Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

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quinta-feira, 9 de abril de 2015

F C Porto associado a momentos marcantes da História Pátria


O grande F C Porto é um mundo para muita gente, como nós. E efetivamente, perante a variedade de factos a que se liga a dimensão do grandioso clube desportivo azul e branco, é mesmo algo especial. Até na presença em momentos marcantes dos anais da Grei, sendo através de representantes portistas naturalmente relacionado com factos importantes na história portuguesa.

Estando-se em Abril, quando passamos estas ideias a letra corrida, logo vem à mente a data do 25 de Abril que em 1974 deu novo alento à nação lusa. Transformando mentalidades, mas sem culpa nos “viranços de casacas” e oportunismos entretanto acontecidos, como os mais recentes e os atuais políticos nacionais viraram tudo do avesso.

Naquele tempo, de idílicos anseios, aquilo, o 25 de Abil, em 1974, foi um feito, afinal de contas - a que esteve ligado, pelo menos, um Portista como é o então Capitão Sousa e Castro, um dos mais conhecidos “Capitães de Abril”, hoje Coronel,  Rodrigo Sousa e Castro. Neto de um meu conterrâneo muito lembrado na memória coletiva, homem de cultura e membro ativo das forças vivas locais, de seu tempo (conforme o autor registou em livro historiador da região); e filho de um meu bom amigo também conterrâneo, entretanto já falecido. Assim sendo, além de possivelmente ter havido mais portistas ligados ao processo de democratização desse tempo, sabemos ao certo do caso de Sousa e Castro, ativo membro do chamado Movimento das Forças Armadas e depois integrante do Conselho da Revolução, entre as diversas funções desempenhadas enquanto os heroicos militares de Abril preparavam o terreno para eleições livres e consequente entrega posterior do poder aos políticos.

Vincada esta honrosa ligação, passamos a outro extremo cronológico da parte democrática do país, recuando à instauração da República em Portugal. Sabendo-se que o F C Porto foi fundado nos últimos anos da monarquia, inclusive com a presença do casal real desse tempo, D. Carlos e D. Amélia, no primeiro jogo efetuado com pompa e circunstância, mas tendo no grupo pioneiro quem ansiasse pela mudança, inclusive prestando serviço à causa republicana. No remanso citadino que deu destemidos revoltosos do 31 de Janeiro, era albergue de ideais de Liberdade o Porto republicano e liberal do princípio do séc. XX.

Então, tal como gente do Porto ajudara D. Afonso Henriques a derrotar os mouros na conquista de Lisboa, também na fase de transição da queda da monarquia houve gente do Norte do país a marcar presença em Lisboa nas barricadas que derrotaram o poder real. Tendo-se salientado os arrojados participantes da luta travada durante alguns dias na rotunda, em Lisboa, os quais ficaram por isso conhecidos por Bravos da Rotunda. Entre os quais esteve presente um quase lendário personagem da vida pública, que sabemos ter sido também Portista, pelos contactos de amizade que chegamos ter, depois – João Sarmento Pimentel, ainda Cadete em 1910 e que estava na escola do exército quando, durante os primeiros dias de Outubro daquele ano, arriscando tudo, participou nos combates travados em prol da República.

Ora, no mesmo feito esteve um outro portista, e por sinal inclusive jogador de futebol integrante do plantel dos primeiros tempos do Futebol Clube do Porto – Henrique Hierro. Um Bravo da Rotunda, também, como narra Alcino Pedrosa em texto dos que estará para complilar num trabalho de valor, sobre “Mais que um jogo”, referente à FOTO AO LADO:  «Henrique Hierro, na fila de baixo, com a bola na mão, era futebolista do Futebol Clube do Porto, em 1910. Amava o futebol, a ponto de ser conhecido pelo "rapaz da bola". Tinha, no entanto, uma outra paixão: a causa republicana. Ia para os treinos com o jornal "O Mundo" debaixo do braço. Desapareceu inexplicavelmente no dia 3 de Outubro de 1910, para regressar ao Porto uma semana depois. Tinha ido para Lisboa juntar-se aos seus confrades republicanos. Foi um dos bravos da Rotunda.»

Esta foto, constante da História do F C Porto escrita por Rodrigues Teles, regista a pose de alguns dos pioneiros jogadores do F C Porto. Em pé: Elísio Bessa, Manuel Valença, Vitorino Pinto; Agachados: Mário Maçãs, Camilo Figueiredo, Magalhães Bastos; Sentados: José Bacelar, Camilo Moniz, Henrique Hierro, António Portal e Ivo Lemos. Fotografia mais precisamente de 1909, sendo na ocasião a formação da equipa de Segundas Categorias do F. C. do Porto, contando que muitos dos mesmos componentes também faziam ou fizeram parte do Grupo de Honra.

Está visto que muitos desses homens honravam os princípios da criação do F C Porto sem abdicarem das suas posições político-sociais, incluindo participação diligente à concretização valorizável de seus ideais.

Acresce ainda, quanto ao mencionado João Sarmento Pimentel que, mais tarde, já como Capitão, chefiou o movimento que no Porto derrotou a Monarquia do Norte, em 1919, junto com seu irmão, então Tenente, Francisco Sarmento Pimentel (o qual, anos volvidos, tendo enveredado pela aviação, foi autor da 1ª travessia aérea de Portugal à Índia).


= À esquerda, o Capitão João Sarmento Pimentel, que faleceu como General depois de reabilitação após o 25 de Abril... E à direita, o então Tenente Francisco Sarmento Pimentel, mais tarde Coronel Piloto-Aviador - ambos condecorados com a Ordem da Liberdade, ao tempo da Presidência da República do General Ramalho Eanes =

À aclamada vitória republicana, que impediu o Movimento Couceirista de repor a monarquia em Portugal na segunda década do século XX, a cidade da Liberdade correspondeu apoteoticamente, primeiro com a publicação de um desenho ilustrativo contendo a figura do mesmo Capitão Sarmento Pimentel, distribuído por todo o lado; e depois com a oferta ao mesmo Comandante duma espada de honra. Trofeu esse que, a pedido de um amigo, João Sarmento Pimentel, posteriormente (quando estava no exílio político, no Brasil, devido à ditadura do Estado Novo) ofereceu para o museu da cidade do Porto, ao tempo existente em meados dos anos sessentas – mas que hoje, dessa espada, desconhecemos o paradeiro, ou seja, se estará num dos sucessores espaços museológicos, isto é no Museu Militar ou no Museu Soares dos Reis, ou em nenhum deles…


Com estas e outras, posta a formatura destes exemplos, ficamos com tal paradigma da contribuição portista em altos momentos da gesta portuguesa, dentro do espírito que, como alguém disse, ajudou a moldar o carácter da cidade portucalense!

Isto e o mais como simples exemplos da prestação à Pátria de atos de bravura de elementos relacionados com o F C Porto: Contando que em 1975 também Ramalho Eanes, conhecido simpatizante da causa portista, teve papel de relevo na manutenção do estado democrático. E outros casos, dentre muitos possíveis.

O F C Porto é como dizia o poeta Pedro Homem de Melo: - «Como não pôr no Porto uma esperança, "se daqui houve nome Portugal"?»!

Armando Pinto

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domingo, 5 de outubro de 2014

Salvé... Data diamantina de Mário Silva, histórico ciclista português do F C Porto !


É nesta data o aniversário natalício de um nome que é um dos grandes referenciais históricos do F C Porto, um ídolo de nossa infância e juventude, como grande representante portista dos inícios da afeição geradora do Portismo aqui do autor destas linhas – o antigo ciclista Mário Silva. Perfazendo neste dia a soma de 75 anos de vida, uma efeméride jubilar que importa assinalar, por quanto ele, o aniversariante em apreço, representou na auto-estima de muitos portistas durante tempos em que o ciclismo foi das mais importantes modalidades no ecletismo do F C Porto.

= Mário Silva, ao sagrar-se vencedor da Volta a Portugal, em 1961. =

No calendário formal das comemorações aniversárias, celebram-se as datas respetivas com atribuição de uma denominação abrilhantadora da efeméride.  Sendo  costume classifica-las como bodas, no sentido que as comemorações inicialmente se referiam à soma de anos passados dos casamentos. Na evolução semântica, por analogia, todos as comemorações passaram a ser classificados por essa tabela e nomes correspondentes. Ora, entre as mais celebradas, como são as bodas de prata (da passagem de vinte e cinco anos) e de ouro (dos cinquenta) há depois, seguindo na distância de 25 anos entre cada qual, a outra conta jubilar dos 75 anos, normalmente conhecida por bodas de diamante, da classe brilhante. É pois assim que, na assimilação de outros factos marcantes da vida social, para assinalar cada um desses eventos se associa o nome dum material valioso representativo, calhando ser de diamante a passagem dos 75 anos. Derivando o nome diamante da palavra grega "adamas", que significa força e eternidade apaixonada. Um significado que calha a preceito no que respeita a Mário Silva, admirado e aplaudido durante os anos em que o F C Porto foi expoente no desporto das bicicletas de corrida, como popularmente se dizia.

= Com a tradicional coroa de louros, de vencedor da "Volta"! =

Mário Silva, efetivamente, foi alguém no ciclismo, no seio da grande coletividade F C Porto e no panorama do ciclismo português durante a década dos anos sessentas – como já recordamos em artigo que aqui lhe foi dedicado, conforme pode ser relembrado no link que indicamos no fim deste texto. Mas nunca será demais tributar-lhe homenagens evocativas, por quanto para sempre o recordamos, a par com uns quantos de diversas modalidades, dos que mais nos despertaram sentimentos Portistas naquelas eras em que não eram muitas as vitórias no futebol, perante o totalitarismo imposto pelo regime político-desportivo desses anos de desvios de atenções perante outros acontecimentos…enquanto noutras modalidades, como o andebol de onze dos campeoníssimos, de evidente supremacia portista, não perpassava grande impacto até sítios do interior do país, ao passo que o ciclismo chegava a quase todas as terras e passava às portas das pessoas, por assim dizer.

= Equipa do F.C.Porto de 1961. Na foto (a partir da esquerda) constam: José Pacheco, Sousa Cardoso, Carlos Carvalho, Sousa Santos, José Pinto, Ernesto Coelho, Mário Silva, Mário Sá, Azevedo Maia, Júlio Abreu e Artur Coelho. =

= Os 5 ciclistas do FCP que terminaram a Volta a Portugal de 1961 (sabendo-se do que aconteceu entretanto…). Vendo-se na pose final, a partir da esquerda: Mário Silva, Carlos Carvalho, Sousa Santos, José Pacheco e Sousa Cardoso. =

Relembre-se que o ciclismo é uma das modalidades desaparecidas das atividades do F C Porto, mas, mesmo assim, ou apesar disso, passadas mais de três décadas o F C Porto ainda detém o máximo de vitórias individuais e coletivas no historial da Volta a Portugal em bicicleta. E trinta e um anos depois de ter acabado a modalidade no clube, o ciclismo do F C Porto é ainda das modalidades mais recordadas nas memórias dos adeptos Portistas. Transportando boas recordações os triunfos como o de Mário Silva, vencedor da Volta a Portugal de 1961 e com outras boas classificações e vitórias em Voltas, Grandes Prémios e Circuitos que se seguiram durante a sua carreira distinta. Em vista disso marcamos território justificativo com algumas imagens, quer do arquivo pessoal do autor, como algumas da página do facebook do próprio Mário Silva, como ilustração.

= Equipa do F C Porto, na pista e perante o público do estádio das Antas, na hora da consagração  da vitória individual de Mário Silva e coletivamente do F C Porto, no Grande Prémio Robbialac de 1965. A partir da esquerda:  Onofre Tavares (treinador), José Pacheco, Albino Alves, Cosme Oliveira, José Pinto, Mário Silva e Joaquim Leão. =

Sintomático desta constatação é o facto de ainda recentemente, na revista Dragões, em seu número correspondente ao mês de Agosto, ter vindo uma galeria retrospetiva das vitórias individuais de ciclistas do F C Porto na Volta a Portugal – de onde se respiga a parte respeitante à Volta de Mário Silva.


A propósito, como na noite da inauguração do pavilhão Dragão Caixa houve uma homenagem pública a alguns dos que são Lendas do F C Porto, num momento que nem deu para lhes ver a cara, praticamente, por ter sido quase às escuras, como é normal na ocasião de brindar em festejos, seria de fazer algo do género agora relativamente ao museu atual, em data oportuna, por exemplo (porque não no aniversário da abertura ao público…?) de modo a juntar Estrelas da História do F C Porto naquele museu simbolizado precisamente numa estrela, qual genérico desse espaço da constelação azul e branca de sempre. 

= Momento do brinde de honra na inauguração do “Dragão Caixa”. =

Considerando-se assim, desses antigos atletas, como autênticos senhores muito importantes do F C Porto e merecedores de tal concentração de estrelas, aqui para quem se exprime por estas palavras escritas: o Mário Silva e alguns outros ciclistas salientes, naturalmente, mais uns Américo, Festa, Armando, Gomes, Oliveira, Rodolfo, João Pinto, Vitor Baía, do futebol, Cristiano, Barbot, Fernandes, Brito, Leite, Magalhães, Castro, FranKlim, Vitor Hugo, Alves, Reinaldo, etc. do hóquei, Isolina Pinhel, Carlos Carneiro, Brazeta Oliveira, Manuel Sousa, Viães Lemos, Jorge Aragão, Aurora Cunha, José Sena, Fernanda Ribeiro, etc, também, do Atletismo, Fátima Pinto, Francelina Valadares, Franqueira, Paula Santana, Teresa Figueiras, Rui Borges, Paulo Trindade e mais da natação, Leandro, Borges, Filipe, Resende, Moreira, e quantos mais do andebol, o Manuel António, o Babo e Cª do basquetebol, Juliana, do pugilismo, Rui Costa, João e outros do bilhar, e por aí adiante, dos ainda vivos, felizmente, que podem representar épocas, factos e feitos da vida gloriosa do F C Porto…

Fica a dica de lembrança, à consideração de quem de direito.

= Mário Silva em pleno esforço de trepador, à frente de Joaquim Agostinho. (Numa época em que a secção de ciclismo do FCP usou camisolas diferentes, relativamente às outras modalidades do clube, derivado à publicidade, ainda não existente nas restantes camisolas, ao tempo). Imagem de dois  grandes do ciclismo Português, de épocas distintas, que ainda chegaram a correr juntos. Aqui a foto reporta a uma etapa em que Mário Silva venceu Agostinho, na tirada Alcains-Seia, com passagem pelas Penhas da Saúde. =

Entretanto e quanto ao que nos é possível, aqui deixamos nossos efusivos votos de parabéns ao “Mário Silva do Porto”, juntando nesta data especial uma mensagem de reforço ao Portismo que corre nas veias, enquanto força simbólica que merece nosso afeto.

= Na imagem, acima: Homenagem a Mário Silva, por uma associação cultural de sua terra natal, em Caldas de S. Jorge-Feira, com a presença de Jorge Nuno Pinto da Costa, Presidente do F C Porto, em Novembro de 2005. =

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Nota: E... Confira-se (clicando no link seguinte) em “Mário Silva: um Ás dos pedais dos anos deouro do ciclismo do F C Porto

Armando Pinto