Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

"Casos" da Seleção A do futebol português – a propósito dos primeiros convocados… do FC Porto!


Vem de longe a tradição da seleção portuguesa de futebol ser mais dos organismos federativos, em vez de representar o todo nacional. Fama, afinal, de ser regida por escolhas segundo interesses dos maiorais do sistema desportivo luso, que teve pontos cumeados nas injustiças perpetradas nas escolhas de Luz Afonso e Otto Glória aquando do Mundial de 1966 e na palermice de Scolari na campanha culminada no Europeu de 2004, entre tantos e diversificados "casos".

Desta feita, o tema traz a lume anterior ocorrência, do início dessa sequência, dando para evocar Lino Moreira e Artur Augusto (individualmente nas imagens de cima), que integraram a equipa do FC Porto triunfante na primeira prova oficial a nível geral do país.


Recuando aos primórdios, então, aos tempos em que o FC Porto teve os primeiros campeões de Portugal, recorde-se, a propósito da efeméride do dia:

A 25 de novembro de 1921 Lino Moreira e Artur Augusto tornavam-se os primeiros futebolistas do FC Porto a serem convocados para a seleção nacional. Foi há 95 anos e desde então o FC Porto manteve sempre a tradição de ceder atletas à seleção e também a seleções de outros países.

Contudo, nessa primeira vez, em 1921, acabou por ter jogado somente Artur Augusto, ficando então de fora Lino Moreira, e não só…

(Imagem de Dezembro de 1921, que, como se nota pela legenda, foi publicada numa revista da especialidade há quase quatro décadas...)

Ora, assim sendo, logo nessa primeira ocasião em que foi escolhida uma seleção para representar Portugal começou a saga que leva a que as seleções ditas portuguesas não sejam assim de verdade, como se tem sentido pelos tempos fora. Há diversas referências ao facto de tal pontapé de saída, ao início dos anos 20, do século XX, cuja ocorrência foi muito bem descrita em resumo de Fernando Moreira no seu trabalho “Dragões de Azul Forte - Retalhos da história, conquistas e vitórias memoráveis, figuras e glórias do F. C. do Porto”, no blogue “Bibó Porto, carago”:

» … A escolha dos que integrariam a equipa estava a cargo da Comissão Técnica da Associação de Futebol de Lisboa. Logo de início foi notório o desentendimento no seio daquela comissão… Por outro lado, a Norte, a Associação de Futebol do Porto foi surpreendida (ou talvez nem por isso…) pela não chamada de dois atletas do FC Porto que eram apontados pela imprensa como indiscutíveis: António Lino Moreira, guarda-redes, e José Tavares Bastos, um avançado de grande categoria. Apenas o portista Artur Augusto (por sinal… lisboeta) havia sido convocado. O afrontamento provocou no Norte um clima de contestação sem precedentes e a emotividade atingiu níveis impensáveis. A revista “Sport”, na edição de 17 de Dezembro de 1921, véspera do jogo de Madrid, zurzia nos poderes de Lisboa publicando o seguinte artigo, sob o título “Uma selecção que nada representa”»

Na pertinência desta lembrança, trazemos também à baila o tema do Mundial de 1966, já que o caso de Vítor Baía, em 2003/2004, ainda é de fresca memória. Evocando-se agora o tema da convocatória de 1966 por terem sido convocados seis elementos da equipa principal do FC Porto, tal como se vê na foto anexa (abaixo), referente à concentração para os treinos que levaram à escolha final dos 22 que integraram a delegação portuguesa dos Magriços de Inglaterra; mas dessa meia dúzia de portistas inicialmente lembrados depois só metade ficou nos selecionados, tendo sido mandados embora três e, por fim, desses só um jogou na fase final…

Repare-se assim na fotografia, onde se vêm, entre os que estiveram concentrados no estágio preliminar para o Mundial de 1966, os futebolistas do FC Porto Nóbrega, Américo, Jaime e Pinto (na primeira fila, sentados em 2º, 4º, 6º e 10º lugares a partir da esquerda), Festa, (primeiro da segunda fila, à esquerda) e Almeida (na fila de trás, último da direita ao cimo).


Assim sendo, avivamos a lembrança sobre essa campanha dos Magriços, que nunca é demasiado lembrar para fazer justiça a Américo, ao menos, por quanto ele foi referência e representa na história do F C Porto e do desporto nacional. Américo que foi o grande injustiçado do futebol português, quanto a internacionalizações pela seleção dita portuguesa, como ficou para a história. Mas, apesar de tudo, foi o melhor guarda-redes português da década dos anos sessentas. Em tempo do sistema BSB (do sistema das presidências federativas circunscritas a serem comandadas por homens de Benfica, Sporting e Belenenses). Américo era o melhor guarda-redes português, mas no Mundial de 1966 ficou a ver os jogos no banco de suplentes, porque tinham que jogar os dos clubes dos dirigentes federativos. Motivo porque do lote dos 22 “Magriços” (como foram chamados os futebolistas dessa campanha), do F C Porto só o defesa Alberto Festa pôde jogar e apenas em metade dos jogos dessa fase final. Ficando Américo e Custódio Pinto a suplentes, enquanto Nóbrega, que até chegou a ter feito o fato oficial para o efeito, ficou fora a ver os jogos pela televisão, preterido quase nos últimos dias, indo em sua vez um que jogava num clube pequeno mas que estava já comprometido com um dos clubes grandes de Lisboa.

= Américo, o primeiro "Baliza de Prata" Português!

Atendendo a essa simpatia que Américo sempre me merece, foi com grande prazer que mais tarde, já em Outubro de 2016, pude visitar seu museu particular e ver bem diante dos olhos a camisola que ele vestia e outras recordações dessas eras. Sendo com muita honra que fiquei ao seu lado em fotos que guardo…»

Armando Pinto

(Clicar sobre as imagens, para ampliar )))

sexta-feira, 17 de julho de 2015

José Bastos "Bastinhos": Um pioneiro na lista de futebolistas famosos transferidos do Benfica para o F C Porto


Está viva a saída do Benfica para o F C Porto do aguerrido defesa uruguaio Maxi Pereira, ainda bem fresca que é a ferida causada nas hostes benfiquistas com a presente e sensacional transferência, resultando num autêntico golpe tal aquisição máxima para o F C Porto.

Essa nova realidade, com que ninguém contava até há pouco tempo, não é porém caso virgem em mudanças desde o clube de Carnide para o ambiente das Antas, rumo ao Porto. Dando azo, por isso, a uma rememoração apropriada, atendendo ao rol de futebolistas famosos que trocaram a camisola encarnada do Benfica de Lisboa pela azul e branca do F C Porto.

Apesar da tradicional rivalidade entre os dois clubes, e pela competitividade entre ambos não haver normalmente conversações de mútuo interesse para trocas ou aquisições, ainda é substancial e significativa a galeria de futebolistas de primeiro plano que jogaram no Benfica mas depois preferiram alinhar no F C Porto. Remontando o começo dessa saga aos inícios da década dos anos 20, do século XX.


= Alguns valores do tempo de Bastinhos no F C Porto - segundo a inicial História do F C Porto, escrita por Rodrigues Teles e publicada em 1933. =

Conforme rezam memórias escritas, o pontapé de saída foi dado em 1921 por José Bastos e Artur Augusto, que no Porto enfileiraram com escol de grandes valores, entre os quais Tavares Bastos – motivo porque José Bastos passou a ser conhecido por Bastinhos, para diferenciação. Enquanto Artur Augusto, como se sabe (e já recordamos neste blogue) foi então o primeiro futebolista do F C Porto Internacional A, por ter feito parte da equipa considerada a primeira seleção nacional sénior de Portugal.

Ora, em diversos espaços de dados tem aparecido alguma confusão entre Tavares Bastos e o José Bastos “Bastinhos”. A pontos que a transferência incontornável de Maxi para o F C Porto deu lugar a diversas crónicas, em jornais, mesmo na televisão e na blogosfera, referindo Tavares Bastos como o primeiro. Quando se trata de outro, José Maria Tavares Bastos (Bastinhos). Tendo havido realmente um Tavares Bastos, assim mesmo conhecido, mas outro, natural do concelho de Gaia e que ficou com auréola famosa (inclusive referido por não ter sido chamado à tal primeira seleção, assim como também o então guarda-redes Lino Moreira, apenas pelo faciosismo de sempre - o que levou a público diferendo na imprensa, à época). O qual jogou diversos anos no F C Porto, enquanto o que veio de Lisboa jogou poucas épocas somente.

Em virtude desse e destes factos, juntamos algumas fotografias do Bastinhos do F C Porto, em virtude de haver imagens de Tavares Bastos a confundir as informações difundidas. Deitando mãos, neste caso, a imagens dos livros da História do F C Porto, de Rodrigues Teles, quer da edição de 1933, como dos posteriores volumes editados pelos anos da década de cinquenta.

= Equipa do F C Porto em Agosto de 1922. Incluindo (a partir da esquerda), de pé: Armando Moura, Mota, Alexandre Cal, Bastinhos, João Nunes, Hall, Velez Carneiro e Lino Moreira, sentados – Floriano Pereira, Balbino e António Lopes Carneiro.

Na pertinência do caso, respigamos, com a devida vénia, o que explanou o site informático “Zerozero”:

« Confirmada a contratação de Maxi Pereira pelo FC Porto, o uruguaio é o 14.º jogador a deixar o Benfica e a ingressar, diretamente, no rival portista.

Em toda a história do futebol português há 14 nomes que deixaram a Luz e rumaram ao Dragão. Os dois primeiros foram José Bastos e Artur Augusto, na temporada 1921/22 e só 50 anos depois essa mudança se repetiu quando Abel Miglietti (1970/71) fez o mesmo caminho.
No final dos anos 80 (1988/89) Dito e Rui Águas também passaram a vestir de azul e branco, algo que os russos Yuran e Kulkov (1994/95) também fizeram.
Seguiu-se Pedro Henriques, na temporada 1997/98, mas que não chegou a jogar pelo FC Porto, acabando por ser emprestado, depois, ao Vitória de Setúbal.
Um ano depois, Panduru também fez os cerca de 300 quilómetros entre Lisboa e a Invicta, tal como Maniche e Jankauskas, na temporada 2002/03, na qual acabariam por vencer a Taça UEFA em Sevilha.
Tomo Sokota, na temporada 2005/06 e Cristián Rodríguez, em 2008/09, são os mais recentes exemplos desta troca entre rivais, seguindo-se-lhes (o agora oficializado) Maxi Pereira.»

De Maxi a Bastinhos é assim histórica a linha que se estende no tempo e na afeição, justificando um aceno de apreço a esses bons valores que souberam que no Porto se faz das tripas coração, apesar do poderio capitalista lisboeta.

Armando Pinto

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