Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

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quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Efeméride de um Porto-Benfica (5-2) saliente pelo então regresso de António Araújo, mais estreia do treinador Vogel e curiosidades relacionadas... em 1950.

 

A 8 de outubro, «em 1950, no Campo da Constituição, o FC Porto de Anton Vogel recebia e vencia o Benfica por 5-2 em jogo da quarta jornada da Liga, mesmo sem Hernâni, a contratação e sensação do momento que não entrava nas contas do treinador romeno nascido em Viena e radicado em Birmingham. Vital e Monteiro da Costa bisaram e Nelo fez o resto, de pouco valendo aos “encarnados” os dois golos de José Águas.»

= Equipa do FC Porto dessa época, com alteração de dois jogadores: em vez de Sanfins e José Maria, nesse jogo alinharam Vital e Araújo. 

Nesse Porto-Benfica de boa memória, disputado no Campo da Constituição, Vogel fazia a sua estreia como treinador do FC Porto. Como tal naturalmente ainda não conhecia bem o Hernâni, em fase de transição de ter estado a maior parte do tempo na tropa, em serviço militar obrigatório. Mas sobressaiu Araújo, ao tempo o grande craque do FC Porto, mas que por motivos de doença ligada ao centro de medicina, esteve em momentos alternados ausente, impedido de jogar. Coisas que só aconteciam ao FC Porto… como sempre, infelizmente!

Desse jogo há uma narrativa que descreve o panorama em que se desenrolou, conforme consta da obra "Glória e Vida de 3 Gigantes", edição do jornal A Bola e texto de António Simões, um dos poucos jornalistas que naquele periódico salvavam a honra da casa.

Na calha da ocorrências, outras derivadas se propiciam avivar. Tais como na linha de recordação, a propósito, se recorda a estada de Vogel no clube portista.

«Anton Vogel é um nome compreensivelmente pouco conhecido da história do FC Porto. Este treinador passou pelo clube durante poucos meses, em 1950, e não teve tempo para conquistar qualquer troféu, mas dirigiu a equipa numa vitória importante sobre o Benfica. No Campo da Constituição ao intervalo registava-se um empate a um, mas no fim o marcador já tinha subido até aos 5-2 a favor da equipa da casa.»

Em vista disso, como realmente não há muito mais por onde se pegue no assunto em livros e revistas de publicação saída nos últimos trinta ou quarenta anos, por exemplo e pelo menos, deitamos olhos ao que consta da coleção da antiga revista lisboeta Stadium, para efeito de memorização mais ilustrada.

E, ao correr da memória escrita, pode recordar-se algo mais aqui da história desse triunfo, concretizado através de golos portistas apontados por Nelo Barros, um, e Monteiro da Costa e Vital, dois cada um. Mas, além da boa prestação também de todos os outros, desde Barrigana, passando por Virgílio, Carvalho. Joaquim Machado, Pinto Vieira, Alfredo Pais e Carlos Vieira, o destaque foi para Araíjo.


Então, nesse jogo aconteceu o regresso de António Araújo à competição, depois de longa ausência por motivo de ter estado impedido pelo Centro de Medecina Desportiva, derivado a uma velha lesão, e, em nobre atitude de desportivismo daqueles tempos, o Benfica saudou o retorno do grande craque desse tempo com um ramo de flores entregues antes do jogo – cujo momento deu azo à capa da revista lisboeta Stadium, à época.

Estava-se aí na 4ª jornada do Campeonato Nacional de 1950/51 e o encontro motivou uma enchente no campo da Constituição, tendo o jogo proporcionado a Araújo assinalar sua reentrada na equipa com uma grande exibição, que muito ajudou ao concludente resultado com que o FC Porto brindou o Benfica – como a mesma revista deixou impresso à posteridade na sua página de análise à jornada.

António Araújo nesse jogo, com efeito, fez uma grande exibição, como também está relatado em repetição no livro “História dos 50 Anos do Desporto”, editado pel' A Bola, e se repete aqui: «Grande jogo de Araújo, que foi autorizado a jogar sob vigilângia médica, uma vez que ainda se suspeitava de padecer de uma nefrotapia crónica. Na partida nada se notou. Antes pelo contrário...»

Pois então, por toda essa envolvência, tal o caso de Araújo, e como nota de registo da passagem de Vogel pelo FC Porto e no futebol português, o jogo merece ser revivido na memória, através das imagens coevas, pelas gravuras que foram publicadas na revista Stadium, em seu número seguinte ao jogo.


Armando Pinto

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terça-feira, 15 de novembro de 2022

Curiosidade cénico-desportiva: Revista Porto-Benfica (1950) – um espetáculo de Revista à Portuguesa sobre o clássico Porto-Benfica intemporal !

 

O Porto-Benfica é e será sempre um Porto-Benfica. Algo icónico, de ter em si os olhos e ouvidos de multidões. Tal é o clássico Porto-Benfica, nos encontros tradicionais em que se defrontam as equipas de futebol dos clubes portugueses com mais provas ganhas a nível nacional e internacional.

Muito se sabe dos contornos sociais e desportivos que envolvem a realização dos grandes jogos desportivos, sobretudo do futebol profissional. E como a bola pula e avança nos círculos em torno dos grandes clássicos do panorama futebolístico ao mais alto nível, despertando entusiasmos, atenções e paixões. Num mundo que gira à volta desse fenómeno, desde tempos que se perdem na penumbra das memórias dos inícios do século XX, a partir que começou a haver os confrontos entre as equipas com mais adeptos pelo país além. Tal qual acontece há muitos e muitos anos com os históricos encontros entre o Futebol Clube do Porto e o Sport Lisboa e Benfica, o chamado clássico Porto-Benfica. A ponto de já ter havido até um espetáculo teatral no âmbito da chamada Revista à Portuguesa, com grande sucesso a partir da cidade do Porto, indo depois em “tournée” pelo país profundo, ao longo da província, como se dizia de ir em digressão através do mapa português, fazendo viagem com um itinerário definido e naturais paragens, para realização de espetáculos em diversos sítios, sucessivamente. Indo assim esse espetáculo de seguida pelo interior do distrito do Porto e continuando por outros locais de províncias várias, conforme os contratos solicitados e angariados. Quão sucedeu no Natal de 1950, quando então chegou a Felgueiras e foi ao palco da sala do Teatro Fonseca Moreira, na então vila cabeça do concelho de Felgueiras.

Ora, assim em dezembro de 1950, no ambiente do próprio dia maior do sortilégio natalício, ali teve lugar, na casa do Teatro de Felgueiras, em dois espetáculos, à tarde e à noite, para poder acolher o público entusiasta que acorreu a ver e ouvir com os próprios olhos e ouvidos essa peça revisteira de grande sucesso popular. Com um naipe de artistas e tudo o mais em moldes do “retumbante êxito” que estava a ser – conforme se pode ver pelo cartaz, devidamente aprovado pelas autoridades competentes, à maneira da época (como consta no Arquivo Municipal de Felgueiras, de onde foi requerida cópia paga na Biblioteca Municipal para a coleção pessoal). Estando ali, no cartaz-edital, impresso todo o cardápio correspondente, para saciar a curiosidade em dia de barriga cheia.

Armando Pinto

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