Faleceu em 1975, tendo o facto sido noticiado no jornal O Porto de 23 de outubro de 1975, dando conta de haver falecido no Brasil, onde vivera seus últimos tempos.
Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis
Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis
Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.
A. P.
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quarta-feira, 15 de maio de 2013
Rodrigues Teles: Historiador Pioneiro do F C Porto!
Corre suave brisa num ambiente capaz de fazer história e de nos ficar na memória, tal a temperatura agradável que sentimos ainda no ardor alegre de qualquer vitória sobre os clubes do regime portuga - e, então quando acontece como no minuto 92... sobre a hora, mesmo em tempo oportuno… Aguardamos ainda melhor temperatura ambiental em caso de próxima confirmação.
Assim, aguardando sempre por novidades que tornem mais azul a realidade que paira no ar, e porque valorizamos a perpetuação da memória do que gostamos, queremos lembrar entretanto alguém com papel importante no perpetuamento dos fastos da existência do F C Porto, como foi o primeiro historiador do F C Porto. Pois se não tivesse havido esse alguém a começar, ou seja a ter dado início a algo tão trabalhoso, sem esperar por outros, muito mais se teria perdido nas brumas do tempo, como muito do que antes terá ficado envolto na penumbra do conhecimento. A pontos da confusão então havida na definição dos primeiros passos da vida do Futebol Clube do Porto.
Quem aprecia a História do F C Porto e valoriza tudo o que proporciona estudo e aprofundamento da vida do F C Porto sabe que houve um Rodrigues Teles, esse, com efeito, o homem que iniciou a perpetuação histórica do grande clube azul e branco portuense, sendo quem afinal primeiro deu a conhecer e com detalhe a história do clube português que ostenta as cores que eram as do país ao tempo da respetiva fundação e seguinte revitalização.
António Rodrigues Teles foi um empenhado adepto e distinto sócio do F C Porto, daqueles que se diz não ter sido um qualquer ou normal simpatizante, mas sim um Portista de alto coturno, por quanto procurou servir o clube do coração e o conseguiu dignificar. Chegou a estar ligado ao dirigismo dentro do clube, na criação do hóquei em campo, e como representante clubista em órgãos associativos de raguebi e outras modalidades, enquanto na sua atividade publicista, como profissional de jornalismo, soube ser um paladino defensor do F C Porto. Intrometendo-se, enfim, a meter ombros à empreitada de passar a escrito o que andava na transmissão oral sobre a história da criação do clube, acabando depois por se documentar sobre tempos seguintes e dando inclusive um toque de atualização do que entretanto também viveu e ajudou a criar e manter.
Rodrigues Teles era um jornalista que virou historiador, e na verdade um grande historiador que desde muito cedo acompanhou e registou a atividade do principal Clube da Invicta, havendo conversado com alguns dos contemporâneos dos tempos antigos, então ainda vivos. Por isso escreveu de forma tão detalhada alguns dos primeiros anos e as actividades iniciais do F. C. Porto. Teve o senão involuntário de seguir demasiado à risca o que ouviu a adeptos mais antigos, alguns dos quais, naquele típico portuguesismo de aumentar um ponto ao contar um conto, quiseram ter mais protagonismo ou criaram convicções diversas, do que antes acontecera. Havendo Rodrigues Teles, após ler e ouvir testemunhos dalguma tradição oral, depois querido manter a versão inicial, escrita na história que publicara em 1933, visto que no seu trabalho da década de cinquenta já havia descortinado a anterior existência de 1893 - inclusive com a publicação da célebre carta que faz parte do 1º volume de permeio editado em 1955… Mas isso não é de admirar, afinal, como aconteceu sempre com trabalhos iniciais de investigação pioneira, na verdade, tal o que ocorreu séculos antes com as crónicas de Fernão Lopes e a história monumental portuguesa de Alexandre Herculano, metendo mais tarde famosas celeumas em lendas fantasiosas de pelejas com mouros e o milagre de Ourique, etc e tal…
- Capa do primeiro livro de Rodrigues Teles: "História do Foot-Ball Club do Porto: 1906-1933", edição "O Porto Desportivo", de 1933.
Rodrigues Teles teve conhecimento da verdadeira fundação do F C Porto, mas não chegou a repor a verdade, totalmente, porque entretanto estava enraizada essa convicção transmitida. E como tal não podia ir contra o que era generalizado, ao tempo. Apesar de até a data ser inventada por alguém, em virtude do tal 2 de Agosto de 1906 ter sido numa quarta-feira e não ao domingo, como diziam os que reforçavam a confusão. Mas teve o mérito de ser um acérrimo defensor da cronologia imediata, pois o pouco mais que foi sendo publicado em seu tempo, sobre tais assuntos memorandos, tinham a sua chancela. Além da sua disponibilidade em servir o clube, sempre que fosse necessário.
Portista e jornalista em publicações de âmbito nacional, como por exemplo no jornal “Sporting” da cidade do Porto, como correspondente no Porto do jornal “Os Sports”, depois “Mundo Desportivo”, e em Lisboa como representante do Norte na revista Stadium, publicou duas versões ou continuações de histórias do FC Porto, com paixão clubística. A primeira em 1933 e a segunda, por fascículos, em 1955. Estudo esse depois, no decurso de 1958, compilado em 3 volumes, por ordem cronológica da edição dos respetivos fascículos, que teve publicação completa em 1962.
- Capa interior da compilação de 1955, correspondente à original do I fascículo da História do F C Porto, de Rodrigues Teles.
Esse mesmo António Rodrigues Telles, tal como se escrevia seu nome quando foi registado seu nascimento, em 1906, foi também membro da Assembleia Delegada do F C Porto e da Comissão Pró-Estádio, inaugurado em 1952. Escreveu posteriormente ainda uma brochura sobre os Internacionais do F C Porto na Seleção A de futebol (até 1968/69), aquando da colocação da Galeria dos Internacionais A do F C P na antiga sede, no hall do antigo museu (e que posteriormente esteve num espaço dos baixos do estádio das Antas), bem como dos anos da presidência de Pinto de Magalhães, com “6 Anos de Progresso na Vida Gloriosa do F C Porto”, editado em 1971; enquanto nos últimos anos de vida trabalhou ainda nos jornais sulistas Diário Popular e no Record, até haver falecido em 1975, quando tinha em mãos diversos trabalhos que ficaram inéditos.
Muito mais tarde, com certa colaboração de sua filha, Drª Maria Luísa Rodrigues Telles, ao tempo também diretora do clube, houve em 1987 uma reedição do I Volume da História do F. C. Porto, com promessa de também haver seguinte nova edição dos restantes volumes, numa edição programada pelo Conselho Cultural do F C P nesse tempo, o que não mais chegou a acontecer. Deu-se de seguida, por fim, a reposição da verdadeira data histórica, derivado ao laborioso estudo publicado por Rui Guedes com a Fotobiografia do F. C. do Porto, também publicada em 1987 – dado que em Assembleia Geral de 26 de Fevereiro de 1988 foi aprovada a confirmação da verdadeira data histórica da fundação do F. C. Porto, conforme provas confirmadas pela Biblioteca Nacional de Lisboa. E desde aí passaram a falar mais os documentos, os velhos e os novos comprovativos da vera História do F C Porto. Contudo sem nunca se olvidar a importância da iniciativa de Rodrigues Teles, sem renegar o que de bom se fez no passado, nem olvidar a autoria da importante Obra que esteve na base do que se foi sabendo do F. C. Porto de sempre.
Como exemplo de como sabia ser arauto do F C Porto mesmo em terras de infiéis, damos à estampa uma das páginas mantidas de sua lavra em publicações da capital da nação, como era na lisboeta revista Stadium com as páginas Ecos do Norte e Stadium na Capital do Norte. Conforme se pode ver num artigo da referida publicação, em seu número de 16 de Novembro de 1949:
António Rodrigues Teles (1906-1975) foi e é um Portista Ilustre, um escritor-historiador que, na mais que necessária inventariação dos factos ligados à Vida do F C Porto, merece figurar sinceramente na verdadeira História do F C Porto. Mais, será de inteira justiça que ainda possa ser reconhecido, agora a título póstumo, com a classe de Sócio Honorário do F C Porto. Qual Heródoto da história antiga ou Alexandre Herculano de tempos medievos, Rodrigues Teles deixou seu cunho no passado imorredouro do F C Porto. Devendo-se-lhe os caboucos do estudo, donde surgiu à posteriori a pertinácia foto-documental do Rui Guedes, numa soma que dá o F C Porto a vencer desde 1893!
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Armando Pinto
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