Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

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domingo, 11 de junho de 2017

Parabéns Rolando! – Exaltação ao “Menino de Ouro do FC Porto” por ocasião de mais um feliz aniversário.


O FC Porto é verdadeiramente um céu aberto de estima, num mundo que dá sentido à vida que deve ter algo sublime a dar valor ao que tem valor. Como sempre foi e será a máxima de um adepto portista que nesta ocasião aproveita a data aniversária de um antigo futebolista, ídolo de tempos iniciais duma vida que tem sido vivida, para levar a bola da escrita colada ao pensamento de modo a lhe prestar uma homenagem, como cumprimento de felicitação por tudo o que tem significado a respetiva ligação ao universo portista.

Com efeito perfaz hoje mais um aniversário natalício o “Rolando do Porto”, o louro futebolista que de camisola azul e branca colada ao dorso fazia espirais de incenso na imaginação de um portista que, ao ouvir os relatos dos jogos de futebol da equipa principal do FC Porto, ansiava que os seus jogadores fossem melhores que tudo e todos. Aquele José Rolando que guardei num livrinho da coleção Ídolos do Desporto, cujo título sintetizava o seu carisma, realmente, como “Menino de Ouro do FC Porto”… e mais tarde, depois de se ter afirmado como “Patrão-mor da defesa do FC Porto” (tal como foi intitulado num outro livro da mesma coleção, volvidos anos… e também bem guardado), passou no meio-campo a ser referência principal do futebol sénior portista. A pontos de durante anos ter sido o único representante do FC Porto que ia à seleção nacional, conseguindo pelo seu valor meter uma lança na áfrica do futebol lusitano dos tempos do sistema BSB, sabendo-se que os atletas do FC Porto então tinham que ser muito melhores que os outros para serem reconhecidos, como acontecia nos tempos em que Rolando foi grande nome do FC Porto.


Ora, José Rolando Andrade Gonçalves, de seu nome completo, nasceu na Rua de S. Brás, da cidade do Porto, ao dia 11 de Junho de 1944. No burgo portuense onde prosseguiu uma vida que só não foi totalmente normal por ter enveredado em boa hora pela carreira de futebolista, inicialmente evoluindo em clubes regionais, como eram o Nacional e o Fontinense em que deu os primeiros chutos na bola, tendo de seguida começado a sério no Futebol Clube do Porto, de permeio com uma passagem por empréstimo no Salgueiros, na subida a sénior em 1962/63, alcançando depois entrada no plantel principal do FC Porto em 1964/65 e nesse mundo azul permaneceu até à temporada de 1974/75.


Entre diversas particularidades, Rolando foi um dos titulares da equipa portista que no dia 16 de Setembro de 1964 venceram os franceses do Olimpique de Lyon por 3-0, no jogo que resultou na primeira vitória do F.C. Porto nas competições europeias oficiais, ao lado de outros grandes como eram Américo, Festa, Pinto, Nóbrega e demais. E para sempre ficará como um dos heróis que venceram a Taça de Portugal na época de 1967/1968, na final em que o F.C. Porto derrotou o V. Setúbal por 2-1 em pleno Estádio do Jamor, por então haver sido uma exceção ao que o regime desportivo nacional impingia ao tempo à nação futeboleira.


Apesar de sua grande valia, mas como sintoma do sistema desse tempo do regime da era de Salazar e Caetano, Rolando representou também a Seleção Nacional embora apenas por oito vezes, mas com evidente dinâmica e amplitude – como ficou inclusive evidente na rábula do famoso cómico Raúl Solnado a gritar “Viva o Rolando” como grito de guerra do fervor clubista que retratava (como se relembra em artigo aqui vincado há tempos, cujo link indicamos no final desta crónica evocativa)…  


Depois de terminada a permanência no FC Porto, Rolando ainda ajudou o Paços de Ferreira na sua afirmação na alta roda do futebol, na subida do clube da zona do mobiliário de madeira; e depois teve alguns desempenhos no treinamento de outras equipas, até que regressou ao F.C. Porto para treinar as camadas jovens, onde foi campeão e, mais tarde, continuou ligado ao Departamento de Futebol. Sendo para sempre um dos referenciais do clube, um nome simbólico na mística portista.


Havendo felizmente vários ícones assim no imaginário do clube Dragão, José Rolando é um desses emblemáticos nomes cuja recordação nos remete a tempos idílicos do Portismo puro vivenciado, de jogadores da família portista, familiares não pelo sangue do corpo mas pelo coração que pulsa através da seiva azul que corre nas veias do sentimento.


Parabéns Rolando, nesta ocasião de mais um aniversário natalício. E parabéns permanentes por quanto representa no apego portista!

Armando Pinto

NOTA: Reportando ao tema acima assinalado, recorde-se um anterior artigo neste blogue dedicado aos "Referenciais"…clicando aqui.


 ((( Clicar sobre as imagens, para ampliar )))

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Uma Curiosidade evocativa - de vez em quando…


Na temporada da foto, que desta vez damos à estampa, começava a soprar alguma brisa de progresso duns tempos mais contemporâneos, quando pelas nossas bandas se iniciavam algumas ações tendentes a apanhar a carruagem do que se via lá por fora; como na televisão surgiam multidões empunhando adereços dos mais variados géneros e feitios alusivos aos respetivos clubes, enquanto por este cantinho à beira mar plantado apenas se viam bandeirinhas calmamente pousadas ao ombro e se agitavam quando a nossa equipa entrava em campo, depois quando marcava e, por fim, ganhava… quando ganhava.

Então, a imagem em apreço, reporta ao início do uso dos cachecóis à Porto e no ambiente clubista do F C Porto, com riscas azuis e brancas, ao tempo ainda sem emblema, nem legendas. O clube ainda não se lançara a aproveitar os efeitos da sua e nossa imagem de marca. Estava-se nos primeiros anos da década de setenta, à entrada de 1973. Manuel Guedes e o louro José Rolando, dois defesas da equipa principal do F C Porto dessa época, tiveram a iniciativa, comercializando esses novos adereços, através duma espécie de sociedade formada por tal dupla empreendedora. Num dos momentos de promoção, aproveitaram a chegada de Cubillas ao Porto, já autêntico cabeça de cartaz da equipa portista nesse período, e juntaram-se a fazer uma pose para os devidos efeitos. 

Chegaram a corresponder ao interesse dos adeptos com envio do produto por correio, à cobrança pela via postal, de modo que conseguiram lançar uma campanha vasta, a pontos de enviarem as encomendas até onde fossem pedidas, para os domicílios dos interessados, além de pontos de venda junto ao estádio, em dias de jogos e treinos, inclusive. Foram assim eles que venderam os primeiros cachecóis, para apoio ao F C Porto. Eu comprei um, que guardei e ainda o tenho, original e bem preservado, depois de com ele ter vivido, à chuva e ao sol, inesquecíveis momentos de euforia, como no campeonato finalmente conquistado em 1977/78!

Por tal motivo interessante, como curiosidade histórica, aqui fica a pose memoranda (foto ao cimo), com Guedes e Rolando a ladearem o seu colega célebre Teófilo Cubillas e todos devidamente apetrechados com um cachecol. (Foto do “Livro de Ouro do F C Porto”)

Armando Pinto