Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

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segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Sexagenário da vitória no Torneio Internacional Militar - Efeméride da conquista da Prova de seleções militares conquistada por Portugal em 1958


Passam agora 60 anos que Portugal foi pela primeira vez campeão internacional em futebol. Antes havia sido no hóquei em patins que o ego lusitano se ufanara já duma conquista de âmbito europeu e até mundial, mas no futebol foi em 1958 que a nação portuguesa teve um título assim, obtido pela Seleção Militar Portuguesa, a equipa representativa das forças armadas, de futebolistas que estavam na tropa, como se dizia, em cumprimento do serviço militar.


Nesse tempo as seleções militares gozavam de grandes atenções, na junção do serviço público que dava prestígio aos governos. E em Portugal o Estado Novo aproveitava naturalmente toda essa envolvência para fins políticos. Como se torna sintomático dessa realidade o facto de então os próprios campeonatos pararem para a realização das fases finais dessas competições, como ocorreu em 1958.


Antes disso já Portugal disputara jogos de apuramento, mas nunca almejara chegar à fase final. Até que em 1958 conseguiu esse desiderato. Tendo a fase final, em modo de disputa decisiva a quatro, ter-se disputado em Portugal, decorrendo as meias-finais e a final em Lisboa. Havia nesse tempo algum descontentamento dos clubes de fora de Lisboa porque os futebolistas eram obrigados a ir a Lisboa treinar, com o desgaste inerente às viagens (“coisa” que naquela altura demorava horas...), acrescido das deslocações dos seus quarteis dumas zonas para outras entre os que estavam mais distantes, em plena discussão do campeonato. Mas como havia a lei da rolha política, era comer e calar, como se sabe historicamente.

Equipa da Seleção Militar de 1958 - Campeões Militares. Estádio José de Alvalade, 26/11/1958. Portugal, 2 - França, 1. Golos de Coluna (1-0) e Hernâni (2-1, de g. p.:) Em cima da esquerda para a direita - Raul Moreira, Vital, Fernando Mendes, Miguel Arcanjo, Vicente Lucas e António Barbosa; em baixo, pela mesma ordem - Hernâni, Coluna, Augusto Rocha, Fernando Casaca e António Mendes. 

Ficou assim na memória esse feito pioneiro do futebol português. Através da Seleção Militar nacional que ganhou o Torneio Internacional Militar disputado em Lisboa, após bater na final a França por 2-1. Disputaram a prova nessa então “final four” 4 países pertencentes à NATO: Portugal, França, Holanda e Bélgica. Tendo nas meias-finais Portugal derrotado a Holanda por 4-3 e a França derrotado a Bélgica por 4-0. O selecionador era o Tenente-Coronel Ribeiro dos Reis e o treinador Otto Glória, ambos ligados ao Benfica. Fazendo parte da equipa campeã três jogadores do FC Porto: Hernâni, Miguel Arcanjo e Barbosa. Enquanto a mesma seleção tinha na equipa oito titulares da Seleção A e todos eram dos melhores das equipas do Campeonato Nacional, incluindo futebolistas dos três grandes e ainda de Belenenses, Académica, Lusitano de Évora e Setúbal.  

Houve então empolgante final, diante da apoteótica decisão do resultado surgida quase ao findar do prélio. Quão aconteceu, por meio do golo da vitória ter acontecido mesmo sobre o encerramento do jogo, graças a penalti convertido por Hernâni.


Para as cores azuis e brancas nortenhas, como quem diz quanto ao sentimento portista, o caso foi de final glorioso, perante o facto de Hernâni ter marcado o golo da vitória na final, além de ter sido o melhor marcador da equipa, da qual era capitão. Tal qual por igualmente terem jogado e bem os defesas Miguel Arcanjo e António Barbosa, também do FC Porto. Acrescida honra de unanimemente Hernâni Silva ter sido então considerado o melhor jogador do torneio, tornando-se no herói maior de tão retumbante conquista.


Significativo da importância de Hernâni, nesse tempo, foi que, apesar de ter feito a tropa em 1952/53 (época em que jogou no Estoril ao abrigo da lei militar, havendo regressado ao Porto na temporada seguinte), foi mantido em reserva-territorial militar para poder jogar pela Seleção Militar, além da própria seleção A. Mantendo estatuto, acrescido à patente oficial, praticamente para poder reforçar a equipa nacional nesses torneios da categoria militar. Obviamente com alguma polémica em surdina, é claro, pois naquela altura mandava quem podia e obedecia quem devia. Eram tempos do regime de Salazar e político-desportivo do sistema BSB.


Hernâni, o grande senhor Hernâni do futebol, ficou assim ligado sobremaneira a esse grande feito, afinal, do futebol português. E o Futebol Clube do Porto, como compensação de tudo o que se passava, esteve ao menos ligado a mais um marco do desporto lusitano.

*****

Curiosidades de enquadramento e relacionamento:

Portugal participara anteriormente e por diversas vezes na fase de apuramento do Torneio Internacional Militar, vulgo Europeu de Seleções Militares de futebol (porque eram por norma finalistas os países europeus), havendo inclusive em 1956 ficado em 2º do seu grupo, mas não se apurando para a fase final, e entretanto sem nunca ter atingido a final.


Assim como depois, tendo Portugal participado na mesma prova até meio da década dos anos sessentas, sempre com seleções formadas por jogadores de valor firmado (inclusive com Eusébio, António Simões, Custódio Pinto, Jaime Silva, Nóbrega, Rui, Pedro Gomes, Jaime Graça, José Carlos, Ribeiro, etc. conforme foi em 1963 e 1964, pelo menos), nunca mais foi atingido o 1º lugar.


Atualmente continua a haver provas do género, mas mais participadas por países de outros continentes, sendo os mais recentes vencedores da Ásia.

O Torneio Militar na Europa foi mais um caso das provas que têm aparecido e desaparecido, por vezes, ou mesmo substituídas ou ainda que foram perdendo a importância anterior. Até ao presente aspeto da nova competição surgida recentemente e ainda em aproximação da fase final, como acontece com a atual Liga das Nações, cuja primeira edição já teve a fase de apuramento e em Junho de 2019 terá a fase final em Portugal, com disputa das meias-finais com jogos em Guimarães e no Porto e a final no estádio do Dragão.

Tal como no Campeonato Europeu de 2016 e também no Torneio Internacional Militar de 1958, em ambos os casos foi a seleção da França a finalista vencida que Portugal defrontou na obtenção dos títulos internacionais de futebol sénior entretanto conquistados.

Nota:
Como reforço, agora no plano descritivo memorando, recorde-se de forma narrativa historiadora algo mais relacionado, com uma visão mais vasta sobre…

“Representações marcantes do FC Porto no serviço militar…pela Grei” - conf. 
(clicando no link)

Armando Pinto
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domingo, 10 de setembro de 2017

“Jogo de Experiências” da estreia de Hernâni e reaparecimento de Araújo


Foi em 1950, numa curiosa jornada, à entrada dessa década que ficou assinalada por uma Ínclita Geração de grandes valores do futebol portista, que se deu, como que uma passagem de testemunho, a estreia de Hernâni com a camisola do FC Porto, quase que para substituir em carisma – como foi, afinal – o emblemático António Araújo.

Nesses inícios da década recheada de bons valores entre futebolistas do FC Porto que marcaram épocas, desde Barrigana, Virgílio, Carvalho, Joaquim Machado, José Maria, Carlos Vieira, Pedroto, de permeio com grande realce para Hernâni, mais Monteiro da Costa, Carlos Duarte, Miguel Arcanjo, Perdigão, etc. etc. até outros então a despontar para brilhantes carreiras, como Américo, irmãos Sarmentos, Barbosa, etc. etc. qual geração grandiosamente histórica, estava a começar o grande Hernâni e em fim de carreira o famoso Araújo. Então, depois de longo afastamento devido a grave lesão, Araújo reaparecia a jogar, enquanto ao mesmo tempo aparecia Hernâni, em jogo que o FC Porto realizou antes ainda do início do campeonato da época de 1950/51, corria o ano de 1950 com o mês de setembro entrado no dia 11. Encontro esse que, como tal, foi apelidado de “Jogo de Experiências”, diante do Estoril, no campo-estádio da Constituição.


Jogava-se na Constituição, já com o futuro estádio das Antas no horizonte, estando o anfiteatro das Antas em construção – como se pode reavaliar e recordar por reportagem da mesma época. Sendo que nessas eras quaisquer obras eram muito demoradas, acrescidos os trabalhos com a angariação de verbas para o seu desenvolvimento, já a menos de dois anos da sua inauguração.


Assim sendo, aconteceu isso em 1950, quando se estreou com a camisola do FC Porto o mítico Hernâni, que ficou conhecido como “o furacão de Águeda”, no mesmo jogo que serviu de homenagem a Araújo, a que se associou o clube sulista Estoril Praia. Enquanto Araújo depois ainda foi fazendo alguns jogos pelo FC Porto, já mais como referencial do clube, quão respeitado nome no ambiente da equipa, servindo até de bandeira, no significado da sua presença, em jogos festivos de amistosas visitas do FC Porto a diversas terras de onde chegavam convites.  


Nessa tarde de setembro, do então primeiro jogo de Hernâni como jogador portista, o FC Porto alinhou inicialmente com Barrigana, Virgílio, Vasco, Carvalho, Joaquim, Romão, Baptista, Araújo, Vital, José Maria e Vieira; tendo no decorrer do jogo, entrado em substituições, também, Hernâni, Sanfins, Fragata e Monteiro da Costa. Havendo Hernâni contribuído decisivamente com um golo na vitória por 4-3, depois do Estoril ter estado a vencer por 3-0, resultado a que o FC Porto conseguiu dar a volta para um tom mais consentâneo ao acontecimento, sendo os golos portistas apontados por José Maria, Monteiro da Costa (2) e Hernâni.


Hernâni foi depois um digno sucessor de António Araújo, o tal que em seus tempos áureos era único portista nas seleções, a pontos da equipa representativa de Portugal nessas épocas ser popularmente conhecida por Sport Lisboa e Araújo. Passando por fim Hernâni Silva a seguir na linha de Pinga, Valdemar Mota, Araújo e outros dessa categoria que ultrapassa a visão do tempo. Ao longo duma carreira briosa de 14 temporadas ao serviço dos Dragões, em que Hernâni Ferreira da Silva disputou 335 jogos oficiais pelo FC Porto, marcou 183 golos e venceu dois Campeonatos e duas Taças de Portugal.

Armando Pinto
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terça-feira, 1 de setembro de 2015

Hernâni Silva – O Senhor Hernâni do F C Porto e do futebol português



Olha o Hernâni ! Dizíamos nós, os miúdos do meu tempo de infância, quando víamos o Hernâni nos jornais e nos “bonecos” dos rebuçados, em cromos de papel mole para colecionar em cadernetas, que juntávamos para gáudio de apreço… Tal a simpatia com que Hernâni era apreciado. Apesar de nesse tempo, no meu tempo de menino e moço, ele, o senhor Hernâni, já estar quase a abandonar o futebol, antes ainda do meio da década dos anos sessentas.

Ora Hernâni, o grande futebolista que os próprios “jogadores” de seu tempo tratavam por Sr. Hernâni, como Eusébio chegou a reconhecer, completaria ao início de Setembro mais um aniversário natalício. Passando agora, nesta data, oitenta e quatro anos desde seu nascimento.

Hernâni Ferreira da Silva vive para sempre no coração da história do F C Porto e de todos os que conhecem e apreciam esse passado venerando, confiam no presente esperançoso e o futuro promissor do nosso grande F C Porto é em tons de azul vivo.

Curvando-nos diante de sua memória, prestamos homenagem a esse General do F C Porto através de algumas imagens de arquivo e recortes alusivos respigados do livro “FCPorto figuras & factos / 1893-2005”, de J. Tamagnini Barbosa e Manuel Dias.



Armando Pinto
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