Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

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sexta-feira, 7 de junho de 2019

Efeméride de Ciclismo - Uma das vezes em que Onofre Tavares e Carlos Carvalho foram Campeões Nacionais em suas categorias


1953, a 7 de Junho – Disputou-se o Campeonato Nacional de Fundo, de Estrada de Portugal, ao longo de 212 quilómetros, entre Porto-Mesão Frio-Porto, com a participação de 29 corredores de Sporting, Benfica, Porto, Salgueiros, Académico, Sangalhos e Arroios.

Classificação:
1º - Onofre Tavares (FC Porto), 8 h 0 m 0 s;
2º - Américo Raposo (Sporting), m. t.;
3º - Luciano Moreira de Sá (FC Porto), m. t.

Onofre Tavares sagrou-se assim Campeão de Portugal de Estrada (Fundo)

(Prova esta então disputada desde a cidade do Porto até à região duriense do Vinho do Porto e regresso à Invicta)

Em Amadores foram percorridos 156 km entre Porto-Casais Novos-Porto. 
(Ou seja, desta feita em prova decorrida desde a cidade do Porto até à região de Penafiel e regresso ao Porto)

O vencedor foi Carlos Carvalho (FC Porto), com 5 h 50 m 3 s, seguido de José Firmino (Carcavelos) e Vivaldo Veloso (Sporting), estes dois com o mesmo tempo.


= Informação traduzida de “Efemérides del 7 de junio” do blogue de AIHEC – Asociación Ibéricas de Historiadores y Escritores de Ciclismo =

Armando Pinto
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domingo, 26 de novembro de 2017

Lembranças da Clássica Porto-Lisboa, recordando a vitória de Carlos Carvalho em 1958…



A propósito da atualidade da publicação de um livro sobre a história da clássica de ciclismo Porto-Lisboa, contada em verso, da feliz autoria do poeta popular alentejano José Frade, trazemos aqui um dos vencedores históricos, Carlos Carvalho.


Enquanto o livro relata em forma de poemas a recordação épica das corridas dos “Porto-Lisboa”, a mais antiga prova clássica de ciclismo em Portugal, desde 1911 a 2004 e entretanto desaparecida do calendário oficial das provas do ciclismo, o caso que agora lembramos por este meio dá para rememorar uma das respetivas edições. Deitando mãos ao guiador memorando duma antiga revista, "Sport Ilustrado". Através de cujo número de 24 de Junho de 1958 se pode rever a brilhante vitória do portista Carlos Carvalho no dia de Portugal desse ano, ciclista que volvido um ano venceu também a Volta a Portugal e ao longo de sua carreira ficou celebrizado como Rei da Montanha por ter triunfado por 4 vezes no Prémio da Montanha, ou seja nas classificações finais da categoria monhanhosa em quatro Voltas a Portugal.


Assinalando o louvável facto de a partir de agora existir esse livro versejando a histórica “Clássica Porto-Lisboa”, cuja apresentação teve lugar nas Caldas da Rainha, integrado no já tradicional almoço anual de encontro de antigos ciclistas e adeptos conhecidos da modalidade, juntamos algumas imagens do Porto-Lisboa de 1958, ganho por Carlos Carvalho, do FC Porto. Pedalando na memória por via de imagens fotográficas coevas, desde a capa da revista, Sport Ilustrado, até instantâneos fotográficos da reportagem inserta nas respetivas páginas centrais da publicação em apreço.


Armando Pinto
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Carlos Carvalho: Ciclista "Rei da Montanha" e Vencedor duma Volta a Portugal


Com o regresso do F C Porto à caravana do ciclismo, modalidade que volta a deter impacto no panorama desportivo nacional e coloca atenções noutra possibilidade de conquistas, passa o grande clube azul e branco a andar novamente representado pelas estradas onde vão passar os heróis das corridas de bicicletas.

Se antes, até há pouco, nem havia muita gente a conhecer os ciclistas, agora que já começamos a reconhecer os atuais homens das bicicletas de corrida por nome e até imagem, propicia-se trazer a público mais algumas recordações de ciclistas de outros tempos, evocando ídolos que nos fizeram gostar desse desporto dos pedais, através das façanhas entretanto alcançadas  ao longo dos trajetos percorridos. 

Vem assim a talhe rememorar, desta vez, o "rei da montanha" das Voltas a Portugal, como era conhecido Carlos Carvalho em seu tempo e ainda continua como recordista do prémio de trepador, no historial da prova-rainha do ciclismo luso.

Acima dessa sua faceta, Carlos Carvalho ficou ainda mais na história desportiva por ter ganho uma “Volta”. Feito conseguido na Volta a Portugal de 1959, organizada como a anterior pelo jornal “Diário Ilustrado”, na qual se registou então uma «surpreendente vitória de Carlos Carvalho. Desfecho que ficou a dever-se aos méritos do fogoso corredor do F C Porto, que manteve animado despique com o algarvio Jorge Corvo, do Tavira, a quem, no último dia, retirou a possibilidade de triunfar, por escassos cinco segundos, classificando-se em segundo lugar. »

«Com a vitória de Carlos Carvalho, o FC Porto partiu para uma nova fase de liderança no ciclismo português, inscrevendo os nomes de quatro dos seus atletas na lista dourada dos vencedores. Alves Barbosa ainda andou por lá, suscitando a admiração dos seus numerosos adeptos aos quais conseguiu 'oferecer' sete vitórias em etapas, incluindo a da sempre apetecida última chegada à meta, na derradeira etapa, mas não foi além disso, classificando-se numa modesta posição abaixo do 10º lugar.

Nessa época já a clássica  Porto-Lisboa de 1959 teve como vencedor Mário Sá do FC Porto e no plano internacional merece registo a vitória conseguida por Sousa Cardoso na etapa Pamplona-S. Sebastian da Vuelta” em Espanha.»

Seguindo o fio da narrativa que o autor deste texto fez há anos, também, no anterior blogue pessoal “Lôngara-Actividade Literária e Memória Alvi-Anil”, atualiza-se a crónica, aqui e agora, no continuador e atual blogue “Memória Portista”, para evocar a figura e a carreira do portista Carlos Carvalho, homem e desportista de tez morena e feição rija, meão de corpo mas de rija têmpera, quão grande de alma e coração.


Carlos Carvalho - Vencedor da 22ª Volta a Portugal em bicicleta

Nascido a 2 de Janeiro de 1933 na freguesia de Vermoim, do concelho de Vila Nova de Famalicão, Carlos Carvalho, como ficou conhecido o cidadão José Carlos Pereira de Carvalho, viveu a maior parte da sua vida na vizinha freguesia também famalicense de Pousada de Saramagos, tendo aí falecido a 11 de Janeiro de 2004, com 71 anos de idade.

Carlos Carvalho destacou-se como famoso ciclista e posteriormente manteve-se ligado ao mundo do ciclismo, como treinador e formador de ciclistas.

Conhecido sobremaneira como “Rei da Montanha”, devido à sua façanha de ter conquistado por quatro vezes o título de vencedor do prémio dessa categoria, em tal número de edições da Volta a Portugal, Carlos Carvalho atingiu ponto alto da respetiva carreira desportiva ao serviço do Futebol Clube do Porto. Em cuja equipa portista foi o 1º classificado e naturalmente camisola amarela final na 22ª Volta a Portugal em bicicleta, no verão de 1959. Tendo vencido essa “Volta” em disputada prova decorrida ao longo de 26 etapas, num total de 2643,5 quilómetros, à média horária de 33, 715 Km/h (quilómetros por hora). Tal brilhante vitória, obtida em tempo do pino do calor estival, como é da praxe tradicional quanto à realização da maior corrida portuguesa, teve consagração a 15 de Agosto nesse ano. Subindo então Carlos Carvalho ao pódio cimeiro, secundado por Jorge Corvo, do Ginásio de Tavira, distanciado a escassos mas bem suficientes 5 segundos, que o 2º classificado gastou a mais na diferença.


Uma caminhada dessas merece ser contada a preceito, como ficou em banda desenhada no álbum "OS HERÓIS DA ESTRADA" (edição Jornal de Notícias e O Jogo):


Nessa edição da Volta o famoso Alves Barbosa, do Sangalhos, sagrou-se vencedor das secundárias classificações por pontos e das metas volantes. Enquanto coletivamente o F C Porto venceu a classificação por equipas, tendo participado com um valioso conjunto formado com Carlos Carvalho, Artur Coelho, Sousa Cardoso, Emídio Pinto, Sousa Santos, Martins Almeida, Azevedo Maia, Mário Sá e Agostinho Brás; sendo diretor desportivo (treinador) da equipa Onofre Tavares.

Equipa que esteve em grande plano no decurso da Volta e, apesar das baixas sofridas, como com a desistência forçada de Sousa Cardoso, devido a aparatosa queda (quando descia a serra do Marão a alta velocidade), o conjunto portista teve importante contribuição para a decisão final, em entreajuda coletiva - como se vê pela foto do contra-relógio por equipas, cuja imagem vigorosa é bem sugestiva, bela e sintomática..


Após o final da competição, em Lisboa, o regresso da comitiva portista foi de plena apoteose, tendo ficado registados alguns momentos festivos do grupo junto a um restaurante da zona da Bairrada, onde houve confraternização entre os ciclistas e acompanhantes, companheiros, dirigentes e adeptos, sempre com a taça da vitória coletiva bem presente nas mãos dos homens do Porto (vendo-se também alguns dos colegas que não puderam completar a Volta, como Sousa Cardoso, com visíveis efeitos de ter partido a clavícula). Ate à chegada à Invicta, por fim, na receção na cidade do Porto, onde os ciclistas foram vitoriados passeando entre os adeptos em carro aberto (como se pode ver em fotos, com Carlos Carvalho sempre acompanhado por Artur Coelho e também por Sousa Santos), sobressaindo efusivo acolhimento em sessão festiva na sede do F C Porto, com numerosa participação de apoiantes, em autêntico banho de multidão - conforme demonstra a sequência fotográfica respeitante ao acontecimento.


Carlos Carvalho começara a destacar-se como ciclista no início da década de cinquenta, nas provas realizadas pela Mabor, vencendo em 1953 o Campeonato Nacional em Amadores/Seniores.

Desportista empenhado e dedicado, Carlos Carvalho teve um grande mecenas e amigo, o Eng. Fernando Pimenta, que lhe prestou o maior apoio e estimulo nos primeiros anos da sua atividade como ciclista, correndo sozinho, com o patrocínio da Riopele. Empresa que depois continuaria ligada ao percurso do ciclista, já que patrocinava o ciclismo do F C Porto.

Teve pleno significado, por isso, a homenagem de consagração que Carlos Carvalho recebeu então na Riopele, como ficou reportado nalgumas imagens que se juntam.

= Imagens da homenagem a Carlos Carvalho, no rescaldo da vitória na Volta =

Em 1955 Carvalho ingressou no Futebol Clube do Porto disputando nesse ano a Volta a Portugal onde arrecadou um vistoso segundo lugar na terceira etapa e no fim o Prémio da Montanha, resultado que veio a repetir em 1958, 1960 e em 1961. Enquanto contribuiu para a vitória coletiva do Futebol Clube do Porto nas Voltas de 1958, 1959 e 1964.

Obteve a primeira vitória em etapas da “prova rainha” do ciclismo português em 1957, na 17ª tirada com chegada a Lisboa. Em 1958, Carlos Carvalho venceu a Clássica Porto-Lisboa, foi terceiro na classificação geral da Volta a Portugal e venceu duas das etapas, a 3ª com chegada a Évora e a 9ª na Pista de Alvalade, em Lisboa.


No ano em que venceu a Volta a Portugal, Carlos Carvalho foi terceiro na “Corrida dos Seis Dias”, na Uberlândia, Brasil.

No último ano que correu pelo F C Porto Carvalho ajudou também à conquista da vitória por equipas na Volta a Portugal de 1964, ganha individualmente pelo colega de clube Joaquim Leão.


Após 10 anos na equipa do Futebol Clube do Porto, Carlos Carvalho ingressou em 1965 na equipa CEDEMI, de Viana do Castelo, simultaneamente como ciclista e Diretor Desportivo. Na Volta desse ano, fica para a história o “roubo” da camisola amarela a um ciclista espanhol, tudo porque Carlos Carvalho não resistiu ao impulso de ser o primeiro a passar em Vila Nova de Famalicão, na etapa correspondente, e com esse esticão de adianto entrou em decisiva fuga proporcionadora de vantagem que deu para vestir a camisola amarela na ocasião.

Um ano depois, ainda na CEDEMI, Carlos Carvalho pôs termo à carreira de ciclista profissional, modalidade onde alcançou grande prestígio no panorama ciclista nacional e, inclusive, internacional. Havendo chegado a participar na Volta à Espanha, integrando a seleção portuguesa onde corriam Alves Barbosa, João Marcelino, Joaquim Carvalho, Sousa Santos, Agostinho Ferreira, José Firmino, Artur Coelho e Manuel Graça.

Depois de deixar de competir, Carlos Carvalho continuou ligado à modalidade, como treinador da equipa da Coelima. Tendo mais tarde continuado com ação voltada à promoção do desporto, sobretudo junto dos mais jovens.

Na década de 90, a Associação de Ciclismo do Minho promoveu uma distinção a Carlos Carvalho, tendo organizado, no âmbito da ExpoAve, uma exposição onde foi exibida, por exemplo, a bicicleta com que este famalicense vencera a Volta a Portugal de 1959. 

Em 1993, a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão atribuiu-lhe a Medalha de Mérito Municipal Desportivo, como reconhecimento de uma vida ligada ao fomento do desporto.

Em 1999, a ADRO - Associação Desportiva Outeirense, sediada em Pousada de Saramagos, criou uma escola de ciclismo com o seu nome, tendo por objetivo a formação das crianças e dos jovens do ciclismo. Em 2008 a Associação de Ciclismo de Pousada de Saramagos, depois da extinção da secção de ciclismo da ADRO, criou uma Escola de Ciclismo a que deu o nome de Carlos Carvalho.

Em 2009, na comemoração do cinquentenário da vitória do famalicense Carlos Carvalho na Volta a Portugal, a Câmara Municipal de Famalicão celebrou tal feito do ilustre munícipe em pública alusão dessa conquista, feita com a colocação de pendões na cidade e outros pontos do concelho, além duma exposição de retrospetiva fotográfica da carreira desse grande atleta, entretanto desaparecido fisicamente em 2004 mas que, como se viu e sente, continua presente no apreço de seus admiradores.

Volvidos anos, no dia 23 de Novembro de 2013, aquando da Gala de Encerramento da Época Desportiva realizada em Vila Nova de Famalicão, a Associação de Ciclismo do Minho homenageou Carlos Carvalho numa cerimónia, à qual se associou a Federação Portuguesa de Ciclismo e centenas de pessoas presentes na Casa das Artes, em que foi recordado o percurso do atleta famalicense.

Anualmente costuma realizar-se, em sua honra, um “Passeio de Homenagem a Carlos Carvalho – O Rei da Montanha – MTB/Estrada”, em Pousada de Saramagos, normalmente no período do Outono. E durante o verão há também anualmente o “Trofeu Carlos Carvalho”, para jovens atletas, nas categorias de formação, pontuável para o Troféu Revelações de Ciclismo de Estrada - Raiz Carisma, organizado pela Associação de Ciclismo do Minho e pela Associação de Ciclismo Pousada de Saramagos. Curiosamente, a edição de 2015 desse prémio teve como vencedor um neto de Carlos Carvalho, havendo então, no 8º Troféu Carlos Carvalho, promovido em homenagem ao vencedor da Volta a Portugal em Bicicleta de 1959, vencido a corrida de juniores o então Campeão Nacional André Carvalho.

Glória do ciclismo nacional, Carlos Carvalho permanece também como um dos maiores desportistas e um grande trepador do ciclismo português, como especialista de etapas de montanha, sendo merecedor do respeito e admiração de sucessivas gerações.

ARMANDO PINTO

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OBS.: O autor agradece ao sr. Dr. Jorge Paulo Oliveira, ilustre Famalicense,  a amável cedência das fotos  que aqui se anexam e ficam a enriquecer a coleção do autor deste blogue.

© Imagens com marca d’água, deste blogue.

A. P.