Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

Mostrar mensagens com a etiqueta Alfredo Borges. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Alfredo Borges. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Falecimento do histórico andebolista Cândido Borges


Através dos contactos do facebook chegou notícia de mais um desaparecimento físico de alguém de nome valoroso do mundo portista. Ficando-se assim a saber que faleceu o antigo andebolista Cândido Borges, um memorando atleta do FC Porto que na modalidade do andebol foi dos que jogaram em ambas as variantes, tendo feito parte de equipas de formação e depois do plantel sénior portista, quer no antigo modelo do Andebol de Onze como no posterior (e atual) do Andebol de Sete.

Conjugando esse passado valioso, Cândido Borges em tempos recentes extravasou através do facebook ainda sua faceta publicista, ele que em tempos foi artista de artes gráficas, também. Havendo assim pela via da informatização global interagido com gente da família portista, com quem havia afetividade da paixão azul e branca.

= Cândido Borges na equipa de Juniores do FC Porto em Andebol de sete, na época 1970/71. Conjunto que se sagrou Campeão Regional de Juniores. Pose da fase final, correspondente a jogo no Pavilhão do Infante de Sagres, a 27/02/1971: FC Porto, 29-FC da Maia, 19. Na imagem, em cima e da esquerda para a direita - Soares (G.R.), Aníbal Leite, Couto, António Torres, Adriano Coutinho Reis Miranda e Jaime (G.R.); em baixo e pela mesma ordem - Costa, Pacheco, Cândido Borges e Pedro. (Foram também campeões, sem terem ficado na foto, Cunha e Leal).=

Cândido Borges, além de grande valor como desportista, foi um portista de gema, na linha de seu progenitor, o antigo diretor Alfredo Borges: um grande portista, conhecido entre a ala de célebres adeptos colaboradores desse tempo, uns sócios e outros também atletas, que se dedicavam ao clube como apoiantes ativos, quais, entre outros, uns Adriano Sampaio Castro, Alexandre José Magalhães, Jorge Nuno Pinto da Costa, etc. Tendo Alfredo Borges, sido entretanto dirigente que, entre diversas funções dentro do clube, sobretudo durante parte das décadas de sessenta e setenta, foi por fim Chefe do Departamento de Futebol. Tudo isso a juntar à vida profissional, sendo de sua família a então conhecida Editora Inova, que, para lá da edição de muitos e bons livros que fazem parte da memória bibliográfica nacional, também publicou diverso material de temática portista. Em cuja tipografia, Inova-Artes Gráficas, gerida por Alfredo Borges, trabalhava também o filho, Cândido Borges.

= Cândido Borges na equipa do FC Porto de Andebol de Onze da época 1974/75, da conquista do último título de Campeões Nacionais dessa variante. Foto da Final da despedida, na decisão oficial do último Campeonato Nacional de Andebol de Onze: Jogo no Estádio das Antas / FC Porto, 19 - Sport Progresso, 4. Na imagem: em cima da esquerda para a direita - Sá Pinto, Cândido Borges, Francisco Resende, José Borges, Salvador Massada e Zoran; em baixo, pela mesma ordem - Leandro Massada, Eugénio, Rochinha, Adriano Coutinho Reis Miranda, José Pinheiro e Orlando.=

Cândido Borges bem merece esta evocação memorial, que aqui fica como homenagem ao seu portismo. Quão conhecido foi, tal como sua afeição clubista. Nesse tempo ajudava ao conhecimento dos atletas do clube a publicação do jornal O Porto, através do qual os seguidores do dia a dia portista andavam a par da atividade azul e branca, já que a televisão (em tempo de existência só da estatal RTP) estava mais virada a difundir o que dizia respeito a vermelhos e verdes de Lisboa. Como isso faz lembrar o retorno ao passado que tem vindo a pegar, com os canais televisivos atuais... Salvando a honra da exceção o Porto Canal, por meio do qual mesmo quem vive mais longe também fica a conhecer os atletas das diversas modalidades portistas.   

O admirado andebolista, conhecido familiarmente por Docas entre os seus colegas do desporto, teve exéquias fúnebres na igreja da Lapa, no Porto, na tarde desta quarta-feira; ficando por fim sepultado no cemitério da Irmandade da Lapa, campo santo de grande carisma, onde também repousam pessoas como o célebre escritor Camilo Castelo Branco, o famoso compositor musical e antigo Reitor  da Lapa Padre Luís Rodrigues, o antigo futebolista e grande figura do FC Porto Hernâni Ferreira da Silva, entre outros. 

Até sempre Cândido Borges! Mais uma estrela portista fica assim a brilhar no firmamento azul, a velar no além celestial pela justiça da causa portista.

Armando Pinto
((( Clicar sobre as imagens, para ampliar )))

Obs. Imagens partilhadas das páginas do facebook dos amigos Paulo Bizarro e Paulo Jorge Oliveira.
   
AP

domingo, 3 de agosto de 2014

Relembrando Artur Peixoto Júnior: um Felgueirense que foi dirigente no F C Porto - e algo mais...


Na imagem, a partir da esquerda, estão perpetuados visualmente, numa época sensivelmente pelos inícios da década dos anos setentas, três nomes do dirigismo portista: Artur Peixoto Júnior, Alfredo Borges e Jorge Nuno Pinto da Costa. Em cuja foto está documentado o ato da entrega duma medalha ao nesse tempo director duma secção, Pinto da Costa (e, passados anos, atual Presidente da Direcção do clube), colocada ao peito, na sua lapela, pelo então Vice-presidente e Chefe do Departamento de Futebol do F C Porto, Alfredo Borges; com Artur Peixoto a apadrinhar.

Cerimónia essa, como se pode ver pelas paredes, ocorrida numa das salas da antiga sede social do F C Porto, ainda no edifício lateral à Câmara Municipal do Porto, na Praça do Município, hoje Praça General Humberto Delgado. Vendo-se, por fundo, algumas pequenas molduras com alguns dos quadros dedicados a figuras do clube, então patentes a decorar espaços e homenageando glórias portistas.


Como comentava Cândido Borges (antigo atleta do andebol de onze e de sete do F C Porto e, também, filho do grande diretor portista sr. Alfredo Borges - a quem agradecemos a cedência da foto que encima este artigo), uma legenda ajustada para este trio era: «Homens que sempre lutaram por uma causa! Ser portista não é só clubite, mas um estado de espírito...»

Ora o sr. Artur Peixoto foi seccionista do Atletismo do F C Porto. Faleceu em 1978 no dia em que o F C Porto se sagrou campeão nacional de futebol, ao fim de 19 anos... mas antes do jogo que consumou essa conquista. Conheci-o bem, pois era meu conterrâneo... sendo natural da freguesia de Rande, onde tinha residência familiar na Casa do Outeiro de Baixo, em pleno concelho de Felgueiras. Tendo depois de uma curta carreira profissional na então povoação da Longra, ido residir para a cidade do Porto, em cuja metrópole da Invicta, após alguns empregos e parcerias com alguns conterrâneos e conhecidos, como Adriano Castro e Carlos Pereira, se dedicou por fim à indústria de tintas, com uma conhecida firma em que foi um dos sócios gerentes.


Recordo-me de ter tomado conhecimento da triste notícia de seu falecimento quando, ao fim desse célebre dia, cheguei à minha terra, à Longra, no regresso depois do jogo do título. Embora então sem noção ainda, por quanto estava tudo ainda em êxtase pela conquista tão ansiada…. enquanto os amigos e conhecidos Portistas da Longra já faziam a festa, metendo até aparelhagem sonora de altifalantes a levar pelos ares música alusiva e gravações do relato do jogo dessa tarde, pela voz do Amaro (do Quadrante Norte, dos Emissores do Norte Reunidos), tendo de seguida sido posto no prato da aparelhagem um disco já alusivo aos campeões, que eu trouxera, comprado que foi na tarde desse dia, numa tenda à saída do estádio, louvando a “Turma de Pedroto, grande comandante / os craques do Porto, equipa gigante / (etc. etc.)… Rodolfo, Ademir, Duda e Oliveira / mais o Gomes na dianteira”…!

No livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras” (publicado em 1997), dedicamos-lhe uma devida atenção, incluindo-o entre pessoas algo salientes na sociedade local, descrevendo:

«Antigo funcionário responsável administrativo do funcionamento da Casa do Povo da Longra, na década de cinquenta, nasceu na Casa do Outeiro de Baixo, em Rande, onde viveu durante a sua juventude.

(Desse período é uma fotografia, reproduzindo à posteridade uma sessão pública em que Artur Peixoto acompanha em palco o então presidente e um vogal da instituição, mais um deputado da nação e os então Presidente da Câmara de Felgueiras e o Vice e Administrador do Concelho – conforme legendagem patente no original datilografado para a monografia histórica da região.)


Estabeleceu-se mais tarde no Porto como industrial de tintas, tendo sido sócio-gerente da afamada firma nortenha do ramo, a “Lexoline”.
Apesar de não ter deixado vincada sua acção pessoal na terra natal, além de ter operado restauro da sua casa de campo (…), doou a imagem de S. Simão à igreja paroquial de Rande.
Fez parte, em 1965, da Assembleia-Delegada do F. C. Porto, em cuja composição de associados também esteve Deolindo de Sousa Machado, natural de Longra-Rande. Em 1972/73 Artur Peixoto fez igualmente parte dos Corpos Gerentes do F. C. Porto, por indicação de Adriano Sampaio e Castro (que não pôde aceitar convite de seu primo Engº Mário Castro), na primeira gerência do Dr. Américo Sá, integrando a secção do atletismo.

Faleceu precisamente no dia em que o F. C. Porto conquistava o título de Campeão Nacional de 77/78 em futebol, que era então muito ansiado devido a longa espera, e a cujo último jogo contava assistir depois de ir dar uns mergulhos à praia, onde morreu por acidente. Na manhã de 11 de junho de 1978.»


= Nota de falecimento saída nos jornais no dia seguinte, 12 de junho de 1978. 
Incorporaram-se no funeral vários membros da Direção do FC Porto e amigos do Clube, com realce para o então presidente Dr. Américo Sá e Alexandre Magalhães, antigo hoquista do FC Porto (e mais tarde vice-presidente da Direção seguinte). 

Com isto, homenageando esse felgueirense, nosso amigo e conterrâneo que foi dirigente do F C Porto, através daquele instantâneo fotográfico cimeiro, revemos tempos e feições do percurso também de dirigentes de grande importância na vida do F C Porto, como foi Alfredo Borges e Jorge Nuno Pinto da Costa

ARMANDO PINTO

((( Clicar sobre as imagens, para ampliar )))