.

Passa então agora mais um aniversário do estádio do Dragão, sobre a data da sua inauguração, pois de construção tem mais tempo, incluindo o do atraso provocado pelo Rio que então inundava os interesses da cidade. Ficando a valer após ter ficado pronto, com o estádio a ser aberto ao público, contando a abertura festiva que ocorreu então na época fria de outono, porém sob temperatura efusiva do calor clubista.


Como já se vão somando os anos e acumulando as apreciações, depois de alguns anos em que neste espaço de Memória Portista também se tem assinalado cada ano dos respetivos aniversários, pode parecer que está tudo dito (escrito), contudo nunca será demasiado celebrar o caso, tal o que se viveu nesse dia e pela noite adiante. Ficando as recordações personalizadas, quer na retina da memória pessoal, como em adereços e objetos, de estimação.


Ora, como as imagens valem por muitas palavras, assinala-se a data com algumas fotografias retiradas de literatura historiadora dessa festiva inauguração.


E o estádio do Dragão continua a ser a nossa casa dos momentos portistas.


Armando Pinto

Post Scriptum - Das páginas do clube, juntando textos de Dragões Diário e da página fcporto.pt:

 A nossa casa está de parabéns. O Estádio do Dragão foi inaugurado há 16 anos com uma cerimónia que teve como ponto alto um jogo particular com o Barcelona. O FC Porto venceu por 2-0 no encontro em que Lionel Messi se estreou como sénior, e Derlei marcou o primeiro golo da história recinto projetado pelo arquiteto Manuel Salgado.

Pouco dias antes, José Mourinho tinha garantido que era “fantástico inaugurar o estádio como campeão nacional”. E acrescentava que “fantástico seria também, na primeira época em que aqui jogarmos, voltarmos a ser campeões”. O desejo cumpriu-se e as expectativas foram superadas: o FC Porto foi campeão nacional e da Europa em 2003/04.

São muitas as alegrias que os portistas viveram no Dragão. Só troféus conquistados foram 24, três deles internacionais. A este nível, só um recinto da história do futebol português tem um registo melhor: o Estádio das Antas, onde foram festejados três títulos europeus e um mundial.

Inaugurado em 2003, o sucessor do Estádio das Antas já assistiu à conquista de 24 títulos: oito Supertaças, nove Campeonatos, quatro Taças de Portugal, uma Liga Europa, uma Liga dos Campeões e uma Taça Intercontinental. São muitas e boas as histórias que o Estádio do Dragão já tem para contar com 16 anos de vida. Por isso, há números e registos que tem de conhecer.

Ao sentar-se por 89 vezes no banco do FC Porto, Jesualdo Ferreira é o treinador com mais jogos no Estádio do Dragão. Sérgio Conceição, o atual treinador portista, soma 62 jogos e segue na segunda posição. No primeiro lugar da lista de jogadores com mais jogos continua Helton: com a camisola do FC Porto, o guarda-redes brasileiro defendeu as balizas do Estádio do Dragão em 159 ocasiões. No que diz respeito ao ataque, Jackson Martínez é o mais concretizador de sempre, com 49 golos marcados no recinto portista.

No capítulo das assistências, Ricardo Quaresma continua a liderar, com 37, mas Alex Telles é uma ameaça real ao antigo extremo portista, pois já contabiliza 33 passes para golo no Estádio do Dragão. Por falar em golos, o primeiro de sempre do recinto foi apontado por Derlei, no jogo de inauguração frente ao Barcelona que marcou a estreia de um tal de Lionel Messi na equipa principal dos catalães. Ainda assim, o primeiro golo em jogos oficiais foi assinado por Maniche, 83 dias depois da inauguração.

A 15 de agosto de 2014, Rúben Neves tornou-se o jogador mais jovem a marcar no Estádio do Dragão, ao abrir caminho a uma vitória sobre o Marítimo (2-0). Na altura, o médio que agora joga no Wolves, de Inglaterra, tinha 17 anos, cinco meses e dois dias, mas esse recorde foi batido esta época por Fábio Silva, autor do último golo no triunfo sobre o Famalicão (3-0). Com 17 anos, três meses e oito dias, Fábio Silva tornou-se assim o jogador mais jovem a marcar no Estádio do Dragão.

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quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Emblema do FC Porto - a propósito da estreia de Simplício, autor do distintivo do FCP


Na data correspondente a este dia de há 102 anos (pelas contas atuais de 2019), a 14 de novembro de 1917 «Augusto Ferreira estreou-se com a camisola do FC Porto numa vitória por 2-0 frente ao Académico do Porto. Uma estreia como tantas outras, não fosse Augusto Ferreira conhecido no mundo do futebol como Simplício, o autor do emblema do FC Porto como o conhecemos hoje, desenhado pelo talento do jogador em 1922.» Conforme é recordado em “Dragões Diário”, na lembrança do acontecimento do dia.


Sendo na verdade a efeméride relacionada com o autor do distintivo do FC Porto merece mesmo referência especial, por haver sido então a entrada na equipa do clube do homem que desenhou o emblema que tanto nos encanta.


Como ilustração relacionada, respiga-se do livro “100 Momentos”, de Júlio Magalhães, a página correspondente à origem e autoria do símbolo-mor do FC Porto (embora no livro apareça por lapso a data de 1921, quando foi em 1922).


Entretanto, se há cerca de cinquenta anos, pelas contas atuais, houve um célebre figurante conhecido por “homem do emblema”, numa rábula famosa protagonizada pelo cómico comediante Raúl Solnado no televisivo Programa Zip Zip, no caso ora em apreço trata-se mesmo do verdadeiro “Homem do Emblema”. Conforme se sabe do distintivo portista ter sido elaborado graficamente por Augusto Ferreira, mais conhecido por Simplício – o autor do brasão tornado símbolo do clube que passou desde então a usar as armas heráldicas da cidade da Virgem. Sendo o emblema algo especial, a pontos que outrora era entregue aos sócios até um como identificação (dos chamados de lapela, para colocação no vestuário, normalmente na lapela do casaco ou gola do blusão, como se usava ao tempo), distintivo esse que acompanhava o cartão e um exemplar impresso dos estatutos oficiais, conforme constava dos próprios estatutos do clube.

Pois Simplício foi devidamente referenciado na narrativa da História do FC Porto escrita em 3 volumes por Rodrigues Teles, constando no respetivo 1º volume como para aqui se transpõe.


Assim, depois do inicial distintivo com monograma das iniciais FCP entrelaçadas, por assim dizer, como ainda do seguinte composto numa bola azul com as mesmas iniciais dispostas em linha, teve vez o histórico, tal como durante longos anos passou a constar de tudo o que respeitava ao FC Porto e ainda perdura, apenas com alterações recentes de pormenores (como em vez da língua sagitada saída do dragão heráldico, passou a surgir com a colocação duma chama na boca do dragão emblemático. Bem como seguidamente houve pequenas mudanças nas tonalidades e grafismo do azul).  

 

Dentro do padrão do emblema histórico, acresce que o mesmo também apareceu ao longo dos tempos em variados formatos nas sucessivas camisolas usadas, conforme eram e foram bordados e depois estampados  como se pode ver por sucessão de camisolas (da coleção particular do grande colecionador portista Carlos Morgado).


Ora, desde o inicial monograma, que se passou a conhecer por fotografias sensivelmente dos primeiros anos, até ao que conhecemos e vigora, o emblema portista representa mesmo o portismo que pulsa na pele do sentimento portista.

Armando Pinto
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Obs.: Fotos retiradas de livros da coleção do autor deste blogue; com exceção da imagem de Simplício em jogo, enviada pelo amigo Paulo Jorge Oliveira, mais a imagem da página de "Karlos Morgado".

A. P. 

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Subsídios históricos dos princípios do Hóquei em Patins do FC Porto


Estando-se em período comemorativo de histórico feito do hóquei em patins do FC Porto, sendo que neste mês de novembro se perfazem 50 anos da conquista do Campeonato Metropolitano alcançado no outono de 1969, vem a calhar uma memorização comemorativa pelos inícios da modalidade no FC Porto, até ter sido alcançada essa proeza. Sabendo-se que até então o hóquei havia estado mais desenvolvido no sul do país, melhor dizendo em Lisboa e arredores, até que com o FC Porto a alcandorar-se aos lugares cimeiros o hóquei patinado se começou a impor também na parte nortenha da nação.


= Equipa dos Campeões Metropolitanos de 1969 =

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Ora.. O Hóquei em Patins entrou no FC Porto na década de quarenta, tendo sido em 1944 que o clube «tomou parte em provas oficiais, inscrevendo-se em todos os torneios regionais…». Constituíam a “equipa da fundação” os hoquistas António Castro Lacerda, Álvaro Almeida, António Joaquim Costa, António Brandão, Gualdino Leite, José Arches Carvalho, Delmiro Silva e Alberto Lima Ruella».

Viria então, em 1944/45 a pioneira equipa portista a classificar-se em último lugar do Campeonato Regional, também disputado por poucas equipas, «o que “não foi de estranhar” dada a falta de recinto para treinar e de orientador capaz», como se pode ler na revista “Vida do Grande Clube Nortenho (2)”, segunda brochura da coleção Seleções Desportivas (editada em 1978).

Como testemunho dessa antiga realidade, juntamos um exemplo de notícia coeva, dada à estampa na revista Stadium em seu número de 29 de Maio de 1946, aludindo a anterior experiência, quanto à participação duma equipa do FC Porto na época anterior (1944/45).


Contudo, a sua existência sofreu, de permeio, uma interrupção nas atividades, após um curto período de competição entre 1944/45 até 1946. 

O hóquei estava a desenvolver-se com maior força no Sul do país, enquanto a Norte poucos eram os clubes que ainda se dedicavam a esta modalidade jogada sobre patins, sendo mais na área do Porto que se encontravam equipas de hóquei patinado, entre clubes que praticavam modalidades de rinque, normalmente ao ar livre. Então, o FC Porto aparecera com uma equipa sénior, mas por pouco tempo, à falta de recinto próprio, pois que mesmo as outras modalidades no clube, como o basquetebol, por exemplo, andavam por diversos rinques, enquanto o campo da Constituição era usado pelo futebol e andebol de onze.

Assim sendo, só mais tarde, e com a construção de um rinque de cimento na Constituição, o hóquei em patins reapareceu no FC Porto. Tendo a secção sido depois reativada já a meio da década de cinquenta, mais concretamente em 1955, por exigência dos sócios, «a pedido do público e até dos clubes adversários», devido ao fascínio que sua prática despertava no país a nível da seleção nacional e por reconhecimento de necessidade «da presença duma equipa portista nas competições, com vista a poder ser desenvolvida a modalidade…»

Após isso o reenício, ou mais propriamente o início definitivo,  depois de tempos de atempada preparação, foi já na primavera de 1956, aquando da disputa do Mundial de seleções no Porto, dando-se de seguida a entrada oficial do FC Porto em competição.


A equipa de hóquei em patins do Futebol Clube do Porto estreou-se em competições oficiais na 2ª Divisão Regional da Associação de Patinagem do Porto a 05/07/1956, no rinque das Cavadas (cedido pelo Estrela e Vigorosa), num jogo diante do CDUP, com vitória portista por 9-1. Sendo de acrescentar que os restantes jogos do FC Porto para o campeonato foram disputados no rinque do Lima (cedido pelo Académico), de modo a albergar o grande número de espectadores interessados.


Então, só na década de cinquenta foram obtidos os primeiros títulos, tendo em 1955/56 sido conquistado o Metropolitano da 2ª Divisão, fase Norte, mais conhecido ao tempo por Campeonato Regional (mas que dava título de Campeão do Norte), ascendendo por isso o FC Porto à 1ª Divisão. Era chefe de secção o então dirigente Melo Cruz e treinador o Dr. Mário Aragão, no regresso do FC Porto à modalidade.


= Equipa do F C Porto aquando do 1º jogo e depois já com o clube campeão da 2 ª Divisão Regional do norte em 1955/1956. No retorno à competição (sendo este o primeiro ano de competição após curto período entre 1944/45 até 1946). 


Desses tempos foi superiormente registado o início da atividade hoquista no anual Relatório e Contas do clube, constando em tal documento publicado da Gerência de 1956 um relato descritivo com a história inicial da modalidade no seio do FC Porto.


Ganho assim um lugar importante no ambiente portista e mesmo algum prestígio no panorama do hóquei nacional, a equipa do FC Porto passou a deter respeito, a pontos de merecer pedidos de comparência em acontecimentos relevantes, como foi o caso de em Novembro do mesmo ano de 1956 ter ido solenizar a inauguração de um recinto desportivo na Beira Litoral.

Ficou então registado no jornal O Porto esse facto, também digna de nota;



Passada a fase embrionária, depressa o hóquei portista ganhou ainda maior visibilidade com a inclusão de um nome mais sonante. Havendo então sido incluído um hoquista-futebolista, Acúrcio Carrelo, o qual acumulava a prática hoquista com o futebol (sendo então Acúrcio guarda-redes de futebol da equipa principal do FC Porto), mais um aderente hoquista-basquetebolista, Ruben Lopez (este por sinal até jogador-treinador do basquetebol portista, nesse tempo). 

Com efeito, constituíam a equipa da época, entre outros, Campos, Luís Sousa Mota, Acúrcio Carrelo, Ruben Lopez, Morais e Abílio Moreira. 


Isso porque, entretanto, quando se davam esses iniciais momentos, e perante a estada de Acúrcio no futebol do F C Porto, vindo de Moçambique em 1955, e como ele praticara hóquei sobre patins enquanto vivera naquela então província ultramarina portuguesa, foi seduzido a também ajudar ao fortalecimento da existência do hóquei no Porto. Tendo sido assim que em Maio de 1957 se integrou na equipa de hóquei do F C Porto. Tanto ajudando a um maior impacto que a sua integração hoquista ficou registada na imprensa, motivando que se ficasse a saber à posteridade ter sido a 8 de maio de 1957, quando centenas de pessoas acorreram à apresentação de Acúrsio como avançado da equipa de hóquei em patins do FC Porto. E a verdade é que o excelente guarda-redes de futebol, que foi internacional pela seleção nacional de futebol, era igualmente bom no hóquei, pois também chegou a internacional na modalidade jogada a correr em patins de rodas.


Acúrcio Carrelo foi, depois, o 1º internacional do clube nesta modalidade, tendo em 1957 feito parte da seleção portuguesa presente no Torneio de Montreux, marcando inclusive 6 golos; e depois no Europeu, nesse mesmo ano em Barcelona, onde fez 2 golos; sendo por fim selecionado para a Equipa da Europa que defrontou a Espanha, em cujo prélio contribuiu com 3 dos cinco golos dessa turma do chamado “Resto da Europa”.

= Seleção Portuguesa, em 1957, Taça das Nações de Montreux - com Acúrcio ao centro, em primeiro plano (na fila de baixo) =

A carreira desse avançado Carrelo do hóquei não foi mais além, porém, por entretanto ter acabado essa dupla função com a chegada do profissionalismo ao futebol, enveredando Acúrcio apenas pela sua prestação como guarda-redes do futebol portista, entre outras situações, como aconteceu à mesma com Morais, que também jogava hóquei (e ainda Pinho, igualmente “nosso” guardião de futebol, que ao tempo também acumulara na defesa da baliza do Andebol azul e branco).

Evoluiu a modalidade no clube com reforço da equipa já nos inícios da década de sessenta, havendo em 1960 sido atingido ponto de realce na conquista do Campeonato Regional da 1ª Divisão, de permeio com o ingresso de Joaquim Leite, oriundo do hóquei em campo do clube e durante algum tempo também atleta que acumulou as duas modalidades, mais Alexandre Magalhães, histórico "capitão" da equipa durante anos, e outros.

= Equipa do F C Porto, Campeão do Norte de Portugal em 1960

O rinque da Constituição enchia-se então já de entusiastas adeptos do hóquei, como mais uma modalidade engrandecedora do ecletismo do FC Porto.

A par com a equipa senior, passou o hóquei do FC Porto a ter também formação através de correspondente equipa junior. Com resultados desde logo interessantes, tendo mesmo em 1959 os juniores do FC Porto sudo Campeões Regiionais.

O plantel dessa conquista  era composto pelo conjunto de jovens que constam da foto histórica respetiva (da qual, se pode idebtificar a sua composição, por legenda que ficou aposta no verso da foto originaL)

( .. F C Porto Campeão Regional do Porto, na categoria de Juniores: No 1º plano, da esquerda para a direita - Edmundo, Carlos Duarte, Ruela e Serafim. No 2º plano (de pé), da esquerda para a direita - Mota, Albano, Nora e Camilo)

Passaram depois a haver continuidade de resultados da formação de jovens que se tornaram revelações, com o aparecimento de novos valores, quando começou a despontar a geração de Cristiano:
  

Com essas fornadas mais jovens a engrossarem a massa que já aparecera e entrara na equipa principal, com saliência para Moreira, Magalhães, Leite , Moura, Vitorino, etc, a evolução foi mais consentânea com a posição do clube.


De patins bem assentes nos rinques, o hóquei portista foi crescendo cada vez mais e a meio da mesma década de sessenta se ampliou tal valorização com a implantação na equipa principal de jovens valores como Hernâni e Cristiano, que mais completaram a equipa capitaneada por Magalhães, cuja experiência dava amplitude ao conjunto que tinha Branco na baliza e Joaquim Leite a desenvolver as jogadas e ainda Valentim. Aos quais se juntaram alguns reforços, quando vieram os madeirenses Ricardo e Castro, mais o regressado João Brito (que fizera parte da equipa da transição dos anos cinquenta até ao título de 1960 e, depois de alguns anos fora do clube, regressava então).


Começara a afirmar-se o hóquei portista no panorama nacional, sobremaneira ao atingir alto patamar com a conquista do “Metropolitano” da 1ª Divisão em 1969, sendo diretor da secção Jorge Nuno Pinto da Costa e treinador Laurentino Soares.

= Campeões Metropolitanos - 1969 (falta na foto António Júlio, dos que jogaram na fase final; enquanto estão Joel e Rui Catano, não utilizados na fase decisiva, mas como suplentes em jogos de apuramento =


Eram então tempos em que a categoria de Cristiano dava expressão ao conjunto de valores que se foi juntando no grupo azul e branco. Havendo de permeio o hóquei do FC Porto sido honrado em 1968 com a escolha de dois jovens hoquistas para a seleção portuguesa de juniores, Cristiano e Castro, tornados então os primeiros internacionais desse escalão da modalidade do clube. Glória acrescida de em 1969 os mesmos, junto com os colegas de equipa António Júlio e Fernando Barbot, se terem sagrado campeões europeus de juniores com a seleção portuguesa, em Vigo (e, volvido um ano, Cristiano de novo repetiu a proeza, juntando em 1970 a função de capitão da equipa que levantou o trofeu europeu).


É dessa fornada a formação perpetuada na imagem que se junta, de 1970, quando pela segunda vez consecutiva a equipa do FC Porto alcançava o lugar de vice-campeão nacional (em cujo verso da mesma foto ficaram impressos os respetivos autógrafos). Equipa que posou à posteridade aquando da disputa do Metropolitano, vendo-se no 1º plano, a contar da esquerda: J. Leite, João de Brito, Cristiano, Castro e Ricardo. Em pé, a partir da esquerda: Hernâni, Zé Fernandes e António Júlio.


Entretanto, em 1969/70, mas já com a primavera de 1970 a florir, o FC Porto entrou nas competições europeias de hóquei, em estreia internacional, como representante oficial português na então Taça dos Campeões Europeus. Havendo iniciado a participação eliminando o campeão alemão (de cujo encontro se anexa foto de conjunto das duas equipas) e por fim discutiu as meias-finais taco a taco com os espanhois do Reus.


Na continuidade da prática hoquística no FC Porto, Cristiano foi chamado à seleção nacional de seniores, acrescendo em 1971 ter feito parte da seleção vencedora do Europeu, para cujo alcance contribuiu com golos decisivos, para gaudio de seus admiradores e enriquecimento dos pergaminhos da secção de hóquei em patins do FC Porto.


E daí em diante Cristiano Pereira passou a ser presença assídua nas seleções representativas de Portugal, sendo durante muitos anos o único do FC Porto a ser escolhido para essas equipas de seniores, com exceção de um ano em que Brito foi também incluído na seleção para os jogos mundiais e noutro Castro foi ao Europeu, conquistando o título correspondente com a camisola das quinas

= Cristiano recebendo uma prenda do clube, das mãos do Presidente Afonso Pinto de Magalhães, pela sua participação na seleção portuguesa que venceu o Europeu de 1971 =

 A partir daí o hóquei foi crescendo dentro do clube, sempre na disputa dos primeiros lugares. Tempos em que as camadas jovens alcançaram primeiros títulos nacionais, com a obtenção do título nacional de juvenis em 1971 e o de Juniores em 1973/74. Contando no plano diretivo também com grandes dedicações, como aconteceu com Fernando Barbot (pai de tres hoquistas que fizeram história no clube), Sampaio Mota, César e Dinis Brites, etc. Enquanto como treinadores tiveram trabalho de marca Alexandre Magalhães, António Henriques, João Brito e outros. Ficando na memória diversas lavas de hoquistas, desde uns Joel, Prezas, Nora, Beleza, Campos, Augusto, Orêncio, Jorge Câmara, Luís Caetano, Soares Pereira, irmãos Reis, Chalupa, Fanan, Vale, etc, etc. Sem esquecer o carisma da arte e engenho do "mecânico" sr. Óscar Amaral.

= Campeões Nacionais de 1982/83

Enquanto isso a história da modalidade no seio do clube dragão era então resumidamente registada com algumas dessas conquistas e ocorrências, como ficou impresso na edição especial d´ "A Vida do Grande Clube Nortenho":


Seguiram-se tempos de grande fulgor do hóquei portista, com a entrada em rinque de uns Domingos Guimarães e Carvalho, Vitores Hugo e Bruno, António Alves, Franklim Pais, Pedro e Paulo Alves, Carlos Realista, Tó Neves, Filipe Santos, Reinaldo Ventura, Helder Nunes, etc. etc., com muitos títulos em grandes períodos de hegemonia nacional, até à promissora era atual de Gonçalo Alves, Reinaldo Garcia, Poca, Rafa, Cocco, Carlos Di Benedeto, Xavi Malián, Sergi Miras, Tiago Rodrigues, Hugo Santos e Cª.

Com estes subsídios históricos, ao jeito de contribuições para a história, fica um enquadramnento do percurso que ficou deveras assinalado, até então e na fase crucual da solidificação, com a obtenção do Campeonato Metropolitano, que era ao tempo o Campeonato Nacional da Metropole portuguesa (cujo campeão do continente de Portugal disputava depois uma fase final com as equipas campeãs das então províncias ultramarinas de Angola e Moçambique).

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Agora, em tempo de castanhas e vinho novo, como há cinquenta anos, refrescam-se as ideias na memorozação da efeméride jubilar que ocorre no final deste mês. Sendo então de toda a justiça um artigo à parte, na ocasião, a rememorar a ditosa conquista do “Metropolitano” da 1ª Divisão em 1969. Com o contributo efetivo de Cristiano, goleador da prova, mais José Ricardo, João de Brito, Alexandre Magalhães, Joaquim Leite, Hernâni Martins, José Castro e António Júlio. Sob orientação do treinador Laurentino Soares, mais comparticipção diretiva de Jorge Nuno Pinto da Costa e do Professor Aires Miranda, à frente de uma equipa onde estavam também Sampaio Mota, os irmãos Brites e outros mais.
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Armando Pinto
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