Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

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quinta-feira, 30 de julho de 2026

Aniversário do nascimento de Pinga, o célebre Artur de Sousa “Pinga”…!

30 de julho - data que foi e é do aniversário natalício de Artur de Sousa “PINGA”, nascido em 1909 nesse dia que foi numa sexta-feira. Sendo desde então esse o dia celebrativo de seu nascimento, acontecido na ilha da Madeira, na cidade do Funchal, onde tem uma rua com seu nome. Esse astro do mundo do futebol dos anos 30 e 40, que (como lembra o jornalista António Simões) «Cândido de Oliveira considerou-o o melhor jogador português da primeira metade do século 20 e só a custo companheiro pôs Eusébio a seu nível…»

(«...Algures por 1945 (com ele a caminho do adeus), numa das primeiras edições de A BOLA, Cândido de Oliveira escreveu artigo a vacilar na dúvida sobre se o Melhor Jogador Português de Todos os Tempos era Artur José Pereira ou era Pinga – e escolheu Pinga. E, estando-se já em 1984, Carlos Nunes (seu companheiro no FC Porto) afiançou-o a Carlos Pinhão (numa entrevista em A BOLA):

— Nunca houve outro jogador como Pinga!

Pinhão, intrigado, retorquiu-lhe:

— Nem Eusébio?

e Carlos Nunes condescendeu (mas só um pouquinho…):

— Bom, na verdade, comparável ao Pinga só mesmo o Eusébio. Houve e há outros grandes jogadores, como o Tamanqueiro e o Carlos Alves, dos meus tempos, como agora o Chalana, mas o Pinga e o Eusébio foram apenas foras-de-série. Eu jogava ao lado dele, mas, às vezes, até me dava vontade de parar a admirá-lo. Nunca vi um jogador assim, a dominar a bola em velocidade, a dominar para a frente e sempre com a bola controlada. Era esse o seu segredo, a sua técnica. Quando arrancava assim ou passava mesmo ou era falta, só em falta podia ser parado

e, depois, sobre tudo isso, Pinga ainda tinha um drible que era magia, um remate que era pólvora. E tinha mais, também, fora das quatro linhas – e foi à conversa com Carlos Pinhão que Carlos Nunes soltou de si outra confidência:

— Era uma personagem fantástica, o senhor Cândido. Quando esteve preso pela PIDE, antes de o mandarem para o Tarrafal, eu e o Pinga chegámos a ir vê-lo a Caxias, por influência do capitão Maia Loureiro. Ficámos muito impressionados, estava numa cela miserável. Depois, quando o senhor Cândido veio treinar o FC Porto, já nos anos 50, foi buscar o Pinga para seu adjunto, por aquele sentimentalismo que nunca perdia. Quis fazer-lhe bem, talvez lhe fizesse mal, o Pinga tinha pouco jeito, bebia muita cerveja e morreu novo, daquela terrível doença no fígado…

… morreu a 12 de julho de 1963, quando o FC Porto o tinha posto a tratar da sua Escola de Jogadores.»)

= Pinga na equipa do FC Porto - em 1938

Mais conhecido por Pinga, o cidadão Artur de Sousa, madeirense que depois faleceu no Porto no dia 12 de Julho de 1963, com 56 anos e a poucos dias de completar 57 no mesmo mês, estando sepultado no Mausoléu do Futebol Cube do Porto, no cemitério de Agramonte, campo santo junto à rotunda da Boavista, na cidade do Porto, é assim um dos símbolos portistas e grande nome do futebol português que é constante recordação.

Tal como aqui, neste blogue, se têm sucedido artigos em sua memória, como se pode recordar por alguns dos diversos exemplos (clicando) em:

- https://memoriaporto.blogspot.com/2021/07/112-anos-do-nascimento-de-artur-pinga.html

- https://memoriaporto.blogspot.com/2015/11/recordando-pinga-proposito-da-efemeride.html

- https://memoriaporto.blogspot.com/2025/12/efemeride-do-golo-200-de-pinga-em.html

- https://memoriaporto.blogspot.com/2022/12/quando-pinga-foi-tentado-com-um.html

- https://memoriaporto.blogspot.com/2020/06/selo-do-pinga-no-porto-nos-museus-do-fc.html

- https://memoriaporto.blogspot.com/2023/07/efemeride-despedida-de-pinga-como.html

- https://memoriaporto.blogspot.com/2023/07/homenagem-pinga-na-passagem-de-60-anos.html

- https://memoriaporto.blogspot.com/2015/11/do-trofeu-pinga-ao-dragao-de-ouro.html

- https://memoriaporto.blogspot.com/2022/12/efemeride-memoravel-gala-de-entrega-dos.html

- https://memoriaporto.blogspot.com/2022/07/efemeride-falecimento-de-pinga-12-de.html

- https://memoriaporto.blogspot.com/2019/07/efemeride-do-falecimento-de-artur-de.html

- https://memoriaporto.blogspot.com/2025/07/exposicao-temporaria-artur-sousa-pinga.html

Armando Pinto

 

sábado, 13 de junho de 2020

Selo do Pinga nos Museus do FC Porto e do Marítimo da Madeira


Sousa Pinga, como era conhecido em seu tempo Artur de Sousa, com nome popular de Pinga no mundo do futebol (por apelido provindo de antecedente familiar), é nome sagrado na história do FC Porto, como deveria ser no futebol português (mas como foi célebre jogador de clubes fora da grande Lisboa não tem merecido devido apreço na comunição "made capital do império"). Detendo porém Pinga ainda algum lugar na memória coletiva de sua terra natal, como comprova o facto de ter seu nome numa rua do Funchal.

Ora, em sinal também de sua aura no panorama da história do desporto português, Pinga foi entretanto merecedor duma justa homenagem filatélica de âmbito nacional, através da emissão de um selo postal emitido pelos CTT de Portugal, dentro das coleções de preito a figuras gradas do país. E no recente jogo do FC Porto com o Marítimo, em encontro entre as duas equipas dos clubes que Pinga representou, o FC Porto, como anfitrião, ofereceu ao clube da ilha de Pinga exemplares dessa mesma emissão de selos de correio. Como ficou registado em nota de reportagem do jornal O Jogo (embora errando por larga margem na referência dos golos), como se pode ver pela coluna que se reproduz.



Assim sendo, o selo do Pinga, que naturalmente já está no Museu do FC Porto, no Porto, passará a estar também no Museu do Marítimo, na Madeira.

Tal facto da existência do selo dedicado a Artur de Sousa "Pinga" releva sobre o mesmo algo mais, merecidamente. Como coisa especial, afinal.

« Selo do Pinga ». Eis, como se diz popularmente, sobre o selo recentemente emitido pela Filatelia Nacional, em edição dedicada a lembrar e homenagear o célebre futebolista Pinga, considerado um futebolista completo e fora de série, durante muito tempo tido publicamente como o melhor de sempre em Portugal. Assim como foi reconhecido ser “a primeira maravilha da Madeira”, como primeiro futebolista natural da ilha da Madeira a singrar no futebol de alta competição. O célebre Pinga que inclusive teve seu nome no troféu que durante largo tempo também foi galardão oficial de reconhecimento do FC Porto, o Troféu Pinga, antecessor do atual Dragão de Ouro.


Em louvável emissão de 2019 dos CTT - Correios de Portugal, com respetivo carimbo de primeiro dia, está na ordem do tempo atual a emissão desse selo lançado publicamente no dia 22 de Agosto de 2019, «em homenagem a um grande futebolista português, Artur de Sousa "Pinga" (1909-1963), o primeiro grande jogador da história do Futebol Clube do Porto, como é apresentado na pagela desta emissão. Os números falam por si, em 400 jogos que realizou, marcou 394 golos.» Como aparece na própria publicação acompanhante dessa emissão histórica.


Sendo acrescentado na mesma legenda: «Antes de ingressar no Futebol Clube do Porto, em 1930, jogou no Club Sport Marítimo, clube da terra onde nasceu, e depois de deixar os relvados como jogador, foi técnico no Tirsense e no Futebol Clube do Porto. Esta emissão tem trabalho de design gráfico do Atelier Design&etc/Túlio Coelho, e impressão da Imprensa Nacional - Casa da Moeda. A caricatura na capa da pagela foi publicada na revista Stadium nº 188, de 10 de Julho de 1946, uma publicação da colecção da Hemeroteca Municipal de Lisboa.»


Ora, não sendo muito usual haver homenagens a grandes vultos do FC Porto por entidades ou instituições sediadas em Lisboa, porém com a chancela de CTT Porto, na surpresa e admiração o caso merece pois aplauso.


Digno de nota é também o facto do trabalho conter muita qualidade gráfica, incluindo quase marcas de água em extensão.


Como registo do facto, sendo também que essa emissão já consta com respetivo exemplar na posse aqui do autor destas linhas, inclusive através de dois selos entre o material do mesmo conjunto oficial, junta-se imagem real deste belo “presente” dos CTT aos adeptos de publicações de temática desportiva, além naturalmente dos colecionadores filatelistas e sobretudo dos colecionadores portistas. No caso também por oferta dum amigo, já que estas emissões não chegam a todo o lado… no país real do que é atualmente Portugal (devido ao encerramento de estações de correio antigas, substituídas por postos de atendimento  com serviços mínimos ad hoc).




Tal realidade, da atualidade em retrocesso nesta nação, leva a calhar a preceito um retrovisionamento da figura de Pinga. Um dos melhores futebolistas nacionais de sempre, embora não tão conhecido como seu valor merece, ao nível dos grandes meios de difusão, por não ter representado nenhum clube de Lisboa e arredores. Como se comprova por um apontamento que se junta, através de texto publicado no livro “100 figuras do português", edição do jornal A Bola (com fotos autocolantes colecionáveis) publicado em 1996.


Nota: Na pertinência recorde-se o que sobre Artur de Sousa Pinga aqui se registou aquando da efeméride de seu falecimento - conforme se pode rever (clicando) em

- Efeméride do falecimento de Pinga...

(Nota Bene.: Havendo alguns selos referentes a temas do FC Porto nas coleções filatélicas nacionais, esta emissão sobre Pinga enriquece ainda mais esse raro espólio do colecionismo postal. Relação essa que merece outro artigo, próprio. )

Armando Pinto
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sexta-feira, 12 de julho de 2019

Efeméride do falecimento de Artur de Sousa "Pinga"


A 12 de julho de 1963 faleceu Artur de Sousa “Pinga”, o Pinga, figura do FC Porto nos anos 30 e 40, um dos melhores jogadores portugueses da sua geração. Foram 15 épocas consecutivas no FC Porto, escrevendo as mais belas páginas da história da Constituição e apresentando números impressionantes: 331 jogos, 314 golos, 16 títulos conquistados no clube portista. 


Emblemático futebolista que foi referência do FC Porto, a ponto de após a sua morte ter sido instituído pelo FC Porto um galardão clubista com seu nome, o Troféu Pinga, que antecedeu o atual Dragão de Ouro.


Já passou mais de meio século, perfazendo 56 anos, neste ano de 2019, que desapareceu esse que em seu tempo era geralmente considerado o melhor futebolista português. Algo que só não passou a barreira do tempo por no continente português ter jogado no FC Porto. Pois se tivesse sido do Benfica ou do Sporting era badalado como depois foram Espírito Santo e Rogério, Peyroteo e Travassos, esses por exemplo nada superiores a Araújo e Hernâni, para não dizer outra coisa. Quem teve oportunidade de conviver com pessoas desse tempo sabe que foi assim. Mesmo depois, quando Eusébio andava pelos campos do futebol continental português, era frequente ouvir-se entre pessoas com memórias mais antigas - Qual Eusébio, qual quê?! Pinga era bom em tudo, nas extremas, no meio campo, a transportar jogo e a marcar. Sendo dessa opinião também o então diretor do jornal O Norte Desportivo, Joaquim Alves Teixeira, que não se cansava de elogiar e fazer saber o que Pinga foi…


Tal como, ao fazer um ano após a sua morte, foi então recordado:


Artur de Sousa Pinga, o Maior de sempre para muita e boa gente! E como se notou bem na sua Despedida de jogador de futebol, em 1946.


- A propósito, recorde-se outras evocações sobre o Maior – (clicando) em


Armando Pinto
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sexta-feira, 7 de julho de 2023

Efeméride: A Despedida de Pinga como jogador de futebol...

 

Pinga despediu-se publicamente como jogador de futebol a 7 de julho de 1946, em festa de homenagem e despedida a que se associaram os melhores jogadores portugueses desse tempo, formando um misto da Seleção Portuguesa diante da equipa do FC Porto como cabeça de cartaz do programa festivo. 

Com efeito, esta é assim mais uma boa oportunidade de mais uma vez trazer à lembrança o "nosso" Pinga, já que por não ter jogado nos clubes de Lisboa é sistematicamente esquecido...

   

Ora, nesta ocasião, voltamos nossa celebração do presente através de mais uma recordação do passado. E que estrela essa refulge no Além, projetando nos ares a grandeza do F. C. Porto! Fazendo memória, para o efeito, dum grande astro que sintetiza a grandiosidade do F. C. Porto, por sinal um Madeirense que não foi em ondas e cantigas de regime e se afeiçoou ao Porto, tornando-se numa das maiores referências históricas do F. C. Porto, considerado por verdadeiros desportistas, como foi, o melhor futebolista português – Artur de Sousa Pinga.

   

Se Pinga tivesse jogado por algum dos grandes clubes de Lisboa, e nomeadamente pelo clube de Salazar de outros tempos e dos Sócrates, Passos, Portas e Costas de agora, seria tido em conta com honras pátrias. Assim, tal como nossos patrícios o conheceram e deram testemunho, Pinga foi grande entre os maiores. A pontos de durante uns anos ter tido em sua honra uma estatueta, considerada troféu com seu nome; objeto esse que serviu de galardão mais significativo da Família Portista, o Troféu Pinga, antecedente do atual Dragão de Ouro.

   

Vem assim à lembrança fazer tão justa memória de tamanho símbolo clubista, como quem olha o céu, contemplando o universo azul a pairar sobre tudo o que em baixo fica. Evocando esse grande nome entre tantos gloriosos astros que honraram a sagrada camisola das duas listas azuis do F. C. Porto. Tal qual o F. C. Porto é o clube português com mais títulos oficiais em futebol, também teve nas suas fileiras o melhor futebolista português de tempos idos, pelo menos - por muitos considerado melhor que Eusébio e quejandos, até porque foi de tempos de menor projeção do futebol e menor realização de jogos de clubes e seleções, continuando a ser dos poucos lembrados desses tempos de antanho.

   

Em tal viagem ao passado, com os sentidos no futuro, procuramos mais uma resposta ao percurso grandioso do F. C Porto, com uns laivos de quão significativa foi, em seu tempo, a festa de despedida de Artur de Sousa, o nosso Pinga. Abrindo-se o peito com uma bonita reportagem inserta na revista Stadium, no respetivo número de 10 de Julho de 1946, numa graciosa edição de tal publicação lisboeta, in illo tempore…!

   

Melhor que mais considerandos, deixamos à vista algumas passagens da festa de homenagem a Pinga. Enquanto, clamamos também: Como depois houve uns Araújo, Barrigana, Hernâni, Pedroto, Virgílio, Américo, Cubillas, Madjer, Fernando Gomes, João Pinto, Jorge Costa, Vitor Baía, Casillas e alguns mais que se aproximaram em representatividade Portista como jogadores de futebol, e outros têm ficado na História em muitíssimas vitórias, Pinga merece algo que o perpetue junto ao Estádio do Dragão. Estando ainda a faltar, em frente ao estádio, por exemplo, um monumento que encarne com grandiosidade esses símbolos referenciais junto com um Dragão, como local de elo com a história e o coração… de sangue azul e branco!
    

Da referida publicação na antiga revista Stadium, ilustra-se esta lembrança com recortes da mesma, dividida em partes para melhor leitura, e por fim com imagem completa das duas páginas centrais, inteiras.

Curvando-nos perante sua memória, recordamos assim Artur de Sousa Pinga com algo de seu currículo desportivo, e algo mais também através de ficha da coleção pessoal.


Armando Pinto

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quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Efeméride muito a propósito: Vitória sobre o Sporting no começo da história do Campeonato Nacional


Ainda está bem no peito toda a sensação acontecida com o jogo do FC Porto diante do Sporting para o Campeonato Nacional da atual Liga de 2019/2020 e estes poucos dias depois vem à ideia a passagem duma interessante efeméride, como foi o início oficial do chamado Campeonato Nacional, com um Porto-Sporting histórico.

Com efeito, a 8 de janeiro de 1939 o FC Porto também venceu o Sporting por igual resultado, 2-1, mas invertendo-se os lugares, em jogo disputado na cidade do Porto, enquanto o mais recente e ainda tão presente foi em Lisboa, em casa do Sporting.

Acresce que a efeméride desta data, 8 de janeiro, remete também para esse encontro por mais uma razão, pois tal jornada foi um dia histórico para o clube e para o futebol português. Então, arrancava no campo da Constituição a versão definitiva da 1ª Divisão portuguesa, numa partida que colocava frente a frente FC Porto e Sporting. Com Mihaly Siska no comando técnico e Pinga como maior referência, Costuras marcou os golos do triunfo azul e branco por 2-1. Sendo o jogo deveras importante e decisivo, tendo contribuído para que, quase cinco meses depois, os Dragões conquistassem afinal, como festejaram, a conquista do título nacional.

= Equipa do FC Porto da Época 1938/39: campeões nacionais!
Em cima, da esquerda para a direita - Miguel Siska (treinador), Soares dos Reis, Sacadura, Guilhar, Manuel dos Anjos “Pocas”, Carlos Pereira, António Baptista, Reboredo, Rosado e Francisco Gonçalves (massagista); em baixo pela mesma ordem - Castro Ferreira, Lopes Carneiro, António Santos, Costuras, Artur de Sousa “Pinga” e Carlos Nunes.

Segundo está registado no livro “Rememorando – Resumo estatístico dos jogos entre o F.C.P. e o Sporting de 1933 a 1970” (em Compilação e Composição de Eduardo Pereira Araújo” e apresentação de Américo Magalhães, em 1970), eis os nomes e números desse jogo:

Campo da Constituição, F. C. Porto, 2 – Sporting, 1. Arbitrou Henrique Rosa.
As equipas alinharam
PORTO
Soares dos Reis, Carlos Pereira, Sacadura, Anjos, Reboredo, Baptista, Lopes Carneiro, A. Santos, Costuras, Pinga e Nunes
Sporting
Azevedo, Jurado, Galvão, Figueiredo, Paciência, Oliveira, Mourão, Soeiro, Rui, Canário e João Cruz.
Marcaram os golos
Pelo Porto – Costuras, 2; pelo Sporting – Soeiro.



= Em homenagem aos primeiros campeões, eis a equipa base dessa época, conforme imagem ao tempo fixada à posteridade em separatas e livros. Campeões Nacionais do FC Porto da Época 1938/39 - de cima para baixo: Soares dos Reis, Sacadura, Carlos Pereira, Manuel dos Anjos Pocas, Reboredo, António Baptista, Carlos Nunes, Artur Pinga, Costuras, António Santos e Lopes Carneiro. 

Assim sendo, olhando-se a tal jogo de princípio de 1939 ter sido decisivo para as contas finais dessa época, melhor dizendo para a atribuição do título nacional, é pois um bom augúrio no início deste ano de 2020 ter também o FC Porto um resultado idêntico, para mais obtido ainda fora de portas.

Quanto ao caso do jogo agora em apreço evocativo, recuando a 1939, ressalta nas atenções históricas o facto de então, a 8 de Janeiro de 1939, mais de 50 anos após o primeiro jogo de futebol em Portugal, se ter registado a estreia do Campeonato Nacional, prova que desde aí assumiu dimensão de mais importante competição. O FC Porto, treinado por Mihaly Siska, célebre ex-guardião portista, com uma equipa que girava em torno da genialidade de Artur Sousa (Pinga), venceu essa primeira edição, conforme sucedera no Campeonato de Portugal e na I Liga.

Reparando-se no que é transmitido pela imprensa, no grupo dos jogadores mais utilizados no FC Porto como totalistas sobressaía Artur de Sousa “Pinga”, um dos maiores talentos de sempre do futebol luso. Carlos Pereira, António Santos, Carlos Nunes e José Monteiro “Costuras”, este o melhor marcador, também estiveram em todos os jogos.

= Festa de Homenagem do clube aos campeões nacionais no antigo Campo da Constituição. Pose dos Campeões, jogadores, porta-estandarte e outros antigos jogadores simbólicos, mais elementos da comissão organizadora do evento. Em cima da esquerda para a direita- Carlos Nunes, Manuel Silva (Comissão Organizadora), António Teixeira (Comissão Organizadora), José Moreira (Comissão Organizadora), Ferreira (Comissão Organizadora), Jerónimo Faria, Joaquim Moreira Júnior (Atleta atletismo), Valdemar Mota (com a bandeira do clube), Álvaro Sequeira (atleta eclético), José Carlos Gouveia (Comissão Organizadora), Cândido Flórido (Comissão Organizadora), António Figueiredo (Comissão Organizadora) e Sacadura. Em baixo pela mesma ordem - Carlos Pereira, António Santos, Soares dos Reis (guarda-redes titular), Rosado (guarda-redes suplente), Manuel dos Anjos Pocas, Costuras, Vítor Guilhar, António Baptista e Reboredo.

Armando Pinto
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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

PINGA: o Portista "Vulcão Futebolístico" da Madeira !



Surgida das águas oceânicas por erupção vulcânica, em cuja vastidão se tornou “Pérola do Atlântico”, a Madeira teve de si outro vulcão, mas humano, a largar um magma potenciador de importância para a ilha, em tempos passados. Tal o que sucedeu com Pinga, nome de guerra desportiva de Artur de Sousa, detentor de grandes dotes na arte futebolística, tendo sido o primeiro grande valor desse jardim encantado no meio daquelas águas azuis.


Artur de Sousa Pinga, com cognome derivado de tradição familiar, foi assim, no século XX, a partir da década de trinta e até aos anos da década de quarenta, em especial, o primeiro grande fenómeno madeirense. Tendo sido ídolo de multidões em Portugal, por quanto se evidenciou entre pares nas provas disputadas do futebol português, como grande futebolista ao serviço do F C Porto. Transformando-se então num carismático homem do norte do país, residente como era da cidade Invicta e admirado como foi das gentes nortenhas. Mas não só, visto ter representado Portugal, com a camisolas das quinas ao peito, num tempo em que escasseavam jogos de apreço entre nações, e Portugal estava muito recatado neste nosso recanto ibérico. Sendo Pinga, entretanto, nome que, então, teve direito a figurar numa rua da sua terra, ficando também perpetuado na toponímia do Funchal. 


Pese a grande distância desses tempos até aos dias de hoje, e quando nos dias que correm o atual grande embaixador da Madeira, que é o futebolista Cristiano Ronaldo, é muito festejado, de todas as maneiras e feitios, não pode ser esquecido esse grande valor do passado que foi Artur Pinga.

Atendendo a isto, como forma de avivar memórias que tendem a ser curtas, por vezes, trazemos desta vez ao espaço da blogosfera uma recordação do madeirense Artur de Sousa Pinga, por meio de alguns exemplos escritos com que está referenciado nas letras portuguesas. 


Armando Pinto
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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

Falecimento de Artur Jorge (1946 / 2024) – Treinador Campeão Europeu pelo FC Porto

(n. 13/02/1946 - f. 22/02/2024)

Faleceu Artur Jorge, figura com importante percurso na história do futebol do FC Porto e português. Homem do futebol formado no FC Porto, portuense que correu mundo, mas que antes de tudo em jovem começou a jogar no FC Porto. Tendo começado nos Principiantes Infantis e continuando nos Juniores, onde foi Campeão Nacional de Juniores e depois ainda teve passagem breve pelo plantel sénior portista. Seguiu depois outro destino, tendo rumado a Coimbra para frequentar a Universidade e jogar pela Académica, seguindo-se percurso que passou pelo Benfica e Belenenses, até ter passado a treinador. Voltando mais tarde ao FC Porto para ter a coroa de glória com a conquista da Taça dos Campeões Europeus. De permeio, após ter pousado as chuteiras como jogador, ainda esteve à frente do Sindicato dos Jogadores em importante fase da mudança do paradigma futebolístico (em 1972, juntamente com Rolando do FC Porto, Eusébio e Simões do Benfica, Peres e Pedro Gomes do Sporting; tendo sido Jorge Sampaio (futuro Presidente da República, muitos anos depois) o advogado que elaborou os estatutos então apresentado ao Chefe do Governo, Marcelo Caetano).

Intercalando com tudo isso, Artur Jorge foi autor da publicação de um livro de poemas. E foi à Alemanha especializar-se com o curso de treinador de futebol.

Depois, já com algum tempo experimental de treinador, e quando Pedroto teve de deixar o lugar por motivo de sua doença, havendo estado António Morais a assegurar a continuidade interinamente, foi Artur Jorge indicado pelo Mestre para o substituir definitivamente no cargo de responsável do futebol azul e branco. Depois foi o que se sabe e não mais esquece. Até ter aparecido convite de França e, ainda com o título europeu de fresco e tendo contrato com o FC Porto, foi-lhe permitida a saída sem o clube ser compensado. Anos volvidos, ainda voltou ao FC Porto, como também está ainda bem presente na memória portista já no tempo da chamada revolução do balneário das Antas, quando houve a renovação profunda no plantel, com ele e seu então adjunto Octávio Machado. Após isso continuou sua viagem por diversos clubes e paragens, terminando por fim a carreira em período de aparecimento da doença que, agora, terminou seus dias.

Como apogeu de sua passagem pelo futebol, foi no comando da equipa principal do FC Porto que venceu a Taça dos Campeões Europeus, em 1987. Por isso. começa-se por essa fase a ilustração desta evocação, através de algumas imagens constantes do livro de Manuel Dias “F. C. PORTO A Década de Ouro Álbum 89/90”. Incluindo junto a uma fotografia, na página da mesma, o seu autógrafo, da época. (Conforme se pode ver acima.)

Depois, passa-se e continua-se pelo seu começo futebolístico, mediante recordação da sua primeira entrevista, trazida à ribalta do mundo portista no jornal O Porto.



Artur Jorge, havia sido descoberto por Pedroto para o FC Porto e nos juniores azuis e brancos treinado pelo próprio José Maria Pedroto (junto com Soares dos Reis III, Almeida, Valdemar Pacheco, Luís Pinto, José Rolando, Vieira Nunes, e outros), chegou a ter rótulo de esperança nas camadas jovens do FC Porto, depositando-se nele alguma expetativa para a ascensão aos seniores. Tendo sido internacional júnior.

= Equipa do F.C. Porto com Artur Jorge, que venceu o Campeonato Nacional de Juniores, época 1963/64 (pagela da época)

No escalão Júnior do FC Porto Artur Jorge foi peça importante do Campeonato Nacional de Juniores ganho em 1964 pelo FC Porto. De tão importante vitória houve reconhecimento, entretanto, com uma cerimónia de entrega das faixas de Campeões Nacionais – da qual houve pose oficial de todo o plantel campeão, conforme foi publicado no jornal O Porto.


No final do ano de 1964, Artur Jorge foi reconhecido com a atribuição do Troféu Pinga, como representnte principal dos Juniores. Entre os galardoados com esse então principal galardão portista (antecessor do atual Dragão de Ouro).


Da gala da entrega dos troféus Pinga apareceu foto de  Artur Jorge na parte de reportagem alusiva no jornal do clube, iniciada na primeira  página d' O Porto, ladeando o texto em que Hernâni era destacado também como representante da equipa senior principal.


E o certo é que depois de ter sido campeão nacional de juniores no FC Porto, subiu aos seniores e logo fez parte da equipa principal portista que foi a Espanha triunfar pela segunda vez no Trofeu Luis Otero. 


Tendo de seguida iniciado o Campeonato Nacional como suplente de Valdir, depressa passou a entrar como titular, à 3ª jornada da prova, e depois disso andou durante algum tempo a alternar com Valdir e Daniel. Até Naftal ter passado a ser avançado-centro do clube nesse tempo. Jogou então Artur Jorge em 4 jogos do Campeonato da 1ª Divisão Nacional e em dois jogos da Taça de Portugal, tendo em ambas as competições marcado um golo. Foi assim o golo que marcou no Campeonato o único de sua autoria pelo FC Porto na prova maior do futebol português e último com a camisola do FC Porto em jogos oficiais; enquanto o outro marcado na Taça também com a camisola do FC Porto tenha sido até o primeiro dessa época, aberta então em Setembro de 1964 no início das eliminatórias da segunda maior competição.  

= Plantel do F.C. Porto com Artur Jorge, da época 1964/65 (recorte de jornal)

Ora, o golo que Artur Jorge marcou no Campeonato e único de que foi autor no Campeonato Nacional da 1.ª Divisão pelo FC Porto, aconteceu a 3 de janeiro de 1965, na penúltima jornada da 1ª volta do Campeonato da época de 1964/65, em Setúbal, diante do Vitória local. 

= Plantel do FC Porto em 1964/1965 que, com Artur Jorge, alcançou a posição de Vice-Campeão (Em cuja pose de conjunto, Artur Jorge está no extremo do lado direito, em primeiro plano).

Na temporada seguinte Artur Jorge foi para a Académica, em tempo romântico das capas negras de Coimbra, e depois apenas regressou ao FC Porto após haver terminado a carreira de jogador, vindo já como treinador – autenticamente como herdeiro de Pedroto (do qual antes fora adjunto em Guimarães), indicado pelo Mestre para lhe suceder.

Assim sendo, durante a carreira de futebolista Artur Jorge não passou no FC Porto duma promessa, acabando por se afirmar depois na Académica e ainda passou de seguida por Benfica e Belenenses. Com faixas de Campeão Nacional júnior pelo FC Porto e sénior pelo Benfica, além de duas vezes melhor marcador do campeonato e internacional A. Havendo seguidamente sido dirigente que assumiu o comando do sindicato de jogadores, em tempo marcante da luta contra a Lei da Opção. E foi ainda treinador importante, com três Campeonatos Nacionais e uma Taça dos Campeões Europeus no palmarés pelo FC Porto. Cujo êxito maior, esse de 1987, lhe abriu caminho para ter ido até França, onde foi Rei Artur no Matra Racing de Paris. E, após nova estada em regresso ao FC Porto, teve seguinte passagem inglória no Benfica, sem qualquer glória assinalável no banco benfiquista. Tendo rumado depois à Suíça, Espanha e de novo esteve em França com o PSG, até ter passado ainda por alguns outros clubes estrangeiros. Além de também ter sido responsável da Seleção Nacional, contudo de modo pouco vistoso.


Artur Jorge Braga de Melo Teixeira, nascido no Porto a 13 de fevereiro de 1946, começara a jogar futebol oficialmente nos Juvenis do FC Porto. Antes  jogava nas categorias populares jovens quando nele reparou José Maria Pedroto, que o levou para o campo da Constituição quando era treinador dos juniores do FC Porto. Então, o jovem Artur passou a vestir de azul e branco e até foi campeão nacional de juniores, já Pedroto partira para se ocupar da equipa principal da Académica. Os dois voltariam a encontrar-se, mas só quando Artur Jorge decidiu pendurar as chuteiras e abraçar a profissão de treinador. Antes porém, Artur após ter passado pelos Juniores, entretanto chegara à catedgoria dos Seniores do FC Porto, onde apenas jogou uma época, contudo com algo histórico. Quem chamou o miúdo à equipa principal foi, dessa forma, o brasileiro Otto Glória, que resolveu levá-lo numa digressão estival ao Brasil e ainda a um torneio de Espanha, em 1964. 


Artur Jorge até se destacou e ganhou um lugar no onze, mas uma lesão tirou-lhe a possibilidade de começar o campeonato depois de até ter feito o único golo portista no primeiro jogo da época: um empate a uma bola frente ao Peniche, na Taça de Portugal, a 13 de Setembro de 1964. Aliás, os primeiros jogos de Artur Jorge pelo FC Porto acabaram todos com este resultado: esteve no 1-1 com o Benfica, também para a Taça, a 4 de Outubro, e depois fez a estreia no campeonato a 25 de Outubro, empatando a uma bola com o Sporting, em Alvalade – e até assistiu Nóbrega para o golo do empate, no último minuto. O primeiro golo no campeonato fê-lo a 3 de Janeiro de 1965, em Setúbal, ao guarda-redes Mourinho, valendo a vitória portista por 1-0.


A época, contudo, não correu extraordinariamente e, no Verão seguinte, quando Artur Jorge pediu para sair para a Académica, de forma a concluir a licenciatura em Germânicas, e do outro lado veio a possibilidade de o trocar por Manuel António, que marcara 19 golos pela Académica no campeonato, ninguém do FC Porto torceu o nariz. A verdade é que, em Coimbra, Artur Jorge começou a revelar-se um avançado temível, um protótipo do ponta-de-lança perfeito, porque não só sabia jogar de costas para a baliza e segurar a bola, como se revelava rápido das desmarcações e exemplar nas finalizações, tanto de cabeça como fazendo uso de um remate seco e forte. Artur Jorge chegou mesmo a desenvolver um movimento próprio, um pontapé acrobático como o corpo paralelo à relva a que os jornalistas da época chamaram “pontapé-moinho”. Numa excelente época que valeu a Artur Jorge a chegada à seleção nacional logo no segundo jogo após o Mundial de Inglaterra (enquanto Manuel António não conseguiu aguentar com o peso da camisola do FC Porto e voltatria mais tarde à Académica, onde se sentia bem sem pressão de clube grande)...


Dali para a frente foi toda a sua interessante carreira, embora distante do FC Porto, até ter regressado como treinador principal às Antas para a parte mais importante de sua vida futebolística e por fim, após passagens por clubes de diferentes dimensões, se ter despedido do futebol como treinador.

Enquanto treinador do FC Porto Artur Jorge foi também reconhecido com o troféu Dragão de Ouro, logo no ano inicial dessa novo galardão, como Treinador do Ano, figurando assim entre os primeros Dragões de Ouro do clube. 


Troféu esse que recebeu das mãos do então Vice-Presidente da Direção Alexandre Magalhães, também  Presidente do Conselho Cultural do FC Porto que criou esse galardão. 


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A morte de Artur Jorge teve entretanto diversas reações públicas, entre as quais se destacam as manifestações mais mediáticas, no momento, em termos clubístico-portistas.

Assim Pinto da Costa, atual presidente do FC Porto, na página oficial do clube, deixou exarado:

Pinto da Costa – in fcporto.pt

NOTÍCIASCLUBE

“A HISTÓRIA DELE NÃO É SÓ IMPORTANTE NO FC PORTO, MAS TAMBÉM NO FUTEBOL NACIONAL”

Jorge Nuno Pinto da Costa recordou Artur Jorge, que faleceu esta quinta-feira.

Foi “com pena” que Jorge Nuno Pinto da Costa se despediu de Artur Jorge, “primeiro treinador a ser campeão europeu num clube português” falecido esta quinta-feira aos 78 anos. O presidente começou por descrever o antigo treinador do FC Porto como “uma pessoa com um intelecto muito alto” que incutiu na equipa de 1987 “um espírito de grupo e de vitória” que fez com que os “jogadores acreditassem que iam ganhar” ao favorito Bayern de Munique. “Um estudioso que vivia intensamente os jogos, que se preparava muito bem” e que ultrapassou barreiras nunca antes pensadas, o que torna “evidente que a história dele não é só importante no FC Porto, mas também no futebol nacional.

Pinto da Costa lembrou ainda o primeiro encontro entre os dois, em Lisboa, quando o treinador lhe respondeu à vontade de o tornar um símbolo do FC Porto com a pergunta “o presidente tem coragem?”. Com o acordo selado para ganhar, Artur Jorge “meteu o projeto no coração e na cabeça e o facto é que ganhámos”, recordou com saudade.

O homem que colocou o FC Porto no mapa europeu

“Recordo-o em muitas fases das nossas vidas porque o conheci quando jogava nos juniores do FC Porto. Era uma promessa sem dúvida. Por um acidente foi cedido à Académica e depois teve uma grande carreira na seleção nacional. Como treinador, foi uma aposta minha em 1984, fizemos um percurso lindíssimo, foi o primeiro título que o FC Porto conquistou na minhas presidência e foi o primeiro treinador português a ganhar uma prova europeia em 1987. Fez uma equipa fabulosa, conseguiu criar um espírito de grupo e de vitória. Naquela final, embora o favoritismo fosse todo do Bayern de Munique, incutiu no espírito dos jogadores uma ambição que fez com que, quando entrámos em campo, os jogadores acreditassem que iam ganhar. Era uma pessoa com um intelecto muito alto com paixões pela música, pela literatura e pela arte. É uma pena, é o que tenho a dizer.”

Uma história sem fronteiras

“É muito importante. Se é o primeiro treinador a ser campeão europeu num clube português, é evidente que a história dele não é só importante no FC Porto, mas também no futebol nacional. Era um estudioso, um homem que vivia intensamente os jogos e que se preparava muito bem. É uma pena.”

Também o antigo treinador da vitória na Liga Europa de 2010/2011, e candidto à próxima eleição do FC Porto, André Villas-Boas, se exprimiu, conforme é relatado pela Agência LUSA: 

«André Villas-Boas despede-se de Artur Jorge: "Até sempre"

O treinador e candidato à presidência do FC Porto André-Villas Boas assinalou hoje a morte do antigo treinador e selecionador nacional de futebol Artur Jorge com um "até sempre", lembrando o título europeu 'azul e branco' de 1987.

Lusa

André Villas-Boas despede-se de Artur Jorge: "Até sempre"

O treinador e candidato à presidência do FC Porto André-Villas Boas assinalou esta quinta-feira a morte do antigo treinador e selecionador nacional de futebol Artur Jorge com um "até sempre", lembrando o título europeu 'azul e branco' de 1987.

"Até sempre Artur Jorge. Os meus mais sinceros pêsames a toda a sua família. Que descanse em paz", escreveu. 

Até sempre Artur Jorge 🖤
Os meus mais sinceros pêsames a toda a sua família. Que descanse em Paz.

A acompanhar essa mensagem, André-Villas Boas publicou uma imagem de Artur Jorge a erguer a Taça dos Campeões Europeus, conquistada pelos 'dragões' em 27 de maio de 1987, em Viena, após a vitória por 2-1 na final com o Bayern de Munique.

Treinador principal entre 1981 e 2016, Artur Jorge conduziu o FC Porto ao maior título europeu de clubes pela primeira vez, antes de os azuis e brancos repetirem o feito em 2004, com José Mourinho ao leme.

Nascido no Porto, o antigo treinador orientou os dragões entre 1984/85 e 1986/87 e, depois, entre 1988/89 e 1990/91, tendo ainda conquistado três títulos de campeão nacional, uma Taça de Portugal e três edições da Supertaça.

Artur Jorge assumiu pela primeira vez o comando da seleção nacional entre 1990 e 1991, em simultâneo com o cargo de treinador de FC Porto, e voltou a orientar a equipa das quinas entre 1996 e 1997.

O antigo treinador orientou ainda o Benfica, a Académica e o Belenenses, clubes pelos quais se distinguiu como jogador entre 1965 e 1978, tendo somado 16 internacionalizações por Portugal, e trabalhou em 10 países no estrangeiro, com destaque para França, onde orientou o Matra Racing e o Paris Saint-Germain e para as seleções da Suíça e dos Camarões.»

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Tão assinalável currículo e extensiva ligação ao Futebol Clube do Porto, onde foi jogador e treinador, além de ter sido Selecionador Nacional como responsável da equipa das quinas por escolha da Federação Portuguesa de Futebol, bem como treinador de diversas equipas esnacionais e estrangeiras, ficou e está anotado em resumo no livro "FC Porto figuras & factos 1893-2005, escritopor J. Tamagnini Barbosa e Manuel Dias, edição d' O Comécio do Porto e produto oficial licenceado FCP de 2005.


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Na comunicação social nacional, naturalmente, a notícia foi e é também motivo de divulgação, anotando-se um caso desses, similar em vários meios:

« Artur Jorge, antigo jogador, selecionador português e treinador campeão europeu pelo FC Porto, morreu aos 78 anos, anunciou a família em comunicado, esta quinta-feira. 

A família informa que o ex-treinador de futebol faleceu na madrugada desta quinta-feira (22 de fevereiro) vítima de doença prolongada. Artur Jorge conduziu o FC Porto à conquista da Taça dos Campeões Europeus, em 1987..

Num comunicado redigido e enviado às redações pela família do antigo técnico, pode ler-se que: "É com profunda tristeza que a família de Artur Jorge Braga de Melo Teixeira comunica o seu falecimento, esta madrugada, em Lisboa, após doença prolongada. Morreu serenamente, rodeado dos seus familiares mais próximos", escreveram os familiares.

Carreira

Artur Jorge, enquanto jogador sénior, representou o FC Porto (1964/65), a Académica de Coimbra (1965-1969), o Benfica (1969-1975) e o Belenenses (1975-1978), tendo terminado a carreira em 1978. Em 1980 aventurou-se como treinador ao serviço do Vitória Sport Clube. Durante mais de três décadas, orientou equipas como o FC Porto, o PSG, o Benfica, a Seleção da Suíça e a Seleção Nacional (em 1990/91 e 1996/1997), bem como o Al-Hilal ou o CSKA Moscovo, entre muitos outros.

Foi ao comando dos ‘azuis e brancos’, entre 1984 e 1987 e depois entre 1989 e 1991, que o treinador viveu os melhores momentos da carreira, tendo conquistado a Taça dos Campeões Europeus - atualmente Liga dos Campeões - em 1986/87, três campeonatos nacionais (1984/85, 1985/86 e 1989/90), três Supertaças (1984/85, 1986/87 e 1990/91) e ainda uma Taça de Portugal (1990/91).»

Armando Pinto

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