Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

Mostrar mensagens com a etiqueta Década dos Anos 60’s. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Década dos Anos 60’s. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Joaquim Jorge (1939 – 2014)


Faleceu, na manhã do passado domingo, dia 14, o antigo jogador de futebol Joaquim Jorge, um dos futebolistas cuja camisola vestida povoava a magia de nossa infância. Um valor daqueles que eram ouro negro provindo das antigas colónias ultramarinas e, então, veio de Moçambique para vestir a camisola do F C Porto, em 1962.

E foi mesmo por essas eras um dos ases do desporto que faziam parte das coleções de figuras que vinham nos rebuçados, daqueles populares cromos de colar em cadernetas (como nos recordamos, à imagem da gravura que, com a devida vénia, colhemos no blogue amigo “Dragãodoporto”).


Moçambicano de nascimento e português de naturalidade, além de penafidelense por afeição, residente que foi na terra adotada como sua, onde acabou a carreira desportiva como jogador e treinador do Futebol Clube de Penafiel, tinha 73 anos agora, à sua morte. Natural de Maputo, Moçambique, Joaquim António Jorge nasceu a 18/02/1939, e faleceu a 14/09/2014, ficando para sempre em Penafiel, em cujo campo santo é sepultado esta terça-feira, dia 16.


No F C Porto fez parte duma defesa com nomes consagrados na história do futebol portista e nacional, quanto eram Américo, Festa, Almeida, Rolando, Alípio, e outros, como se recorda em duas imagens reportadas a homens da retaguarda portista em meados dos anos sessentas - com gravuras recortadas de documentação portista do autor destas linhas.



Joaquim Jorge, defesa central de grande porte, nascido em Moçambique a 18 de Fevereiro de 1939, começou por representar o F C Porto, a partir de 1962/1963, permanecendo de azul e branco a evoluir nas Antas até 1964/1965, tendo aí sofrido os efeitos do sistema desportivo que impediram nesses anos diversas conquistas, pelo menos - como aconteceu numa final da Taça de Portugal em que esteve presente, ingloriamente, perante uma autêntica roubalheira a favor do mais beneficiado desse tempo, o Benfica… Assim, à falta de melhor, Joaquim Jorge ficou ligado a alguns triunfos possíveis, tal como foi o caso da Taça do Torneio Luís Otero, em Espanha – a que se reporta a imagem junta.


Depois esteve ao serviço do Vitória de Guimarães, onde alcançou o estatuto de internacional. Como acontecia nesses tempos em que do F C Porto só eram lembrados para as seleções os verdadeiros astros, e poucas vezes, por norma; enquanto os outros bons valores, pelo menos idênticos e mesmo melhores que alguns dos que eram selecionados, só conseguiam vestir a camisola das quinas quando se mudavam para outros clubes. Ora Joaquim Jorge, que defendeu as cores vitorianas desde 1965/66 até 1971/1972, alcançou assim duas oportunidades de vestir a camisola da representação portuguesa quando estava em Guimarães, somando duas internacionalizações, em 1969. Marcou nesse tempo uma era no futebol da cidade-berço, tendo ajudado em tal período o Guimarães a ter alcançado pela primeira vez a sua melhor classificação, como foi o 3º lugar no campeonato, distinguindo-se ele como um dos jogadores mais influentes da formação vitoriana, a pontos de ter inclusive conquistado a Taça Somelos-Helanca na sua segunda edição, sucedendo ao guarda redes Américo nesse galardão existente ao tempo, a premiar o atleta mais regular de cada temporada.


Por esses tempos, fazia parceria com outro defesa com marca na história vitoriana, Manuel Pinto (irmão de Custódio Pinto), com quem fez dupla na seleção - e ambos ainda também com o Pinto e o Rolando do Porto (duo valioso cuja aura, dessa vez, se sobrepôs para terem também jogado nessa equipa da Federação Portuguesa de Futebol, sediada em Lisboa e ainda sob auspícios do sistema BSB)…

Anos volvidos, por fim, ainda enquanto praticante, Joaquim Jorge transferiu-se para o F C Penafiel, clube da antiga Arrifana do Sousa, em cuja cidade se arreigou e passou a residir. Mais tarde passou a desempenhar funções de treinador, por vezes na equipa senior e mais assiduamente das camadas jovens, tendo treinado ainda os juniores do F C Felgueiras. Na cidade do pão de ló fez muitas amizades e deixou cartel como homem bom e competente. Missão essa que continuou de seguida na terra afetiva, mantendo-se em Penafiel e ao serviço do F C Penafiel onde fosse necessária sua dedicação. Reconhecida, tal afeição, finalmente na derradeira homenagem pública, tendo o corpo do Joaquim António Jorge estado em câmara ardente no salão nobre dos Bombeiros de Penafiel, e ficado sepultado na mesma terra que o acolheu e ele abraçou.

- Ao lado = Joaquim Jorge, treinador do Penafiel  (foto do site Futebol Clube de Penafiel)


Armando Pinto

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Década dos Anos 60’s – Um período de guerra ditatorial… e resistência Portista!


Ainda com algumas sombras presentes da encenação que adveio dos recentes acontecimentos com que o regime desportivo se tem procurado apropriar, e na sequência do anterior artigo relativo aos anos sessentas, do século XX, trazemos desta vez à ideia pública, como azeite sobre água, umas réstias do que se passou na mesma década, por ter sido em inícios desse período, nos primeiros anos sessentas, que nasceu bem dentro do autor o Portismo que perdura e deslumbra nossos sentimentos. E mais para diante conquistamos uma Taça de Portugal, qual lança que se conseguiu meter… enquanto o Campeonato era perdido diversas vezes, ingloriamente…


Sem necessidade de muitas palavras, mais, recordamos, aqui e agora, através dum singelo resumo duma publicação de âmbito nacional, algumas passagens assinaláveis desses tempos em que o regime ditatorial não dava grandes possibilidades de luta, mas, contudo, a dimensão Portista exerceu uma resistência possível. Quando qualquer vitória do F C Porto valia por muitos títulos dos outros, como se sabe… e sentíamos.

Assim, eis aqui alguns dados, desafiando o tempo e sinalizando o que foram esses tempos.


(CLICAR sobre as digitalizações, PARA AMPLIAR)


 Armando Pinto