Em tempo de transferências do mundo do futebol, no período inicial
de nova época desportiva, vem a toque de bola lembrar uma transferência
ocorrida com uma aquisição feita pelo FC Porto, enquanto decorria o Mundial de
futebol de 1966, em Inglaterra, com a seleção portuguesa a passar a fase em que
o selecionador Luz Afonso e o treinador Otto Glória erraram em deixar a baliza
da equipa das quinas à mercê dos ingleses - mas isso é outra história, aqui
apenas aflorada como enquadramento no tempo. Interessando que nesse ínterim o
FC Porto por cá ia procurando fazer pela vida para a nova época, sem contar com
o que na Velha Albion se passava na equipa com as camisolas portuguesas, apenas
incluindo do FC Porto o defesa Festa, que conseguiu furar a linha BSB, do
regime presidencial de Benfica, Sporting e Belenenses (com a baliza a ter
ficado escancarada diante da Coreia, valendo a reviravolta acontecida, mas
depois já com resultado negativo à frente da seleção inglesa de Charlton e C.ª)…
Então, a 27 de JULHO, em 1966, foi noticiada a transferência
de Djalma, brasileiro que na anterior época de 1965/66 dera nas vistas na linha
avançada do Vitória de Guimarães e se salientara como goleador, levando a que o
FC Porto o adquirisse para reforço da época de 1966/67. Numa transferência que se
revestiu de contrapartidas, envolvendo idas para o Guimarães do defesa Joaquim
Jorge e do avançado Lázaro, além da soma de dinheiro da parte do contrato.
Ao tempo o setor atacante do FC Porto estava enfraquecido,
apenas contando com o avançado-centro Manuel António, adquirido na temporada
anterior à Académica, mas sem confirmar o valor que demonstrara anteriormente com
o equipamento preto da academia coimbrã, acrescido do outro avançado, o “ponta
de lança” Amaury, ter regressado ao Brasil.
O caso é assim referido no livro do jornal A Bola, “História
de 50 anos do Desporto Português”:
Tal como no livrinho da “Coleção Ídolos do Desporto”,
dedicado ao Djalma, está pormenorizada a transferência:
Djalma teve depois grande influência na boa campanha da equipa
portista de 1966/67 a 1968/69, tendo tido ponto alto com a conquista da Taça de
Portugal em 1968, para cuja ida à final contribuiu com 4 golos marcados ao Benfica
nos dois jogos da meia-final (empate 2-2 na Luz com 2 golos seus e vitória nas
Antas por 3-0 com mais 2 dele e 1 de Pavão), bem como na final foi ele que marcou
o canto de que resultou o golo da vitória, por 2-1 sobre o Vitória de
Setúbal.
Ganhou fama, a par com os dotes de goleador, com sua maneira
de responder às agressões dos adversários. Tendo, depois de o FC Porto ter
perdido o Campeonato de 1968/69 por casos internos na parte final, sem ele ter
estado envolvido, entenda-se, saído para o Belenenses em 1969/70.
Armando Pinto
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