Quando eu era pequeno (em idade, na infância, entenda-se),
sendo Portista por intuição de bom gosto, como sempre julgo que tive, e paixão
por encantamento do que me entusiasma, tinha na cabeça, quase por entre os
livros e cadernos escolares, os nomes dos jogadores do Porto, imaginando-os de
cara pelo que via nos populares cromos da bola, que circulavam entre nós, moços
da escola. Sendo desse tempo a imagem cimeira de "cromo dos rebuçados" (como vinham embrulhados), para as coleções de cadernetas dos ases do futebol. E o Américo era o que mais admirávamos, o que nos seduzia ao ouvir pelo barulho radiofónico os relatos domingueiros dos jogos, pelas suas defesas…
- Américo voa para a bola, blocando o esférico…! - Américo,
entre vários jogadores, afasta o perigo… - Américo segura a redondinha,
espetacularmente! (ouvíamos nos emissores do Norte Reunidos, porque as
emissoras de Lisboa pouco davam do Porto) – Nem só os pássaros voam, Américo
quase dá com as costas na trave, lançado em voo elegante…”
Foi dos tempos de sua entrada na equipa principal do F C Porto, por volta de 1961, a imagem da equipa com que ilustramos a descrição. Cujas fisionomias ficamos a conhecer logo pelos cromos que guardamos, juntando aqueles ídolos da geração de ouro que ganhara campeonatos e taças de que ouvíasmos falar, com outros que estavam em inícios de carreira. Num naipe em que Américo já brilhava, ao lado de Virgílio, Miguel Arcanjo, Monteiro da Costa, Ivan, Barbosa, Acúrcio, Carlos Duarte, Hernâni, Noé, Serafim e Perdigão...
Até que… Depois, quando pela primeira vez entrei num campo
em que jogava o Porto, foi com os olhos no Américo que senti melhor como
gostava daquele Porto… já em tempos de Américo, Festa, Pinto, Nóbrega e por ali adiante.
Ora o Américo nesta data está de parabéns. Que eu quero mais
uma vez lhe dar. Deixando narrativas no plural, como é dos cânones literários,
para de modo personalizado lhe dirigir mais algumas palavras, por este meio, em
ocasião assim.
Esta é uma efeméride que dá gosto assinalar, por um lado
sabendo que muita gente não associa como tal, e por outro pelo que é. Pois, se
ele, o Américo que foi grande guarda-redes do F C Porto, se tivesse facebook,
iria receber parabéns só daqui a dias, mas não de quem sabe da história. Porque
o sr. Américo Ferreira Lopes faz anos hoje, sendo nesta data que é o dia
verdadeiro do seu aniversário natalício. A 27 de Fevereiro, que foi o dia em
que nasceu, afinal, e não no 6 de Março, data do registo civil e que consta
oficialmente.
Já muito escrevemos sobre ele nestes espaços informáticos, e
muitas imagens publicamos, ao longo dos anos em que temos este blogue, como
outros também, por gosto de escrita e história, em apreço pela memória
portista, no caso. Mas nunca será demasiado lembrar Américo, por quanto ele foi
referência e representa na história do F C Porto e do desporto nacional. Américo
que foi o grande injustiçado do futebol português, quanto a
internacionalizações pela seleção dita portuguesa, como ficou para a história.
Mas, apesar de tudo, foi o melhor guarda-redes português da década dos anos
sessentas - incluindo também lote de respeito nas equipas valorosas de que fez parte no F C Porto, como a da imagem seguinte.
Assim sendo, como reforço de memorização, para que nunca
possa ser esquecido o que lhe fizeram os senhores do futebol do sistema
lisboeta BSB (do sistema antigo das presidências federativas circunscritas a
serem comandadas por homens de Benfica, Sporting e Belenenses), reavivamos aqui
histórias sobre isso.
Américo era o melhor guarda-redes português, mas no Mundial de 1966 ficou a ver os jogos no banco de suplentes, porque tinham que jogar os dos clubes dos dirigentes federativos. Motivo porque do lote dos 22 “Magriços” (como foram chamados os futebolistas dessa campanha), do F C Porto só o defesa Alberto Festa pôde jogar e apenas em metade dos jogos dessa fase final. Ficando Américo e Custódio Pinto a suplentes, enquanto Nóbrega, que até chegou a ter fato oficial pronto para o efeito, ficou de fora a ver os jogos pela televisão, preterido quase nos últimos dias, indo em sua vez um que jogava num clube pequeno mas que estava já comprometido com um dos clubes grandes de Lisboa.
Américo era o melhor guarda-redes português, mas no Mundial de 1966 ficou a ver os jogos no banco de suplentes, porque tinham que jogar os dos clubes dos dirigentes federativos. Motivo porque do lote dos 22 “Magriços” (como foram chamados os futebolistas dessa campanha), do F C Porto só o defesa Alberto Festa pôde jogar e apenas em metade dos jogos dessa fase final. Ficando Américo e Custódio Pinto a suplentes, enquanto Nóbrega, que até chegou a ter fato oficial pronto para o efeito, ficou de fora a ver os jogos pela televisão, preterido quase nos últimos dias, indo em sua vez um que jogava num clube pequeno mas que estava já comprometido com um dos clubes grandes de Lisboa.
Ora, para recordar essa injustiça, com o guarda-redes do F C Porto de então, respigamos uma entrevista
de Américo a contar histórias relacionadas, como veio a público há uns anos no
jornal O Jogo.
Posto isto, segue esta lembrança, por esta via, com votos de feliz aniversário,
mais sinceros parabéns ao Américo, o guarda-redes do F C Porto que Di Stefano
considerou um dos melhores que viu jogar. Consideração que em Portugal obviamente
não teve tanto impacto, como se fosse referente a alguém dos clubes de Lisboa, teria…
mas em Espanha foi bem considerada. A pontos que ainda no início da época
presente, quando Casillas veio para o F C Porto e ao Porto aportaram muitos
jornalistas estrangeiros para cobrirem o acontecimento, então chegaram
espanhóis a perguntar pelo antigo guarda-redes que Di Stefano disse que foi dos melhores que defrontou…
A propósito, recorde-se que em anterior artigo, aqui já publicamos um recorte com caixa do também antigo jornal
Norte Desportivo, mostrando destaque alusivo a essa afirmação.
Parabéns então ao "Américo do Porto"!
Parabéns então ao "Américo do Porto"!
Armando Pinto
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