Antecedendo o sinal de partida da Volta a Portugal em bicicleta, um jornal diário de implantação nacional saiu para a rua
com o lançamento duma caderneta colecionável sobre ciclistas que se salientaram
ao longo dos tempos nas edições da Volta a Portugal já realizadas. Numa
iniciativa de fidelizar leitores durante o período mais próximo ao decorrer da
corrida maior portuguesa. Sendo interessante a ideia, mas não tanto a concretização,
mal se viu a caderneta, entretanto já entregue (para colagem de imagens, ao
género de cromos autocolantes, de distribuição diária com o jornal).
Atendendo a diversas incorreções que ressaltam e vários esquecimentos
incompreensíveis.
Não se entende como não foram lembrados diversos nomes dos
mais conhecidos e sempre recordados, entre os considerados heróis da estrada,
no sentido de notáveis ciclistas que ficaram sobremaneira na memória da Volta. Especialmente
vendo que figuram intercalados alguns que não foram vencedores da mesma prova, enquanto
ficaram esquecidos autênticos expoentes, tais como uns Eduardo Lopes, Aniceto
Bruno, Dias dos Santos, Onofre Tavares, Moreira de Sá, Artur Coelho, Mário Silva, Sousa Santos, pai e filho (vencedor da Volta), Alberto Carvalho, Joaquim Leão, Joaquim Andrade… Para só
referir alguns dos ases de outros tempos, uns mais antigos e outros menos, dos
que ainda são referidos como uns senhores no ciclismo, ídolos de gerações e com
palmarés que falam por si, mesmo mais salientes que um ou outro dos que
foram colocados… Inclusive com currículo desportivo de nomeada, como (ao lado) relembramos o de Mário Silva, que até venceu o trofeu Roda de Ouro em seu tempo.
Podia e devia tal realização, da seleção e explanação contida na caderneta em apreço, ter
sido melhor cuidada, e não feita de modo aligeirado, houvesse isso sido com mais atenção. Bastando ver como até em dados estatísticos houve distração,
tal o caso de ter havido desconhecimento que, por exemplo, Marco Chagas entre
as Voltas que venceu só uma foi pelo FC Porto e não como aparece na lista da
mesma caderneta; assim como Carlos Carvalho venceu o Prémio da Montanha por
quatro vezes, e não três.
Ora, a passo de corrida tal, é praticada autêntica injustiça
perante nomes daqueles, que mais parece terem sido mandados para o
carro vassoura da história, no caso da caderneta em questão, vendo que assim ficou um álbum incompleto. Referindo-se o
facto para em possíveis edições futuras poder haver documentação mais completa,
porque edições destas têm interesse. E como são publicações para guardar, sendo assim induzirão em erro no decurso do tempo, se não registarem tudo como deve ser.
Procurando dar ao pedal contra esse esquecimento, lembramos alguns
nomes, incluindo gravuras de três desses em sobreposição à imagem da capa. E
acrescentando fotos de dois dos ciclistas que mais admiramos, Mário
Silva e Joaquim Leão, com as coroas de louros de vencedores das suas Voltas,
como grandes vencedores das edições de 1961 e 1964, respetivamente.
ARMANDO PINTO
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