Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

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sábado, 5 de novembro de 2016

Heróis de “Portos-Benficas”, passando por Lemos, Ademir e Kelvin, mais… Naftal!


Jogos entre o FC Porto e Benfica são sempre "clássicos" que prendem atenções e cujo desfecho ou peripécias resultantes fazem história, desde o caráter decisivo, conforme a fase da época de realização, até à importância do encurtar de distância pontual, como é o caso deste ano. Mas também pelo aspeto de fazer heróis, entre os quais vem de imediato à cabeça Kelvin e seu célebre golo do minuto 92, algo que ficará para sempre nas memórias e emoções que se sentiram e ainda fazem reviver sentimentos. E outros, como o de Ademir, em 1978...


Kelvin foi um dos mais recentes heróis, inesquecível, embora ainda na época passada o jovem André André tenha assumido também papel determinante com o golo da vitória, em jogada que temos bem diante dos olhos e presente nos restantes sentidos que vieram acima da pele. Como antes houve um Carlos Vieira nuns tais 3-0 em 1951/52, o Lemos nos 4-0 de Janeiro de 1971, o Ademir naquele golo quase ao findar o jogo que possibilitou a conquista do título ao fim de 19 anos, Hulk e Cª nos 5-0 de 2010/11, a 7 de Novembro de 2010 (faz esta segunda feira 6 anos…) e Kelvin. Lance de golo que tem direito a lugar especial no grandioso Museu FC Porto by BMG..


Isto para não recuar às eras do campo da Constituição, onde Valdemar Mota, António Santos, Nunes, Pinga e outros deram água pela barba aos opositores vermelhos em jogos no Porto. Pois que no caso atrás referido de Carlos Vieira, sendo em tempo que estava já em construção o estádio das Antas, o jogo se disputou no então alugado estádio do Lima. E reportando aos encontros ocorridos no Porto, onde, além desses e daqueles, bem como de mais uns quantos, quais Monteiro da Costa e Hernâni que foram artistas a marcar golos ao Benfica, houve também mais, como Fernando Gomes, Jardel e diversos outros,  entre variadas condicionantes, pela parte da tal natureza que está subjacente. 

= Carlos Vieira, Lemos, Ademir, Hulk e Kelvin...!

Assim lembramo-nos bem dum golo que ficou gravado na memória do autor destas recordações, quando em 1967/68 o FC Porto e Benfica seguiam lado a lado na frente do campeonato e um golo de Custódio Pinto colocou o FC Porto à frente dois pontos (como era a pontuação de vitória ainda, à época). Tal como de partidas disputadas em Lisboa não mais esquece uma das primeiras do autor, em tempos de inícios da afeição que se tornou paixão pelo clube portista, nos idos começos da década dos anos sessentas, como foram os tentos marcados por Azumir em Lisboa na vitória por 1-2 de 1962/63. Tanto como, anos mais tarde, um golo de Cubillas que deu uma vitória por 0-1 em Outubro de 1974…

= Equipa do FC Porto que venceu no antigo estádio da Luz, em 1974, com um golo de Cubillas

Posto isto, outra curiosidade que emerge na atualidade é sobre o FC Porto poder tirar a invencibilidade ao adversário deste jogo em apreço. Sendo que até agora «o F. C. Porto é a equipa que mais vezes acabou com a invencibilidade do Benfica na I Liga portuguesa de futebol, ao selar em 21 ocasiões, 17 das quais em casa, o primeiro desaire dos "encarnados" no campeonato» como refere uma reportagem vinda no JN. Em cujas páginas é acrescentado que «nas 82 edições da prova já concluídas, desde 1934/35, mais nenhuma equipa se aproxima dos números dos "dragões", com o Sporting a ser segundo, ao protagonizar 12 vezes o primeiro desaire do Benfica, e o Belenenses terceiro, com oito. A "tradição" começou, aliás, bem cedo, já que foram os "azuis e brancos" os primeiros a superar os "encarnados" na I Liga, o que aconteceu à terceira jornada da edição inaugural da prova, a 3 de fevereiro de 1935. No Campo do Lima, Lopes Carneiro e Artur de Sousa "Pinga" apontaram os tentos que selaram o primeiro desaire do Benfica no campeonato, de nada valendo aos lisboetas o tento de Valadas. Os portistas sagrar-se-iam campeões. Depois, o F. C. Porto repetiu o "feito" mais 20 vezes, a última em 2012/13, quando, já na 29.ª e penúltima ronda, ganhou no Dragão por 2-1, graças a um tento do brasileiro Kelvin nos descontos, que fez ajoelhar Jorge Jesus.»


«Pelo meio, foram muitas as vezes que os portistas acabaram com a invencibilidade que o Benfica ostentava: mais uma na década de 30 (1936/37), seguindo-se duas na de 40 (44/45 e 46/47), 50 (55/56 e 57/58), 60 (62/63 e 65/66) e 70 (74/75 e 78/79). E a partir da década de 80, o F. C. Porto tornou-se muito mais forte e isso também se reflete nestes números: entre 1980/81 e 89/90, os "dragões" foram seis vezes os responsáveis pelo primeiro desaire do Benfica na prova, sendo que em 1983/84 essa derrota inaugural só apareceu à 21.ª ronda (3-1 nas Antas). Depois, também porque o Benfica passou um período muito complicado, perdendo mais vezes, os "azuis e brancos" ficaram fora deste "mapa" durante mais de uma década, reaparecendo em 2000/2001, quando bateram as "águias" logo na primeira ronda. Até ao tento de Kelvin, os "dragões" ainda "estragaram" em mais três ocasiões o registo sem derrotas do Benfica: em 2003/2004 (2-0 ainda nas Antas, à quinta jornada), 2004/2005 (1-0 na Luz, selado por McCarthy, à sexta) e 2007/2008 (1-0 novamente na Luz, com um tento de Ricardo Quaresma, à 12.ª).»


No meio dessas e outras possíveis estatísticas e recordações, um caso há pouco lembrado geralmente, mas que fez um dos heróis da infância do autor destas linhas – Naftal.  

= Naftal em ação, na sua codícia pela baliza, como avançado. No caso da foto diante do Braga e perante a atenção do guarda-redes Armando. 

Estava-se a meio dos anos 60, quando o Benfica, para além de ter a conhecida superioridade nas cúpulas do dirigismo desportivo nacional e não só… fazia alguma figura ainda pelas provas europeias, não tanto como nos tempos das suas conquistas europeias, mas ainda a andar no meio das equipas graúdas do velho continente. Então, em 1965, numa tarde domingueira, vindo ao Porto os craques da camisola encarnada, o FC Porto agigantou-se e através de Naftal, zás, cravou com um golo de belo efeito uma derrota aos comandantes desse tempo. 


Então o mundo da bola deitou os olhos para esse tal Naftal, um avançado moçambicano que já estava no FC Porto desde 1963, mas não tivera grandes oportunidades, devido à existência de Azumir e Valdir, entre outros. E, passado um tempo, cerca de meio ano depois, já a contar na época de 1965/66, o FC Porto volta a impor nova derrota ao Benfica, de novo com Naftal a molhar a sopa, ao ter marcado o primeiro golo da vitória então por 2-0, pois também Nóbrega fez depois o gosto ao pé a dilatar o resultado. Tendo assim Naftal ficado na história por no mesmo ano, embora correspondendo a épocas desportivas diferentes, ter feito golos ao Benfica em duas vitórias do FC Porto, acontecidas no relvado do estádio das Antas. Uma em Março de 1965, em plena época de 1964/65, e a outra a 26 de Setembro de 1965, já na seguinte época futebolística de 1965/66. 


E assim Naftal ficou na memória, ainda que sem ter jogado muitas vezes de permeio, por então haver diversos concorrentes ao lugar, juntando-se ao setor avançado mais uns Manuel António, Amaury e Djalma no decorrer do tempo em que esteve no FC Porto, entre as épocas de 1963/64 até 1965/66. Mas ele, Domingos Lucas Naftal, o Naftal que vimos nas fotos dos jornais, ficou como um dos nossos heróis desses tempos. Embora não seja muito lembrado nas recordações que a comunicação social costuma fazer sobre estes embates entre dragões e águias. Mas que foi marcador admirado, foi, tanto que impôs duas derrotas ao Benfica daqueles tempos…


= Equipa do FC Porto que derrotou o Benfica por 2-0, em 1965/66, com golos de Naftal e Nóbrega. Em jogo que também ficou assinalado pela estreia de Pavão a titular pela equipa principal do FC Porto. Tendo a turma portista alinhado com o onze alinhado na pose clássica, como se vê na imagem (a partir da esquerda, em cima - Atraca, Pavão, Alípio, Festa, Almeida e Américo; em baixo - Jaime, Naftal, Manuel António, Custódio Pinto e Nóbrega).

Armando Pinto
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sábado, 31 de janeiro de 2015

Evocação do 31 de Janeiro… de 1971 - à Porto!


Há  44 anos, precisamente, o 31 de Janeiro, que hoje ocorre neste sábado, então foi ao domingo. Ficando-nos na retina o que se passou nesse belo dia, num lindo domingo de sol de inverno. E, esse, foi realmente um 31… para a história. Não o 31 de Janeiro antigo, também levado a cabo na cidade do Porto, da revolta política pela liberdade social, uns anos antes da proclamação da República; mas no âmbito desportivo, muitos anos volvidos, quando Portugal era quase só Lisboa e o resto paisagem, à imagem do regime político e desportivo salazarista.  

= Plantel do F C Porto nessa época, dos 4-0 ao Benfica...

Ainda há poucos dias, em texto publicado, aqui rememoramos parcialmente esse acontecimento, por entre as “Memórias PortistasPersonalizadas”:

- …Entretanto, entre tantas recordações, nunca mais poderá ser esquecido que, apesar do poderio da organização do desporto estar em Lisboa, com tanto faciosismo decisivo, em tempo de ditadura do Terreiro do Paço, de vez em quando o F. C. Porto ia conseguindo contrariar as injustiças e, quantas vezes, impor-se mesmo, em futebol jogado... Como aconteceu com uns célebres 4-0 ao Benfica, nas Antas, com quatro golos de António Lemos, na tarde soalheira do domingo que era último dia de Janeiro de 1971.

Porque do facto já colocamos diversas referências memoriais, por quanto relembramos em ocasiões anteriores essa grande vitória, apenas focamos agora a recordação correspondente à efeméride do dia, neste dia em que trazemos à memória pública uma lembrança dessa inesquecível vitória por 4-0, com quatro golos de Lemos.

Armando Pinto


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O nosso 31 de Janeiro… em 1971! ...Dos mais históricos 4-0 do F C Porto ao Benfica!!!


Se há dias e factos que não mais esquecem, um desses fastos é a data de 31 de Janeiro - tão intimamente ligada ao Porto. Uma efeméride que se celebra hoje, neste dia 31 de Janeiro, senão com alguma pompa pública, pelo menos na imagem da memória coletiva. Tal o significado, afinal, da revolta assim chamada, por ter tido lugar nesse dia, como percursora, em finais do século XIX, da mudança de regime mais tarde registada, em 1910. E, especialmente, que é o que mais importa, outras recordações mais pessoais e emblemáticas, pois que o que nos move mais são contas de outro rosário, até porque a política cada vez atrai menos, com o que está a acontecer desde há anos a esta parte… e atualmente com maior incidência. 

Assim, deixando de lado essas ocorrências que tais, interessa-nos, no caso, outra lembrança de um outro 31 de Janeiro, muitos e muitos anos depois, já em pleno século XX, mais precisamente em 1971: a vitória de 4-0 sobre o Benfica, com quatro golos de Lemos.


Na verdade, nós (exprimindo-se o autor destas linhas no plural, como mandam os cânones), quanto ao que nos toca bem fundo da representação portista no desporto-rei, porque no campeonato de 1959 não tínhamos idade suficiente para memorizar, e, de permeio (com a travessia derivada ao estado político-social do país macrocéfalo-salazarista), tendo nós apenas tido como grande alegria o oásis da Taça de Portugal de 1968, ao deparar-nos então com tamanha goleada ao clube do regime, vibramos naturalmente, ficando esse dia marcado a letras de ouro no memorial de nossos melhores dias. 

Como tal, celebrizando esta efeméride, com a pompa e circunstância mais íntima mas sentida que nos apraz recordar, aqui deixamos uma visão de uma página jornalística, a bom propósito. Numa imagem (ainda na impossibilidade de digitalização, como já referimos em anterior oportunidade), que mostra, por captação fotográfica, tal ambiência contendo curiosa entrevista alusiva – onde o António José Lemos conta peripécias, inclusive como foi prejudicado depois… por ter marcado aquela cabazada ao clube imperial. Numa abordagem jornalística mais tarde vinda a lume, também, qual lamparina acesa no vigor de azeite emergente, à tona da vida.


© Armando Pinto 
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