Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

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Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Jorge Orth: Um malogrado nome histórico nas brumas da memória Portista


Com a auto-estima Portista em alta, estando nós de bem com a vida desportiva, tal o estado de graça que o clube Dragão vem mantendo e reforça nesta era comemorativa de 120 anos de Vida do F C Porto, recordamos mais uma figura grada no percurso clubista – o malogrado treinador Jorge Orth. Neste aspeto não por cometimentos, no historial glorioso da coletividade nesse tempo sediada no estádio das Antas, devido a ele não ter tido tempo de levar o seu trabalho mais além, mas por quanto ficou saliente na memória alvi-anil, na perpetuação dos que da lei da morte se libertaram por sua aura na História do F C Porto.

Assim sendo, e cumprindo comprometimento assumido anteriormente, no artigo sobre Desportistas falecidos em atividade Portista, aqui exaltamos a memória deste senhor das lides futebolísticas, homenageando esse treinador que proporcionou um tempo de renovadas esperanças nas hostes Portistas nos inícios da década de sessenta.


Orth chegara ao Porto em tempos de vacas magras, como se diz normalmente quanto a um sentido de menor fulgor e enfraquecimento. Porque, depois do título alcançado em 1958/59, não houve uma diretriz capaz de manter o ritmo e logo na época seguinte o F C Porto se quedou num modesto 4º lugar, depois da traição de Guttmann (que se passou de armas e bagagens para o Benfica, inclusive desviando para aquele rival lisboeta o barreirense José Augusto, entre outras artimanhas), enquanto em 1960/61 terminou em 3º lugar e ainda perdeu a final da Taça de Portugal, de modo surpreendente e escandalosamente contra o Leixões, no estádio das Antas. Então, a Direção do clube fez um esforço para preparar a época seguinte, entregando para 1961/62 o leme da equipa das Antas a um treinador chamado Gyorgy Orth.

Tratava-se de um técnico de futebol húngaro, com sessenta anos de idade e trinta de carreira. Este foi o homem-chave para a época que se avizinhava, que até nem começou lá muito bem. Nos primeiros cinco jogos, a equipa conquistou apenas 5 pontos. Mas depressa soube dar a volta. Como se costuma dizer que depois da tempestade vem a bonança, e quem porfia sempre alcança, houve frutos do facto de dentro do clube então ter-se sabido esperar; pois, após a série de maus resultados, logo que foi adquirido um avançado de raiz, a equipa treinada por Orth somou seis vitórias seguidas. E passou a haver um clima de quase euforia, de grandes esperanças, em suma.


Orth revolucionou o futebol do F C Porto, com sangue novo. Pôs a jogar uma nova vaga de futebolistas, passando Américo para guarda-redes titular, apostando em Pinto, o jovem Custódio Pinto que viera do Montijo e passou a jogar ao lado do experiente Hernâni, fez Serafim aparecer e começou a substituir antigos astros por jovens promessas, como Jaime, Festa, Paula, etc., bem como, de modo mais vincado, fez vir do Brasil o atacante que faltava, um avançado de jeito, para colmatar a falta de um goleador-matador (nesse tempo chamado avançado-centro), recaindo a escolha em Azumir, cuja eficácia depressa deu resultados.

Efetivamente o futebol do F C Porto estava em fase de transformação e renovação. Por exemplo começava a chegar ao fim a carreira do grande Hernâni.


= Hernâni =

A propósito recorde-se o que há alguns anos escreveu António Tavares-Telles sobre Hernâni Ferreira da Silva:

«…o Hernâni, um dos maiores jogadores, se não o maior, com Eusébio (e Pinga acrescentamos), que o futebol português produziu: quem viu, viu, quem não viu, não volta a ver!
Era de facto um génio: intermitente, parecendo às vezes alheado do jogo, num ou vários repentes resolvia a questão. Um defesa disse um dia, a seu respeito: “É o avançado mais fácil de marcar de todos: durante oitenta minutos, não se faz nada, que ele também não faz. Durante os restantes dez, também não se faz nada, porque é impossível fazer alguma coisa!”
No final da carreira, a que aliás pôs termo muito cedo, foi (com o grande treinador Jorge Orth) o “patrão” de uma equipa jovem, que fez brilhar a grande altura: entre outros, é claro, Jaime, Custódio Pinto, Azumir e, sobretudo, Serafim…»

Estava a vencer a aposta no húngaro Gyorgy Orth, que já tinha treinado em Itália, França, Argentina, Colômbia, México e Peru. Que ao comando técnico da equipa azul e branca colocou o F C Porto na discussão do título e passou a ser considerado cidadão portuense, pela simpatia granjeada, tendo mesmo passado a ser chamado de Jorge.

Mas os deuses não estavam com o F C Porto e Jorge Orth faleceu repentinamente, interrompendo essa linda caminhada que vinha tendo no F C Porto. Havendo ainda orientado a equipa na 12ª jornada, jogada no Barreiro contra a Cuf. Depois… Foi a 11 de Janeiro de 1962. Nesse dia de inverno aconteceu a tragédia. Findo o treino matinal, Orth foi para casa e, sem que ninguém contasse, morreu de fulminante ataque cardíaco. Apagando-se assim seu fio de vida e já não voltou a treinar. 


A cidade do Porto cobriu-se de luto. E todo o mundo Portista ficou abalado.

Na biografia de Américo, em número coevo da coleção Ídolos do Desporto, ficou narrada a evolução e funesta situação verificada:



O funeral de Jorge Orth foi uma manifestação de pesar impressionante. Toda a estrutura do F C Porto se incorporou no préstito, e a equipa não largou a urna, sendo transportado o apreciado mestre pelas mãos de seus atletas que, à vez, se revezaram a pegar no esquife contendo seus restos mortais, até à última morada.

Foi sepultado no cemitério de Paranhos, em túmulo que ficou como propriedade do F C Porto – a que se reporta a imagem, aqui junta.


Seguiu-se, pouco tempo depois, o tal Sporting-Porto em Lisboa. E os homens das Antas dedicaram esse jogo ao saudoso treinador...


Aí  Azumir marcou um golo, o único do encontro, que, aliado a grande exibição de Américo, Hernâni, Serafim, Pinto, Arcanjo, Virgílio, Festa, Ivan, Paula e Jaime, permitiu importante e marcante vitória. Na linha até do que antes se passara por entre emoções da despedida.

Na verdade, durante o seu funeral, o jogador portista Azumir assumia vingar o sucedido com o título no campeonato. O que não conseguiu, por abaixamento evidente do rendimento da equipa, com o lugar responsável do banco ocupado por Francisco Reboredo. Embora mantendo-se na discussão do primeiro lugar até à última jornada, quando uma derrota do FC Porto em Guimarães, com uma deplorável arbitragem, como era costume, deitou tudo a perder. Apesar disso, como consolação, no final da época o avançado brasileiro Azumir sagrou-se o melhor marcador do campeonato, tendo apontado 23 golos em 20 jogos e o FC Porto ficou-se pelo 2º lugar a 2 pontos do Sporting.

= Azumir =

Do plantel, nessa era de renovação, faziam parte os seguintes jogadores: Américo, Rui, Ivan, Paula, Serafim, Virgílio, Miguel Arcanjo, Custódio Pinto, Hernâni, Azumir, Jaime, Festa, Carlos Duarte, Mesquita, Perdigão, Barbosa, Noé, Teixeira, Juca, Monteiro da Costa e Morais. Mas outros estavam na calha, como aconteceu com Nóbrega, a passar por fase de empréstimo para rodagem.


Ora, Nóbrega, entre outros,  teve com Orth seu batismo nos treinos de pré-época nas Antas, e ficou com sua carreira algo associada ao que resultou depois, conforme se pode também verificar pelo que expressa o livro que lhe dedicou a coleção Ídolos do Desporto:



Muita água correu entretanto e posteriormente por baixo das pontes da Invicta. Tanto tempo se passou, mas a recordação de Jorge Orth permaneceu nos sentimentos nobres dos fieis adeptos do grande F C Porto. Sendo esse venerando personagem um nome histórico nas brumas da memória Portista.

Armando Pinto

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* Extensivamente e a propósito, recorde-se o referido anterior artigo 
(clicando no link)
 sobre


AP

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Sócios, Adeptos e demais Membros da Família Portista…


Passou o F. C. Porto tempo difícil, algo superado num difícil obstáculo como foi com a saborosa vitória no jogo com o Rio Ave, pela manha opositora e ultrapassagem de fase deveras importante, bem como por anteceder uma sempre difícil deslocação ao reduto dum dos adversários de Lisboa, um dos tais da santa aliança por vezes reeditada. Sendo esse um dos jogos cujas vitórias podem definir o campeão, mais a mais depois do empate inesperado no anterior jogo em casa. E, desta forma vitoriosa, ultrapassado que foi este confronto, logo se depara próximo estorvo que é preciso suplantar, no esquisito "zbording", para solidificação da nossa posição cimeira no campeonato de futebol português. 

Isto em plena época quaresmal, por associação, na aproximação da Páscoa, em que diversos momentos se tornam tradicionalmente incisivos em tão marcante quadra anual. Num período como este marcado por procissões de Passos e Paixões. E, como na chegada do tempo de Aleluia, a chamada Semana Santa é considerada uma semana maior do catolicismo, quanto à importância do seu significado, também noutros aspetos da vivência humana se pode considerar importantes outros momentos diversos, de diferente índole mas de vivência particular e, para uma boa parte, também comunitária. Assim, conquanto no presente se esteja a sobrepor o ter humano, terá de se ter sempre em conta o ser humano, que somos. Estando subjacente o que mais dá ser à vida de cada qual. Num universo em que o que mais nos motiva e apaixona terá sempre lugar especial. Como é o nosso F. C. Porto, para nós.

 

Ora, em plena semana da ida da nossa equipa principal até ao terreno do fosso lisboeta, onde se confunde o ambiente perante um panorama prenhe de azulejos próprios de sítio atritos a micróbios, vem à ideia anteriores passagens por esses lados, embora na maioria dos casos mais ao lado (quando as casas de banho eram no antigo estádio, entenda-se). Recordando-nos sobremaneira algumas das idas até lá, a Alvalade, nas invasões pacíficas mas apaixonantes de adeptos do F. C. Porto ao estádio do Sporting lisboeta. Entre manifestações comunitárias de clubismo Portista.

Neste âmbito, calha também, por extensão, deitar sentido pelo conjunto aprazível que representa a massa adepta e simpatizante, enfim o mundo associativo Portista. Ao que damos seguimento nestas constatações, qual cartão de visita que podemos honrosamente apresentar.

Com efeito, por tudo o que se sabe e conhece, sendo os Portistas um povo especial, por assim dizer, constituindo um naipe diferente de tudo e todos mais, os sócios e simpatizantes da grande coletividade azul e branca conseguem fazer a diferença, sabendo distinguir o trigo e o joio, não se deixando levar em parolismos e campanhas orquestradas, antes sabendo pensar por sua (nossa) cabeça e especialmente dando valor ao que tem valor.

   

Sendo hoje uma imensidão de almas a pulsar em comum, tal o grande número de pessoas que por todo o mundo sentem o F. C. Porto, tempos houve em que as condicionantes sócio-desportivas levavam a uma menor aderência. Então, em homenagem a esses mais antigos Portistas, que passaram momentos difíceis e tiveram a ditosa graça de simpatizar com o F. C. Porto em tempos menos atrativos, e igualmente aos mais novos, que tiveram a também ditosa graça de conviver com momentos gloriosos, deixamos uma breve evocação de situações eloquentes, quão sintomáticas. Trazendo à recordação, até aqui, de modo a refletir a situação, o que nos inícios dos anos 30, do século XX, foi impresso num pequeno volume historiador do clube. Daí trazendo, agora, à tona recordatória umas curiosas ilustrações, incluídas na História do F. C. Porto dada à estampa em 1933, num só livro (na pioneira obra escrita por Rodrigues Teles, que como se sabe nos anos 50 foi ampliada numa valiosa obra dividida em três grossos volumes).

 

Repare-se então nas ilustrações acima colocadas e na seguinte lista adjacente, profusamente reportando a um dos painéis referentes aos sócios do clube daqueles tempos antigos. Que se expandem aqui, para este efeito, apenas, como exemplo, através dum dos painéis, dos cinco que o primeiro historiador portista angariou.

     

Chega então uma oportunidade de também nos metermos no meio, como parte que nos consideramos da Família Portista. Vindo a talhe darmos uma graça aos amigos consócios, agora que o texto vai longo e por certo só os mais interessados entusiastas seguirão o alinhamento total.

Ora, tendo passado muitos anos desde que houve a campanha de angariação de fundos para a construção do Pavilhão Gimnodesportivo das Antas, inaugurado há cerca de 40 anos, em 1973 (e mais tarde rebatizado com o nome Américo Sá, em alusão ao presidente da direção desse tempo), e porque tivemos muita honra de também poder colaborar, dentro das possibilidades, à época, relembramos aqui uma singela  lembrança de afinidade associativa, por meio duma pequena caixa jornalística que referiu um caso particular, no jornal O Porto, sem necessidade de muitas explicações mais. 

(in O Porto de 24-8-1972)

Imagens estas, em suma, que afinal revelam o uníssono sentir de sempre, que muito nos toca, tomando a parte pelo todo, na conjugação espiritual do que uniu os antigos e nos apega a todos nós, os de hoje e amanhã.

Armando Pinto 
== Clicar sobre as imagens, para ampliar ==