Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

terça-feira, 31 de março de 2020

Hino do FC Porto - Efeméride da gravação do original entoado na voz de Maria Amélia Canossa


Na madrugada de 31 de março de 1952, no silêncio dessa hora de sossego, mediante as melhores condições acústicas de registo musical, nesse tempo, e com ideia na aproximação da inauguração do estádio das Antas, Maria Amélia Canossa prestou-se a gravar o hino do FC Porto, no Teatro de S. João, em pleno centro urbano do Porto. Com letra de Heitor Campos Monteiro e música de António Figueiredo de Melo, o hino do FC Porto tem longa história, enquanto continua a ser tema que soa bem quando as sagradas camisolas das listas azuis e brancas entram em campo no dorso dos representantes da família portista.


O Hino do Futebol Clube do Porto é o heroico canto oficial do Futebol Clube do Porto. Foi originalmente composto em 1922, com letra da autoria do escritor e dramaturgo Heitor Campos Monteiro (que depois em 1953 seria Presidente da Assembleia Geral do FCP e desde 1998 dá nome a uma rua da cidade do Porto, na freguesia de Paranhos) e música composta pelo maestro António Figueiredo e Melo (primo de António Augusto Figueiredo e Melo, que viria a ser presidente do FC Porto em 1931), então regente na década de cinquenta da Banda do Asilo Profissional do Terço, tendo depois executado o hino em público pela primeira vez. Posteriormente, então em 1952, o hino do FC Porto foi interpretado e gravado pela cantora Maria Amélia Canossa.


A então jovenzinha Maria Amélia Canossa era voz conhecida das ondas saídas da rádio, assim como cara conhecidíssima já nos palcos dos espetáculos de variedades, como cantora famosa. Tendo até em julho de 1951 sido eleita a Princesa da Rádio nortenha (ao tempo com apenas 17 anos). Havendo entretanto estado na frente da realização duma campanha de espetáculos com receitas a reverter para angariação de fundos tendentes a ajudar ao pagamento da construção do estádio das Antas.


Com efeito, a noite de 31 de março para 1 de abril de 1952 foi agitada num mítico sítio da cidade do Porto, como aconteceu no Teatro Nacional de São João, com as horas calmas da antecâmara de novo dia a prestarem-se ao registo histórico da composição que ficaria como símbolo da mística do grande Futebol Clube do Porto. Havia aí chegado a altura de, pela primeira vez, ser gravado o Hino do FC Porto, composto 30 anos antes.


Assim, a obra harmoniosa de António Figueiredo e Melo, e expressa poeticamente por Heitor Campos Monteiro, ganhou vida pela voz de Maria Amélia Canossa, que completou o trio responsável por exponenciar a música do “clube da cidade que na história deu o nome a Portugal”. Na altura, tinha já 18 anos a cantora, como tal, apresentada e conhecida como «É do Porto e sempre nossa, Maria Amélia Canossa»!


A gravação ocorreu, então, durante a madrugada, no palco do teatro, após uma sessão de cinema noturno. Tendo os trabalhos de início da gravação começado ainda na noite do dia 31, antes da meia-noite, e entrado depois pela noite dentro, às primeiras horas do dia ainda por raiar. O maestro João Calvário dirigiu os trabalhos que terminaram pelas 5 horas. Enquanto o Porto dormia, o Hino foi passado para a fita magnética. Uma decisão que não foi apenas de agenda, pois apesar da boa acústica da sala, era necessário esperar que a cidade mergulhasse no sono para gravar o hino sem perigo de ruídos exteriores.


E o Hino foi depois ouvido na inauguração do estádio, na festiva tarde de 28 de maio, em pleno ambiente da novidade que era à época o novo recinto desportivo do FC Porto, o estádio das Antas.


Desde então passou a ser tocado em aniversários e outros eventos do clube azul e branco, bem como durante a entrada das equipas em campo sempre que o FC Porto joga em casa. Tal como é, à imagem da composição Portuguesa para os portugueses em geral, o Hino de Portugal, também o épico Hino do FC Porto é a música que mais toca ao sentimento Portista e representa o que é a sublime representatividade do colosso sócio-desportivo FC Porto.


O Hino do FC Porto depois disso teve algumas diferentes versões entoadas por diversos artistas portistas, mas no registo da voz da Maria Amélia Canossa tem a pureza dos cânticos litúrgicos, como água pura corredia que satisfaz a sede de ternura.

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NOTA: Este é o verdadeiro HINO DO FC PORTO, originalmente na voz de Maria Amélia Canossa, com letra de Heitor Campos Monteiro e letra de António de Figueiredo e Melo. Mas passados anos houve uma tentativa de um outro hino, que chegou a ser gravado em disco de vinil e inclusive foi ouvido no estádio das Antas, encomendado nos inícios da presidência de Pinto da Costa ao portista António Tavares Teles, o autor da letra, que para o efeito juntou consigo o benfiquista Tozé Brito para a música, e fizeram esse outro, tipo gnóstico, em 1985, com produção e arranjo de Ramon Galarza. 

À época foi aflorada a ideia de juntar no hino a palavra Dragão, que no original não consta, mas sim campeão. Contudo, apesar do nome Dragão ter sido associado ao Clube, como aliás já vinha de trás mas sem muita incisão, acrescente-se (havendo um artigo no jornal O Porto de alguns anos antes, da lavra de Carvalho Couto, a referir já esse epíteto do Dragão cimeiro do emblema), por outro lado o hino novo não vingou. 

Depois disso, ficou esse tal da tentativa de alteração, simplesmente, como uma das diversas canções dedicadas ao FC Porto, mas sem ser considerado hino. Sendo esse de 1985, à imagem dos falsos Evangelhos, um falso ou não identificativo canto, qual apócrifo fora dos cânones da simbologia portista.

E continuou o original a ser oficial e reconhecidamente no universo portista como verdadeiro Hino do FC Porto!

Armando Pinto


((( Clicar sobre a seta central, para acesso à entoação do Hino do FC Porto. )))

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