Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

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terça-feira, 9 de junho de 2020

Histórica passagem à final da Taça de 1968 com goleada ao Benfica


A 9 de junho de 1968 viveu-se uma inesquecível tarde gloriosa no mítico estádio das Antas. Estava uma tarde soalheira de domingo, ao tempo, num ambiente primaveril de boa disposição, há 52 anos, quando em pleno recinto das Antas o FC Porto, perante exibição de gala, não deu hipóteses ao Benfica na discussão da passagem à final da Taça de Portugal. O Benfica tinha Eusébio, como se sabe, mas o FC Porto teve Djalma na plenitude da arte que o fazia admirado dos prosélitos portistas. 


E então, confirmando o que de bom já havia acontecido na primeira mão da meia-final desse ano, com um animador empate que trouxe para as Antas a decisão, o FC Porto goleou o Benfica por 3-0 e brilhantemente ganhou assim direito a estar na final.

Para isso, além de mais uma grande exibição de Américo, a dar confiança a toda a equipa, e naturalmente exibições bem conseguidas dos do costume, como Pinto, Rolando, Pavão, Atraca, Valdemar, Nóbrega, etc., nos dois jogos houve mesmo Djalma, efetivamente. Na Luz e nas Antas, porque antes, a 2 de junho, na semana anterior ao jogo da segunda mão, já «o avançado brasileiro tinha respondido à letra aos golos de Eusébio e Jaime Graça» na igualdade de 2-2 com que terminou esse primeiro embate da eliminatória. 


Depois, no “cá te espero” de reencontro no Porto, que qualificou os azuis e brancos para final da Taça de Portugal, Djalma voltou a bisar, decidindo a eliminatória ainda antes de Pavão ter marcado também um golo a acrescentar ao resultado desse modo com contornos de goleada, na robusta conta de 3-0.


Estava conseguido o lugar de finalista e volvida uma semana houve depois aquela inesquecível tarde de glória que foi a da conquista da Taça que tanto encheu de alegria os portistas que há muito esperavam uma vitória de âmbito nacional e ali tiveram então boa compensação em se manterem fiéis, nesses tempos de domínios dos gentílicos do sistema reinol. Ficando então aí também para a história a grande vitória do futebol sénior portista da presidência de Afonso Pinto Magalhães e do treinador Pedroto na sua primeira passagem pelo comando da equipa principal do FC Porto.


Por tudo isso, e porque foi importante e entusiástica a vitória da 2ª mão da Meia-final da Taça de Portugal da época de 1967/1968, apraz recordar e elevar justamente a passagem à final. Agora que passa a data da efeméride de tal feito, por quanto sabe bem recordar aquilo, pelos contornos de dificuldades tradicionalmente sempre colocadas ao FC Porto e habituais favorecimentos algo institucionais ao Benfica, mais e muito mais naquele tempo. Assim como pelo significado que ficou a deter esse triunfo, perante o quase mito levantado por alguém de que o Benfica com Eusébio nunca teria perdido com o Porto, quando perdeu diversas vezes e dessa feita em 1968 foi mesmo eliminado da Taça, até.  


Tudo isso ficou gravado na memória portista, como ficou registado quer na retina memorial, como nas recordações pessoais mais ternas e ainda nos apontamentos particulares do portista jovem desse tempo (então com cerca de 13 anos...) e que hoje recorda isto. Como para aqui se transporta de folhas anotadas manualmente, nessa idílica fase do portismo que percorre certa veia de historiador por carolismo, no entusiasmo de que tudo o que seja de património histórico do FC Porto é valorizável para quem gosta que o FC Porto tenha vencido e vença sempre o mais possível.   


Armando Pinto
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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Reencontro com o Varzim para a Taça…


Aí está chegada mais uma participação portista na Taça de Portugal de futebol, à entrada para a respetiva edição desta época. Começando o F C Porto por jogar diante do Varzim, na Póvoa, um encontro sempre difícil, por quanto contra o F C Porto todos se costumam agigantar, como é sabido. Num reencontro que acontece, assim, visto o clube poveiro andar afastado das grandes competições há alguns anos, enquanto desta feita sucede este confronto perante a participação de clubes de divisões secundárias na fase inicial desta prova.

Diante deste cenário, sendo previsível alguma dificuldade, contando com possível entrada em campo de um “onze” do F C Porto diferente do habitual, é contudo desejável que não haja surpresa, desde que a equipa portista que atuar desenvolva um jogo normal, perante o valor dos elementos do plantel azul e branco.

Esta eliminatória da Taça, por outro lado, além das diversas vezes em que o F C Porto jogou e venceu o Varzim em jogos a contar para a Taça de Portugal, felizmente, faz recuar memórias a uma participação feliz do clube Dragão na mesma segunda competição do futebol nacional: Quando, também quase no início da campanha da Taça, o F C Porto eliminou categoricamente o Varzim na caminhada para a conquista da Taça de Portugal da época de 1967/68.


Ora, tendo essa conquista, da Taça vencida em 1968, sido uma importante vitória, em período do sistema BSB, como é sabido, melhor sabor teve e ainda se faz sentir na memorização a que transporta. Recordando-se que então o F C Porto, comandado por Pedroto, defrontou o Varzim na 2ª eliminatória da referida edição, pois então os clubes primodivionários entravam logo no início da mesma competição, em disputas a duas mãos, à melhor de dois jogos, como se costuma dizer. E nesse tempo o Varzim estava na 1ª Divisão. Havendo o F C Porto vencido de ambas as vezes, primeiro no estádio da Póvoa por quatro golos sem resposta, e depois nas Antas em confirmação por 5-1.

Foram jogos, esses, em que brilhou sobremaneira o goleador brasileiro Djalma, autor de 3 golos no jogo da 1ª mão, sendo o outro de Manuel António, o avançado vindo de Santo Tirso e que depois rumou à Académica, o qual entretanto somou mais outros 3 marcados ao Varzim na partida da 2ª mão. Enquanto os dois golos restantes foram do “cabecinha de diamante” Pinto e do fogoso avançado brasileiro Valdir. Coroando as boas exibições de todos, quer dos autores dos golos, bem como de seus pares, Américo, Sucena, Almeida, Valdemar, Atraca, Pavão, Eduardo Gomes, Malagueta, Valdir, Bernardo da Velha, Rolando e Rui.


Tendo presente essa boa recordação, ilustramos este desfile memorável com imagens de Valdir e do famoso Djalma em encontros com o Varzim, mais uma foto do plantel com uma boa parte dos componentes dessa época, num corolário acrescido.

Quanto a números totais, pode também sumariar-se os correspondentes encontros do seguinte modo:

Histórico das eliminatórias entre F C Porto e Varzim (até ao encontro deste sábado, da 3ª eliminatória da Taça de Portugal e que corresponde à estreia dos Dragões na actual edição da prova):

Taça de Portugal              6 jogos                 6 vitórias do FC Porto (100%)  
  
- 1965-11-07      Varzim  0-1 FC Porto        1/32 avos              Taça de Portugal (TP) 1965/1966             
- 1968-01-21       Varzim  0-4 FC Porto       1ª mão 1/16 avos            e            
1968-01-28         FC Porto 5-1 Varzim         2ª mão 1/16 avos            TP 1967/1968
- 1985-06-05       FC Porto              1-0                    Meia Final           TP 1984/1985
- 1997-02-11       FC Porto              4-0                    5ª Elimin              TP 1996/1997
- 2003-03-08       FC Porto              7-0                    Quartos de Final   TP 2002/2003     

Armando Pinto

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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Dois factos especiais nos anais portistas dos anos sessentas - e algo mais de comparação...



Como nos revemos naquele texto escrito por Carlos Tê, a que nos referimos em recente artigo, damos importância à memória de antigos valores pouco vencedores, pelas condicionantes do regime desses tempos... E temos esses tais como dignos de apreço, por se terem mantido fieis à causa azul e branca, sabendo que o clube que defendiam era sistematicamente prejudicado e suas carreiras iam ficando aquém do que poderia ser alcançado. Tanto como foi acontecendo especialmente no decurso dos anos sessentas, mas não só, obviamente.

= Américo =
Ora, com as novidades surgidas agora, na estreia da equipa do F C Porto no campeonato da 1ª Liga nacional, esta época de 2014/2015, verificou-se que há meio século que não havia uma equipa portista tão jovem no início da prova.  Como, muito bem, referiu o jornal O Jogo, a propósito da equipa inicial do jogo F C Porto-Marítimo (2-0) ser a mais nova em média de idades dos últimos 51 anos...


Assim sendo, teve-se de recuar até à 1ª jornada do campeonato de 1963/64 para uma comparação, do passado ao presente, de agora até ao já remoto tempo referido. E então, em 1963, com algumas atenuantes, vendo que nesse jogo inicial entrou o guarda-redes Rui, mais jovem e normalmente suplente de Américo, por impedimento momentâneo do titular (pois que o mesmo voltou logo a jogar a partir da 2ª jornada), assim como jogou o então também muito jovem Alípio Vasconcelos, que realizou poucos jogos nessa temporada, tal qual Romeu, idem Jaime, etc. nesse tempo de transição. Sabendo-se das dificuldades passadas nesses tempos, quando a geração de ouro dos anos cinquentas estava a desaparecer, restando apenas Carlos Duarte e Hernâni em final de carreira, e os novos eram então dos baratinhos, em compita com os adversários, atendendo às possibilidades derivadas da gestão presidencial de Nascimento Cordeiro, ao tempo – de que resultou, depois, a entrada duma comissão administrativa, etc. e tal – como se sabe da História do F C Porto…

Dessa época é a foto seguinte, com que ilustramos a narrativa, mostrando uma formação do clube, com algumas alterações (já quando Alípio Vasconcelos e Jaime, por exemplo, não eram titulares nessa fase):

= Uma Equipa do FC Porto da Época 1963/64, já no tempo do treinador brasileiro Otto (substituto do inicial Janos Kalmar, húngaro): Em cima, a partir da esquerda para a direita -  Rui, Atraca, Carlos Baptista, Paula, Festa, Almeida, Américo e Otto Glória (Treinador); em baixo pela mesma ordem - Carlos Duarte, Hernâni, Valdir, Romeu e Nóbrega.

Passaram-se anos, depois, de permeio...


Pois, nesses anos, contando mais casos de lesa clube, como aquele penalty inventado pelo tal Silva que impediu o F C Porto de conquistar um campeonato em pleno estádio das Antas, e outros que tais, o F C Porto conseguiu superar tantas contrariedades e muitas adversidades, a pontos de em 1968 ter conseguido meter uma lança em África, como soe dizer-se, com a vitória na Taça de Portugal de 1967/ 1968.


Por quanto representou isso, nunca é de mais recordar essa emocionante vitória. Como já por diversas vezes rememoramos em artigos vários neste e outros nossos espaços da blogosfera portista. E agora aqui reavivamos.

Pela raridade e curiosidade, juntamos as fichas identificativas dos componentes da equipa, ou seja os participantes ao longo da campanha dessa Taça, enumerando todos os que jogaram nas sucessivas eliminatórias e final.


Posto isto, quem sentiu o que era ver o Américo defender, e jogar um Pinto, um Festa, um Nóbrega, etc. etc. e sentiu que eles mereciam ganhar campeonatos que lhes eram sonegados, tantas as injustiças sucedidas, sabe dar mais valor e apreço ao que é hoje vermos o F C Porto na mó de cima, perante a inveja dos adversários.

Armando Pinto
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