Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

domingo, 15 de julho de 2018

JOSÉ NEVES brilhante vencedor do TROFÉU JOAQUIM AGOSTINHO


O ciclista José Neves da equipa W52-FC Porto venceu na tarde deste domingo de meio de julho a edição de 2018 do Troféu Joaquim Agostinho / Grande Prémio do Oeste / Internacional de Ciclismo de Torres Vedras, após ter terminado a terceira e última etapa da prova no terceiro posto, a nove segundos do vencedor do dia Henrique Casimiro. De modo que o ciclista portista venceu a classificação geral. Tendo recuperado assim a liderança que lhe havia fugido de véspera, desta feita ficando com a camisola amarela da prova em definitivo, sagrando-se vencedor final.

O portista José Fernandes Neves obteve posição que deu para vencer, enquanto o adversário corredor da Efapel concluiu os 172 quilómetros que ligaram o Cadaval ao alto de Montejunto com o tempo de 4h26m50s, gastando menos seis do que o segundo classificado, Joni Brandão, e menos nove do que José Neves, melhor portista a cortar a meta e naturalmente o melhor da geral.  


Depois de ter conquistado a camisola amarela na primeira etapa, e de a ter perdido na segunda, o corredor alentejano do FC Porto voltou ao lugar mais alto da geral, desta vez para selar o triunfo na prova. Além do triunfo na geral individual, os Dragões conseguiram também a vitória na classificação coletiva.


«No prólogo foi por pouco que não vesti a amarela, mas fiquei com ela no segundo dia. Sábado perdi-a, mas hoje viemos prontos para a guerra. Tive algum receio de arrancar, mas os meus colegas ajudaram-me», afirmou o corredor azul e branco citado pelo "site" da Federação Portuguesa de Ciclismo.


Tendo ainda recordado: «No início do ano assumi que este seria um dos meus objetivos. Ontem [sábado] perdi a amarela. Foi uma batalha perdida, mas não a guerra. Hoje viemos prontos para a guerra. Eu tinha algum receio de arrancar, mas os meus colegas disseram-me para não ter medo e motivaram-me», contou José Neves – conforme publicam alguns órgãos de comunicação que vão dando notícias sobre o ciclismo português.


Além de Neves, concluíram a prova mais quatro portistas: António Carvalho foi quarto (a 36 segundos), Gustavo Veloso foi 22.º (a 4m 42s), Ricardo Mestre foi 25.º (a 5m 27s) e Tiago Ferreira foi 72.º (a 34m 41s).


Com este triunfo, mais um de ciclistas do FC Porto durante a época, José Neves sucede a Amaro Antunes, que venceu o Troféu Joaquim Agostinho em 2017 com a camisola do FC Porto.


Neste  41.º Grande Prémio Internacional de Torres Vedras-Troféu Joaquim Agostinho, o corredor do FC Porto, José Neves, que desalojou da liderança o espanhol Óscar Hernández, da Aviludo-Louletano, terminou a prova com quatro segundos de avanço sobre Henrique Casimiro, da Efapel, e cinco em relação a Joni Brandão, do Sporting-Tavira. Além da vitória individual da Geral (camisola amarela), Neves venceu também a classificação do prémio Juventude (camisola laranja). No pódio da classificação por equipas, em 1º ficou o W52-FC Porto, em 2º o Sporting-Tavira, distanciado a 4 minutos e 29  segundos, enquanto em 3º se posicionou a Efapel a 5, 25.



Provado está que a camisola amarela fica mesmo muito bem aos ciclistas do FC Porto, autenticamente como ouro sobre azul !


ARMANDO PINTO
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sexta-feira, 13 de julho de 2018

Efeméride: Célebre “Caravana da Saudade”


"Aconteceu" – 13 de julho (de 1949)

«Há 69 anos, o FC Porto partiu de Lisboa no navio Império rumo a uma digressão em África, que ficaria conhecida como Caravana da Saudade (título de um livro de Delfim Pinto da Costa, dirigente do clube que participou na viagem). Durante quase três meses, a equipa principal de futebol viajou por Angola e pelo Congo Belga, participando em dez encontros particulares e vencendo todos. Mais importante do que os jogos e os resultados foi o contacto direto que foi proporcionado entre a comitiva e os milhares de portistas que viviam na maior colónia portuguesa.»
(“Dragões Diário”)

= Pose da equipa do FC Porto em Sá da Bandeira - Angola / 1949. Com o guarda-redes Valongo como titular, em virtude de Barrigana não se ter podido deslocar, devido a lesão sofrida dias antes  =

Como é bem lembrado na newsletter diária do FC Porto, foi realmente algo de realce essa longa digressão do FC Porto a terras da então África Portuguesa e região próxima de acolhimento de muitos portugueses também. Tão importante que levou inclusive a que, do relatório entregue à direção do clube pelo responsável da delegação portista, resultou a publicação de um livro, pela necessidade de salvaguardar a memória de quanto representou esse abraço levado aos compatriotas e consócios residentes naquela província ultramarina, por quanto foi traduzido no fervor então sentido e vivido de parte a parte.

Como nota memorial, ao assinalar-se mais esta efeméride, no caso sobre o início dessa viagem em que o FC Porto se fez representar tão bem por aquela embaixada, juntamos imagem da capa do importante livro que é um marco na literatura sócio desportiva, feito por aquele dirigente do clube que também foi redator do antigo jornal O Porto, Delfim Pinto da Costa – hoje com nome apelativo pela natural relação que essa ordem dos apelidos pode chamar a atenção, sem contudo ter nada a ver com o atual presidente Pinto da Costa, a não ser pelo Portismo comum. Mas aí também o autor destas linhas é Costa Pinto, mudando apenas a ordenação de nomeada (e o presidente Nuno Pinto da Costa até teve um tio de nome Armando Pinto, outro e naturalmente muito mais velho). Não que haja confusão, a sério, mas porque pode haver.

= Presença memorial da deslocação da Caravana da Saudade, através da valiosa Taça Salvador Correia de Sá e outras recordações, em vitrine do Museu FC Porto By BMG. =

Armando Pinto
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quinta-feira, 12 de julho de 2018

Como o FC Porto era visto na década dos anos 40’s – segundo reportagem da revista Stadium, publicação lisboeta de difusão desportiva de impacto nacional nesse tempo…


Na passagem dos tempos e evolução das circunstâncias, nem tudo evoluiu em Portugal à medida das realidades, mas quantas vezes apenas perante as dependências. Tal o que se nota no desporto português e na inerência relativa das publicações técnico-desportivas, conforme a fácil perceção relacionada com o panorama atual de jornais e canais televisivos sectários, contudo não diferindo muito de outros tempos em que as publicações de maior fama estavam com a mesma dependência do sistema de sempre. Como ainda se tem verificado com jornais demasiado dependentes do regime vigente, como são A Bola e o Record, embora nem só atualmente mas já de longa data, deixando grandes saudades da existência do antigo O Norte Desportivo que era uma das pedradas no charco de outros tempos.


Tal o que ainda agora, pesquisando numa revista de grande divulgação como era a Stadium, se verifica que pelos idos anos das décadas de quarenta e cinquenta, enquanto ao Benfica e ao Sporting, por exemplo, eram dedicados grandes espaços e profusas reportagens, carregadas de fotografias, ao FC Porto pouco mais era facultado que umas duas ou três imagens, quando não menos, apenas para não parecer mal. Só aparecendo mais quando era para dizer mal ou à procura de minar negativamente as mentalidades. Algo que hoje se torna notório na diferenciação de documentação histórico-ilustrativa à posteridade.


Assim, para se ver como nessas circunstâncias o FC Porto era visto apenas como um clube do norte, mas mesmo assim sem conseguirem retirar a importância que o grande clube português já detinha, deitamos olhos a uma reportagem inserta na revista Stadium, de Julho de 1944, como testemunho da visão sobre o FC Porto nesses idos tempos.


Armando Pinto
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segunda-feira, 9 de julho de 2018

Taça de Valência, de encontro entre campeões da Península Ibérica, na primeira vitória dum clube português em Espanha, em 1947



Ecoando ainda na memória dos tempos andava na transmissão popular a grandiosa vitória sobre o Bétis de Espanha, em 1935, que dera honra de triunfo na primeira Taça Ibérica, quando, após interregno motivado pelas vicissitudes da Segunda Grande Guerra mundial, se voltaram a encontrar em jogo de futebol as primeiras equipas dos campeões dos dois países ibéricos. Havendo então, em 1947, havido jogo entre os campeões respetivos, dessa vez em Espanha, tendo o FC Porto se deslocado expressamente para jogar com o Valência, em território espanhol. Voltando o campeão português a triunfar, dessa vez por 1-0, com golo do então avançado portista Virgílio, estreante a nível internacional na ocasião e que mais tarde se viria a destacar como defesa de grande porte, como evoca o epíteto de “Leão de Génova “ ganho em soberba exibição em Itália, volvidos tempos, na defesa da seleção portuguesa.

= Instantâneo do ato protocolar da troca de recordações. Sendo a imagem legendada na História do FC Porto, por Rodrigues Teles, assim: « Em 1947, era o Valência campeão da I Liga de Espanha. A nossa equipa deslocou-se ao país vizinho onde, em tarde brilhantíssima, venceu por 1-0 o categorizado clube espanhol. Fôra, até aquele ano, o F. C. do Porto o primeiro grupo português que conquistou, além-fronteiras, uma victória em prélios com clubes de Espanha. Nesta fotografia vemos Victor Guilhar, capitão da nossa equipa, oferecendo uma caravela ao capitão do Valência, que este retribuiu entregando o galhardete do seu clube. Um acto tradicional que é sempre rodeado dum ambiente de simpatia e fidalga cordialidade.»

Como reflexo histórico dessa façanha, evocamos desta feita essa estrondosa vitória, em Outubro de 1947, juntando excertos de reportagem constante num dos volumes da História do FC Porto, escrita por Rodrigues Teles – mostrando imagens e página inteira alusiva, da qual para melhor leitura se juntam retalhos separados:

= Imagem da página e do momento dos festejos pelo golo obtido, com Virgílio efusivamente vitoriado =


Como exemplo do que sempre foi o tratamento da imprensa nacional para com o FC Porto, pode-se reparar nuns quadros com que nas duas semanas seguintes e números sucessivos a ocorrência mereceu, apenas, leves referências na revista lisboeta Stadium, em seus números de 22 e 29 de outubro, em 1947.


Ainda no mesmo seguimento, como complemento, no sentido de melhor ficar a narrativa completa, anexa-se também, de seguida, um apontamento memorial publicado no antigo jornal O Porto, num artigo do então colaborador Custódio Castro, em ilustração à posteridade.


Por fim, ao jeito de acrescento apropriado, calha a preceito recordar uma parte duma entrevista de Virgílio, então ainda jovem futebolista em ascensão no FC Porto, publicada já depois também na revista Stadium, no ano imediato, como mostra de curiosidades relacionadas.

Armando Pinto
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domingo, 8 de julho de 2018

Treinador do FC Porto capa de revista social: - Entrevista com Sérgio Conceição na “ Cristina”


“Sérgio Conceição à conversa com Cristina Ferreira “

Entre as publicações que andam nos escaparates e nos chegam aos olhos pela publicidade, sabemos da existência da revista da apresentadora televisiva Cristina, intitulada com o próprio nome, da cara associada ao programa em que a mesma divide a apresentação com o conhecido Goucha. Mas nunca na vida o autor destas linhas pensava ler com muita atenção (a não ser de passagem nalguma sala de espera) e menos ainda comprar a mesma revista, não por qualquer motivo especial mas, apenas, por não ser de primeira necessidade nos hábitos de leitura pessoal. Contudo, agora, porque soube que traz uma entrevista com o Sérgio Conceição, treinador da equipa principal do FC Porto, logo que a vi num local de compras a agarrei para ler e guardar. Embora também, porque estando como estava revestida em embalagem plástica, não desse para ver de outro modo. Como aliás devia estar tudo o que é revistas e livros das superfícies comerciais, por forma a não ficar estragado para os verdadeiros interessados.


Assim sendo já tenho a revista Cristina, com o Sérgio Conceição na capa e onde dentro aparece entrevistado e fotografado a preceito, incluindo ilustrações de boa qualidade, mediante artísticas poses. Sendo como é esta revista direcionada aos meios artísticos e de mediatismo social, passando pela moda visual e temática comunicativa.  Em cujo conteúdo em apreço está a entrevista com Sérgio Conceição, bem conduzida na verdade, em formato clássico de perguntas e respostas, sem artificialismos, como por vezes acontece (quando entrevistadores expõem muita parra e pouca uva, por assim dizer). Lendo-se com agrado e de enfiada, para quem aprecia conhecer melhor pessoas merecedoras de nosso apreço.

Gostei e tenho gosto em juntar mais esta revista, por motivos óbvios, ao acervo histórico-documental da biblioteca portista aqui de casa.

Armando Pinto

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sábado, 7 de julho de 2018

“Taça Ibérica” conquistada em 1935 pelo FC Porto


Julho, mês de bons acontecimentos na profusão permitida pelo tempo quente, costuma ser mais associado como período de férias para muita gente, enquanto a nível desportivo normalmente é referenciado ao ciclismo, pela época de competições de proximidade à Volta a Portugal, mas por vezes o futebol retém atenções. Como nas temporadas dos campeonatos europeus e mundiais de seleções e em tempos também outras provas de importância para o tempo.

Assim foi, por exemplo, no ano de 1935 – em que no dia 7 de Julho o FC Porto, então também campeão nacional, venceu o Bétis de Sevilha, campeão espanhol, num amigável considerado como a "Taça Ibérica". Tinha o FC Porto uma equipa de grandes valores, como Pinga, Carlos Nunes, António Santos, Valdemar Mota, Soares dos Reis, Avelino, Pocas, Carlos Pereira, Jerónimo, Carlos Mesquita, João Nova, Castro e Cª, em que praticamente quase todos foram à seleção nacional, o que era e é caso raro; porque como é sabido, para um portista ser chamado à equipa da Federação Portuguesa de Futebol tem de ser mesmo muito bom, não bastando mais, mas sim muitíssimo superior aos outros.


Pois esse facto e tal feito ocorreu então nesse dia que em 1935 foi a um domingo.

O caso é bem lembrado na efeméride do dia 7 de julho, na rubrica Aconteceu, em "Dragões Diário”, relatando isso:

 « Domingo, 7 de julho de 1935: o Porto é hoje a capital do futebol da Península. No Campo do Ameal estão 15 mil espectadores, autoridades civis, militares e consulares, para assistir à primeira edição da Taça Ibérica, a prova que opõe o campeão de Portugal ao de Espanha. O FC Porto joga com o Bétis e chega ao intervalo a ganhar por 1-0, com um golo de Pocas, médio em estreia absoluta na equipa de Szabo. No reatamento, Pinga eleva rapidamente a marca para 3-0, os andaluzes ainda reduzem, com dois golos em dois minutos, mas não conseguem parar Pinga nem evitar que ele estabeleça o 4-2 final. Aplausos para o primeiro campeão ibérico, recém-consagrado campeão da I Liga, que também era o primeiro vencedor Campeonato de Portugal e que depois conquistaria o primeiro Campeonato Nacional da I Divisão e ainda a primeira edição oficial da Supertaça. Sempre o primeiro.»


Tamanha ocorrência, para o tempo, merece mesmo ser relembrada, de modo a que seja conhecida. Como noutros tempos até era, mas não na comunicação social comandada pelo clube do regime... Embora num livro editado há anos pelo jornal A Bola, pela pena do grande jornalista e igualmente investigador António Simões, haja referência a isso mesmo - como recortamos para aqui, a dar efeito da justa rememoração.


Assim, ilustra-se o tema com esta lembrança alusiva, através de recorte da parte respeitante ao FC Porto na obra publicada pelo jornal A Bola, "Glória e Vida de 3 Gigantes".

~~~ *** ~~~
ADITAMENTO:

Sobre este mesmo tema já havia o autor escrito também um artigo no antigo blogue pessoal (“Lôngara…), o tal que há anos foi anulado da internet por adversários, por não convir ao sistema que haja memória... em cujo espaço atualmente apenas aparecem mensagens estrangeiras!

Também, igualmente sobre o mesmo assunto foi publicado em 2014 um texto muito completo na rubrica “Os Imortais”, da edição de abril desse ano da “Dragões”, revista oficial do FC Porto. Do qual, em homenagem ao grande jornalista e investigador Victor Queirós, um dos elementos da equipa que teve papel relevante na instalação do Museu FC Porto By BMG,  para aqui transpomos o mesmo artigo, em reforço desta jornada gloriosa do FC Porto.


« TRÊS GOLOS DE PINGA, UMA GOLEADA E A PRIMEIRA TAÇA IBÉRICA

A 7 de julho de 1935, o FC Porto venceu o Bétis e a primeira prova que opôs os campeões de Portugal e de Espanha

Por Victor Queirós

O imortal FC Porto de Szabo acumulou registos impressionante através da bravura de equipas preparadas para atacar: O Real Bétis Balompié e outros campeões espanhóis acabaram vergados ao poder de linhas atacantes constantemente renovadas e com uma capacidade ímpar para marcar. Só Pinga fez três dos quatro golos da vitória na primeira edição da Taça Ibérica, disputada em 1935.

Historicamente, foi o FC Porto quem desbravou os caminhos de todas as principais competições regionais e nacionais. Desbravou-as e conquistou-as. Essa queda especialíssima para vencer todas as primeiras edições das provas prioritárias criadas em Portugal estendeu-se à Taça Ibérica, prova de referência em que a capacidade dinamizadora do FC Porto do século XX esteve sempre presente.

É com um orgulho natural que o FC Porto olha para a História e se revê vencedor do primeiro Campeonato de Portugal (1922), do primeiro Campeonato da I Liga (1935), do primeiro Campeonato Nacional da I Divisão (1939) e da primeira edição oficial da Supertaça (1980/81). E, ao alargar das fronteiras, da primeira edição da Taça Ibérica, a 7 de Julho de 1935.

A vocação para fazer história resume essa rara qualidade do FC Porto, capaz de se impor em qualquer circunstância, mesmo desconhecendo em rigor o real valor dos adversários, como era o caso do Real Bétis Balompié, o campeão espanhol que defrontou o campeão português na primeira edição da Taça Ibérica, sendo de notar que, por esses tempos, Espanha era vista como uma das maiores potências europeias e “sovava”, regularmente, a selecção portuguesa em goleadas que chegaram a atingir os 9-0…

Um dos grandes méritos do FC Porto ao longo de mais de um século de existência foi essa invulgar capacidade de rasgar fronteiras, como voltou a ficar provado no triunfo sobre o poderoso Bétis, com os temíveis goleadores Simon Lecue e Victorino Unamuno. O último transferiu-se, mais tarde, para o Atlético Aviación (hoje Atlético de Madrid), marcando golos atrás de golos no campeonato espanhol.

Mas o FC Porto de Szabo, o primeiro campeão da I Liga, já era uma equipa do mundo. Desde 1930, adquirira a boa prática de abater os melhores conjuntos europeus e mundiais e, na coleção particular de vítimas de primeira grandeza, estavam os campeões da Hungria, da Checoslováquia, da Áustria, ou o invencível Vasco da Gama de 1931.

Entre 1930, após a entrada de Pinga, e 1935, com a fusão do trio Waldemar-Pinga-Acácio, ninguém escapou ao poder de fogo deste trio infernal e a primeira edição da Taça Ibérica seria, com alguma naturalidade, marcada por mais uma poderosa demonstração de superioridade do FC Porto e, em particular, de Pinga, autor de três dos quatro golos que derrotaram o campeão espanhol.

Num Ameal superlotado de público e de autoridades civis, militares e consulares, o FC Porto chegou ao intervalo a vencer por 1-0, com um golo fortuito, raro e feliz, de área a área, obtido por Pocas, médio transmontano em estreia absoluta. No reatamento, Pinga elevou rapidamente a marca para 3-0.

Um breve lapso de evasão, associado à qualidade da equipa espanhola, permitiu que Caballero e Unamuno, no espaço de apenas dois minutos, reduzissem para 3-2. Sentindo o perigo, Pinga sacou do seu inesgotável arsenal mais uma diabrura e bateu Urquiaga para estabelecer o 4-2 final, muito mais concordante com a realidade do jogo e, ainda assim, vagamente lisonjeiro para o Bétis.

Estava encontrado o primeiro campeão ibérico. Pena que a eclosão da Guerra Civil espanhola tenha congelado a prova e perturbado a realização dos campeonatos espanhóis, cujos vencedores não foram reconhecidos durante o período (1936-1939) em que o conflito não deu tréguas.

O facto de as autoridades desportivas espanholas não terem atribuído oficialmente o título nesses três anos impediu que se colasse ao jogo o rótulo formal de segunda Taça Ibérica. Mas que houve taça, lá isso houve… E mesmo sem Taça Ibérica oficial (só reatada em 1984), a tradição ainda se manteve por alguns anos.


O FC Porto era o alvo preferido dos campeões espanhóis e, além de derrotar várias vezes o orgulhoso Real Madrid nos anos 1940 e 1950, seria uma vez mais a primeira equipa portuguesa a bater, em Espanha, um campeão espanhol: o Valência, em Outubro de 1947.

Este Valência, que dominou a década de 1940 (três títulos e duas Taças do Rei) era um brutal ministério de atacantes comandado pelos imortais Edmundo Suárez e Epifanio Fernández, dupla de área que ganhou o apelido de “ataque eléctrico”, ainda assim incapaz de eletrocutar o FC Porto do argentino Eladio Vaschetto, também ele um colossal ex-avançado da escola do River Plate, com centenas de golos espalhados pelo Rive, pelo Colo-Colo (Chile) e pelo Puebla (México), três dos grandes sul-americanos do século XX.

FC Porto-Bétis, 4-2
Campo do Ameal, no Porto
7 de Julho de 1935 (15h00)
Assistência: 15.000 espectadores
Árbitro: José Pereira (Coimbra)

FC PORTO: Soares dos Reis; Avelino Martins, Jerónimo; Nova, Pocas, Carlos Pereira; Waldemar Mota, Pinga, António Santos, Carlos Nunes, Carlos Mesquita
Jogaram ainda: Álvaro Pereira, Raul e Castro
Treinador: Joseph Szabo

BÉTIS: Urquiaga; Arego, Aêdo; Peral, Gomez, Lecue; Saro, Adolfo, Unamuno, Caballero, Valera.
Jogaram ainda: Timimi, Espinosa e Fernandez
Treinador: Joseph O’Connell

Ao intervalo: 1-0
Marcadores: Pocas, Pinga (3); Caballero e Unamuno

Quando Jerónimo pagou a viagem a Szabo

Nos oito excecionais primeiros anos em que comandou o FC Porto (1 Campeonato de Portugal, 1 Campeonato da I Liga, 7 Campeonatos do Porto), Szabo, médio internacional húngaro que foi jogador e treinador do FC Porto nos dois primeiros anos (1928 e 1929), viveu muitas vezes longe da família, já que a esposa preferia ter os filhos na Hungria. Mas, à altura, nem os mais reputados técnicos de então ganhavam o suficiente para se permitirem ao luxo de viagens regulares aos países de origem. Sem fundos para ir conhecer o último filho, que nascera seis meses antes em Budapeste, a prenda de Szabo pela conquista da Taça Ibérica foi o mais singelo acto de amizade: Jerónimo, defesa internacional portista gerado no seio de numa família de posses, pagou a viagem ao treinador em nome da equipa.

985 golos com Szabo no banco

O primeiro período de Joseph Szabo no FC Porto (1928 a 1935) foi o mais produtivo da história do FC Porto. Golo era o credo de Szabo e, nesses oito anos, a sua equipa marcou 509 golos! Uma barbaridade que se explica de forma objetiva: dispunha de atacantes como Pinga, Waldemar Mota, Acácio Mesquita, Norman Hall, Simplício, Balbino, Lopes Carneiro, Carlos Mesquita, Carlos Nunes e António Santos, jogadores com lugar em qualquer passeio da fama de qualquer grande clube mundial. Noventa anos depois, Szabo ainda é o treinador com mais golos na história do FC Porto: 985, em 306 jogos oficiais. Contabilizados os jogos particulares (790 golos), a conta atinge os 1775 golos. Brutal. »

Armando Pinto
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segunda-feira, 2 de julho de 2018

Inícios de julho, recuando a 1958: Lembranças dos alvores dum verão de outrora, remirando efeméride de há 60 anos…


Início de Julho. Em 2018 abre o laboratório futebolístico portista, no começo dos trabalhos para a nova época com a apresentação e primeiro dia de trabalho no complexo de treinos do Olival, em Gaia. Em 1958, a antiga oficina das Antas ainda não entrara de férias e havia rumado à antiga África portuguesa, em romagem de transmissão do Portismo que mexia com o sentimento dos portistas de além-mar, também.

Assim (como bem é recordado em “Dragões Diário”, na rubrica “Aconteceu”, nesta data):


 «Há exatos 60 anos, o plantel principal de futebol, treinado por Otto Bumbel, ainda não tinha terminado a época. Estava num périplo por África, que se iniciara em junho, três dias depois da conquista da edição de 1957/58 da Taça de Portugal, frente ao Benfica (na final terminada em 1-0, golo de Hernâni). Neste dia (2 de julho, em  1958), o FC Porto de Virgílio, Pedroto e Hernâni goleava por 6-0 um onze constituído pelos melhores jogadores dos principais clubes de Luanda. Estava somada a terceira vitória em Angola, depois de ter derrotado uma seleção de jogadores angolanos, sob nome de "Naturais de Angola" (2-0) e a seleção de Huambo (4-0), com um empate (2-2) pelo meio frente ao selecionado de Benguela. Iniciativa do presidente Paulo Pombo, esta era a segunda digressão do clube pelo continente, que terminaria em Moçambique, a 16 de julho.» Havendo entretanto, em Lourenço Marques (atual Maputo) o FC Porto vencido depois o Desportivo local por 3-1, assim como por igual resultado também o Ferroviário de Lourenço Marques, ainda novamente o Desportivo de Lourenço Marques com repetição da marca de 3-1 e por fim empatando 1-1 na despedida com a Seleção de Lourenço Marques.


Eram outros tempos, com o campeonato português a durar até à primavera e de seguida a Taça de Portugal disputada em eliminatórias a duas mãos até terminar em meados de junho, para a nova época desportiva ter inícios mais tarde, passada a temporada das férias grandes (como ao tempo se dizia, pela duração do interregno do período letivo e alongamento da época estival), já por volta da transição das colheitas, nos panoramas quase outonais de setembro.


Dessa digressão, então, desde finais de junho, em que o FC Porto seguiu viagem com os vencedores da Taça e outros elementos do plantel, corriam já primeiros dias de julho, se regista a ocorrência com algumas imagens de toda a comitiva e da equipa utilizada – incluindo titulares e reforços.


Para o efeito juntamos imagens de arquivo pessoal sobre essa viagem e especialmente, da mesma deslocação a África, algumas imagens da Fotobiografia de Armando Pereira da Silva, o guarda-redes Armando (que subira a sénior à época e fora suplente na final da Taça de Portugal dias antes, sendo um dos elementos incluídos na comitiva, como segundo guarda-redes na ocasião, tal como na final da taça, devido ao titular Acúrcio se ter lesionado, sendo então escalado Armando para suplente de Pinho). Tendo a caravana portista, tal como se vê nas imagens, além do presidente Dr. Paulo Pombo, do diretor Amaral, do médico Dr. Sousa Nunes e outros membros de apoio, contado com os futebolistas (pela ordem dos mesmos na imagem cimeira e à mesma na de baixo, mais panorâmica, vendo de baixo para cima e da esquerda para a direita) no primeiro plano: Barbosa, Armando, Morais e Noé; a meio: Carlos Duarte, Gastão, Teixeira e Hernâni; e em cima, atrás: Sarmento, Sá Pereira, Perdigão, Virgílio, Pinho e Arcanjo. Mais (que não ficaram na visão dessa pose, em frente ao palácio do governador da província ultramarina, conforme se nota no campo visual da imagem abaixo, mas aparecem nas restantes fotos), também Pedroto, Osvaldo Silva e Jaburu.


Armando Pinto
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