Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

Mostrar mensagens com a etiqueta Hóquei em Patins. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Hóquei em Patins. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 17 de maio de 2023

Lembrando o Europeu de Hóquei de 1971... o 1º Título Europeu de seleções seniores com um atleta do FC Porto !

 

A meio do mês de maio de 1971… Com 16 golos (incluindo 2 no mais importante e decisivo jogo, com um "bis" na vitória por 4-2 sobre a Espanha), Cristiano distinguiu-se como a grande figura do Campeonato da Europa de hóquei em patins conquistado por Portugal nesse ano. Aos 20 anos Cristiano Pereira já somava 28 internacionalizações nas Seleções Portuguesas. Tornando-se Campeão Europeu em Seniores, depois de anteriormente já por duas vezes ter sido Campeão Europeu em Juniores. E Cristiano, hoquista formado no FC Porto, passava a ser o 1.º atleta do FC Porto com essa honra.

Pois foi… e é. Há 52 anos, em Maio de 1971, pela primeira vez um hoquista do FC Porto integrava uma Seleção Portuguesa de seniores  vencedora dum Campeonato da Europa de Hóquei em Patins. Cristiano era e foi esse internacional do FC Porto que primeiro foi Campeão Europeu em seniores, pela Seleção A.

Com efeito, em Maio de 1971, vimos Cristiano sagrar-se Campeão Europeu na Seleção A nacional, algo inédito no FC Porto que nunca tinha até aí tido um atleta azul e branco das modalidades amadoras com essa glória, e como tal mais essa honra ficou vincada no sentimento portista.


Até ali do FC Porto apenas tinham sido campeões europeus, embora sem essa categoria oficial, os futebolistas seniores (Hernâni, Arcanjo e Barbosa) que estiveram na vitória no Torneio Internacional de seleções militares em 1958, bem como os futebolistas juniores (Serafim e Rui) do Torneio da UEFA em 1961. Além também dos hoquistas que na seleção portuguesa de juniores, e esses haviam sido mesmo campeões europeus, em 1969 e 1970 (já com Cristiano nesse lote, mais Castro, Júlio e Fernando Barbot). Contudo, com estatuto oficial de Campeões Europeus de equipas principais foi então Cristiano a abrir o livro.


Completados então agora em maio já 52 anos desse acontecimento, tendo o Campeonato da Europa de 1971 terminado no dia 16 do mesmo mês, assinalamos aqui e agora essa passagem de tal ocorrência. À qual depois se sucederam homenagens pelos dias seguintes. Cuja memória se faz, sem mais, através do que na ocasião foi registado em arquivo pessoal pelo autor destas linhas, ao tempo ainda jovem estudante liceal, em páginas de cadernos de estudo, mesmo de forma manuscrita e colagens de recortes de jornais (e tudo guardado em pasta de argolas, originando os furos que aparecem nas respetivas folhas).


Assim sendo recordamos essa ocorrência, com uma crónica ilustrada da  decisiva ação de Cristiano em tal conquista, quando Portugal (em ano que Livramento não esteve presente) se sagrou brilhantemente Campeão Europeu no XXXº Campeonato da Europa disputado em Lisboa, entre 8 a 16 de maio, ao correr de 1971. 

Narrando assim:



Seguiram-se, pelos dias imediatos e algum tempo ainda, mais, sucessivas homenagens coletivas e particulares:


E, em remate, uma alusiva entrevista, no jornal O Porto:


Armando Pinto
((( Clicar sobre as imagens )))

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

A importância do FC Porto para o maior desenvolvimento e entusiasmo do desporto… Como se viu e vê no ciclismo e também queriam no futsal…!

Ficou célebre em meados da década dos anos 50, a meio do século XX, a quase exigência dos adeptos, seguido de velado pedido formulado por diversos clubes e meios de comunicação, para que o FC Porto passasse então a ter hóquei em patins, de modo a que a modalidade do hóquei patinado, que ao tempo ia dando inéditos títulos internacionais a Portugal, ganhasse também desenvolvimento no Norte de Portugal. Visto os clubes nortenhos (Académico, Infante de sagres, Vigorosa, Carvalhos, Valongo, Paredes, etc.) que iam competindo com o hóquei nesse tempo mais desenvolvido no Sul, não terem grande impacto fora de seu meio ambiente restrito. Ou seja, porque só o FC Porto fazia ganhar maior importância e entusiasmo mais vasto, resultante na paixão que dá ênfase a grandes movimentações e inerentes realizações. O mesmo se passou ainda nem há muito com o ciclismo, que enquanto o FC Porto esteve afastado da modalidade praticamente passava ao lado, a pontos dos ciclistas desses tempos nem serem conhecidos sequer pelos nomes de muito público. Enquanto agora, a partir que o FC Porto regressou com a parceria concretizada na equipa W52-FC Porto, é grande a paixão pelas provas do ciclismo nacional. E no presente está a suceder, em pedidos de diversos setores, com a modalidade do futebol de salão ou pavilhão, agora chamado Futsal, que apesar de grandes conquistas em diversos níveis, não tem impacto na maioria do interesse português. Contando que esta modalidade seja mesmo pouco atrativa, para não dizer mesmo feia e desinteressante, na forma como se desenrola o seu jogo. Sucedendo ainda que o FC Porto, habituados que estão os portistas a pagarem para os outros, não estarem voltados para isso.

Assim sendo, como atualidade dessas duas realidades, juntam-se recortes jornalísticos comprovativos, deitando olhos e mãos ao que é publicado na edição do jornal O Jogo desta sexta-feira. Como registo memorial, quer da afirmação do atual selecionador de Futsal, pelo seu interesse na sua modalidade, como da reportagem da atualização do ciclismo portista no Museu do FC Porto.



O FC Porto é mesmo grande e tem de ser respitado, mesmo. 

Armando Pinto

((( Clicar sobre as imagens )))

domingo, 22 de março de 2020

Um "Retrato" do histórico hoquista Cristiano


Já neste blogue, há anos, foi feita um incursão pela biografia desportiva de Cristiano, o maior hoquista de sempre do FC Porto, além de diversos artigos pontuais sobre aspetos e carreira. Mas algo mais e tudo o que apareça não será demasido.


Assim apraz registar que também na página ZeroZero consta uma narrativa a memorizar sua figura, numa crónica que vindo de fora do ambiente portista mais é de apreciar e anotar (embora nesse currículo, como em fotos com dados oficiais, apareça apenas as internacionalizações e os títulos de hoquista sénior, pois Cristiano foi também Internacional Junior em 1968, 69 e 70 e Campeão Europeu na Seleção Nacional de Junioes em 1969 e 1970).

NOTA: Algumas das fotos aqui colocadas são do arquivo do autor (pois as originais do artigo da página zerozero. pt  alteraravam a formatação).

HISTÓRIA
JOGADORES

Cristiano Pereira: o Bastião da Invicta

Texto por Humberto Ferreira

A multidisciplinaridade podia ter feito de Cristiano Pereira um desportista de qualquer modalidade, mas escolheu o hóquei em patins, porque num certo dia de 1958, quando o FC Porto se preparava para conquistar o primeiro título regional da modalidade frente à Académica de Espinho, o pai, depois de o ter levado ao rinque dos dragões, o foi deixar em casa. Estava demasiado cheio para um jovem de sete anos. Ali nasceu a vontade de não ver o jogo de fora.

*****

Nascido e criado no Porto, Cristiano Pereira vivia ao lado daquilo que um dia chamou a «Academia da Constituição». Não era apenas um espaço, aquilo era o espaço do desporto: futebol, hóquei em campo, andebol de 11, voleibol, basquetebol, hóquei em patins, entre muitos outros.

Experimentou grande parte dos desportos, foi contemporâneo de Fernando Gomes, presidente da FPF, no espaço. Cristiano seguiu para o hóquei em patins. Lá em casa, todos gostavam (pai, mãe e irmão) e como tal a decisão foi simples.

Crescer perto com o sonho longe

Cristiano Pereira ouvia o corropio desportivo ao lado de casa desde o nascimento, mas naquele tempo não havia desporto para ‘catraios’ e só com 13 anos é que pôde jogar alguma coisa de forma oficial.

Não havia infantis, iniciados ou juvenis, apenas juniores e logo depois os seniores. Cristiano, simplesmente Cristiano, arrancou com 13 anos nos juniores e ainda antes de fazer 16 anos já estava na equipa sénior portista.

Alto, esguio, rápido, com capacidade goleadora acima da média, Cristiano era diferente dos demais, mas jogar na cidade do Porto era um desafio constante. O Benfica primeiro e o Sporting depois dominavam a modalidade no que a títulos diz respeito e por uma mão cheia de vezes foi vice-campeão.

A primeira viragem de títulos surgiu quando, em 1969, conseguiu vencer o campeonato metropolitano, a prova nacional que juntava Portugal e as nações ultramarinas, como Angola e Moçambique.

Único na seleção

O sinal da diferença de Cristiano para grande parte dos outros jogadores foi público no início dos anos 70. A seleção nacional passou a ser uma realidade. Torcato Ferreira, selecionador nacional viu nele o homem certo para atacar as balizas adversárias e durante anos foi o único jogador a ‘furar’ convocatórias onde Benfica e Sporting preenchiam quase na totalidade.

Equipa da Seleção Nacional de Hóquei em Patins Campeã da Europa em 1977:  Em cima, da esquerda para a direita - Chana, Cristiano, Garrancho e Livramento; em baixo, pela mesma ordem - Sobrinho, Ramalhete, Carlos Alves e Júlio Rendeiro.

Venceu dois mundiais e quatro europeus nesse período e esteve num jogos de maior impacto, no que a seleções diz respeito: Mundial de 82, que Portugal venceu em Barcelos, na primeira fase de grupos, quando a seleção nacional goleou a Guatemala por 29x0.

O estatuto de ‘estrela’ fez de Cristiano um dos avançados mais desejados do hóquei em patins europeu. Jogou em Itália, no ASD Viareggio, e em Espanha, na Corunha, no Liceo. Regressou a Portugal pela porta do Benfica, mas não perdeu a oportunidade de terminar a carreira na casa partida, o FC Porto, e com dois títulos de campeão nacional, numa altura em que os dragões começavam o ‘reinado’ de Jorge Nuno Pinto da Costa e os títulos que se seguiram a partir daí.

Patins travados e um treinador campeão

Cristiano Pereira nem necessitou de ter um ‘período de nojo’ para atacar a carreira de treinador. Deixou uma e abraçou logo a outra. Em 1985/86, ficou do lado de fora, a ver os amigos dentro da pista, aqueles de quem tinha sido colega de equipa. E fê-lo à grande. Essa foi a maior temporada de títulos de uma só equipa em Portugal. Ganhou tudo: campeonato, taça, supertaça, Taça dos Campeões Europeus, a primeira do FC Porto, e por fim a supertaça europeia.


 A prova europeia é relatada como sendo algo estoico. Em Novara, Itália, e com um ambiente completamente adverso, os dragões levavam uma vantagem da primeira-mão de dois golos e o jogo não chegou ao fim. O Novara, potência da modalidade na altura, não conseguiu inverter o resultado e os adeptos invadiram o terreno de jogo a quatro minutos do fim. O árbitro deu o jogo como terminado e foi no balneário que os dragões receberam a taça.

Ganhou no FC Porto e continuou a ganhar quando saiu das Antas. Em Barcelos, voltou a sentir-se ‘midas’ ao dar aos minhotos mais um título europeu.

Um Portugal imparável

A olimpo da fama era intocável para Cristiano. Continuou a ganhar nos dragões, até que a seleção nacional chamou por ele. O desafio era enorme: Ser Campeão do Mundo em casa.

O cenário era o melhor de sempre: FC Porto e OC Barcelos tinham sido os últimos campeões europeus, o Benfica tinha ganho a Taça CERS. Portugal tinha os melhores jogadores do Mundo. No emblemático Palácio de Cristal, na cidade do Porto, Portugal venceu de forma implacável. Melhor ataque, melhor defesa e uma festa imensa.

Não havia dúvidas da forma de trabalhar e abordar o jogo. Cristiano Pereira conseguia tirar dos jogadores o melhor de cada e os elogios eram dos próprios jogadores.

Depois de ter estado, e ter ganho novamente no FC Porto, voltou à seleção nacional e voltou a ganhar em casa. O Europeu de 1998 foi durante anos o último conquistado por Portugal e foi Cristiano Pereira um dos obreiros da conquista.

Sair a ganhar

Voltou ao FC Porto após a morte de António Livramento, numa altura em que a modalidade começaava a ganhar outro crescimento físico. Mas até aí Cristiano se soube adaptar. Os dragões já estavam num outro patamar organizacional, os jogadores tinham outra carga de treino e a forma de olhar para a modalidade passou a ser outra.

Mesmo assim, conseguiu ganhar e apenas os problemas de saúde o obrigaram a parar. Apareceu anos mais tarde na seleção italiana, num projeto menos intenso, mas nessa altura o hóquei italiano já tinha sido ultrapassado por todos os outros.


É presença assídua em vários pavilhões. Gosta de andar pelo Infante Sagres a observar os mais novos que podem aparecer na modalidade. Talvez um dia possa descobrir algum novo Cristiano...





HISTÓRICO COMO JOGADOR

D

EQUIPAS
ÉPOCAEQUIPA

1984/85 [Hóquei]--
1983/84 [Hóquei]--
1982/83 [Hóquei]--
1981/82 [Hóquei]--
1980/81 [Hóquei]--
1979/80 [Hóquei]--
1978/79 [Hóquei]--
1977/78 [Hóquei]--
1976/77 [Hóquei]--
1975/76 [Hóquei]--
[Hóquei]--
1974/75 [Hóquei]--
1973/74 [Hóquei]--
1972/73 [Hóquei]--
1971/72 [Hóquei]--
1970/71 [Hóquei]--
1969/70 [Hóquei]--
1968/69 [Hóquei]--
1967/68 [Hóquei]--
1966/67 [Hóquei Sénior]--
1965/66 [Hóquei Sub-20]
-
1964/65 [Hóquei Sub-20]


HISTÓRICO c/ Treinador
EQUIPAS
ÉPOCAEQUIPA

2005
Itália
Itália[Hóquei]
--
2000/01
Portugal
FC Porto[Hóquei]
--
1999/00
Portugal
FC Porto[Hóquei]
--
1999
Portugal
Portugal[Hóquei]
--
1998
Portugal
Portugal[Hóquei]
--
1997
Portugal
Portugal[Hóquei]
--
1995/96
Portugal
FC Porto[Hóquei]
--
Portugal
Portugal[Hóquei]
--
1994/95
Portugal
FC Porto[Hóquei]
--
1993/94
Portugal
FC Porto[Hóquei]
--
1992/93
Portugal
FC Porto[Hóquei]
--
1991/92
Portugal
OC Barcelos[Hóquei]
--
1990/91
Portugal
OC Barcelos[Hóquei]
--
Portugal
Portugal[Hóquei]
--
1988/89
Portugal
FC Porto[Hóquei]
--
1987/88
Portugal
FC Porto[Hóquei]
--
1986/87
Portugal
FC Porto[Hóquei]
--
1985/86
Portugal
FC Porto[Hóquei]
--
( do ZeroZero.pt )