Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

sábado, 11 de janeiro de 2020

Efeméride: O trágico desaparecimento do treinador Jorge Orth, falecido repentinamente


A 11 de janeiro de 1962 faleceu repentina e surpreendentemente o então treinador principal do futebol do FC Porto, que tão boa conta estava a dar ao comando da equipa principal portista. Desaparecendo então esse malogrado treinador Jorge Orth, sem ter tido tempo de levar o seu trabalho mais além. Ficando porém deveras saliente na memória alvi-anil, na perpetuação dos que da lei da morte se libertaram por sua aura na História do F C Porto.

Assim sendo, tal como já qui se recordou anteriormente no artigo sobre Desportistas falecidos em atividade Portista, exaltamos a memória deste senhor das lides futebolísticas, homenageando tal treinador que proporcionou um tempo de renovadas esperanças nas hostes Portistas nos inícios da década de sessenta.


Orth chegara ao Porto em tempos de vacas magras, como se diz normalmente quanto a um sentido de menor fulgor e enfraquecimento. Porque, depois do título alcançado em 1958/59, não houve uma diretriz capaz de manter o ritmo e logo na época seguinte o F C Porto se quedou num modesto 4º lugar, depois da traição de Guttmann (que se passou de armas e bagagens para o Benfica, inclusive desviando para aquele rival lisboeta o barreirense José Augusto, entre outras artimanhas), enquanto em 1960/61 a equipa azul e branca terminou em 3º lugar e ainda perdeu a final da Taça de Portugal, de modo surpreendente e escandalosamente contra o Leixões, no estádio das Antas. Então, a Direção do clube fez um esforço para preparar a época seguinte, entregando para 1961/62 o leme da equipa das Antas a um treinador chamado Gyorgy Orth.

Tratava-se de um técnico de futebol húngaro, com sessenta anos de idade e trinta de carreira. Este foi o homem-chave para a época que se avizinhava, que até nem começou lá muito bem. Nos primeiros cinco jogos, a equipa conquistou apenas 5 pontos. Mas depressa soube dar a volta. Como se costuma dizer que depois da tempestade vem a bonança, e quem porfia sempre alcança, houve frutos do facto de dentro do clube então ter-se sabido esperar; pois, após a série de maus resultados, logo que foi adquirido um avançado de raiz, a equipa treinada por Orth somou seis vitórias seguidas. E passou a haver um clima de quase euforia, de grandes esperanças, em suma.

= Hernâni =

Orth revolucionou o futebol do F C Porto, com sangue novo. Pôs a jogar uma nova vaga de futebolistas, passando Américo para guarda-redes titular, apostando em Pinto, o jovem Custódio Pinto que viera do Montijo e passou a jogar ao lado do experiente Hernâni, fez Serafim aparecer e começou a substituir antigos astros por jovens promessas, como Jaime, Festa, Paula, etc., bem como, de modo mais vincado, fez vir do Brasil o atacante que faltava, um avançado de jeito, para colmatar a falta de um goleador-matador (nesse tempo chamado avançado-centro), recaindo a escolha em Azumir, cuja eficácia depressa deu resultados.

Efetivamente o futebol do F C Porto estava em fase de transformação e renovação. Por exemplo começava a chegar ao fim a carreira do grande Hernâni. Então em final da carreira, «a que aliás pôs termo muito cedo, foi (com o grande treinador Jorge Orth) o “patrão” de uma equipa jovem, que fez brilhar a grande altura: entre outros, é claro, Jaime, Custódio Pinto, Azumir e, sobretudo, Serafim…» (como descreveu Tavares Teles)

Estava o FC Porto a vencer a aposta no húngaro Gyorgy Orth, que já tinha treinado em Itália, França, Argentina, Colômbia, México e Peru. Tanto que ao comando técnico da equipa azul e branca colocou o F C Porto na discussão do título e passou a ser considerado cidadão portuense, pela simpatia granjeada, tendo mesmo passado a ser chamado de Jorge.

Mas os deuses não estavam com o F C Porto e Jorge Orth faleceu repentinamente, interrompendo essa linda caminhada que vinha tendo no F C Porto. Havendo ainda orientado a equipa na 12ª jornada, jogada no Barreiro contra a Cuf. Depois… Foi a 11 de Janeiro de 1962. Nesse dia de inverno aconteceu a tragédia. Findo o treino matinal, Orth foi para casa e, sem que ninguém contasse, morreu de fulminante ataque cardíaco. Apagando-se assim seu fio de vida e já não voltou a treinar. 


A cidade do Porto cobriu-se de luto. E todo o mundo Portista ficou abalado.

Na biografia de Américo, em número coevo da coleção Ídolos do Desporto, ficou narrada a evolução e funesta situação verificada:


O funeral de Jorge Orth foi uma manifestação de pesar impressionante. Toda a estrutura do F C Porto se incorporou no préstito, e a equipa não largou a urna, sendo transportado o apreciado mestre pelas mãos de seus atletas que, à vez, se revezaram a pegar no esquife contendo seus restos mortais, até à última morada.

Foi sepultado no cemitério de Paranhos, em túmulo que ficou como propriedade do F C Porto – a que se reporta a imagem, aqui junta.


Seguiu-se, pouco tempo depois, o tal Sporting-Porto em Lisboa. E os homens das Antas dedicaram esse jogo ao saudoso treinador...


Aí  Azumir marcou um golo, o único do encontro, que, aliado a grande exibição de Américo, Hernâni, Serafim, Pinto, Arcanjo, Virgílio, Festa, Ivan, Paula e Jaime, permitiu importante e marcante vitória. Na linha até do que antes se passara por entre emoções da despedida.

Na verdade, durante o seu funeral, o jogador portista Azumir assumia vingar o sucedido com o título no campeonato. O que não conseguiu, por abaixamento evidente do rendimento da equipa, com o lugar responsável do banco ocupado por Francisco Reboredo. Embora mantendo-se na discussão do primeiro lugar até à última jornada, quando uma derrota do FC Porto em Guimarães, com uma deplorável arbitragem, como era costume, deitou tudo a perder. Apesar disso, como consolação, no final da época o avançado brasileiro Azumir sagrou-se o melhor marcador do campeonato, tendo apontado 23 golos em 20 jogos e o FC Porto ficou-se pelo 2º lugar a 2 pontos do Sporting.

= Azumir =

Do plantel, nessa era de renovação, faziam parte os seguintes jogadores: Américo, Rui, Ivan, Paula, Serafim, Virgílio, Miguel Arcanjo, Custódio Pinto, Hernâni, Azumir, Jaime, Festa, Carlos Duarte, Mesquita, Perdigão, Barbosa, Noé, Teixeira, Juca, Monteiro da Costa e Morais. Mas outros estavam na calha, como aconteceu com Nóbrega, a passar por fase de empréstimo para rodagem.


Ora, Nóbrega, entre outros,  teve com Orth seu batismo nos treinos de pré-época nas Antas, e ficou com sua carreira algo associada ao que resultou depois, conforme se pode também verificar pelo que expressa o livro que lhe dedicou a coleção Ídolos do Desporto:


Muita água correu entretanto e posteriormente por baixo das pontes da Invicta. Tanto tempo se passou, mas a recordação de Jorge Orth permaneceu nos sentimentos nobres dos fieis adeptos do grande F C Porto. Sendo esse venerando personagem um nome histórico nas brumas da memória Portista.

Armando Pinto
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quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Efeméride muito a propósito: Vitória sobre o Sporting no começo da história do Campeonato Nacional


Ainda está bem no peito toda a sensação acontecida com o jogo do FC Porto diante do Sporting para o Campeonato Nacional da atual Liga de 2019/2020 e estes poucos dias depois vem à ideia a passagem duma interessante efeméride, como foi o início oficial do chamado Campeonato Nacional, com um Porto-Sporting histórico.

Com efeito, a 8 de janeiro de 1939 o FC Porto também venceu o Sporting por igual resultado, 2-1, mas invertendo-se os lugares, em jogo disputado na cidade do Porto, enquanto o mais recente e ainda tão presente foi em Lisboa, em casa do Sporting.

Acresce que a efeméride desta data, 8 de janeiro, remete também para esse encontro por mais uma razão, pois tal jornada foi um dia histórico para o clube e para o futebol português. Então, arrancava no campo da Constituição a versão definitiva da 1ª Divisão portuguesa, numa partida que colocava frente a frente FC Porto e Sporting. Com Mihaly Siska no comando técnico e Pinga como maior referência, Costuras marcou os golos do triunfo azul e branco por 2-1. Sendo o jogo deveras importante e decisivo, tendo contribuído para que, quase cinco meses depois, os Dragões conquistassem afinal, como festejaram, a conquista do título nacional.

= Equipa do FC Porto da Época 1938/39: campeões nacionais!
Em cima, da esquerda para a direita - Miguel Siska (treinador), Soares dos Reis, Sacadura, Guilhar, Manuel dos Anjos “Pocas”, Carlos Pereira, António Baptista, Reboredo, Rosado e Francisco Gonçalves (massagista); em baixo pela mesma ordem - Castro Ferreira, Lopes Carneiro, António Santos, Costuras, Artur de Sousa “Pinga” e Carlos Nunes.

Segundo está registado no livro “Rememorando – Resumo estatístico dos jogos entre o F.C.P. e o Sporting de 1933 a 1970” (em Compilação e Composição de Eduardo Pereira Araújo” e apresentação de Américo Magalhães, em 1970), eis os nomes e números desse jogo:

Campo da Constituição, F. C. Porto, 2 – Sporting, 1. Arbitrou Henrique Rosa.
As equipas alinharam
PORTO
Soares dos Reis, Carlos Pereira, Sacadura, Anjos, Reboredo, Baptista, Lopes Carneiro, A. Santos, Costuras, Pinga e Nunes
Sporting
Azevedo, Jurado, Galvão, Figueiredo, Paciência, Oliveira, Mourão, Soeiro, Rui, Canário e João Cruz.
Marcaram os golos
Pelo Porto – Costuras, 2; pelo Sporting – Soeiro.



= Em homenagem aos primeiros campeões, eis a equipa base dessa época, conforme imagem ao tempo fixada à posteridade em separatas e livros. Campeões Nacionais do FC Porto da Época 1938/39 - de cima para baixo: Soares dos Reis, Sacadura, Carlos Pereira, Manuel dos Anjos Pocas, Reboredo, António Baptista, Carlos Nunes, Artur Pinga, Costuras, António Santos e Lopes Carneiro. 

Assim sendo, olhando-se a tal jogo de princípio de 1939 ter sido decisivo para as contas finais dessa época, melhor dizendo para a atribuição do título nacional, é pois um bom augúrio no início deste ano de 2020 ter também o FC Porto um resultado idêntico, para mais obtido ainda fora de portas.

Quanto ao caso do jogo agora em apreço evocativo, recuando a 1939, ressalta nas atenções históricas o facto de então, a 8 de Janeiro de 1939, mais de 50 anos após o primeiro jogo de futebol em Portugal, se ter registado a estreia do Campeonato Nacional, prova que desde aí assumiu dimensão de mais importante competição. O FC Porto, treinado por Mihaly Siska, célebre ex-guardião portista, com uma equipa que girava em torno da genialidade de Artur Sousa (Pinga), venceu essa primeira edição, conforme sucedera no Campeonato de Portugal e na I Liga.

Reparando-se no que é transmitido pela imprensa, no grupo dos jogadores mais utilizados no FC Porto como totalistas sobressaía Artur de Sousa “Pinga”, um dos maiores talentos de sempre do futebol luso. Carlos Pereira, António Santos, Carlos Nunes e José Monteiro “Costuras”, este o melhor marcador, também estiveram em todos os jogos.

= Festa de Homenagem do clube aos campeões nacionais no antigo Campo da Constituição. Pose dos Campeões, jogadores, porta-estandarte e outros antigos jogadores simbólicos, mais elementos da comissão organizadora do evento. Em cima da esquerda para a direita- Carlos Nunes, Manuel Silva (Comissão Organizadora), António Teixeira (Comissão Organizadora), José Moreira (Comissão Organizadora), Ferreira (Comissão Organizadora), Jerónimo Faria, Joaquim Moreira Júnior (Atleta atletismo), Valdemar Mota (com a bandeira do clube), Álvaro Sequeira (atleta eclético), José Carlos Gouveia (Comissão Organizadora), Cândido Flórido (Comissão Organizadora), António Figueiredo (Comissão Organizadora) e Sacadura. Em baixo pela mesma ordem - Carlos Pereira, António Santos, Soares dos Reis (guarda-redes titular), Rosado (guarda-redes suplente), Manuel dos Anjos Pocas, Costuras, Vítor Guilhar, António Baptista e Reboredo.

Armando Pinto
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terça-feira, 7 de janeiro de 2020

35 Anos de desaparecimento físico de Mestre Pedroto


No dia 7 de Janeiro de 1985 faleceu o “Mestre” José Maria Pedroto, após doença prolongada.


Ao perfazer 35 anos de seu falecimento, recordamo-lo aqui, como homenagem, em mais um justo preito de evocação. Embora sem quase saber o que mais dizer, pois sobre ele muito já foi dito e muito falta dizer, também.


Assim sendo, curvando-nos diante de sua memória, recordamo-lo através de alguns respigos de publicações coevas e alguns recortes de jornais da época. Desde aspetos de reportagem do jornal O Porto de seu velório e funeral, tão emocionante, até algumas passagens reportadas sobre sua figura, como um excerto do livro “História de 50 anos do Desporto Português”, edição do jornal A Bola, tal como algumas páginas da revista A Bola Magazine de junho de 1988.


Pedroto continua a ser uma constante recordação. Desaparecido fisicamente mas não em espírito. Continuando bem presente na memória portista. De tal forma que passados 35 anos de seu falecimento ainda continua vivo nas recordações de quem sentiu sua marca no futebol do FC Porto e no futebol português, afinal.

Armando Pinto
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domingo, 5 de janeiro de 2020

Boa entrada do futebol do Futebol Clube do Porto em 2020


Em pleno primeiro domingo do novo ano, agora corrente, retomado o Campeonato Nacional de futebol, atualmente com o nome de Liga como em tempos antigos, o FC Porto entrou da melhor forma na parte do ano novo, respeitante à época de 2019/2020, vencendo o “clássico” de Alvalade. Tendo derrotado o Sporting e não deixando assim o Benfica distanciar-se mais, como tem acontecido com a ajuda dos árbitros e seus comandantes e extensivos acólitos.


Importantíssima vitória do FC Porto, esta, em casa do Sporting – onde tão lembrado foi haver alguns anos que isso não acontecia, de tal modo que deve haver muito quem esteja demasiado desiludido.

O Porto não jogou tanto como sempre queremos? Ora quantos jogos lá se perderam ou empataram com o Porto a ter jogado muito?!

Curioso porém é na transmissão televisiva não terem dado repetição do lance de bola na mão na área do Sporting… e mesmo depois nalguns canais ainda faltarem à verdade.

Contudo, apesar do Benfica continuar a ser ajudado, como no penalti descarado roubado em Guimarães (que se lembra por ser o mais recente caso) continuam os adversários diretos com medo do Porto, o que é bom sinal. E continuamos na luta…


Bem sabemos que será difícil a recuperação, mas não impossível. Tendo no entanto de se ter em conta o que anda por trás. Pois, como está a ser viral, é lapidar a frase que tem sido partilhada nas redes sociais, sintomática e taxativa.

O futebol português resume-se a isto:
- O Porto a lutar,
o Sporting a chorar
e o Benfica a roubar.

Mas, como diz o povo que não há mal que sempre dure, tem a equipa do FC Porto, na luta em campo pela boa causa, de ir fazendo o trabalho competente, de modo a que quando houver um rasgo de justiça possa voltar a haver possibilidades de assomo ao título.


Armando Pinto

sábado, 4 de janeiro de 2020

Reavivando: Uma Excursão marítima, em tempos iniciais do hóquei portista


Como diz a máxima popular que ler jornais é saber mais, também através do que está registado no antigo jornal O Porto, outrora órgão oficial do FC Porto, sabe-se muitas curiosidades históricas de outros tempos da vida gloriosa do clube Dragão. Como é o caso duma organização dum CRUZEIRO do FIM DE ANO, em 1955, então a decorrer entre o dia 30 de dezembro até 4 de janeiro de 1956, com destino de passeio à ilha da Madeira e ao Norte de África, incluindo paragens no Funchal e em Tânger. Como se nota pelo anúncio dessa realização, sob patrocínio do Futebol Clube do Porto, conforme era publicitado no jornal O Porto. Sendo tal excursão realizada a reverter para a Secção de Patinagem do FCP, atendendo ao Hóquei em Patins estar então de regresso definitivo ao seio do ecletismo portista.


O Cruzeiro, de barco com todas as comodidades e feitios, saía então de Lisboa rumo à Madeira e depois a Marrocos. Cujo embarque, porque acontecia no cais de Lisboa, como ao tempo era possível, originava ter de haver ligação de comboio desde o Porto, para o efeito. Servindo depois de meio de transporte marítimo e alojamento o então paquete de luxo Vera Cruz, do qual restam agora imagens, como as que constam de postais ilustrados de recordação.


A memória também contém curiosidades destas e a história do FC Porto é feita de tudo o que ajudou a mover a grande nau portista, mesmo através dos mares assim navegados.

Armando Pinto
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sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Recordando: O golo de Artur Jorge pelo FC Porto no Campeonato Nacional


Artur Jorge, descoberto por Pedroto para o FC Porto e nos juniores azuis e brancos treinado pelo próprio José Maria Pedroto (junto com Soares dos Reis III, Valdemar Pacheco, Luís Pinto, José Rolando, Vieira Nunes, e outros), chegou a ter rótulo de esperança nas camadas jovens do FC Porto, depositando-se nele alguma expetativa para a ascensão aos seniores. Tendo sido internacional júnior.

= Equipa do F.C. Porto com Artur Jorge, que venceu o Campeonato Nacional de Juniores, época 1963/64 (pagela da época)

E o certo é que depois de ter sido campeão nacional de juniores no FC Porto, subiu aos seniores e logo fez parte da equipa principal portista que foi a Espanha triunfar pela segunda vez no Trofeu Luis Otero. 


Tendo de seguida iniciado o Campeonato Nacional como suplente de Valdir, depressa passou a entrar como titular, à 3ª jornada da prova, e depois disso andou durante algum tempo a alternar com Valdir e Daniel. Até Naftal ter passado a ser avançado-centro do clube nesse tempo. Jogou então Artur Jorge em 4 jogos do Campeonato da 1ª Divisão Nacional e em dois jogos da Taça de Portugal, tendo em ambas as competições marcado um golo. Foi assim o golo que marcou no Campeonato o único de sua autoria pelo FC Porto na prova maior do futebol português e último com a camisola do FC Porto em jogos oficiais; enquanto o outro marcado na Taça também com a camisola do FC Porto tenha sido até o primeiro dessa época, aberta então em Setembro de 1964 no início das eliminatórias da segunda maior competição.  

= Plantel do F.C. Porto com Artur Jorge, da época 1964/65 (recorte de jornal)

Ora, o golo que Artur Jorge marcou no Campeonato e único de que foi autor no Campeonato Nacional pelo FC Porto, aconteceu a 3 de janeiro de 1965, na penúltima jornada da 1ª volta do Campeonato da época de 1964/65. Havendo na temporada seguinte rumado à Académica, em tempo romântico das capas negras de Coimbra, e depois apenas regressou ao FC Porto após haver terminado a carreira de jogador, vindo já como treinador – autenticamente como herdeiro de Pedroto (do qual antes fora adjunto em Guimarães), indicado pelo Mestre para lhe suceder.

Assim sendo, durante a carreira de futebolista Artur Jorge não passou no FC Porto duma promessa, acabando por se afirmar depois na Académica e ainda passou de seguida por Benfica e Belenenses. Com faixas de Campeão Nacional júnior pelo FC Porto e sénior pelo Benfica, além de duas vezes melhor marcador do campeonato e internacional A. Havendo seguidamente sido dirigente que assumiu o comando do sindicato de jogadores, em tempo marcante da luta contra a Lei da Opção. E foi ainda treinador importante, com três Campeonatos Nacionais e uma Taça dos Campeões Europeus no palmarés pelo FC Porto. Cujo êxito maior, esse de 1987, lhe abriu caminho para ter ido até França, onde foi Rei Artur no Matra Racing de Paris, e, após nova estada em regresso ao FC Porto, teve seguinte passagem inglória no Benfica, sem qualquer glória assinalável no banco benfiquista. Tendo rumado depois à Suíça, Espanha e de novo esteve em França com o PSG, até ter passado ainda por alguns outros clubes estrangeiros. Além de também ter sido responsável da Seleção Nacional, contudo de modo pouco vistoso.

Artur Jorge Braga de Melo Teixeira, nascido no Porto a 13 de fevereiro de 1946, começara a jogar futebol oficialmente nos Juvenis dio FC Porto, passou pelos Juniores e chegou aos Seniores, onde apenas jogou uma época, contudo com algo histórico, como aqui e agora se recorda.

Natural do Porto, Artur Jorge jogava nas categorias populares jovens quando nele reparou José Maria Pedroto, que o levou para o campo da Constituição quando era treinador dos juniores do FC Porto. 

Na pertinência da efeméride de seu golo histórico no Campeonato com a camisola do FC Porto, recorde-se seus primeiros tempos, à imagem de texto que tem andado em diversas publicações:

Então, «o jovem Artur passou a vestir de azul e branco e até foi campeão nacional de juniores, já Pedroto partira para se ocupar da equipa principal da Académica. Os dois voltariam a encontrar-se, mas só quando Artur Jorge decidiu pendurar as chuteiras e abraçar a profissão de treinador. Quem chamou o miúdo à equipa principal foi, dessa forma, o brasileiro Otto Glória, que resolveu levá-lo numa digressão estival ao Brasil e ainda a um torneio de Espanha, em 1964. Artur Jorge até se destacou e ganhou um lugar no onze, mas uma lesão tirou-lhe a possibilidade de começar o campeonato depois de até ter feito o único golo portista no primeiro jogo da época: um empate a uma bola frente ao Peniche, na Taça de Portugal, a 13 de Setembro de 1964. Aliás, os primeiros jogos de Artur Jorge pelo FC Porto acabaram todos com este resultado: esteve no 1-1 com o Benfica, também para a Taça, a 4 de Outubro, e depois fez a estreia no campeonato a 25 de Outubro, empatando a uma bola com o Sporting, em Alvalade – e até assistiu Nóbrega para o golo do empate, no último minuto. O primeiro golo no campeonato fê-lo a 3 de Janeiro de 1965, em Setúbal, ao guarda-redes Mourinho, valendo a vitória portista por 1-0.


A época, contudo, não correu extraordinariamente e, no Verão seguinte, quando Artur Jorge pediu para sair para a Académica, de forma a concluir a licenciatura em Germânicas, e do outro lado veio a possibilidade de o trocar por Manuel António, que marcara 19 golos pela Académica no campeonato, ninguém do FC Porto torceu o nariz. A verdade é que, em Coimbra, Artur Jorge começou a revelar-se um avançado temível, um protótipo do ponta-de-lança perfeito, porque não só sabia jogar de costas para a baliza e segurar a bola, como se revelava rápido das desmarcações e exemplar nas finalizações, tanto de cabeça como fazendo uso de um remate seco e forte. Artur Jorge chegou mesmo a desenvolver um movimento próprio, um pontapé acrobático como o corpo paralelo à relva a que os jornalistas da época chamaram “pontapé-moinho”. Na Académica, Artur Jorge marcou ao segundo jogo (uma vitória em Braga por 3-2) completando a primeira temporada com 13 golos, entre eles um ao FC Porto, nas Antas (em jogo que o FC Porto venceu por 4-3, com Rui a substituir o então lesionado Américo). A equipa academista de Mário Wilson, com Artur Jorge na dianteira, porém, quedou-se pelo sexto lugar na tabela. Mas algo de revolucionário estava ali a preparar-se, como se percebeu logo em 1966/67. Muito à custa dos 25 golos de Artur Jorge, que lhe valeram o segundo posto na lista dos goleadores, apenas atrás de Eusébio – que fez 32, mas com 13 penaltis, o que levou os adeptos de Coimbra a entregarem a Artur Jorge um troféu simbólico de “melhor marcador de bola corrida” – a Académica acabou o campeonato em segundo lugar, fazendo sofrer o super-Benfica até à penúltima jornada. Os jogadores da Académica recusavam o papel de candidatos ao título, afirmando sempre que o que verdadeiramente lhes interessava eram os estudos, mas nada lhes roubou o estatuto de equipa-sensação. Artur Jorge, que conseguiu hat-tricks contra o V. Setúbal e a Sanjoanense e um póquer ao Belenenses, fez ainda mais 12 golos na Taça de Portugal, da qual os estudantes eliminaram o Benfica antes de baquearem na final mais longa da história, decidida ao segundo prolongamento a favor do V. Setúbal. Uma excelente época que valeu a Artur Jorge a chegada à seleção nacional logo no segundo jogo após o Mundial de Inglaterra…»


Dali para a frente foi toda a sua interessante carreira, embora distante do FC Porto, até ter regressado como treinador principal às Antas para a parte mais importante de sua vida futebolística e por fim, aoós passagens por clubes de diferentes dimensões, se ter despedido do futebol como treinador.

Passada tanta água pelos rios das cidades principais de seu percurso, quer pelo Douro, como pelos Mondego, Tejo e Sena, apraz então recordar esse golo, com que o FC Porto em 1965 bateu o Setúbal na cidade do Sado. Sendo importante e decisivo na vitória com que o FC Porto teve também boa entrada naquele novo ano, recém entrado, ao tempo.

Armando Pinto
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quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Efeméride duma “Boa Entrada” do FC Porto: Vitória sobre os argentinos do Lanus, no 1º de janeiro de 1952


Tal como agora aconteceu na transição de 2019 para 2020, também em tempos idos houve descanso de jogos de futebol em Portugal. Como é referido no livro da biografia de Barrigana, reportando ao começo de 1952: Então, após um pequeno interregno devido às festas de Natal, o FC Porto com Barrigana começava aquele ano de 1952 com o "Mãos de Ferro" alinhando contra o grupo argentino Lanus, no Estádio do Lima, encontro que o FC Porto venceu por 1-0.

Foi pois a 1 de janeiro de 1952 esse encontro internacional no Lima, estádio que o FC Porto ao tempo utilizava para jogos de maior afluência de público, derivado do campo da Constituição ser já pequeno em lotação possível e o estádio das Antas ainda estar em construção (seria inaugurado volvidos meses, em Maio).

A curiosidade maior, para lá da efeméride do dia em que lembramos a ocorrência, é o facto da equipa desse clube argentino Lanús ter sido, muitos anos depois, casa do atual guarda-redes titular do FC Porto, pois Marchesín defendeu a baliza do Lanús enquanto jogou na Argentina, antes de ter rumado ao México e depois ter aportado em boa hora no FC Porto.

Na ocasião, em janeiro de 1952 o FC Porto estreou também Zorgo, que dias antes assinara pelo clube  da Constituição e das Antas. E logo tendo tido uma estreia auspiciosa.

Desse sucesso é de registar também o facto de pouco antes a mesma equipa ter defrontado o Benfica em Lisboa, e dias depois, então no primeiro do janeiro, no Porto, o FC Porto ter feito melhor figura… e poderia até ter obtido resultado mais dilatado. Conforme reza a crónica de Rodrigues Teles, inserta no 3º volume da sua importante obra da História do FC Porto.


Ilustrando a efeméride, juntamos imagens de equipas do FC Porto de 1952. Estando na imagem cimeira, além dos mais conhecidos à posteridade, também Diamantino (autor do golo desse jogo; e primeiro em baixo, a contar da esquerda, na foto de cima), mais Vieira e outros que emparceiraram com Zorgo nos inícios de 1952. E na outra imagem (em baixo) também Américo, nesse ano de 1952 em que o então jovem guarda-redes Américo Lopes subiu à equipa principal e passou a fazer parte do plantel da primeira categoria (embora só já no princípio da seguinte década de sessenta conseguisse ficar com a camisola nº 1, por ter tido à sua frente Barrigana, primeiro, depois Pinho, e por fim Acúrcio).


Entretanto Zorgo poucos jogos fez pelo FC Porto, tendo marcado um golo na sua estreia oficial, logo de imediato a 6 de janeiro na vitória por 6-2 sobre o Oriental, mas após isso e depois de ter feito mais três jogos, deixou de alinhar na equipa principal. Possivelmente devido a questões burocráticas, pois houve notícias por essa altura que ele estava "preso" a uma equipa italiana (mas passada a fase de indefinição e sem ter conseguido lugar a titular nas Antas, continuou a carreira em Portugal passando por clubes como o Boavista e o Vila Real, para mais tarde ter sido treinador). Tendo esse jogador húngaro, enquanto esteve no FC Porto, ainda feito parte da equipa portista que alinhou em jogos de reservas e em formações mistas – como no caso de um jogo realizado em ida oficial a Moncorvo, terra do presidente Urgel Horta, em Abril do mesmo ano de 1952 (dentro das digressões da campanha de angariação de receitas para a construção do estádio das Antas). Estando Zorgo (em baixo, na quarta posição a contar da esquerda), na foto da equipa que alinhou ali nessa vila do Nordeste Transmontano. Em cuja festiva visita a equipa azul e branca teve Américo como guarda-redes e António Araújo (ao lado do presidente, na pose fotográfica) esteve como figura emblemática, ao género de embaixador, visto estar em fim de carreira devido a lesão que o reteve afastado longo tempo.


Armando Pinto
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