Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

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quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Nóbrega: O Transmontano extremo esquerdo portista que trocava os olhos aos defesas…


Não fosse a História, por haver informações e conhecimentos historiográficos, e não se saberia ter havido grandes heróis do passado, fossem eles como fossem, quão de uma forma ou de outra deram ser à sua faina. Tanto que se valoriza a sua existência e preza-se a ação. Assim como se elogia ainda publicamente o que foram grandes desportistas, por exemplo, mesmo sem terem sido vistos atuar aos olhos do tempo presente, mas dos quais ficaram testemunhos de variados modos. Como se passa com os grandes valores do FC Porto, dos quais nada é demasiado para que sejam lembrados e reconhecidos.


Então, tal como se louva grandes personagens da memória da nação e do mundo, merecedores são de eternidade os grandes nomes do FC Porto, desde o fundador António Nicolau de Almeida e o refundador José Monteiro da Costa, o primeiro atleta olímpico do clube, Valdemar Mota, mais os grandes ídolos do futebol antepassado, como foram Pinga, Araújo, Hernâni, Virgílio, Barrigana, Américo, Pavão, Rolando, Cubillas, Gomes, Madjer, Baía, Jorge Costa, etc. Mas também outros, entre tantos dos que em cada geração foram expoentes da admiração clubista. Tal qual Nóbrega. Vindo à ideia, desta feita, na sua vez de rememoração neste espaço de memória portista, esse extremo esquerdo que foi Francisco Nóbrega, esquerdino saliente que ainda chegou a jogar algum tempo com Hernâni e outros dos anteriores grandes jogadores, e sobretudo foi já dos tempos de Azumir, Custódio Pinto, Festa, Américo, Djalma, Jaime, Pavão, Valdemar; Rolando, Rui, Armando Silva, Lemos e Cª.


Ora, como em tantos casos idênticos, Nóbrega naturalmente é mais lembrado entre adeptos de gerações de seu tempo, mas é de convir ser exemplo a avivar, por quanto tudo e todos os que merecem devem ser valorizados.


Nóbrega, chegado ao estrelato do panorama futebolístico nacional, tendo andado nas coleções de cromos das tão populares cadernetas que fizeram memória romântica do futebol de outros tempos, era um Transmontano de Vila Real um dia ido para o Porto. E que na Invicta fez carreira, ganhando raízes extensivas às de sua  naturalidade.


Pois o valoroso avançado Francisco Nóbrega, recorde-se, foi um futebolista iniciado no Vila Real mas que ainda menino rumou para o Porto, onde fez a formação futebolística nos juniores (única categoria de formação, nesse tempo) e de seguida passou aos seniores, tendo jogado no grande FC Porto durante 12 épocas, até ter ainda por fim representado oficialmente o Vila Real no fim de sua carreira de jogador. Havendo posteriormente sido treinador em diversas equipas. Ostentando no currículo de jogador a célebre vitória na Taça de Portugal de 1968, algo especial na época por ser uma intromissão no poderio federativo sulista e elitista do regime vigente.


Nóbrega, de nome completo Francisco Laje Pereira Nóbrega, nascido em Vila Real a 14 de Abril de 1942, foi um antigo jogador de futebol do FC Porto que chegou a representar também a seleção portuguesa. Jogava na posição de avançado, normalmente a extremo esquerdo. Representou o Sport Clube de Vila Real, o FC Porto, de permeio o Tirsense por empréstimo do FC Porto (envolvido na vinda de Alberto Festa para o FC Porto), de novo o FC Porto e por fim o Vila Real outra vez. Tendo conquistado uma Taça de Portugal pelo FC Porto, em 1968. Alcançou quatro internacionalizações pela Seleção Militar, uma pela Seleção B e mais quatro pela Seleção A. Nóbrega fez a sua estreia na principal equipa nacional a 15 de Novembro de 1964, no Porto, contra a Espanha, com vitória portuguesa por 2-1; e despediu-se a 12 de Novembro de 1967, no Porto, com a Noruega, também com vitória portuguesa por 2-1. Esteve selecionado para ir ao Mundial de 1966 no lote dos 22 Magriços, mas depois foi substituído por um futebolista que ao tempo havia ingressado num clube de Lisboa.


Pormenorizando: Nóbrega jogou nas camadas jovens do Futebol Clube do Porto e quando foi promovido a sénior, na temporada de 1961/62, foi emprestado ao F.C. Tirsense em acordo incluído na transferência de Alberto Festa, para depois ter regressado em definitivo aos Dragões na temporada seguinte.


Entrou na equipa principal do FC Porto como titular em Setembro de 1962 e a partir daí foi dos elementos mais assíduos a jogar com a camisola do FC Porto.

 = Vitória no Trofeu Luís Otero, em Espanha 

A sua primeira temporada de sénior azul e branco foi bastante promissora, já que Nóbrega, com apenas 21 anos, acabou o campeonato nacional com 10 golos apontados e com a conquista da Taça Associação de Futebol do Porto. Depois, na seguinte temporada com a camisola do FC Porto teve plena afirmação, sendo então que confirmou estatuto saliente como um dos titulares indiscutíveis. Enquanto isso, à falta de títulos nacionais que a equipa não conseguia vencer, foi protagonizando vitórias na Taça Associação de Futebol do Porto, em repetições sucessivas.

= Nóbrega na equipa da primeira vitória do FC Porto em competições europeias. 

De particular destaque o facto de Nóbrega, no dia 16 de Setembro de 1964, ter sido também um dos titulares da formação portista que venceu o Olimpique Lyonnais por 3-0 no Estádio das antas, em jogo a contar para a 1ª mão da 1ª eliminatória da Taça dos Vencedores das Taças e que marcou a primeira vitória dos portistas nas competições europeias.


Nesse percurso, entretanto, Nóbrega teve enfim oportunidade de vestir a camisola da seleção nacional. Inicialmente, como “tropa”, foi escalado para jogar pela Seleção Militar no Torneio Europeu de Seleções Militares ao tempo existente, tendo então alinhado ao lado dos colegas Rui, Pinto e Jaime, assim como de Eusébio e Simões do Benfica, José Carlos e Pedro Gomes do Sporting, Ribeiro do Belenenses, Jaime Graça do Setúbal, entre diversos outros mais. 


Mais tarde foi escolhido ainda para a Seleção B. E por fim em 1964 teve vez a chamada à Seleção A, tendo na estreia, diante da Espanha em jogo disputado no estádio das Antas, sido considerado o melhor em campo. A ponto que a sua exibição entusiasmou a assistência, de tal forma que no final foi levantado em triunfo, levado em ombros por admiradores.


Apesar disso, sofrendo os efeitos dos jogadores do FC Porto não terem quem os pudesse defender na Federação, Nóbrega poucas mais vezes pôde jogar na seleção principal representativa de Portugal, visto nas instâncias superiores então imperar o sistema BSB das presidências federativas destinadas apenas a representantes de Benfica, Sporting e Belenenses. E, como tal, serem futebolistas desses clubes normalmente os escolhidos. 


De modo tão escandaloso que aquando da campanha do Campeonato Mundial de 1966 então Nóbrega, apesar de ter sido incluído no lote destinado à ida a Inglaterra, foi deixado em terra (apesar de até ter tido o fato oficial pronto!), para entrada dum outro que na época tinha sido adquirido pelo Sporting… (Assim, tal e qual, na fase final na velha Albion, o melhor guarda-redes, Américo, ficou no banco para jogar o Carvalho do Sporting no primeiro jogo e por fim José Pereira do Belenenses, nos restantes jogos, mesmo até no último de atribuição do 3º lugar, mau grado ter tido grandes culpas no cartório da derrota na meia final; enquanto Pinto, apesar de considerado dos melhores portugueses, viu jogarem diversos outros de seu lugar porque eram do Benfica…)

= Nóbrega na equipa da Festa de Despedida do grande guarda-redes Américo. 

Após o Mundial de 1966 Nóbrega voltou ainda a ser selecionado, tendo vestido a camisola das quinas em mais três ocasiões, havendo-se despedido no dia 12 de Novembro de 1967 numa partida em que foi o extremo esquerdo da seleção que venceu a Noruega, em jogo disputado no estádio das Antas, com resultado favorável a Portugal por 2-1.


Na temporada de 1967/68 viveu o ponto alto da sua carreira ao conquistar a Taça de Portugal. Os portistas foram à Final do Jamor vencer o Vitória de Setúbal por 2-1, com Nóbrega a ser o autor do segundo e vitorioso golo do FC Porto.


Francisco Nóbrega esteve também presente noutros momentos importantes para o clube azul e branco. Em Janeiro de 1970 fez parte da comitiva que se deslocou ao Brasil a convite do São Paulo F.C. para a festa de inauguração do Estádio Cícero Pompeu de Toledo. E especialmente, no dia 31 de Janeiro de 1971 foi um dos titulares da equipa que derrotou o S.L. Benfica por 4-0, no célebre jogo em que Lemos marcou todos os golos.

= Equipa que alinhou de início no jogo dos 4-0 ao Benfica em Janeiro de 1971: Em pé e da esquerda para a direita: Rolando, Gualter, Pavão, Valdemar, Armando Manhiça e Rui. Em baixo, pela mesma ordem: Abel, Custódio Pinto, Bené, Lemos e Nóbrega.


No final da temporada de 1973/74 deixou finalmente de jogar no F.C. Porto. Depois de Dragão ao peito Nóbrega ter disputado 277 partidas oficiais e marcado 44 golos, nas 12 épocas em que representou o F.C. Porto. Ficando na memória de quem o viu jogar como o extremo esquerdo portista que trocava os olhos aos defesas… conforme entre admiradores e comentadores era publicamente dito sobre ele, nesse tempo. Tal era a sua finta estonteante, driblando pelo lado esquerdo, a trocar as voltas e os sentidos aos defensores adversários.

= Imagem do tempo de Cubillas e do último ano de Nóbrega no FC Porto: Equipa do futebol portista na época 1973/74. Em pé e da esquerda para a direita: Rolando, Rodolfo, Guedes, Tibi, Ronaldo e Cubillas. Em baixo, pela mesma ordem:  Abel, Oliveira, Celso, Bené e Nóbrega.

Sintomático do apreço com que Nóbrega ficou visto à luz da história é que foi incluído entre os melhores jogadores nacionais na coleção "Onze +", em 2008 publicada pela editora Quidnova, de parceria com o jornal O Jogo  através de livros dedicados a cada posição de futebolistas em campo, desde guarda-redes até aos extremos-esquerdos, integrando o lote dos melhores extremos esquerdos de sempre. Num grupo composto (em ordem alfabética) por Albano, do Seixal e depois do Sporting; Bentes, da Académica; Chalana, do Benfica, Bordeus (França), Belenenses e Amadora; Dinis, do Sporting e do FC Porto; Fernando Peres, do Belenenses, Académica, Sporting, FC Porto e Vasco da Gama (Brasil); Futre, do Sporting, FC Porto, Atlético de Madrid, Benfica, Marselha (França), Regiana e Milan (Itália), West Ham (Inglaterra) e Yokohama (Japão); João Cruz, do Sporting; José Alberto Costa, do Vila Real, Académica, FC Porto e Rochester Lancers (USA); Nóbrega, do FC Porto; Simão Sabrosa, do Sporting, Barcelona (Espanha), Benfica e Atlético de Madrid (Espanha); e (António) Simões, do Benfica, Tomar, Estoril, etc (diversas equipas dos Estados Unidos da América). Com indicação dos respetivos clubes de passagem durante a carreira, como seniores e fases relevantes.


Entretanto, ainda, na época de 1974/75 Nóbrega, em final de carreira, ingressou no clube da sua terra, o S C Vila Real. Então aí, em 1975/76 ajudou os vila-realenses a subirem para a 2ª Divisão Nacional. Na temporada seguinte passou ali a ser treinado pelo seu amigo e ex-colega do FC Porto Custódio Pinto, que assumira o comando da turma transmontana. Com o qual passou e estava a viver bons momentos, novamente, até que num jogo em Chaves aconteceu um desentendimento entre o treinador e o presidente, Taveira da Mota, cuja ocorrência ditou o afastamento de Custódio Pinto do comando técnico da equipa de Vila Real. Francisco Nóbrega em solidariedade com o seu amigo e por discordar do que acontecera, na sua retidão natural, abandonou também o clube e regressou à cidade do Porto.


Passou mais tarde a treinador, tendo orientado clubes como o CD Feirense (que então esteve quase a alcançar subida de divisão), FC Lixa, FC Felgueiras, Avanca, Atlético de Rio Tinto, entre outras equipas ao tempo participantes em divisões secundárias nacionais e algumas distritais.


Faleceu no dia 28 de Abril de 2012, no Porto, quando contava 70 anos.

Palmarés:

1 Taça de Portugal
4 Taças Associação de Futebol do Porto

Internacional 4 vezes pela Seleção Militar, 1 pela Seleção B e 4 pela Seleção A de Portugal.

ARMANDO PINTO

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quarta-feira, 11 de junho de 2014

Um olhar ao porvir do F C Porto, mirando o passado e o presente...


Neste tempo de Primavera envergonhada, em que tanto faz sol como vem chuva, para lá da crise político-monetária que faz padecer o país em que vivemos e o povo ter de levar por tabela, enquanto as classes privilegiadas assobiam para o lado, também o desporto português sofre de profunda mesquinhez organizativo-arbitrária, imperando regras déspotas, de sistemas antigos a vir ao de cima.

É perante este panorama que o F C Porto tem de rever tudo, visando que sua organização não seja engolida pelos tentáculos malévolos e consequentemente o clube e respetiva SAD não se deixem ultrapassar, para que os dirigentes da estrutura azul e branca não sejam comidos por lorpas.

Quem não se lembra de na década de oitenta, do século XX, o F C Porto ter sido nº 1 mundial?!


De muito antes, como lembra aqueles tempos em que sabíamos os nomes dos jogadores todos pelos cromos dos rebuçados, em que vinham embrulhados. Recordo-me que, pelos inícios dos anos 60's, mais coisa menos coisa (pois ainda não andava na escola), o primeiro cromo que me saiu, logo que pude arranjar uns tostões, foi um tipo que me pareceu muito feio, de tez morena e cara de poucos amigos, que vim depois a saber (pois ainda não sabia ler) que era um fulano chamado Coluna, um gajo do Benfica. Ena, como fiquei de cara à banda, pois queria mas era um jogador do Porto… e logo tratei de o trocar, conseguindo de um amigo de brincadeiras uma troca por um de cara com ar mais agradável e com a camisola linda de que eu gostava, calhando ser o Serafim. Mas depois, quando consegui mais uns trocos para comprar uma mão cheia deles, apareceu-me finalmente o Américo, de quem já gostava, de tanto se falar bem dele… Depois o Pinto, mais o Azumir, que custava a sair. E outros, que mais tarde me apercebi serem de misturas de equipas, pois nesses cromos apareciam por vezes futebolistas que já nem jogavam na equipa, com outros posteriores. E foi assim que me veio ainda ter às mãos um, cujo nome eu ainda não conhecia, um tal Nóbrega. Jogador que na gravura aparecia quase sem pés, pois que aquilo era um género de arranjo gráfico (conforme se pode verificar na gravura, passando diante dos olhos imagens dessas eras). 

*
Ora, criança ainda, lembro-me que andavam uns pedreiros amigos a restaurar uma casa, aqui pelas minhas paragens, e eles todos os dias gostavam de puxar por mim para falar do Porto, de modo a passarem o tempo de costas mais direitas, nesses entretantos. Apesar de alertado para o facto, eu, criança mas não de olhos tapados, aparava-lhes o jogo porque também gostava de falar do Porto… Mas um dia, vendo o tal “macaco” (como chamávamos aos cromos de jogadores), com pés quase achatados, um desses amigos disse-me que aí entendia porque é que no jogo anterior, o Porto não tinha ganho, dias antes, porque o Nóbrega parecia que tinha os pés tortos… Ouvida tal coisa, desandei num instante e não mais os ajudei a passar o tempo. Dali em diante, por mais que me chamassem quando passava pela obra em que trabalhavam, fazia de conta e eles não tinham outro remédio senão continuar a trabalhar, para castigo.

*

Nunca gostei de me deixar levar, como se costuma dizer, nem gosto que tentem iludir e ludibriar algo com que me identifique e me toque, Como é o caso do F C Porto. Esperando que dentro do clube se empertiguem mais, ainda, de modo a não nos comerem a moleirinha.

= Uma formação da seleção portuguesa, com Américo...

Vê-se como tratam os nossos quando, entre outros exemplos, se deparam ocasiões de representações nacionais, em momentos importantes, como sucedeu com Américo e Pinto no Mundial de 1966, Baía no Euro 2004 e agora com Quaresma... não selecionado para o Mundial do Brasil, incompreensivelmente, ele que foi um dos expoentes da equipa do F C Porto e figura do campeonato...


Neste estado a que chegou o mundo desportivo indígena está-se em período de defeso, mas não de acalmia, verificando-se como lá pelo reino da capital do antigo império vão fazendo as coisas, não olhando a meios para atingir fins. Tal o que se constata no caso da Liga, a que os clubes do sistema ditatorialmente se agarram e não querem largar o poder, mesmo que tenham de usar, como aconteceu, artimanhas de bastidores. Deparando-se no horizonte nuvens medonhas, de escuridão sistemática.

Ora, depois de tudo o que foi acontecendo ao longo da época desportiva, tendo havido fatores extra a contribuir para o que se sabe, a temporada culminou com um final algo penoso, em que se misturaram culpas alheias com erros próprios, entenda-se – porque sabemos ver e reconhecer as situações e não vemos só uma cor como os touros…

Não só no futebol, mas até nas modalidades de pavilhão. Ainda no passado domingo, dia 8 de Junho, para cúmulo do estado de podridão que se verifica, também no jogo da final da Taça de hóquei em patins, entre o FC Porto e o Benfica, houve mais uma violação da verdade desportiva, gravíssima, ao ter sido permitido ao SLB utilizar um jogador expulso na véspera; enquanto depois e durante o jogo foi um chorrilho de habilidades arbitrárias, com aquilo que se viu de penaltis, livres diretos e expulsões sempre em prejuízo do mesmo ou seja do FC Porto. A pontos de Tó Neves ter apelidado aquilo mesmo como a Taça da vergonha.


Aliás, recorde-se (como aparece, unicamente, referido na comunidade informática Portista) «nos últimos três anos, a Federação Portuguesa de Patinagem tudo fez para retirar a hegemonia azul-e-branca, em busca de alterar os números com um título do SLB...que como se sabe, no jogo decisivo entre SLB e FCP terminou com bastante tempo ainda por jogar. Mesmo com o protesto do FCP, o campeonato foi "homologado". E este ano...em vésperas de decisão do campeonato...nomearam o mesmo árbitro para os jogos Candelária-FCP e o SLB-Valongo (jogado no dia seguinte!). Então agora, no passado fim de semana, na final four da Taça...reuniram de urgência para "despenalizar" um jogador do SLB que de outra forma nem poderia jogar. Lembram-se destes temas serem apresentados na comunicação social do regime? …Nós não.»

Pois nisso é que se vê o fito com que se cosem as pontas, pensando eles, os tais do sistema desportivo, que assim poderiam acabar com a prática do hóquei patinado no F C Porto, diante da possibilidade de acontecer uma possível tomada de posição como no basquetebol… Então não é que, com essa esperança, qual jogada de antecipação, em tentativa psicológica, procuraram cozinhar algo do género, através de violação informática, tendo sido pirateada a página do F C Porto na Internet com uma falsa notícia, a tentarem lançar confusão e sabe-se lá mais ou menos o quê…

Assim sendo, tem que se contar com tudo. Às tantas estavam a ver se, futuramente, atacando mais forte e feio o F C Porto também no futebol, não conseguiriam que o clube desistisse de se manter ao mais alto nível no desporto-rei…

Como nos recorda o tempo da dupla Pedroto-Pinto da Costa, quando foi travada luta acesa para alterar o sistema BSB…

É tempo de cerrar fileiras e, como um exército de ativos e elementos de retaguarda, voltarmos a ter comandantes audazes e valentes, especialmente, como tem sido até anos ainda de fresca memória, para que o nosso general forte faça mais forte a sua e nossa gente.

O tempo agora corre mais calmo, lentamente, sem tantas novidades inventadas na comunicação, por mor de haver muito com que encher páginas e programas com o Mundial de futebol.  Em cujo certame o F C Porto só tem na equipa portuguesa o extremo Varela, mas está bem representado em diversas seleções com mais oito valorosos arietes...

Enquanto por cá, dentro, a trilogia dos equipamentos novos do F C Porto prenda alguma atenção, diante da camisola principal um pouco parecida com a histórica, ao que diz a literatura oficial, numa aproximação do passado ao futuro, enquanto dos alternativos o azul de listas enviesadas do segundo se aceite e o terceiro escapa só por não ser vermelho.


Contudo, o mais importante é o que vai acontecer com esses equipamentos vestidos pelos nossos representantes, dentro do campo. Enquanto os nossos diretores terão de estar atentos, vigilantes e cuidadosos diante do que pode acontecer. Contando sobremaneira com a preparação e organização atempada e tudo o que seja inerente a uma boa campanha.

Então poderá e deverá ser mesmo a ligação do passado ao futuro, no engrandecimento clubista e fortalecimento da mística Portista.

Nestes comenos, assim, temos de pensar no porvir. Que futuro será possível neste presente?

Uma estrofe popular canta assim:

"Porque os meus olhos se afastem
Dos teus, não lhes queiras mal.
Que as andorinhas que partem
Voltam ao mesmo beiral"

É isso, queremos que volte o passado vitorioso ainda recente, ao futuro. Ao nomeado beiral, em que se aninham triunfos, em colheitas triunfantes.

Armando Pinto
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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Jorge Orth: Um malogrado nome histórico nas brumas da memória Portista


Com a auto-estima Portista em alta, estando nós de bem com a vida desportiva, tal o estado de graça que o clube Dragão vem mantendo e reforça nesta era comemorativa de 120 anos de Vida do F C Porto, recordamos mais uma figura grada no percurso clubista – o malogrado treinador Jorge Orth. Neste aspeto não por cometimentos, no historial glorioso da coletividade nesse tempo sediada no estádio das Antas, devido a ele não ter tido tempo de levar o seu trabalho mais além, mas por quanto ficou saliente na memória alvi-anil, na perpetuação dos que da lei da morte se libertaram por sua aura na História do F C Porto.

Assim sendo, e cumprindo comprometimento assumido anteriormente, no artigo sobre Desportistas falecidos em atividade Portista, aqui exaltamos a memória deste senhor das lides futebolísticas, homenageando esse treinador que proporcionou um tempo de renovadas esperanças nas hostes Portistas nos inícios da década de sessenta.


Orth chegara ao Porto em tempos de vacas magras, como se diz normalmente quanto a um sentido de menor fulgor e enfraquecimento. Porque, depois do título alcançado em 1958/59, não houve uma diretriz capaz de manter o ritmo e logo na época seguinte o F C Porto se quedou num modesto 4º lugar, depois da traição de Guttmann (que se passou de armas e bagagens para o Benfica, inclusive desviando para aquele rival lisboeta o barreirense José Augusto, entre outras artimanhas), enquanto em 1960/61 terminou em 3º lugar e ainda perdeu a final da Taça de Portugal, de modo surpreendente e escandalosamente contra o Leixões, no estádio das Antas. Então, a Direção do clube fez um esforço para preparar a época seguinte, entregando para 1961/62 o leme da equipa das Antas a um treinador chamado Gyorgy Orth.

Tratava-se de um técnico de futebol húngaro, com sessenta anos de idade e trinta de carreira. Este foi o homem-chave para a época que se avizinhava, que até nem começou lá muito bem. Nos primeiros cinco jogos, a equipa conquistou apenas 5 pontos. Mas depressa soube dar a volta. Como se costuma dizer que depois da tempestade vem a bonança, e quem porfia sempre alcança, houve frutos do facto de dentro do clube então ter-se sabido esperar; pois, após a série de maus resultados, logo que foi adquirido um avançado de raiz, a equipa treinada por Orth somou seis vitórias seguidas. E passou a haver um clima de quase euforia, de grandes esperanças, em suma.


Orth revolucionou o futebol do F C Porto, com sangue novo. Pôs a jogar uma nova vaga de futebolistas, passando Américo para guarda-redes titular, apostando em Pinto, o jovem Custódio Pinto que viera do Montijo e passou a jogar ao lado do experiente Hernâni, fez Serafim aparecer e começou a substituir antigos astros por jovens promessas, como Jaime, Festa, Paula, etc., bem como, de modo mais vincado, fez vir do Brasil o atacante que faltava, um avançado de jeito, para colmatar a falta de um goleador-matador (nesse tempo chamado avançado-centro), recaindo a escolha em Azumir, cuja eficácia depressa deu resultados.

Efetivamente o futebol do F C Porto estava em fase de transformação e renovação. Por exemplo começava a chegar ao fim a carreira do grande Hernâni.


= Hernâni =

A propósito recorde-se o que há alguns anos escreveu António Tavares-Telles sobre Hernâni Ferreira da Silva:

«…o Hernâni, um dos maiores jogadores, se não o maior, com Eusébio (e Pinga acrescentamos), que o futebol português produziu: quem viu, viu, quem não viu, não volta a ver!
Era de facto um génio: intermitente, parecendo às vezes alheado do jogo, num ou vários repentes resolvia a questão. Um defesa disse um dia, a seu respeito: “É o avançado mais fácil de marcar de todos: durante oitenta minutos, não se faz nada, que ele também não faz. Durante os restantes dez, também não se faz nada, porque é impossível fazer alguma coisa!”
No final da carreira, a que aliás pôs termo muito cedo, foi (com o grande treinador Jorge Orth) o “patrão” de uma equipa jovem, que fez brilhar a grande altura: entre outros, é claro, Jaime, Custódio Pinto, Azumir e, sobretudo, Serafim…»

Estava a vencer a aposta no húngaro Gyorgy Orth, que já tinha treinado em Itália, França, Argentina, Colômbia, México e Peru. Que ao comando técnico da equipa azul e branca colocou o F C Porto na discussão do título e passou a ser considerado cidadão portuense, pela simpatia granjeada, tendo mesmo passado a ser chamado de Jorge.

Mas os deuses não estavam com o F C Porto e Jorge Orth faleceu repentinamente, interrompendo essa linda caminhada que vinha tendo no F C Porto. Havendo ainda orientado a equipa na 12ª jornada, jogada no Barreiro contra a Cuf. Depois… Foi a 11 de Janeiro de 1962. Nesse dia de inverno aconteceu a tragédia. Findo o treino matinal, Orth foi para casa e, sem que ninguém contasse, morreu de fulminante ataque cardíaco. Apagando-se assim seu fio de vida e já não voltou a treinar. 


A cidade do Porto cobriu-se de luto. E todo o mundo Portista ficou abalado.

Na biografia de Américo, em número coevo da coleção Ídolos do Desporto, ficou narrada a evolução e funesta situação verificada:



O funeral de Jorge Orth foi uma manifestação de pesar impressionante. Toda a estrutura do F C Porto se incorporou no préstito, e a equipa não largou a urna, sendo transportado o apreciado mestre pelas mãos de seus atletas que, à vez, se revezaram a pegar no esquife contendo seus restos mortais, até à última morada.

Foi sepultado no cemitério de Paranhos, em túmulo que ficou como propriedade do F C Porto – a que se reporta a imagem, aqui junta.


Seguiu-se, pouco tempo depois, o tal Sporting-Porto em Lisboa. E os homens das Antas dedicaram esse jogo ao saudoso treinador...


Aí  Azumir marcou um golo, o único do encontro, que, aliado a grande exibição de Américo, Hernâni, Serafim, Pinto, Arcanjo, Virgílio, Festa, Ivan, Paula e Jaime, permitiu importante e marcante vitória. Na linha até do que antes se passara por entre emoções da despedida.

Na verdade, durante o seu funeral, o jogador portista Azumir assumia vingar o sucedido com o título no campeonato. O que não conseguiu, por abaixamento evidente do rendimento da equipa, com o lugar responsável do banco ocupado por Francisco Reboredo. Embora mantendo-se na discussão do primeiro lugar até à última jornada, quando uma derrota do FC Porto em Guimarães, com uma deplorável arbitragem, como era costume, deitou tudo a perder. Apesar disso, como consolação, no final da época o avançado brasileiro Azumir sagrou-se o melhor marcador do campeonato, tendo apontado 23 golos em 20 jogos e o FC Porto ficou-se pelo 2º lugar a 2 pontos do Sporting.

= Azumir =

Do plantel, nessa era de renovação, faziam parte os seguintes jogadores: Américo, Rui, Ivan, Paula, Serafim, Virgílio, Miguel Arcanjo, Custódio Pinto, Hernâni, Azumir, Jaime, Festa, Carlos Duarte, Mesquita, Perdigão, Barbosa, Noé, Teixeira, Juca, Monteiro da Costa e Morais. Mas outros estavam na calha, como aconteceu com Nóbrega, a passar por fase de empréstimo para rodagem.


Ora, Nóbrega, entre outros,  teve com Orth seu batismo nos treinos de pré-época nas Antas, e ficou com sua carreira algo associada ao que resultou depois, conforme se pode também verificar pelo que expressa o livro que lhe dedicou a coleção Ídolos do Desporto:



Muita água correu entretanto e posteriormente por baixo das pontes da Invicta. Tanto tempo se passou, mas a recordação de Jorge Orth permaneceu nos sentimentos nobres dos fieis adeptos do grande F C Porto. Sendo esse venerando personagem um nome histórico nas brumas da memória Portista.

Armando Pinto

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* Extensivamente e a propósito, recorde-se o referido anterior artigo 
(clicando no link)
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