Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Efeméride: Dias de Sousa, do FC Porto - Campeão Nacional de Ciclo-Cross de 1964

A 12 de janeiro de 1964, em domingo frio de início desse ano, disputou-se  a prova do Campeonato Nacional de Ciclocrosse de Portugal, da categoria de Independentes (depois Profissionais e atualmente Elite), em terrenos anexos ao Palácio de Cristal, no Porto. Num percurso de 15 voltas, totalizando 42 Km. Com a participação de 25 Ciclistas, distribuídos por representantes de FC Porto, Benfica, Leixões, Vianense, Gondomar, Académico, Ovarense e Sangalhos. No final triunfou Dias de Sousa, do FC Porto – gastando o melhor tempo de 1 hora, 3 minutos e 7 segundos – seguido por mais dois colegas de equipa e depois pelos restantes concorrentes.

Classificações:

1.º António Dias de Sousa (FC Porto), 1 h 3 m 7 s;

2ª Joaquim Leão (FC Porto), 1h 4m 3s;

3º Manuel Petiz (FC Porto), 1h 4m 25s;

4º. Manuel Costa (Académico), 1h 7m 28s;

5 ª. António Santos (Leixões), 1h 8m 19s;

6º. Dias Vieira (Ovarense), 1h 8m 45s.

O primeiro ciclista do Benfica foi Mota Pais em 11º lugar.

(António Dias de Sousa começara então a época ainda como Amador-Sénior e nesse escalão era colega de Cosme de Oliveira, Albino Alves, Rogério Cardoso e Manuel Petiz. Tendo na prova de Ciclo-Cross, servindo de início de época, feito parte da equipa principal do FC Porto os jovens Dias de Sousa e Manuel Petiz, que inclusive se classificaram bem melhor que tantos outros, tendo apenas entre eles ficado Joaquim Leão do escalão superior.)

- Dias de Sousa sagrou-se assim Campeão Nacional de Ciclo-Cross de 1964.

= Uma página do Relatório da Gerência do FC Porto de 1964, com indicação do Campeão Nacional de Ciclo-Cross…

*****

Obs.: A foto de ilustração é apenas como exemplo de uma prova de Ciclo-Cross e com um ciclista do FC Porto (à falta momentânea de foto de Dias de Sousa).

ARMANDO PINTO

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Equipa de Ciclismo W52-FC Porto para 2021

 

Plantel da Equipa W52-FC Porto para a época de 2021: 

Amaro Antunes – 30 anos

Daniel Mestre – 34  anos

Francisco Campos – 23 anos

Joni Brandão – 31 anos

Jorge Magalhães – 23 anos

 José Mendes – 35 anos

José Neves – 25 

João Rodrigues – 26 anos

Ricardo Mestre – 37 anos

Ricardo Vilela – 33 anos

Rui Vinhas – 34 anos

Samuel Caldeira – 35 anos

(Por ordem alfabética dos nomes com que são mais conhecidos os ciclistas, com as camisolas de cada qual da época passada e acrescento das respetivas idades na atualidade) 

= Plantel só com ciclistas portugueses. Incluindo vários vencedores da Volta a Portugal e outros de diversos Grandes Prémios e Clássicas, formando equipa em que se depositam fundadas esperanças de mais uma boa época. Com grande confiança no seu valor e força de vencer.

Felicidades !

ARMANDO PINTO

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quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Evocação: 36 anos de desaparecimento físico de Pedroto

No dia 7 de Janeiro de 1985 faleceu o treinador portista José Maria Pedroto, celebrizado por Mestre Pedroto. Terminando então sua marcante vida após doença prolongada. Ilustre senhor do futebol e do Futebol Clube do Porto que para sempre ficou na Memória Portista. E está fisicamente para sempre também no Mausoléu do FC Porto, onde Repousam Glórias do clube azul e branco. Além de permanecer como constante recordação espiritualmente entre a família Portista.

Sobre Pedroto, como de outras vezes e por diversas ocasiões neste espaço pessoal e particular de memorização portista já foi publicado material diverso, desta feita evocamos sua memória com a lembrança de algumas publicações sobre ele, das que fazem parte da coleção estimativa do autor destas lembranças.

Armando Pinto

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terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Recordações da 1.ª Vitória do FC Porto em Famalicão

O FC Porto desloca-se a Famalicão no próximo jogo a contar para o Campeonato da Liga portuguesa da atual época 2020/2021. Em mais um jogo dos sempre difíceis encontros que há que disputar e num estádio em que ultimamente se têm tornado mais difíceis as disputas.

A primeira vitória do FC Porto em Famalicão, ocorrida no ano de 1979, teve marcas no resultado através de 1 golo da autoria de Oliveira e mais 3 marcados por Gomes (um dos quais com a parte de trás do corpo… por estar lá diante da baliza a desviar a bola rematada por um colega). Totalizando assim um belo resultado de 4-0 a favor da equipa portista, seguindo embalada rumo ao Bi-Campeonato que seria conquistado de enfiada, no seguimento do título anterior que acabara com o afamado longo jejum….

Estava-se então na 27.ª Jornada, em 1979, a 27 de Maio, faltando 4 jogos para o fim do campeonato – depois conquistado pelo FC Porto, com 1 ponto de vantagem sobre o Benfica e 8 a mais que o Sporting (quando as vitórias ainda valiam apenas 2 pontos).  

Nesse jogo, perante grande apoio da massa adepta portista, aconteceu também a estreia do jovem Quinito na equipa principal do FC Porto, muito aplaudido quando entrou na parte final do encontro, pelos muitos portistas presentes no campo do Famalicão (ainda apenas com a bancada central dos sócios da casa e os restantes setores em terra rampeada). Estando lá também o autor desta lembrança, em pé como tanta gente e a fintar por fora com a cabeça no meio da assistência, espreitando por entre cabeças e ombros, tudo o que foi possível ver.

Guardado que foi desse dia o bilhete de entrada no Campo dos Bargos (como era ainda chamado esse recinto, antes da transformação em estádio municipal), ficou isso como natural recordação do jogo. No qual (conforme se pode ver, do que restou após rasgado pelo porteiro, como era costume) escrevi no verso que fora então ultrapassado talvez o último grande obstáculo para a conquista do título nacional… como foi, por fim, vencidos que foram depois os 3 jogos que passaram a faltar. E o Fernando Gomes, com mais esses 3 golos, e ainda outros obtidos nas seguintes jornadas, repetiu também a vitória na tabela dos melhores goleadores da prova, vencendo a terceira das suas seis Bolas de Prata conquistadas ao longo da carreira em Portugal.

Armando Pinto

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Efeméride: Homenagem do Governo de Santana Lopes ao Campeão Europeu e Mundial FC Porto, em Janeiro de 2005

A 4 de janeiro de 2005 o Governo do então Primeiro-ministro Dr. Santana Lopes homenageou o FC Porto como Campeão Europeu e Mundial de 2004.

Assim, passadas poucas semanas depois da vitória sobre o Once Caldas em Yokohama, que deu ao FC Porto a segunda Taça Intercontinental do Mundial de Clubes, façanha que só o FC Porto conseguiu entre clubes portugueses, o grande clube representante do futebol português foi oficialmente reconhecido por um Governo de Portugal.

Então «o FC Porto começava 2005 no topo do mundo, e – enquanto os poderes da cidade ignoravam o clube que também era campeão da Europa – o governo não quis deixar de homenageá-lo». Conforme é muito bem lembrado na newsletter do clube na efeméride do dia (em “Aconteceu - Dragões Diário). Como aconteceu no princípio de janeiro de 2005, quando «no Estádio do Dragão, o primeiro ministro Pedro Santana Lopes atribuiu aos jogadores e às equipas técnica e médica a medalha de mérito desportivo, enquanto os dirigentes receberam o colar de mérito desportivo. Ladeado pelo ministro Rui Gomes da Silva, Santana Lopes expressou o “enorme orgulho” de Portugal pelas conquistas do FC Porto na Taça UEFA, na Liga dos Campeões e na Taça Intercontinental.»

Recuamos assim a essa homenagem que o Governo de Santana Lopes fez ao Campeão da Europa e Mundial, em plena sala de visitas do Estádio do Dragão. Aí esse ex-Primeiro Ministro aproveitou o facto do Presidente da República de então, Jorge Sampaio, se ter recusado a condecorar os Campeões da Europa e do Mundo para tomar ele a iniciativa de homenagear o FC Porto e o seu Presidente. Uma atitude censurável do ex-Presidente da República que nem sequer se dignou receber o FC Porto depois da final de Gelsenkirchen. O equívoco foi aproveitado por Santana Lopes para colocar ainda mais tensão no autêntico clima de "guerra-fria" que mantinha na altura com o ex-Presidente da República, e do qual viria a resultar a sua exoneração como Primeiro-ministro.

Do ato ficou para a História a foto de tal ocorrência, em que, além de Pinto da Costa e Santana Lopes, são ainda visíveis (nas funções que tinham, ao tempo) o Presidente da Mesa da Assembleia Geral do FC Porto, Sardoeira Pinto, o Ministro-adjunto do Primeiro-Ministro, Rui Gomes da Silva, e o Ministro das Cidades, Administração Local, Habitação e Desenvolvimento Regional, José Luís Arnaut.

Curiosamente, Santana Lopes conseguiu honrar assim o FC Porto umas semanas antes de Jorge Sampaio demitir o Governo até então de Santana Lopes. Mais, havendo a curiosidade de ambos, quer o Presidente das República como o Primeiro-ministro da altura, serem sportinguistas, além do então Ministro Rui Gomes da Silva ser benfiquista "aferroado" e sobretudo um portuense que se transformou lisboeta acérrimo, além de fanático anti-Porto já dos tempos em que fora atleta do Académico do Porto. Como deve ter engolido em seco ali no Dragão, nessa ocasião do reconhecimento governamental ao FC Porto…

Pinto da Costa também recebeu o Colar de Honra ao Mérito Desportivo atribuído pelo Governo ao FC Porto. Tendo como pano de fundo cenário com os trofeus das gloriosas conquistas.

Foi um momento solene com (quase) todas as figuras ligadas ao FC Porto e à cidade a marcarem presença. Estavam no Dragão representantes de todas as instituições do Norte, políticas e/ou desportivas. Claro que faltou... Rui Rio, o então presidente da Câmara Municipal do Porto e político que detesta o FC Porto, como comprovou na guerra movida à construção do estádio do Dragão.

Então Pinto da Costa encheu o peito de orgulho ao ver o FC Porto ser condecorado pelo Governo, porque Governo é Governo. O presidente do FC Porto agradeceu a homenagem e focou as palavras mais elogiosas em Santana Lopes, o primeiro-ministro que é leão, mas que vibra com os êxitos dos dragões: "Não me esqueço do seu telefonema de Praga, após a meia-final da Liga dos Campeões, ou quando estava com a família a chorar de emoção após o jogo de Manchester. Também não me esqueço da bandeira que colocou na Câmara de Lisboa em homenagem ao nosso título europeu."

Estava-se então ainda num tempo em que à frente da Comunicação oficial do FC Porto andava Acácio Valentim. Havendo sob sua supervisão decorrido o acontecimento. E bem no ato solene da receção ao primeiro-ministro, com segurança a fazer parecer um dia de jogo no Dragão e Santana Lopes a fazer-se acompanhar dos seus atentos seguranças. Como foi mesmo referido na imprensa: «Eram auriculares de todo o estilo e intercomunicadores a debitar ordens para que nada ficasse ao acaso. O zeloso Acácio Valentim, assessor de Imprensa do FC Porto, encarregou-se de ultimar todos os pormenores com o grupo que se preparava para receber as medalhas. Tudo seguiu dentro do protocolo e só não estava nas contas o som de fundo do trompete do já famoso Lourenço, um dos muitos adeptos que ficaram à porta, porque o momento era mesmo solene...»

Armando Pinto

domingo, 3 de janeiro de 2021

Recordando: Jogo com o Guimarães (também) na transição de anos, em 1969… com célebre lesão de Gualter

O FC Porto terminou há dias ainda o ano com recente jogo diante do Vitória de Guimarães, na terra tradicionalmente considerada como berço do rei fundador da Portugalidade. Também, entre outros possíveis casos, há umas décadas houve um outro encontro entre as equipas principais dos dois clubes ao findar de um ano, em 1969, mas na Invicta cidade que deu o nome a Portugal.

Então, tal como no termino de 2020, também em 1969 o FC Porto venceu, e igualmente pela margem mínima, num resultado importante perante a dificuldade que sempre se deparou no confronto dos dois emblemas de Entre Douro e Minho.

Agora, passados alguns dias do recente encontro e após entrado já o novo ano 2021, calha a propósito recordar o embate de 1969, correspondente à época de 1969/1970, através de respigos de reportagem do jornal O Porto de 3 de janeiro de 1970. Sendo assim uma efeméride dessa publicação, dando notícia do que na ocasião sucedeu com Gualter, vítima de um choque que lhe fez perder os sentidos e o obrigou a sair do terreno em maca, transportado ao hospital, onde ficou internado para exames clínicos, seguindo-se paragem de algum tempo (e apenas regressando à equipa em março seguinte).

Ora, se desta vez recente o jogo do Guimarães com o FC Porto foi a 29 de dezembro de 2020, com vitória do FC Porto por 3-2 (2-3 como visitante, naturalmente), em resultado de 2 golos de Taremi e 1 de Luis Díaz; em 1969 foi a 28 de dezembro, tendo o FC Porto vencido por 1-0, na qualidade de visitado, por via de 1 golo de Séninho. Enquanto, visto o prélio recente ter sido à noite, o de há meio século antes foi numa tarde cinzenta de domingo, em que o pouco sol dessa fria tarde alternou com nevoeiro no andamento das horas e da resolução do jogo, como se viu o golo da vitória acontecido lá para o final.

Ilustrando isso que se recorda, assim, juntam-se imagens de recortes do jornal O Porto, das partes que mais ficaram para a história.

Armando Pinto

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sábado, 2 de janeiro de 2021

Recordando: Homenagem de despedida ao treinador Schwartz – em Março de 1970 – na Presidência de Pinto de Magalhães

Por na lembrança dedicada a Tommy Docherty (a propósito de seu falecimento no último dia de 2020) se ter aqui aflorado, neste espaço particular de memória portista, a homenagem prestada ao treinador Elek Schwartz, em que o sucessor Doc também esteve presente num bom exemplo de ligação, recordamos em seguida, desta vez, essa mesma homenagem, como algo raro na saída de um e entrada de outro treinador. Qual bom exemplo de no FC Porto haver ocasiões históricas também de reconhecimento e gratidão.

Chegado ao FC Porto no defeso de final da época de 1968/1969, que deixara marcas profundas com os acontecimentos internos que levaram a ter sido perdido o campeonato nacional, Schwartz pouco tempo tivera para estar à frente do futebol portista, por motivo de doença que o afastou do camando da equipa principal do FC Porto, no início da época de 1969/1970. Tendo nesse período estado na orientação da equipa Vieirinha, em situação episódica. Estava então a equipa a passar por momentos de transição difíceis, após o fim da carreira do guarda-redes Américo, devido a grave lesão, tendo sua substituição sido dolorosa, por assim dizer, com cinco guarda-redes ao longo da temporada (havendo começado a época na baliza o jovem Aníbal, por lesão momentânea de Rui, depois Rui assumiu finalmente o lugar de titular, de seguida entrou Vaz e ainda Antenor, todos chegando a vestir a camisola nº 1, com Frederico também a ter estado no banco). Acrescendo a saída do avançado goleador Djalma, ao passo que a aquisição de um avançado brasileiro, Ronaldo, se revelou ineficaz (tanto que mais tarde passou para defesa), seguindo-se a vinda de outro avançado oriundo do outro lado do Atlântico, Salim, sem ter conseguido corresponder, também. De permeio com entradas de jovens valores, sem traquejo do peso da camisola dum grande clube. Em cuja soma de ocorrências se deu então a nova tentativa com o treinador Tommy Docherty.

Estava-se na chegada também da primavera, em 1970, e na despedida do treinador que estava de saída, a Direção presidida por Afonso Pinto de Magalhães homenageou Elek Schwartz com um jantar de honra, honrando sobremaneira sua passagem pelo FC Porto.

Dessa mesma homenagem deu conta o jornal do clube, em desenvolvida reportagem, havendo assim no jornal O Porto ficado noticioso testemunho desse acontecimento eloquente.

Ora por ser extensa a tal reportagem, ao longo de várias páginas, recordamos a mesma homenagem com passagens do início da narrativa descritiva mais alguns tópicos de frases fortes dos discursos, em quadro de sumário da própria reportagem historiadora.


Pode sintetizar-se o sucesso dessa homenagem, talvez melhor ainda, através dum artigo na ocasião também publicado no órgão oficial desse tempo, da lavra de Mello e Alvim, um articulista de respeito no quadro de O Porto nesse tempo.

Fica assim recordada essa jornada de confraternização, realizada como forma de homenagear esse treinador que esteve no FC Porto e saiu muito cordialmente. Em atitudes, de um lado e de outro, de louvar e devidamente registar.

Armando Pinto

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