Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

In Memoriam: Sousa Santos e histórias de pai e filho para contar… dum ponto final e parágrafo!


Conforme é lembrado na edição de hoje de “Dragões Diário, evocando JOAQUIM SOUSA SANTOS, o pai e extensivamente o filho, ambos do mesmo nome: «Neste dia, em 1963, depois de 18 anos a pedalar com a camisola do FC Porto, o ciclista de Santa Maria da Feira recebia duas salvas de prata e uma salva de palmas ao intervalo de um jogo de futebol entre a equipa principal do Feirense e um misto dos Dragões. Ao palmarés de Sousa Santos, que como amador júnior se estreou de azul e branco em 1945, só faltou a vitória na Volta a Portugal, que esteve perto de conseguir em 1955 e 1957, edições em que terminou na segunda posição. O ciclista despedia-se, mas, na verdade, recusava-se a sair. “Nasci no FC Porto e conservar-me-ei fiel nas suas fileiras até ao dia em que tenha atingido a meta que nos leva para o outro mundo”, avisou dias antes. Naquela tarde, quando Santa Maria da Feira ainda era Vila da Feira, o FC Porto ofereceu uma bicicleta de corrida a Joaquim, filho de Sousa Santos (que nesse dia também fazia 10 anos, acrescente-se, tendo nascido em 1953 a 13 de outubro). Dezasseis anos depois Joaquim Sousa Santos vencia a Volta a Portugal com a camisola do FC Porto.»


Ora, é a data assim propícia para homenagear esses dois ases dos pedais, por esta via. Fazendo memória dos Sousa Santos na fixação de histórias de pai e filho, dignas de serem contadas tais coincidências, quando o pai punha ponto final nas corridas a sério, em cima de bicicletas, depois de brilhante carreira que o levou por duas vezes a ter estado perto de vencer a Volta a Portugal. Enquanto, no mesmo dia dessa despedida oficial como ciclista, como que num parágrafo que dava continuidade à narrativa, o filho recebia uma bicicleta oferecida pelo clube que mais tarde o iria ter como representante vencedor da Volta.

= Sousa Santos (pai), entre colegas de equipa e com diretores do clube, na comemoração da vitória na Volta a Portugal de 1962 - reportando as fotos documentais à entrega dos trofeus ganhos, da classificações individual (por José Pacheco), coletiva (por equipas, da participação de Sousa Santos e todos mais da equipa), do prémio da montanha (de Mário Silva), mais outras taças de prémios diversos; e ao jantar comemorativo). =

Armando Pinto
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Falecimento de Sousa Santos (pai): Um clássico dos heróis do ciclismo nacional e do F C Porto…


Segundo tivemos conhecimento hoje por um órgão de imprensa diária, faleceu na segunda-feira dia 18 de Fevereiro, o antigo ciclista do F. C. Porto Joaquim Sousa Santos pai, como era conhecido o patriarca da família, por ter tido dois filhos ciclistas conhecidos pelo mesmo apelido de guerra das corridas. 

Desaparecido do mundo dos vivos aos 82 anos, Joaquim Sousa Santos foi antiga glória no ciclismo português da década de cinquenta, havendo-se notabilizado ao serviço do F.C. Porto. Pai do vencedor da Volta de 1979, Joaquim Sousa Santos (filho) e de José Sousa Santos, ambos antigos ciclistas já falecidos  (em 2003 e 2012, respetivamente), era o progenitor Sousa Santos natural de São João de Ver, do concelho de Vila da Feira, hoje terras de Santa Maria. Em cujo campo santo permanecerá desde esta quarta-feira, sepultado no cemitério de sua terra, conforme notícia difundida pelo Jornal de Notícias, do Porto.

Como homenagem, para dirigirmos umas palavras mais que justas em honra de seu passado, servimo-nos de uma vista de olhos por um pequeno livro que lhe foi dedicado na colecção "Ídolos do Desporto", em respetivo número editado em 1956.

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«Joaquim Sousa Santos, nasceu em S. João de Vêr, a 24 de Setembro de 1930. Desde pequeno que o garoto sonhava com uma bicicleta como a do padrinho, que era também seu irmão Manuel dos Santos; o qual lhe construiu uma bicicleta, não se poupando a trabalhos nem a esforços, e então depois colocou o miúdo sobre o quadro e zás! O Quim lá foi ! A minúscula bicicleta rodou, com o garotinho agarrado ao guiador, em pânico, até que se " espetou" contra um muro! Joaquim Sousa Santos com pouco mais de quatro anos de existência neste mundo atribulado, não ficou a chorar, apesar do susto, choque e arranhaduras. Era imensa a sua alegria por ter uma bicicleta. Era pequenina, mesmo feita para a sua idade, e apenas com duas rodas. Era igual à do irmão e padrinho, que corria numa bicicleta a sério vestindo a camisola do F.C. Porto; e na altura soltou uma gargalhada, dado que nada melhor do que uns trambolhões para começar… Veio a escola, o trabalho, mas a bicicleta ficou como a sua grande paixão. Filho de uma pobre família, cedo aprendeu um ofício, de sapateiro, no caso. Muito se sacrificou para poder realizar o seu sonho de ter uma bicicleta como a do padrinho, pois ganhava 20 escudos ($) por semana. Nas estradas, sempre que passavam ciclistas, ficava parado a olhar e a desejar seguir-lhes o exemplo, mas não havia dinheiro... Sousa Santos começou a apertar o cinto dia a dia e dos escassos 20$ retirava 5$ ou 6$ sempre que podia, pois muitas vezes comia só a tradicional "broa" nortenha . Com muito sacrifício juntou 700$ e surgiu a possibilidade de comprar uma máquina, mas faltavam 100$, que o padrinho Manuel dos Santos lhe emprestou. 

Estava-se em 1950. Sousa Santos com "sangue na guelra" sentia-se em forma: a sua "pasteleira " com guiador de bicicleta de corrida " voava" pelas ruas de S. João de Vêr.»

   

«Um dia pedalava despreocupado, quando lhe surgiram, numa curva, Joaquim Costa, Aniceto Bruno, Onofre Tavares e Amândio de Almeida, ciclistas da equipa do F.C. Porto em pleno trajeto de treino. Sousa Santos era conhecido daquele Joaquim Costa, e este conversou com ele enquanto pedalavam os cinco, já em bom ritmo. Então a certa altura, Sousa Santos ouviu Aniceto dizer: - Larga lá o " pato bravo" . Toca a andar.... Mas o " pato bravo" encheu-se de brio e acompanhou os " ases " do F.C. Porto, apesar de várias tentativas para o deixarem para trás. Foi mesmo ali e naquele dia que Aniceto Bruno convidou Sousa Santos a ingressar no F.C. Porto, tendo logo assinado contrato no dia seguinte, e daí passando a ser corredor profissional. A partir de então começou a preparar-se melhor, a sua alimentação era agora mais cuidada e rica, passou a ter bom material e horas para treino…» E teve uma carreira vistosa, cotando-se como um dos bravos do pelotão do ciclismo nacional.


Joaquim Sousa Santos ao longo da sua carreira, tanto a nível nacional como internacional (tendo de permeio estado na Volta a Marrocos, bem como teve 3 participações na Volta a Espanha), venceu várias provas e etapas, destacando-se sobremaneira um 27º lugar no Grande Prémio de Eibar, por ter tido um papel determinante no decurso dessa clássica internacional. 

No panorama dos quadros de honra em Portugal, sobressaem as suas posições de 2º classificado nas Voltas a Portugal de 1955 e 1957, e um 7º lugar na classificação geral individual na Volta de 1959. No ano anterior, na 21ª Volta a Portugal, em 1958, ganhou uma etapa, a 11ª tirada entre Lisboa e Torres Vedras, tal como, antes e depois, triunfou em diversas outras etapas, em diversificados anos, na Volta, além de, por mais que uma vez, ter andado com a camisola amarela de 1º da corrida . Como principal triunfo individual, e com a camisola do F. C. Porto, Sousa Santos venceu a clássica Porto-Lisboa, em 1957.

   
 = Sousa Santos (à direita da imagem) com Sousa Cardoso e Carlos Carvalho, formando trio da equipa vencedora do "Prémio Vilar" para o F. C. Porto. = 

Será de frisar, por fim, que Sousa Santos nos inícios de seus tempos áureos não alcançou melhores resultados por haver tido como adversários diretos uns Alves Barbosa e Ribeiro da Silva, dois ciclistas de categoria internacional e que em seu tempo comandavam as operações das corridas em Portugal. E depois por ter surgido sempre algum colega de clube melhor colocado, nas provas mais importantes.


...Isso também porque o ciclismo do F. C. Porto estava muito bem dotado de valores, constituída que era a equipa portista por elementos que, qualquer um deles, podiam vencer quaisquer provas e se equiparavam entre si, valendo por isso o forte jogo de equipa. Tendo Sousa Santos ajudado a vitórias individuais de colegas azuis e brancos, como foram as Voltas ganhas por Carlos Carvalho, Sousa Cardoso e Mário Silva, além de sua cota-parte nas vitórias coletivas.

  
Terminada a carreira como ciclista, em 1963, Sousa Santos manteve-se no seio do ciclismo como treinador do Ovarense e Benfica, além de episódicas colaborações no F. C. Porto - tendo chegado a incluir um triunvirato na orientação do F. C. Porto, junto com Onofre Tavares e Emídio Pinto. 

Porque não esquecemos os que ficam ligados ao F. C. Porto, aqui deixamos esta lembrançazinha escrita e ilustrada para com a memória de Sousa Santos, na medida do que para nós significa Portismo, em tudo. 



Nota Bene: A 13 de outubro de 1963 o FC Porto fez uma festa de despedida ao grande ciclista Sousa Santos, numa daquelas homenagens que nesses tempos eram feitas aos valores que deixavam marca. No caso feita a Joaquim Sousa Santos, pai, a quem só faltou uma vitória na Volta a Portugal, algo que inclusive esteve muito perto de vencer, apenas que nesse tempo havia um dotado Ribeiro da Silva, correndo pelo Académico. Essa glória de ficar incluído no rol dos vencedores da Volta  estaria reservada anos depois para o filho, também Joaquim, que conquistaria uma Volta a Portugal com a camisola do FC Porto na edição de 1979.

Armando Pinto
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Obs.: - A propósito, confira-se ainda o que publicamos anteriormente aquando do falecimento do filho médico e vencedor duma Volta (clicando aqui) sobre Joaquim Sousa Santos filho...

A.P.

sábado, 18 de agosto de 2012

Artigo d’ O Porto, em Homenagem a Joaquim Sousa Santos - no conhecimento de sua morte…


Morreu Joaquim Sousa Santos, antigo ciclista vencedor da Volta a Portugal em bicicleta de 1979, ao serviço do F. C. Porto. Falecido na sequência de doença prolongada, com 58 anos, ao princípio da noite de sexta-feira, dia 17, esse que foi antigo desportista e era médico de profissão.

Por um comentário entrado na caixa deste nosso blogue, ao artigo sobre o antigo ciclista Mário Silva, soube o autor do sucedido com o também antigo ciclista Sousa Santos filho. Volvido pouco tempo, apareciam notícias relacionadas com o infausto acontecimento, através de postagens de amigos no facebook, segundo nota informativa da Federação Portuguesa de Ciclismo, difundida pela comunicação social. 

Em tempo mediático de ciclismo, junta-se um tema muito diferente, infelizmente, logo andando pelo País a corrida de bicicletas mais tradicional, embora sem o antigo fulgor popular, nem coisa que se pareça, desde que os grandes clubes desportivos deixaram de competir também nos pedais.


Desaparecendo assim e tão cedo esse nome que foi uma referência do panorama do ciclismo luso, um inesquecível atleta que soube dignificar o nome do F. C. Porto, vem a talhe justo tributo em sua memória: 

Joaquim Sousa Santos nasceu em 13 de Outubro de 1953 na freguesia de São João de Ver, concelho de Santa Maria da Feira. Era filho de um outro ex-ciclista com o mesmo nome - o famoso Sousa Santos que integrou equipas célebres do F. C. Porto na década dos anos cinquenta, dos tempos de Sousa Cardoso, Carlos Carvalho, Artur Coelho, Emídio Pinto, Agostinho Brás, Azevedo Maia, Mário Sá, Mário Silva e cª . 

Joaquim Sousa Santos (filho) representou o Sangalhos, o União de Coimbra, o Bombarralense e o F.C. Porto, tendo a sua carreira durado desde 1972 até 1980. Ganhou a Volta a Portugal de 1979, como representante do F. C. Porto, tendo ainda obtido um 2º, 5º e 8º lugares na Volta. Competição essa, a prova-rainha do ciclismo português, em que ganhou várias etapas, além de ter envergado, também, a camisola amarela por outras vezes. Foi ainda Campeão Nacional de Pista (Perseguição). No estrangeiro, foi 3º classificado e vencedor de 2 etapas na Volta a Málaga e 9º classificado na Semana Catalã.


Como homenagem memoranda à sua ligação ao desporto dos pedais e ao F. C. Porto, trazemos até aqui, para partilhar, um artigo escrito pelo autor há já muitos anos, no jornal O Porto, dos tempos em que tivemos oportunidade de colaborar no antigo órgão de comunicação do F. C. Porto. Por se tratar dum memorando sobre o historial do ciclismo do FC Porto, até então, quando a vitória de Joaquim Sousa Santos na Volta a Portugal estava ainda de fresco, nesse tempo. Sendo o artigo coincidente com a apresentação da equipa Portista para a nova época, a que decorreria em 1980 - daí o título: UM POUCO DE HISTÓRIA – NA APRESENTAÇÃO DO CICLISMO FAZ BEM LEMBRAR!

Para o efeito, retiramos dos arcanos essa crónica publicada n’ O Porto de 28 / 11 / 1979 – da qual digitalizamos o artigo em parcelas, para melhor visualização. Primeiramente numa vista de meia página (postada aí acima), a dar uma visão mais ampla, e de seguida, mais abaixo, todo o texto repartido em retalhos, para proporcionar melhor leitura.


(Como se pode ver, aparecem umas correções manuscritas, apostas pelo autor. Derivado a gralhas tipográficas que surgiam involuntariamente na publicação. Porque nesse tempo enviávamos o texto datilografado em papel e lá na redação tinham depois de o passar novamente, revertendo-o através dos carateres metálicos com que era feita a composição nas páginas. Processo esse que levava ao surgimento de erros, não raras vezes até com linhas alteradas, inclusive letras e números ao contrário, de forma inversa ou até de pernas para o ar.)

Armando Pinto 

»»»»» Clicar sobre as digitalizações, para ampliar. 
Podendo ser ainda aumentado o zoom. ««««««