Foi certinho e direitinho o tempo do futebol jogado com
botas de travessas e pesadas bolas artesanais, quando também sobressaíam
equipamentos quase caseiros - já não olhando tanto aos calções compridos,
porque agora se usam em medidas abonadas, também. Numa era, aquela antepassada, em que o F C Porto,
desde os primórdios em campos portugueses desse fabuloso jogo, começou a vencer
e convencer, a pontos de ter sido o clube que primeiro conquistou os títulos
nacionais que foram surgindo, em diferentes versões e ao longo das primeiras
décadas do século XX.
Depois intrometeu-se o longo período político do chamado
Estado Novo; e então, por motivos conhecidos, houve um obscurantismo que se repercutiu
no desporto, passando a capital do império a ditar leis, por tábua rasa dum poder
reinol com chancela de que só Lisboa contava e o resto era paisagem. Até que se
deu o 25 de Abril de 1974 e, ainda nessa década, o F C Porto voltou a assumir protagonismo e recuperou o
título de campeão, num ciclo que se tem alongado, em evidente superioridade.
O 25 de Abril floriu nas imagens e gestos dos cravos vermelhos que andaram nos canos das armas e nas mãos, vitoriando a mudança. Contudo a maioria das pessoas nem sabiam então o que era política, nem andavam a par de nada daquilo. Depois, felizmente, para nós fez sobressair as cores azuis e brancas.
Assim sendo, apesar de alguns erros político-sociais que de permeio foram e têm
acontecido, conforme grande parte dos portugueses sente atualmente, a mudança de
regime teve muitos aspetos positivos, como se verificou, entre diversos mais, no
caso desportivo. Embora sempre com saudosistas de velhos processos a tentarem
outras chances e de quando em vez lá conseguirem fazer andar para trás o efeito
do tempo, como que a emperrarem a máquina da verdade desportiva.
Em homenagem a isso, aos tempos de conquistas limpinhas, porque o F C Porto esteve na vanguarda das primeiras provas e campeonatos nacionais, antes da implantação do anterior regime, e depois voltou ao pódio cimeiro com a implantação da democracia, como bem sabemos, recordamos aqui e agora os pioneiros campeões e seus feitos (já que os mais recentes ainda estão na memória coletiva), por meio de alguns lembretes (respigados do pequeno livro "A Vida do Grande Clube Nortenho", nº 2 da colecção Selecções Desportivas - Extra", de Setembro de 1978), com quadros alusivos aos primeiros títulos, na sucessão dos antigos tempos.
Armando Pinto
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