Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

Mostrar mensagens com a etiqueta Américo Lopes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Américo Lopes. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Na calha de recordes de futebol: Um “record” mundial do guarda-redes Américo


Em tempo de recordes do mundo do futebol, a propósito da recente sequência de recordes do jovem avançado do FC Porto Fábio Silva (que depois de outros também no jogo de domingo diante do até então surpreendente primeiro classificado, Famalicão, contribuiu para a sintomática vitória portista com um golo com que ficou a ser o mais novo marcador portista no estádio do Dragão e em jogos do campeonato português); assim como os muitos recordes de Cristiano Ronaldo a nível internacional; há também recordes quase desconhecidos na atualidade, que convém lembrar. Como nunca se poderá esquecer, por exemplo, que o guarda-redes Armando, que teve apogeu com as camisolas do FC Porto e do Sporting de Braga, alcançou um recorde mundial de defesa de penaltis seguidos (quatro, em jogo de torneio disputado pelo FC Porto em Caracas, na Venezuela, diante do Celta de Vigo), tal qual há outro de Américo, o guarda-redes “Baliza de Prata” do FC Porto, que se alcandorou com marca mundial de relevo, de “menos batido do mundo” numa época.


Tais marcas inéditas que vão sendo atingidas, ganham atração na própria ocasião. Mas depois, a maioria dos recordes, passados tempos, passam ao olvido, quantas vezes, assim como noutros casos nem são muito valorizados. Então no aspeto da portugalidade desportiva se os recordistas não forem do clube do regime ou de seus amigos é que não há mais nada para ninguém… mais.


Ora, para que conste, o caso de Américo, obtido em tempos já algo remotos e agora aqui a vir acima das lembranças, foi relembrado num jornal que, talvez por via dessas cócegas, durou pouco tempo. Mas, apesar de desaparecido, consta em arquivos e terá de existir em registos históricos. Tratando-se do jornal semanal Golo, em cujas páginas de sua edição nº 30, da semana de 12 a 18 de Março de 1981, a propósito da realização do clássico entre Benfica e FC Porto em disputa à época, fez reportagens de retrospetiva com os antigos guarda-redes Costa Pereira e Américo, de um lado e outro. De cuja parte respeitante ao “Keeper” portista recuperamos o que foi referido de Américo, no caso mais próprio da apresentação.


Américo foi o Guarda-redes sobre o qual Di Stefano, um dos melhores avançados de sempre do futebol mundial, afirmou um dia que foi dos melhores que viu defender.


Pois Américo, como um grande guarda-redes do FC Porto, que defendeu as balizas do FC Porto em tempos difíceis de jejuns de títulos, conseguindo com seu valor superar o que foi acontecendo, defendendo lá atrás quanto podia, quase que a defender e disfarçar as irregularidades e diferenças de setores da equipa azul e branca em épocas de menores possibilidades, etc, e tal, a juntar à tradicional contrariedade das arbitragens, está na memória portista como grande guardião e histórico garante da estabilidade possível do clube quando o FC Porto não ganhava praticamente nada, após o título nacional de 1958/59, com a Taça de Portugal de 1968 pelo meio. Sendo um daqueles valores que no FC Porto continua a ser pessoa familiar, não pelo sangue mas pelo coração. Cujos feitos serão eternamente de nosso apreço, como consideramos nossas as suas vitórias, quão temos como glórias pessoais as dos jogadores do FC Porto.  


Armando Pinto
((( Clicar sobre as imagens )))

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Recordando a notícia da despedida de Américo… em 1969


Para quem começou por conhecer os “jogadores do Porto” pelos cromos de rebuçados, fixando a fisionomia de Américo por essas pequenas gravuras de coleção, era especial mesmo a admiração por quem tão bem “defendia pelo Porto”, depois de tanto ouvir o nome dele pelos relatos, sempre de atenção expetante pelo que saía do rádio que estava junto à cama de minha avozinha (ela paralítica na cama e a sofrer na certa também pela cara do neto enquanto aquilo tudo se desenrolava; e eu que tanto gostava de estar à beira dela a ouvi-la contar-me histórias, nessas ocasiões só tinha cabeça para imaginar ouvindo o que se passava onde os jogadores do Porto andavam).


Ora, sendo especial mesmo essa admiração pelo guarda-redes que tão bem “defendia pelo Porto”, foi com mágoa que, já jovenzinho, depois dele ter defendido à grande na vitória da Taça de Portugal de 1968, soube a meio de 1969 que ele ia ter de acabar a sua carreira. Devido a lesão que não dava para debelar, após ter durante anos superado diversas mazelas sofridas, como destemido guarda-redes que era.

Ora, a notícia chegou pelos jornais. Tendo na ocasião sido a reportagem do jornal A Bola, graças ao bom desempenho do correspondente no Porto desse periódico, que mais sensibilizou a atenção do adepto entusiasta, que era o autor destas linhas também. Sendo a triste notícia difundida na edição de 7 de Junho de 1969, precisamente no dia em que no Porto havia eleições do F C Porto para o biénio de 1969/1970.

Desse número do jornal de Lisboa, ao tempo ainda trissemanário, chegou um destes dias aqui a meus olhos uma imagem, inserta num arquivo de hemeroteca digital, que fez recuar o tempo a esse tempo.


Estava então Américo internado numa clínica médica que havia na Avenida dos Aliados, no Porto. Ainda essa grande avenida era bonita e preenchida, cheia de espaços ajardinados, com árvores e flores a compor o solo atapetado de relva vedada em formas harmoniosas por sebes, etc. e tal. Ou seja ainda não tinha chegado ao coração da cidade os efeitos da cheia de um rio sem água… que meteu água. E foi então à procura da noticia até ali o jornalista portuense d’ A Bola, Justino Lopes. Saindo da escrita desse mestre da narrativa jornalística que “Américo não joga mais…»

Descrevia dali Justino Lopes que tal era notícia com qualquer coisa de dramática, e era realmente. Descrevendo ele que, entrado no quarto 5 (dessa clínica), se lhe deparara o guarda-redes do FC Porto como «um mocetão paciente, curtido nas duras andanças do jogo…» Estando assim «Américo Ferreira Lopes mais a sua perna engessada», que lhe disse: «-Cheguei ao fim». Contando depois que se havia chegado à conclusão de ter de acabar a carreira. Estando ali engessado, por já mais não conseguir, até cair depois de tanto se ter levantado. Recordando e justificando-se: «- Sou de boa carnadura. As minhas recuperações têm causado surpresa aos médicos. “Soldei” um pulso sem gesso num instante. Pois houve um médico que me disse que eram precisos cerca de seis meses para uma pessoa qualquer ficar bom. E pontapés nas canelas, “pitões”, marcados nas pernas…» descrevendo o que levou e aguentou. Resumindo depois que «São as medalhas que levo…».

E assim ali, de perna engessada fora do alvo lençol, Américo afiançava: «-Vim para aqui com vergonha, convencido de que, quando me abrissem o joelho, chegassem os médicos à conclusão de que eu nada tinha que justificasse o golpe. E afinal foi o que se viu. Dizia-se que eu treinava muito com medo de perder o lugar. Mas não era essa a verdade. Treinava muito porque gostava muito de jogar. E ninguém pode jogar bem sem se treinar muito. Uma receita que aconselho aos novos. É uma questão de temperamento? Talvez. A verdade é que nunca me dei bem com manhas. Eu só não me treinava quando não podia de todo em todo. Algumas vezes as amígdalas me atraiçoaram. Mas, afinal, não viriam a ser elas a razão de ser do meu ponto final… Saio como um mártir, mas com a consciência tranquila de que este martírio não é senão fruto da honestidade com que me entreguei ao futebol e ao Futebol Clube do Porto em dezoito anos quase ininterruptos. Estou agora a recordar-me que a paragem mais prolongada foi motivada por uma lesão num cotovelo ocorrida no pelado da CUF. No resto tem sido sempre dedicação ao clube e ao futebol». Acabando por concluir que o futebol para ele foi também um curso de vida, pelas amizades e tudo o que viveu no mundo da bola.


Estava-se então no defeso, acabada que havia sido aquela época em que o FC Porto estivera muito perto de ser campeão, mas não fora… dessa vez mais por outros motivos. E na ocasião em que Justino Lopes anotava a conversa com Américo, apareceram a visitá-lo os novos treinadores da equipa, Schewartz e seu adjunto Vieirinha (tendo depois aquele técnico estrangeiro sido vítima também de doença, que o levou a ter de deixar cedo o lugar), levando o caso a terem ficado na fotografia que teve lugar na capa desse jornal – como acima damos conta, na imagem cimeira.

= Américo como guarda-redes titular na equipa principal do FC Porto, ainda no tempo de Hernâni, Virgílio, Miguel Arcanjo e Carlos Duarte, da geração dourada dos anos cinquentas, e já em transição da era de renovação com ele próprio, mais Custódio Pinto e outros. Foto da época de 1962/63, ultima de Serafim no FC Porto e primeira de Joaquim Jorge com a camisola azul e branca. Reportando a um jogo em que a equipa principal do FC Porto posou junto com a equipa adversária. Dos jogadores do FC Porto pode legendar-se, desde o cimo e a partir da esquerda para a direita: em cima - Hernâni, Serafim, Mesquita, Joaquim Jorge, Arcanjo, Virgílio  e Amérco; em baixo - Carlos Duarte,  Pinto, ...?, e Paula.

Depois disso, volvido algum tempo, antes ainda do início da época seguinte teve lugar uma festa de homenagem e despedida a Américo. Como aqui já descrevemos em anterior oportunidade, aquando da data da respetiva efeméride. 

Tendo então, ao início de setembro de 1969, já com as folhas da natureza a cair, Américo se despedido do futebol como guarda-redes, diante do público das Antas, erguendo os braços ao modo das árvores que morrem de pé.

Armando Pinto

((( Clicar sobre as imagens, para ampliar )))


Nota: Relembrando a festa de despedida acima referida e uma outra ainda anterior também de homenagem, recorde-se (clicando em):

e

A. P.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Américo - “Guarda-redes eterno” (festejando seus 86 anos)!


Num livrinho dos Ídolos do Desporto, pelos idos tempos da Primavera de 1968, Américo era considerado GUARDA-REDES “ETERNO”. Conforme o título do segundo livro que lhe foi dedicado na antiga e célebre coleção “Ídolos do Desporto”, publicado em Março de 1968 (depois de ter havido um anterior, de Janeiro de 1964) nessa linha de livros de bolso que fizeram história.


O caso reflete a importância de Américo no mundo do futebol português, sabendo-se que essa coleção, publicada em Lisboa ao longo de diversas séries e ao longo de alguns anos, dava então mais atenção a atletas dos clubes de Lisboa e arredores, tanto que de Benfica e Sporting até incluiu atletas vários de diversas modalidades, desde ciclismo, hóquei, basquetebol até ao atletismo, enquanto do FC Porto apenas foram lembrados diversos futebolistas e simplesmente dois ciclistas; e quanto aos futebolistas os do FC Porto foram em número reduzido comparativamente com os outros… Mas, enquanto isso, Américo teve direito a dois livros desses e só não foi mais além porque depois teve  de acabar a carreira devido a lesão, impeditiva de poder continuar. Repetição essa que, no âmbito dos jogadores de futebol do FC Porto, antes de Américo apenas se dera com Hernâni, e depois também apenas com Custódio Pinto, Francisco Nóbrega e José Rolando. O que é sintomático, conhecendo-se o panorama sócio-desportivo desses tempos e a história do futebol do FC Porto.  


Pois, além desse indicativo revelador de tal verdade, a realidade daquele elucidativo título, O GUARDA-REDES “ETERNO”, consubstanciava como o guardião Américo Lopes era visto no quadro dos grandes guarda-redes nacionais, como infinito no imaginário desportivo português. E embora o destino não tenha depois permitido maior longevidade, terminando tão brilhante carreira volvido um ano, em 1969, então com 36 anos, mesmo assim Américo continua a ser dos futebolistas portistas mais lembrados na memória de conhecedores e apreciadores da História do FC Porto.

Como agora se recorda, passados cinquenta anos disso tudo, na oportunidade em que Américo, o senhor Américo Ferreira Lopes, o eterno “Américo do Porto”, perfaz 86 anos de vida.

Longa e apreciada vida que o faz ser, na atualidade, um senhor muito respeitado, como antes ele se fazia respeitar a sair dos postes e a fazer valer os seus dotes de valoroso guardião das balizas que lhe foram confiadas.


Como constante recordação que é e será, Américo tem sido referenciado e lembrado por diversas vezes e ocasiões em escritos lavrados pelo autor destas linhas, quer no anterior blogue (entretanto “desaparecido” da blogosfera, após ataques informáticos adversários…) como neste de Memória Portista. Estando biografado e perpetuado como merece, pelo menos no universo cibernauta daqui. Porém nunca será demasiado acrescentar mais.

~~~ *** ~~~

Siska, o grande guarda-redes Miguel Siska do Futebol Clube do Porto, era o grande ídolo de Américo Ferreira Lopes, na sua adolescência lá no remanso de Santa Maria de Lamas, quando o então jovem sonhava um dia ir para o Porto...


Até que, mais tarde, com a intervenção de Soares dos Reis, antigo guarda-redes internacional e depois dirigente do FC Porto, após diversas peripécias particulares, o sonho tornou-se realidade, tendo Américo ido para os Juniores do FC Porto. E seguidamente o destino iria dando conta do que foi sendo escrito em sua vida.


Em 1952 Américo ascendeu à categoria superior. Por aquela época da subida de Américo à primeira categoria do FC Porto, com o estádio das Antas inaugurado há pouco tempo, a equipa do FC Porto teve diversas viagens de visitas de cortesia a terras de onde houve pedidos para idas de representações oficiais do grande clube da capital do Norte, com vista à realização de jogos particulares (uns com fins de angariação de fundos para a campanha da construção do estádio que andava ainda a ser pago, quer com fins beneficentes, ou simplesmente a corresponder a convites sociais). Sendo normalmente essas equipas compostas por alguns dos jogadores titulares e outra parte, senão em maioria, com suplentes e ex-juniores mais consagrados, numa mescla de juventude e experiência. Em cujas digressões naturalmente Américo também integrou as respetivas caravanas. Como no caso da ida do FC Porto a Torre de Moncorvo, no Nordeste Transmontano, por intervenção do então Presidente da Direção Dr. Urgel Horta, médico estabelecido no Porto mas natural daquele concelho transmontano. Onde em 1952 houve então um jogo festivo, nesse âmbito – a que se reporta a foto, vendo-se Américo ainda muito jovem entre colegas de idades diversas, entre os quais até António Araújo, junto ao presidente Dr. Urgel Horta, embora apenas a fazer figura de protocolo, como figura célebre do clube e do futebol português.


Naquela visita à zona das amendoeiras, os elementos da embaixada portista viajaram de comboio, indo na Linha do Douro até à estação do Pocinho, onde se deu entusiástica receção popular aos jogadores do Porto, ídolos também daquela gente que nunca os vira em carne e osso. Ate por fim ter ocorrido o encontro de futebol, nesse dia importante na história do desporto em Moncorvo, em pleno “Stadium São Paulo”, campo antigo da localidade que recebeu de braços abertos tal representação portista.

É sabido que Américo, entrado no plantel sénior do FC Porto em 1952 e tendo tido estreia oficial na equipa principal do FC Porto em 1953, em jogo a contar para o Campeonato Nacional da 1ª Divisão, teve porém de esperar a vez, por então estarem à sua frente guarda-redes como Barrigana, primeiro, e depois Pinho e Acúrcio, havendo de permeio ainda se intrometido o tempo de serviço militar obrigatório que originou paragem de cerca de dois anos e depois ainda ter estado uma época emprestado, para manter atividade. Tendo de permeio, nos períodos em que se manteve no FC Porto, Américo sido um dos guarda-redes da equipa de reservas, em cuja função ajudou essa formação dos suplentes e reforços, espécie de equipa equipa B do clube, a vencer algumas provas, de cariz distrital e mesmo nacional.

= Equipa vencedora do Torneio Regional de Reservas em 1956 e que teve boas prestações no Torneio Octogonal, ao tempo disputado =

Como, por entre diversos exemplos, se pode notar e anotar um através de um recorte do jornal "O Porto" de Maio de 1956, cuja notícia dá conta da prestação da equipa portista no "Torneio Octogonal de Reservas" disputado a nível nacional, com vitória da equipa defendida por Américo, em triunfo sobre o Torreense (curiosamente equipa que o FC Porto então vencia em duas frentes e versões diferentes, quer em reservas como na "primeira categoria", pois por essa altura acontecera também a vitória do FC Porto na Taça de Portugal de 1956, na final ganha por 2-0 ao Torreense no Jamor, às portas de Lisboa).


Entretanto Américo já contribuíra para a conquista do Campeonato Nacional de futebol de 1958/1959, tendo sido utilizado durante a época também e como tal sido um dos Campeões Nacionais do FC Porto, no célebre campeonato em que o FC Porto conseguiu superar o famigerado caso-Calabote.


Ora, chegada a época de 1961/62 com Jorge Orth no comando da equipa, Américo passou a ser titular da equipa principal do FC Porto. Estando-se ainda na fase de transição dos últimos anos de carreira de grandes vultos como Hernâni, Virgílio, Carlos Duarte, Barbosa, Perdigão, enquanto alguns outros ainda duraram algum tempo mais, tal o caso de Arcanjo (que em Janeiro de 1965 ainda fez um jogo na fase de apuramento da seleção nacional rumo ao Mundial de 1966), de permeio com afirmação momentânea de promessas como Serafim e Paula, nesses tempos, à chegada de novos e promissores valores, como Custódio Pinto, Jaime, Festa, Joaquim Jorge, Almeida, Azumir, Carlos Manuel, etc.

= No gradeamento do campo de treinos das Antas, anexo ao recinto principal (mais tarde chamado campo nº 2, a partir que houve mais campos de treinos na zona envolvente), o plantel do tempo em que Américo ainda jogou com Hernâni, Miguel Arcanjo e Carlos Duarte, mas também com Jaime, Azumir, Festa, Paula, Pinto, Carlos Manuel, Almeida, Romeu, Valdir, Rolando, Nóbrega, Rui, etc.

Ao assumir a guarda da baliza portista Américo tomou-se verdadeiramente dono do lugar n.º 1 da equipa com grandes exibições, conforme foi o caso de jogos vitoriosos em Alvalade diante do Sporting, ao tempo a equipa número dois do regime desportivo vigente, como no antigo estádio da Luz ao empatar em 1961/62, contra todas as expetativas e quase surpreendentemente vencendo o clube do Estado Novo mesmo em 1962/63… ao tempo em que era trinador o húngaro Janos Kalmar.

=  Equipa do FC Porto que em 1962/63 foi vencer a Lisboa em pleno estádio da Luz, para o  Campeonato Nacional da 1ª Divisão, à  4ª jornada disputada a  18/11/1962. Com o “score” de SL Benfica, 1 - FC Porto, 2 - perante 2 golos de Azumir e 1 de Eusébio. Dessa tarde de glória, com que Américo brindou todo o mundo, é a pose da praxe, tendo o coevo terceiro anel da Luz por fundo visual. 
(Em cima, a partir da esquerda para a direita - Mesquita, Paula, Miguel Arcanjo, Joaquim Jorge, Festa e Américo; em baixo pela mesma ordem - Jaime, Custódio Pinto, Azumir, Hernâni e Serafim.)
Com a curiosidade de nesse tempo serem usadas as camisolas de versão mais linda de sempre, do equipamento histórico-tradicional do FC Porto, como é maioritariamente considerado na afeição memorial portista. =


… O pior, por esses tempos e mais tempo, era o que vinha depois, por mais que a equipa do Porto conseguisse demonstrar em campo. Como, entre tantos e diversos exemplos, nesse mesmo Campeonato de 1963 aconteceu com um penalti inventado pelo árbitro Reinaldo Silva no jogo da 2ª Volta nas Antas, conforme foi recordado mais tarde no jornal O Norte Desportivo aquando do 25º aniversário do Estádio das Antas, como um grande “roubo” de que o FC Porto foi mais uma vez vítima e com consequência decisiva na perda de mais um campeonato:


A par disso e passando ao lado, dentro do que era possível, Américo foi-se afirmando efetivamente como grande guarda-redes do clube. E depressa também ganhou estatuto de grande referência no grupo de trabalho da equipa, a pontos de, após a saída dos mais antigos, e de permeio ter havido algumas experiências de comando, ter passado para Américo a braçadeira de Capitão de equipa, como líder carismático. Tendo sido com Américo a Capitão que se deu a primeira vitória do FC Porto em competições oficiais europeias, com a vitória por 3-0 sobre o Olimpique Lyonnais (Lyon) para a 1ª mão da 1ª eliminatória da então Taça das Taças, em Setembro de 1964.


Decorridos tempos, Américo venceu a 1ª Baliza de Prata atribuída a guarda-redes nacionais, em 1963/64, como guarda-redes que menos golos sofreu ao longo do campeonato nacional dessa época, entre ocorrências várias. Tal como foi sendo desenvolvido dentro do clube o seu estatuto de figura importante, inclusive tendo figurado como representante do futebol numa organização oficial portista noutra modalidade, quão foi o caso de ter sido entregue ao guarda-redes Américo a bandeirola de sinal de chegada duma etapa do Grande Prémio de Ciclismo do FC Porto, com meta na pista do estádio das Antas, também.


Apesar de entretanto não terem sido conseguidos campeonatos, ou seja, não tendo sido possível ganhar o campeonato durante esses anos, como se sabe, mesmo assim o FC Porto ia fazendo frente aos rivais e era temido nos confrontos diretos. Apenas que depois as manobras de bastidores faziam o resto… Assim, por exemplo, foram-se sucedendo algumas boas vitórias sobre o clube do regime, como foi um bom exemplo a vitória por 2-0 sobre Eusébio e C.ª no jogo da estreia de Pavão, a 26 de Setembro de 1965. Vindo a talhe esta referência para registar uma foto da equipa desse tempo, com Américo junto a colegas valorosos que bem mereciam ter sido também campeões.

(Foto da equipa do FC Porto do jogo de estreia de Pavão, a contar para a 3.ª jornada do Campeonato Nacional de 1965/66. No Estádio das Antas, a 26/9/1965. Com o resultado obtido através de golos de Naftal e Nóbrega. Em cima da esquerda para a direita - Atraca, Pavão, Alípio Vasconcelos, Alberto Festa, João Almeida e Américo; em baixo pela mesma ordem - Jaime, Naftal, Manuel António, Custódio Pinto e Nóbrega.)

Depois veio a grande vitória na Taça de Portugal de 1967/1968, em cuja final, disputada no chamado Estádio Nacional, vulgo estádio de Oeiras, nos arredores de Lisboa, então o FC Porto venceu o Vitória de Setúbal por 2-1.Tendo Américo contribuído de modo importante, fazendo uma das suas exibições de grande nível, nesse encontro em que o clube sadino chegava à final da mesma Taça pelo quarto ano consecutivo, com duas vitórias nessa segunda maior prova do calendário futebolístico português, em anos alternados, até aí.

Final em que Américo se cobriu de glória, como último reduto dessa equipa em que teve à sua frente Atraca, Bernardo da Velha, Valdemar, Rolando, Pavão, Eduardo Gomes, Jaime, Custódio Pinto, Djalma e Nóbrega; sendo autores dos golos Valdemar Pacheco e Francisco Nóbrega.


Assim sendo, vem a talhe relembrar como era o cenário da situação desse tempo em que o grande Américo era considerado “Eterno”, conforme foi sintetizado em livro. Como calha a preceito lembrar que nesse mesmo ano de 1968 Américo foi considerado o melhor guarda-redes nacional, como ficou também registado num outro livrinho da mesma coleção, então sobre a época da equipa principal do FC Porto, publicado a 8 de Junho de 1968 (dias antes da final da Taça de Portugal ganha a 16 de Junho).


Curiosa essa apreciação, em coluna à parte, registando a sua consagração como vencedor daquele galardão que premiava o jogador mais regular do Campeonato Nacional, o Prémio Somelos-Helanca de reconhecimento ao futebolista mais pontuado de todos, entre os participantes das melhores exibições, ao longo das sucessivas jornadas, segundo pontuação dum jornal como A Bola, por tradição totalmente anti-Porto. Acrescido de até ser lembrado o quanto foi injustiçado anteriormente no Mundial de 1966, que poderia ter tido outro desfecho se houvesse sido posto Américo a defender a baliza dessa seleção do sistema BSB… como tardiamente reconheceram tal erro o então selecionador Manuel Luz Afonso e o treinador Otto Glória.


Américo, sempre muito ponderado e senhor de si, entretanto já ia pensando no futuro e estabelecera-se comercialmente com a famosa loja chamada Casa Magriço, de artigos desportivos, com nome dado em homenagem à ida à Inglaterra de 1966... Servindo então todas as ocasiões para promover o seu estabelecimento, como nos casos de viagens e outas ocasiões públicas, sempre com a sua boa disposição.


Depois disso e terminada a carreira, fundou uma clínica médica e continuou sempre ativo. Enquanto em sua casa criou um belo museu de recordações de sua carreira desportiva, dos mais interessantes que se conhecem a nível particular, para admirador ver e satisfação perdurar. 


Nascido em Santa Maria de Lamas a 27 de Fevereiro de 1933 (embora tenha sido registado civilmente com data fictícia de 6 de Março), Américo reside em São Paio de Oleiros, onde fundou a Clínica de Saúde Boa Hora, recentemente passada a sua afilhada D. Isabel Leite, criada por ele e sua esposa como filha, a qual verdadeiramente tem por ele autêntico amor filial, além de grande admiração pela sua figura também eterna. 


Rijo e muito lúcido, Américo Lopes é pois bem resistente ao tempo, à imagem do castelo feirense de seu concelho, mantendo-se como pessoa de boa memória para muita e boa gente.

Enquanto isto, no Museu do FC Porto entretanto consta algo seu, também, incluindo uma figuração no cimo do autocarro das vitórias, ficando-se a desejar que a sua Baliza de Prata lá chegue a ficar guardada, assim como a grande Taça Somelos-Helanca, que estava na Sala-Museu Afonso Pinto de Magalhães, o antigo Museu da Sede e depois das Antas, também tenha lugar no atual Museu FC Porto by BMG, no Dragão.


~~~ ***** ~~~

Na ocasião da passagem de seu 86.º aniversário natalício, em mais outra vez também, prestando-lhe mais esta publicação de homenagem e reconhecimento, desejamos que continue bem e tenha muita vida pela frente.

Parabéns Sr. Américo! Feliz aniversário! Com um abraço

- Aqui do seu amigo e sempre admirador portista

Armando Pinto

((( Clicar sobre as imagens, para ampliar )))

domingo, 2 de setembro de 2018

Efeméride: Despedida de Américo


 A 2 de Setembro de 1969 viveu o mundo portista, em noite de ambiente clubista no estádio das Antas, uma ocasião especial, num misto de reconhecimento e consagração, como gratidão reconhecida, no adeus ao guarda-redes Américo. Despedia-se então Américo Lopes do futebol, em virtude de contusão impeditiva da continuidade de tão brilhante carreira. Devido a lesão contraída durante o seu ofício de guardião das balizas e agravada pelos anos de seu percurso futebolístico.

= Anúncio anterior da realização da festa de homenagem, em despedida a Américo

Nessa noite, a 2 de Setembro, Américo Ferreira Lopes, o grande Américo do Porto, disse adeus ao futebol jogado e sobretudo aos adeptos portistas, contando aí com tributo merecido de muitos admiradores que o aplaudiram fortemente pela última vez, enquanto outros ouviam em casa pela rádio dos emissores do Norte Reunidos tudo o que Ilídio Inácio e José Barroso conseguiram transmitir. Como depois, quando os jornais desportivos apenas saíam a público duas vezes por semana, na edição seguinte do jornal O Norte Desportivo se leu o que os redatores descreveram, no devido registo em letra de forma; assim como o discurso de elogio lido no estádio pelo diretor do mesmo jornal, Joaquim Alves Teixeira, transcrito a preceito no órgão informativo nortenho. 


Como volvidos alguns dias, mais, o jornal O Porto narrava da forma que se mostra, em recortes elucidativos.


Disso, também, entre material guardado em arquivo próprio e de modo pessoal pelo autor destas linhas, junta-se algumas imagens, como ilustração, do que sentiram olhos que aquilo viram.


2 de setembro ficou assim como data de algo duma recordação misturada de nostalgia e apreço, pelo que ali o acontecimento encerrou mas também significava. Sendo assim, passados estes largos anos, já, uma efeméride que apraz registar.

= Américo, com sua camisola amarela, como guarda-redes titular, na equipa da grande vitória na Taça de Portugal de 1968!

Efeméride, conforme a origem latina, indica lembrança, qual memorial diário, ao género de calendário recordatório, de um em cada dia. Havendo ainda noção de efemérides astronómicas, transportando ao termo usado por magos astrónomos, perante possibilidade de ocorrências. Ora nessa noite por certo os astros estavam em posição acabrunhada, enquanto tristes estavam os admiradores do astro que levantou os braços em última saudação desde o relvado das Antas.

Armando Pinto
((( Clicar sobre as imagens, para ampliar )))