Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Falecimento de Naftal (1941/2026) - o artilheiro que em dois jogos de 1965 marcou golos que derrotaram o Benfica de Eusébio e C.ª

 

Faleceu Naftal, esta quinta-feira dia 9 de abril, no Canadá, onde residia num lar de idosos, em Edmonton. Desaparece assim um senhor que como jogador foi deveras marcante no pouco tempo em que de, 1963 a 1966, esteve a jogar no FC Porto. Tendo então sido popularmente admirado e pessoalmente foi algo especial aqui para o autor desta lembrança. 

Então Naftal foi figura de nosso encantamento em tempo de minha idade infanto-juvenil, nesse tempo da metade e meio da década dos anos 60! Sim, pois ficou ligado a duas vitórias inesquecíveis do FC Porto sobre o Benfica de Eusébio e demais, dentro do mesmo ano mas em épocas diferentes e consecutivas, ao derrotar o Benfica, duas vezes seguidas. Primeiro com um golo seu na vitória de 1-0, em março de 1965, dentro ainda da época futebolística de 1964/65; e depois com mais um golo, o primeiro da vitória por 2-0 em setembro de 1965, já na época de 1965/66.

Foi mesmo esse primeiro, então, muito apreciado por ser em tal fase que o Benfica andava nos píncaros do sistema. E o outro numa tarde domingueira, em que a mesma equipa foi derrotada por 2-0 (sendo o outro golo de Nóbrega, nesse jogo também assinalável pela estreia de Pavão na equipa principal portista). Isso num resultado bem saboroso com Naftal a ter iniciado a contagem dessa bela vitória por dois tentos sem resposta. E em ambos os jogos perante portentosas exibições do guarda-redes Américo, que fechou autenticamente a baliza a Eusébio e seus pares, secundado pela forte defesa e lá na frente Naftal a concretizar o poderio ofensivo.

= Foto da equipa do FC Porto em 1965/66, com Naftal !

De tudo isso depois registei em casa, no meu arquivo que já ia fazendo (em páginas de caderno escolar furadas para meter numa pasta), qual resenha dos encontros... em letra infantil, naturalmente, e  em narrativa com olhos de pequeno mas apaixonado adepto. Mais ilustrações de imagens recortadas de jornais. Como se pode recordar, na memorização guardada.

Do 1-0 de MARÇO de 1965:

Teve então esse momento alto de seu aparecimento na ribalta, pelo lance inesquecível, surgido de um cruzamento de Nóbrega, seguido de sua parte pelo domínio da bola com o peito, sem deixar o esférico sequer tocar no relvado e concluído num potente remate à entrada da área, fazendo um golo de belo efeito, como ficou registado no bocado de jornal guardado aqui pelo autor destas linhas.


E do 2-0 de SETEMBRO de 1965 também:


Ora Naftal faleceu agora, dia 9 de abril, com 84 anos (quase a fazer 85, dentro do mesmo mês).

Naftal, de nome completo Domingos Lucas Naftal, nasceu a 23 de Abril de 1941, em Moçambique. E faleceu agora a 9 de abril de 2026, no Canadá.

Iniciado seu percurso de futebolista no Clube de Manjacaze, foi daí que o FC Porto descobriu o então jovem avançado, através de portistas radicados na linda terra moçambicana.

Em 1963 passou a jogar no FC Porto, fazendo então já parte do plantel da época de 1963/64. Havendo entretanto feito sua estreia em jogos oficiais pela equipa principal do Futebol Clube do Porto no domingo 26 de Abril de 1964, em pleno no Estádio das Antas, em jogo que a equipa portista venceu a do Vitória de Guimarães por 3-1. Tendo Naftal logo deixado sua marca, com uma boa estreia, ao ter marcado o primeiro golo do FC Porto nesse jogo a contar para a 1.ª mão dos quartos-de-final da Taça de Portugal, da temporada. Havendo, contudo, nesse tempo jogado mais pela equipa B do FC Porto (ao tempo chamada de Reservas, dos jogadores que iam alternando com os da primeira equipa), por na avançada portista haver outros competidores, como Azumir, Hernâni, Valdir, Romeu, no centro de ataque (à época dos chamados avançados-centros) e extemos como Carlos Duarte, Jaime, Rico, etc. Até que na época de 1964/65 já passou a jogar mais e a partir de meio da mesma jogou a titular, como demonstra sua prestação de marcador de 7 golos no Campeonato, um dos quais o tal ao Benfica. Na época seguinte começou bem, com mais um golo ao Benfica, à 3.ª Jornada do Campeonato Nacional, contudo depois com a vinda do brasileiro Amaury já não teve tantas hipóteses de jogar pela equipa de honra. Sabendo-se que nesse tempo ainda não havia substituições, jogando por isso apenas os onze que entravam em campo e dos quais apenas poderia haver substituição do guarda-redes em caso de lesão. Como tal, pela equipa B, Naftal foi contribuindo para a conquista da Taça Associação de Futebol do Porto por três vezes, nas três épocas em que incorporou o futebol profissional do FC Porto.

Então, em jogos oficiais pela equipa principal, com a camisola azul e branca, o avançado moçambicano Naftal, durante três temporadas, atuou em 18 jogos oficiais e marcou 9 golos. Com saliência para alguns bem muito importantes porque valeram vitórias assinaláveis, como por exemplo no jogo da 21.ª jornada do Campeonato Nacional de 1964/65 em que o FC Porto foi a Lisboa ao Estádio do Restelo vencer o Belenenses por 1-0, bem como na jornada seguinte a fazer com que o Benfica saísse do Estádio das Antas derrotado por 1-0. Ao passo que depois, meses volvidos, deu início à conta do resultado que fez o Benfica sair vergado das Antas por 2-0, deixando desolado o Eusébio que dizia que não perderia no Porto…

Após isso, Naftal, como entretanto havia chegado ao FC Porto outro avançado brasileiro, o Djalma, transferiu-se na seguinte época de 1966/67 para o Vitória de Guimarães. E dali de seguida passou a jogar no Tirsense, então na 1.ª Divisão, onde durante duas épocas foi artilheiro-mor. Seguindo depois outros rumos, pois ainda envergaria as camisolas do Sporting da Covilhã, Sporting de Espinho e Marinhense nas divisões nacionais. Na Marinha Grande jogou num período de três temporadas pelo Marinhense, até 1971/72. Seguindo-se passagens pelo Vilanovense, Aliados de Lordelo e, ainda, uma ida ao Canadá para, na edição de 1975 da Canadian National Soccer League, representar os Ottawa Tigers. Viria por fim a ficar radicado na grande nação canadiana até ao final de seus dias. 

Ficou então a viver no Canadá e nesse país norte-americano que o acolheu veio a falecer agora - segundo informação recebida e transmitida por um amigo de cá dos nossos. Conforme chegou por informação pessoal do amigo Paulo Jorge Oliveira, que a teve por via de um seu amigo residente no Canadá, Armando Semblano Florêncio, por sinal um antigo atleta de Yoseikan Budo do FC Porto. Sempre com o FC Porto dentro de si, como comprova o facto de ter querido ter uma camisola do FC Porto, já de tempo posterior ao de sua carreira, bem guardada num quadro em que a teve emoldurada.

Descanse em paz Naftal.

Armando Pinto

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1 comentário:

  1. Morreu também o juíz conselheiro José Manuel Matos Fernandes. Segundo diz Rui Moreira, ex-presidente da Câmara do Porto: “Para muitos, fica a recordação de ter sido Presidente da Assembleia Geral do FC do Porto. Saiu por entender que não tinha de pedir autorização a ninguém, estando jubilado, para exercer o cargo. Prometeram-lhe uma presidência vitalícia honorária, coisa que ficou no tinteiro. Mas ele era muito mais do que isso. Um homem livre, um cidadão exemplar, uma pessoa inesquecível, um juíz de enorme qualidade porque sabia, como poucos, interpretar a lei mas aplicá-la com equidade.” Isto é, a Direção do tempo dele esqueceu-o. Morreu no dia a seguir ao Naftal, esperando-se que esta morte não ofusque a memória respeitosa ao Naftal.

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