Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

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sexta-feira, 5 de junho de 2026

Recordando - Em tempo de defeso futebolístico e época de possíveis transferências… Uma aquisição de 1977 com algo significativo - quando Vital filho veio para as Antas…

 

Estando-se no tempo das notícias e boatos de transferências, parcialmente para alimentar vendas de jornais e audiências de canais televisivos, mais jogadas de agentes e empresários (além de tentativas influenciadoras de querer mexer com clubites no ânimo dos adeptos…), vem a talhe relembrar o caso duma das transferências ocorridas em tempos idos, quando eram escassas as mudanças de jogadores e iam acontecendo transferências pontuais. Como no caso que calha desta vez evocar, acontecido em 1977, com a vinda do avançado Vital para o FC Porto, à vista da época de 1977/78. Tratando-se do filho do antigo avançado Vital, que havia sido o autor do primeiro golo do FC Porto no estádio das Antas, em 1952. Como ficou registado em curiosa imagem fotográfica saída no jornal O Porto, na pré-época em 1977, a fixar o momento em que Vital filho apreciava um quadro com a imagem de seu pai, constante da galeria então existente no átrio de acesso à área social vip e de entrada para os balneários do estádio das Antas - como a própria legenda da foto documenta.

Armando Pinto

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quarta-feira, 15 de abril de 2026

Recordando: uma taça que o FC Porto conquistou na homenagem nacional a Vicente do Belenenses…

 

Uma história, essa da taça conquistada pelo FC Porto ao correr da época futebolística de 1966/67, num jogo inserido numa festa de homenagem nacional que englobou diversos jogos pelo País, será algo já pouco conhecido dos adeptos do futebol atualmente, mas aconteceu. Uma história que merece ser conhecida e como tal recordada, mas para isso tem de ser bem contada. Tendo sido o caso duma chamada homenagem nacional a Vicente Lucas, o então conhecido defesa Vicente do Belenenses. No âmbito de ele ter abruptamente ficado impossibilitado de jogar, após um acidente. Isso pouco tempo depois dele ter sido um dos mais badalados jogadores portugueses da campanha dos apelidados Magriços no Mundial de 1966, por ter sido o defesa que anulou Pelé, em marcação cerrada mas correta (tendo sido outro que o lesionou, entenda-se), durante o jogo de Portugal com o Brasil nesse Campeonato do Mundo disputado em Inglaterra. Havendo então Vicente sido um dos dois jogadores do Belenenses utilizados na Seleção das quinas, entre a maioria de jogadores de Benfica e Sporting, nesse tempo do sistema BSB, em que a Federação Portuguesa de Futebol era presidida, à vez, só por representantes de Benfica, Sporting e Belenenses. E desses dois do emblema do clube do Restelo, enquanto depois o guarda-redes José Pereira depressa saiu do clube e foi jogar na 2.ª Divisão, já Vicente era jogador do Belenenses com que se contava ainda para mais algumas épocas.

Contudo, após o Mundial e na época que se iniciou passado pouco tempo, Vicente apenas jogou dois desafios pelo seu clube, para o Campeonato Nacional de 1966/67. Pois um acidente de automóvel afastou-o do futebol, num dia de Outubro quando se dirigia ao Estádio do Restelo e num embate com outro automobilista um vidro partido lhe cegou uma vista. Então, incapacitado como ficou, foi-lhe organizada uma festa de despedida, desenvolvida oficialmente em diversos jogos pelo país continental inteiro e por Angola e Moçambique, em janeiro de 1967. Para o efeito a Federação havia arranjado data, calhando entre os jogos da 1.ª e 2.ª mão duma eliminatória da Taça de Portugal, em que o FC Porto (depois de ter eliminado o Sporting, com 1 golo de Bernardo da Velha) jogou com a CUF e estava em vantagem feito o primeiro jogo. Assim de permeio houve o jogo de beneficência a favor do Vicente (antes do FC Porto voltar a entrar em campo na semana seguinte para eliminar a CUF para a Taça). Então, esse dia foi considerado o dia de Vicente, no dia de S. Vicente, a 22 de janeiro; e a festa considerada de homenagem nacional, com as receitas dos jogos a reverterem para o próprio Vicente. Tendo um desses jogos ocorrido no Porto, com um jogo FC Porto-Braga, que o FC Porto venceu por 3-1 e conquistou a Taça Vicente em disputa. Enquanto os jogadores intervenientes no encontro receberam medalhas alusivas. Ao passo que o produto, que envolveu a homenagem ao simpático jogador, o ajudou a iniciar sua nova vida daí para a frente.

Ora, o antigo jogador Vicente Lucas, irmão do famoso Matateu, o Vicente do Belenenses e “Homem que secou Pelé”, como ficou para a história, faleceu esta terça-feira 14 de Abril, aos 90 anos. Vindo assim à lembrança essa ligação, visto seu nome continuar também ligado ao FC Porto, por essa taça que o FC Porto conquistou e foi exibida pelo então capitão da equipa portista nesse jogo, Eduardo Gomes. Como testemunha um recorte guardado na ocasião e que agora ilustra esta história que merece ser conhecida e como tal aqui é contada.

Descanse em Paz, Vicente!

Armando Pinto

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segunda-feira, 9 de março de 2026

De vez em quando - Recordando: Um Benfica-Porto diferente numa homenagem de despedidas - em 1995…

 

De tempos distantes, já, e distante do ambiente vivido na Luz com lançamentos de isqueiros e pedras, de arremesso a representantes do FC Porto, como se viu no clássico Benfica-FC Porto disputado em Lisboa no Dia da Mulher de 2026… vem a calhar remexer em coisas de tempos em que até ainda podia haver homenagens particulares conjuntas a jogadores do FC Porto e do Benfica. Como foi o caso, agora e rememorar, ocorrido em 1995, numa organização dum agente de futebol que ao tempo ainda se não mostrara como era, verdadeiramente, também. Vindo então à lembrança um evento patrocinado pelos dois clubes, ocorrido em Vila do Conde, que serviu para uma despedida festiva de dois craques dos anos 80, como foram André e Veloso. Algo que está descrito em recorte jornalístico da época, cuja legenda descreve o que então se passou e dispensa mais comentários.

Armando Pinto

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terça-feira, 12 de novembro de 2024

Recordando... Efeméride da estreia oficial de Soares dos Reis I na baliza do FC Porto em 1933!

A 12 de novembro de 1933 Soares dos Reis I estreava-se pelo FC Porto. Então jovem guarda-redes natural de Penafiel e que entretanto estivera em Lisboa no Belenenses, vindo para o Porto reforçar a equipa azul e branca da Constituição. Tendo pela primeira vez ficado diante da baliza do FC Porto em tempo do verãozinho de São Martinho, precisamente no dia seguinte ao início da anual festividade do São Martinho tão tradicional em Penafiel. 


Refere-se Manuel Soares dos Reis como Soares dos Reis I (primeiro) porque depois lhe sucedeu na baliza do FC Porto seu irmão, que então era e ficou conhecido por Soares dos Reis II, bem como mais tarde houve outro familiar, seu sobrinho e afilhado, que jogou nos Juniores do FC Porto e ainda defendeu a baliza do FC Porto na equipa de Reservas (FC Porto B), antes de ter tido assinalável carreira por diversos outros clubes.

= Soares dos Reis I em ação!

Asssim, a 12 de Novembro de 1933 colocava-se definitivamente à frente da baliza do FC Porto em jogos oficiais Manuel Soares dos Reis. Como nesta data é também recordado na newsletter oficial "Dragões Diário", em texto assinado por Alberto Barbosa:


«Soares dos Reis, o primeiro guarda-redes internacional do FC Porto, estreou-se há 91 anos no Campo do Bessa, num empate a um golo com o Leça em jogo a contar para o Campeonato Regional do Porto. Foi campeão nacional por três vezes, primeiro com Josef Szabo e mais tarde com Mihaly Siska, e ganhou um Campeonato de Portugal sob a orientação de François Gutkas. Foi ainda o guarda-redes da vitória do FC Porto na primeira edição da Taça Ibérica, quando, a 7 de junho de 1935, no Campo do Ameal, o campeão português derrotou o Bétis, vencedor da liga espanhola, por 4-2, com um golo de Pocas e um “hat-trick” de Pinga.»


Do acontecimento há registos no álbum particular do próprio Soares dos Reis, elaborado ao longo de sua carreira por ele mesmo – conforme se dá à estampa por imagem retirada dos arquivos em posse da família (mais propriamente de seu sobrinho afilhado e nosso estimado amigo sr. Neca Soares dos Reis, o antigo guarda-redes Soares dos Reis III).


Ora esta passagem de história interessante, relacionada com a vida do FC Porto e no percurso desse célebre vulto do FC Porto, quão foi Soares dos Reis I, vem dar oportunidade a mais uma vez se lembrar esse grande Nome do FC Porto.

 

Manuel Soares dos Reis, o grande guarda-redes dos anos trinta e quarenta e mais tarde dirigente saliente na década de cinquenta, pelo menos, está honrosamente no Mausoléu Portista em Agramonte, repousando o sono eterno entre Glórias do FC Porto.


Na pertinência da data correspondente, relembramos esse grande vulto da história do FC Porto, curvando-nos diante de sua memória.


Recorde-se que Soares dos Reis, o primeiro da sequência de três membros de tal ramo familiar que defenderam as balizas do FC Porto, está também homenageado neste espaço de memória portista no artigo sobre a dinastia dos Soares dos Reis, (clicando) em


Armando Pinto

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segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Recordando (na respetiva efeméride)… O Campeonato Mundial de Estrada ganho por Aurora Cunha em 1984 – o 1.º grande feito e 1.ª medalha mundial do Atletismo do FC Porto

 

Em 1984, precisamente no dia de São Martinho, a 11 de novembro, Aurora Cunha conquistou o título mundial de estrada, o primeiro grande título do atletismo do FC Porto. Tendo essa modalidade atlética, das corridas a pé, assim tido no FC Porto um feito de nível internacional, a juntar às poucas proezas que até aí também haviam sido alcançadas em provas de grande monta.

Então, nesse domingo também de verãozinho de São Martinho, decorreu o Mundial de Estrada de atletismo feminino em Madrid, em cuja prova disputada na capital espanhola os dois primeiros lugares foram alcançados por duas atletas portuguesas, com Aurora Cunha a chegar primeiro à meta, seguida por Rosa Mota. Havendo ali, sob sol outonal de Espanha, Aurora Cunha conseguido esse importante resultado mundial, que ficou para a história conforme se pode rever pelo registo verificado no livro “HISTÓRIA DE 50 ANOS DO DESPORTO PORTUGUÊS”, publicado pelo jornal a Bola no seu cinquentenário.

Aurora Cunha, que começara a correr no Ronfe, clube de sua terra natal, veio para o FC Porto ainda no tempo da presidência do Dr. Américo Sá e quando no atletismo portista estava Artur Peixoto, também. Havendo ainda corrido em equipa com Rosa Mota e Ana Paula Mota, que depois saíram do Clube. Até que, decorridos tempos e após vitórias em diversas provas em Portugal, foi em Espanha, com a camisola de Portugal, que Aurora Cunha alcançou o primeiro grande triunfo internacional. E, conforme é narrado no "Dragões Diário" desta data, da lavra de Manuel Pérez, a Aurora «subiu ao degrau mais alto do pódio e conquistou o título mundial de estrada em Madrid. A fundista natural de Ronfe fez quase toda a carreira de azul e branco, bateu 37 recordes nacionais dos 800 aos 10.000 metros e viria a sagrar-se Tricampeã do Mundo. Correu nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, Seul e Barcelona, venceu as maratonas de Paris, Tóquio, Chicago e Roterdão, bem como a São Silvestre de São Paulo, e representou o FC Porto entre 1978 e 1994, conquistando 22 títulos nacionais – seis nos 1.500 metros, oito nos 3.000, quatro nos 5.000 e outros tantos no corta-mato.»

Sintomático do alcance desse título é que até ficou também assinalado num porta-chaves constante da coleção do autor aqui deste blogue.

Conquistava então o Atletismo do FC Porto um grande triunfo internacional, a enriquecer o historial da modalidade corrida com camisolas azuis e brancas. Desde os tempos dos primeiros campeões nacionais, Alfredo Carvalho em 1926, Acácio Mesquita em 1928 e 1929, Barros Gomes em 1934, Arnaldo Borges em 1936, Albino Silva em 1938, passando pelo Nacional de pista conquistado em 1952 com António Tender, Fernando Romero, António Martins, João Teixeira, Ângelo Ferreira, Carlos Vieira, Fernando Perdigão; seguindo-se mais tarde vitórias de uns Manuel de Sousa, Carlos Carneiro, Isolina Pinhel, António Ascensão, etc.; até tempos de evolução corridos por uns quantos mais que ficaram também a fazer parte da História do Atletismo do FC Porto. Cuja memória se pode recordar através do artigo (escrito pelo autor destas linhas, também) publicado na revista “Mundo Azul” de fevereiro de 2010, pouco antes de ter sido extinta a secção na era presidencial de Pinto da Costa.





Armando Pinto

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segunda-feira, 21 de outubro de 2024

Recordando: a homenagem a Yustrich em outubro de 1987 e verificação de lapsos que geram confusões…

Em Outubro de 1987 Yustrich veio ao Porto, para uma homenagem que lhe foi prestada. Não muito consensual, pelo que se viu. Regressando assim às Antas passados muitos anos de suas célebres passagens pelo FC Porto, uma vitoriosa com a conquista do Campeonato Nacional em 1956, mas acabada mal com a imediata digressão que se seguiu pelo Brasil e Venezuela; como depois outra, passado pouco tempo, entretanto, terminada sem glória e novo despedimento, mais consensual a sua saída, por fim. Permanecendo entretanto nas lembranças pela sua rigidez, também. Contudo a deixar uma aura que legou no imaginário popular algo mais que a controvérsia que gerou, mesmo assim. A ponto que, volvidos uns bons anos, então em 1987 teve oportunidade de ver como era lembrado, pelo menos, através de uma homenagem que lhe foi proporcionada com sua vinda ao Porto e subida ao relvado do estádio das Antas. Embora a maioria dos presentes no estádio só dele tivessem ouvido falar, possivelmente, sem o terem visto em jogos no tempo dele à frente da equipa portista.  Tendo aí nas Antas Yustrich recebido forte ovação do público presente nas bancadas, em pleno dia de um jogo para o Campeonato Nacional da então 1.ª Divisão - na tarde do domingo do Porto-Portimonense, que até nem foi um grande jogo, terminado com a vitória portista por 1-0, perante um auto-golo dum defesa do clube algarvio. 

E à noite Yistrich foi homenageado com um jantar em sua honra, a que, além de membros da Direção do Clube e alguns simpatizantes portistas que se associaram, compareceram também alguns dos jogadores que treinara no FC Porto, mas sem a presença de alguns outros, com relevância para a ausência de Hernâni, que, como se sabe (por testemunhos escritos e imagens), tinha sido vítima das atitudes do antigo treinador.

Ora, aqui entre nós e falando na primeira pessoa: - Estive a verificar qual o dia dessa homenagem ao Yustrich, realizada então na tarde de domingo do jogo Porto-Portimonense, em outubro de 1987. No “Almanaque do FC Porto 1893-2011”, de Rui Miguel Tovar e com a chancela de “© FC Porto Produto Oficial Licenciado”- de Junho 2011, é indicado dia 17, enquanto a revista “Dragões”, edição do mês seguinte, indica dia 13, quanto ao regresso, e o dia 17 da homenagem. Mas a confusão para mim, nesses casos, é que o jogo foi a um domingo de tarde, e o dia 17 foi a um sábado, enquanto o dia 13 foi numa terça-feira, nesse mês de outubro de 1987. Por fim no livro de Manuel Dias "F. C. Porto Campeão dos Campeões Álbum 87/88" é colocado o jogo no dia 11. E esse dia foi realmente um domingo. Mas... Curiosamente, nesse livro do Manuel Dias, o jogo anterior está com data de dia 12. Uma confusão completa, mais uma, neste caso. Assim sendo, deve ter sido certamente no dia 18, domingo, mais próximo às datas mais referidas.  E deve ter havido enganos na Dragões e no Almanaque. Mas, com essas confusões, sem certeza absoluta, deixa-se ainda margem de espera duma melhor confirmação. Como será com acesso a jornais diários desse tempo, quando possível.

Com estas e outras, verifica-se que tem de haver comparação entre as diversas fontes, por isso mesmo. Não faltando lapsos impressos que induzem em erro, por vezes e que, até por fim, passam como erros acumulados que vão vingando como se fossem certezas.

Armando Pinto

Post Scriptum: Já depois de publicado o artigo, por mensagem enviada pelo autor da página (de Facebook) "FC Porto-Recordações", que muito agradeço, junta-se imagens comprovativas (de ambos os lados) do bilhete do jogo desse dia 18. Estando no mesmo a indicação da data, colocada pelo próprio na ocasião. Fica assim reforçado o tema.

Armando Pinto

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quarta-feira, 2 de outubro de 2024

Recordando... Julio Pereyra: um Argentino que vestiu a camisola do FC Porto em 1948/49

Corriam tempos de transição das épocas vitoriosas nas décadas anteriores, sem que nos anos 40 o FC Porto conseguisse no futebol que as camisolas azuis e brancas chegassem no fim dos campeonatos a sentir o odor da conquista do título nacional. Sendo nesse ambiente que em fins dessa década foram chegando ao FC Porto alguns estrangeiros, vindos do outro lado do Atlântico, para reforçarem a equipa, como foram os casos de Pereyra, Fandiño e outros. Sendo o caso de Julio Pereyra um caso à parte, passado com esse Argentino que veio do Brasil, onde jogara entretanto, por ter chegado ainda a jogar com a camisola azul e branca mas não ter podido assinar contrato e como tal não ter jogado oficialmente pelo FC Porto, devido a lesão que se intrometeu. Havendo contudo estado então vinculado ao F C Porto na época 1948/49.

Ora estando presente a vinda de diversos Argentinos para o FC Porto em tempos recentes e na calha dessa boa onda ter havido oportunidade de recordar a ilustre galeria de jogadores do país da nação azul celeste, vem a propósito evocar o caso de Julio Oscar Pereyra, homem do futebol com esse nome assim escrito, em conformidade ao registo de sua naturalidade.  

Com efeito, Julio Pereyra jogou pelo FC Porto, mas só em jogos particulares. Porque num dos primeiros jogos que chegou a fazer em Portugal, pelo FC Porto, num encontro contra o Beira-mar partiu um pé e teve uma lesão bastante grave na virilha esquerda. Resultando desse episódio um diagnóstico médico indicando que ele nunca mais poderia jogar. O que consequentemente, com esse estado, levou a que a transferência não fosse concluída, visto que a inscrição da Confederação Brasileira de Desportos para a Federação Portuguesa de Futebol, ou seja do Brasil, onde ele jogara, para Portugal, custava na época coisa de 10 contos, quantia assinalável para a época. Então, na dúvida da recuperação, não foi inscrito. Enquanto de seguida, na negociação para acerto de assinatura de contrato, foi-lhe proposta redução de salário, ao que havia sido combinado, e ele não aceitou. Levando isso a ter seguido outro caminho, embora continuando ligado ao futebol,  mas por outras paragens.

Ora, acertando o passo da evocação, neste pé, há que fazer uma retrospetiva curricular e biográfica, antes e depois dele ter chegado a jogar com a camisola azul e branca do FC Porto. Segundo informações pessoais do filho, Júlio de Carvalho Pereyra, a quem reconhecido o autor desta lembrança agradece.

Julio Oscar Pereyra nasceu em Lincoln, Argentina, a 31 de Janeiro de 1918, sendo o sexto de 7 filhos da prole de sua família. Tendo cedo ficado órfão de pai aos 7 e de mãe aos 15 anos. Foi então viver para Buenos Aires, em Avellaneda, em cuja zona do Independiente jogou então nas camadas jovens e evoluiu até chegar acima. No mesmo clube em que seu irmão, António Pereyra, foi titular até ter uma fratura de menisco, que na altura não se operava e lhe acabou com a carreira quando vestia a camisola desse mesmo Independiente de Buenos Aires. Então Julio evoluiu como sénior jogando no Club Excursionistas, no All Boys e no Estudantes de Buenos Aires, bem como esteve para se vincular ao San Lourenzo de Almagro, mas não chegou a acordo. Entretanto foi 2 vezes internacional pela Seleção B da Argentina. Jogou depois no União Espanhola, do Chile, no Wanderers, do Uruguai, rumando de seguida ao Brasil, onde jogou no América do Rio, Esporte Clube Bahia e Santa Cruz do Recife. E veio depois para o FC Porto, em Portugal.

Veio por fim para a Europa, oriundo do Brasil, após quatro épocas anteriores de outros tantos êxitos. Vindo com destino ao Roma, cuja rota acabou alterada devido a dificuldades surgidas para arranjar bilhete de passagem e por isso teve de vir num cargueiro que também transportava passageiros. O que levou a passar por Portugal, originando alteração de planos e destino. Pois quando chegou, como já era tarde para o respetivo ingresso no clube italiano, com as competições em andamento e porque o clube romano deixara de estar  interessado, ele ainda pensou seguir para Espanha, mas mais uma vez houve troca de voltas ao destino. Acontecendo entretanto, que acabando por deslocar-se com o compatriota Scopelli a Lisboa, foi apresentado ao Belenenses e no Restelo fez um treino, havendo chegado a receber oferta de contrato, mas outro rumo acabaria por tomar, também dessa vez. 

Entretanto dera-se o ingresso do treinador Alejandro Scopelli no FC Porto, o que fez que o treinador que estava ligado à sua vinda para Portugal levasse a que afinal Pereyra ficasse no Porto, também. E de azul e branco ele jogou com Barrigana, Virgílio, Fandiño, Manuel Sanfins e demais que raspavam as chuteiras de travessas pelo pelado do campo da Constituição. E outros campos onde jogasse a equipa escalada por Scopelli. Até que aconteceu a grave lesão num desses jogos. E seguidamente, enquando não chegou a acordo para continuar no Porto, teve um convite do Málaga, mas algo mais aconteceu, tendo o colega de equipa Sanfins o convencido a ingressar na Ovarense como jogador-treinador, de modo a continuar em Portugal. Ai foi então campeão nacional da 3ª divisão. Cujo primeiro sucesso originou ter enveredado pela carreira de treinador, definitivamente.

= Com a taça de Campeão da III Divisão Nacional de 1949/50.

Entretanto frequentou um Curso de Treinadores levado a cabo na Associação de Futebol do Porto, dirigido por Cândido de Oliveira e Pinga, em que também participaram Pedroto, Joaquim Machado e Porcel, antigos futebolistas do FC Porto, com José Maria Pedroto a assimilar aí as bases que o levaram mais tarde a ser o grande Mestre Pedroto. De cujo decurso dos trabalhos e evolução em campo, desse curso, ficou um instantâneo duma das aulas e uma pose de conjunto para a posteridade.

Seguidamente, já sentado no banco dos responsáveis como treinador, ficou ainda na Associação Desportiva Ovarense, e a partir dali seguiu percurso profissional que o levou até ao Salgueiros, de novo à A.D.O (Ovarense) por diversas vezes intercaladas, de permeio com passagens por F.C. Avintes (também mais que uma vez), Sanjoanense, Avintes, Leça F.C., Vilanovense, de novo Salgueiros, depois Feirense, A.C. Marinhense, Leça F.C., S.C. de Vila Real, C.D. de Torres Novas, Sporting de Braga, Vianense, União de Lamas, C.D. Oliveirense, Sporting da Covilhã, C.D. Portalegrense, C.D. de Paços de Brandão, Sport Viseu e Benfica, C.D. de Estarreja, C.D. de Paços de Brandão e S.C. de Mirandela.

Julio Oscar Pereyra, além de ter sido um exímio praticante de futebol e ainda também de basquetebol, tinha um dom natural, que era de ser dotado de boas mãos para recuperação de traumatismos físicos, um mister particular que exercia por carolice, sem querer receber nada. Dom esse que teve sequência numa neta que, segundo testemunhos, é herdeira do avô nessa qualidade, além de ser adepta do clube que o avô representou primeiro em Portugal.

Julio Pereyra faleceu em Julho de 1982 vítima de um acidente de viação, quando já tinha chegado a acordo com a A.D.O. para a época 1982/83.

O autor dedica este artigo e a evocação da memória de Julio Oscar Pereyra a sua neta Alexandra Pereyra, Portista ferrenha e nascida no Porto, que embora não tenha conhecido o avô paterno, é uma sua grande fã. Conforme confidenciou seu pai, que devido ao percurso do progenitor ficou com outra simpatia clubista, enquanto a filha teve e tem melhores gostos e honra bem a memória de quem originou a história da família que ganhou raízes em Portugal, a partir do Porto.

Armando Pinto

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segunda-feira, 2 de setembro de 2024

Recordando... a Festa de Despedida do guarda-redes "Baliza de Prata" Américo - a 2 de setembro de 1969

Entrado setembro no calendário, passa no dia 2 a efeméride da despedida oficial de Américo, ocorrida ao segundo dia do nono mês do ano, em 1969. Memória que tem pertinência de ser lembrada, neste mesmo mês de setembro de 2024 em que dia 22 faz um ano que faleceu esse mesmo que foi o grande guarda-redes Américo Lopes.

A 2 de setembro de 1969, na transição do verão para o outono desse ano de despedida da década dos anos românticos de 60, despediu-se Américo dos relvados e de estar diante da baliza a defender a sua dama, como guarda-redes do FC Porto. Com a saudação ao público, de braços levantados, como era seu costume, que mais tarde foi modo de ficar como está representado figurativamente no atual Museu do FC Porto.

= Anúncio anterior da realização da festa de homenagem, em despedida a Américo

Américo foi guarda-redes do FC Porto entre 1950/51 a 1969. Primeiro nos juniores portistas e a partir de 1952/53 nos seniores. Tendo no plantel principal inicialmente estado como suplente de Barrigana, com o serviço militar pelo meio a interomper a carreira por dois anos em que não jogou, voltando depois para jogar nas Reservas (equipa B), de permeio com uma época emprestado no Boavista, e depois voltando como suplente de Acúrcio; até que em 1961/62 ganhou o lugar principal e desde aí ficou como guarda-redes nº 1 do FC Porto. Tendo acabado a carreira em 1969 por motivo de forte lesão num joelho.



Como ilustração resumida de sua carreira pode juntar-se duas fichas publicadas nas respetivas épocas (com a curiosidade de conter referida sua data de nascimento pelo registo oficial de 3 de Março, embora tenha nascido a 27 de fevereiro, dia em que festejava seu aniversário). 

= Américo em seus primeiros tempos de titular do FC Porto

= Américo já na época de 1968, quando foi titular da equipa que venceu a Taça de Portugal.

Pois então a 2 de setembro de 1969, após internamento hospitalar e período de recobro, Américo teve de colocar um ponto final na sua brilhante carreira em que foi "Baliza de Prata" do Campeonato português, em 1964...


... e vencedor do "Prémio Somelos Helanca" (com trofeu grandioso), de melhor jogador da época em 1968, entre os diversos e sucessivos exemplos de reconhecimento de seu valor.


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O joelho que o traíra aos 36 anos, permitiu-lhe apenas um minuto na baliza do FC Porto no jogo da festa de despedida (que o Porto perdeu por 3-0, com Aníbal na baliza). Das bilheteiras levou 300 contos – e não, nessa tarde, Américo não teve, consigo o Eusébio (foi a sua única «desolação»). Ele, o Eusébio, andava, ainda, em arrastadas negociações com Borges Coutinho, o presidente benfiquista – e em A BOLA do dia 4 de setembro de 1969 (onde se travava em óbvio destaque a «homenagem a Américo») a manchete fez-se com Eusébio...»

Da festa de homenagem final ficou registo pessoal, do autor destas linhas e seu admirador, sendo Américo o meu ídolo-mor de infância portista. Conforme depois juntei em quadro que lhe pude oferecer, um dia em que visitei pessoalmente seu museu particular (onde desde então passou também a figurar a moldura com a imagem do conjunto original, do qual para aqui se transpõe cópia).


Com efeito, a 2 de Setembro de 1969 viveu o mundo portista, em noite de ambiente clubista no estádio das Antas, uma ocasião especial, num misto de reconhecimento e consagração, como gratidão reconhecida, no adeus ao guarda-redes Américo. Despedia-se então Américo Lopes do futebol, em virtude de contusão impeditiva da continuidade de tão brilhante carreira. Devido a lesão contraída durante o seu ofício de guardião das balizas e agravada pelos anos de seu percurso futebolístico.


= Imagens dum quadro particular do autor

Nessa noite de 2 de Setembro, Américo Ferreira Lopes, o grande Américo do Porto, disse adeus ao futebol jogado e sobretudo aos adeptos portistas, contando aí com tributo merecido de muitos admiradores que o aplaudiram fortemente pela última vez, enquanto outros ouviam em casa pela rádio dos emissores do Norte Reunidos tudo o que Ilídio Inácio e José Barroso conseguiram transmitir. Como depois, quando os jornais desportivos apenas saíam a público duas vezes por semana, na edição seguinte do jornal O Norte Desportivo se leu o que os redatores descreveram, no devido registo em letra de forma; assim como o discurso de elogio lido no estádio pelo diretor do mesmo jornal, Joaquim Alves Teixeira, transcrito a preceito no órgão informativo nortenho. 


Como volvidos alguns dias, mais, o jornal O Porto narrava da forma que se mostra, em recortes elucidativos.


Disso, também, entre material guardado em arquivo próprio e de modo pessoal pelo autor destas linhas, junta-se algumas imagens, como ilustração, do que sentiram olhos que aquilo viram.


O dia 2 de setembro ficou assim como data de algo duma recordação misturada de nostalgia e apreço, pelo que ali o acontecimento encerrou, mas também significava. Sendo assim, passados estes largos anos, já, uma efeméride que apraz registar.

= Américo, com sua camisola amarela, como guarda-redes titular, na equipa da grande vitória na Taça de Portugal de 1968!

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Efeméride, conforme a origem latina, indica lembrança, qual memorial diário, ao género de calendário recordatório, de um em cada dia. Havendo ainda noção de efemérides astronómicas, transportando ao termo usado por magos astrónomos, perante possibilidade de ocorrências. Ora nessa noite por certo os astros estavam em posição acabrunhada, enquanto tristes estavam os admiradores do astro que levantou os braços em última saudação desde o relvado das Antas.

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A época seguinte, da primeira temporada sem Américo na baliza, o FC Porto passou por tempos de difícil transição, tendo nessa época imediata de 1969/70 passado pela baliza do FC Porto cinco guarda-redes (Aníbal, Rui, Vaz, Antenor e Frederico), à vez e sucessivamente, tendo o clube tido a pior classificação de sempre, quedando-se em inédito 9.º lugar final.


Entretanto, após o final de carreira, estando por esses dias o clube da sua terra a passar situação difícil e em perígo de descida, tendo-lhe sido pedida ajuda, Américo correspoondeu ao apelo e esteve como treinador do União de Lamas até ao final dessa época, ajudando à manutenção do clube na 2ª Divisão Nacional em que estava, ao tempo. Desse período ficou de tal sua experiência como treinador o registo de pose da equipa, estando Américo como treinador ao lado do guarda-redes Domingos, que fora em tempos um dos seus suplentes no FC Porto e então foi encontrar no clube de sua terra natal (assim como, nessa época de 1969/70, estavam também nessa equipa treinada por Américo outros antigos futebolistas que passaram pelas camadas jovens do FC Porto, como o defesa Barrigana, o Ismael de Fafe que tinha sido colega de Pavão nos juniores, mais Romão e Rui Ernesto, o Fontes da geração de Oliveira e outros, etc.).


Como já anteriormente fizera pela vida, assegurando o futuro com iniciativas concretizadas de negócios empresariais, pós ter deixado definitivamente o futebol já Américo era um bem sucedido empresário com duas lojas de material de desporto, a Casa Magriço, na Batalha e em Santo Ildefonso, na cidade do Porto. 

= Capa de calendário com anúncio da Casa Magriço...

Mais tarde, por fim, teve a Clínica Boa Hora, em S. Paio de Oleiros.

E em casa criou e teve um museu pessoal impressionante... no qual tive entretanto a bela oportunidade de visitar e ter sido fotografado a seu lado.


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Por sua vontade, o seu espólio, todo o material que ele guardara ao longo de sua carreira e tinha em seu museu particular, foi doado ao Museu do FC Porto, para ficar em exposição pública no mesmo. Havendo na ocasião em que os técnicos do museu foram inventariar e levantar esses seus objetos, ficado combinado de antes ainda ser feita uma exposição periódica a assinalar o primeiro ano de seu falecimento. 
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Particularidades da vida de Américo Ferreira Lopes:

- Nacionalidade Portuguesa.

Natural de Santa Maria de Lamas, do concelho nesse tempo chamado Vila da Feira e hoje Santa Maria da Feira, nasceu a 27 de fevereiro de 1933 (embora fosse e ficasse registado como nascido a 3 de março  conforme foi assim indicado e anotado oficialmente, por via de não pagamento de multa, como ao tempo acontecia quando se procedia ao registo civil fora de prazo legal).

Filho de Manuel António Lopes e D. Saladina Ferreira de Melo.

Irmãos: 3 raparigas e um rapaz.

Casado com D. Arminda Ferreira Couto.

Clubes representados: União de Lamas (no início de carreira), FC Porto (nos juniores desde 1951, tendo jogado ainda parte da época 1950/51 e já toda a de 1951/52; e a partir de 1952, desde a época de 1952/53, já nos seniores), depois Boavista, de permeio (1 época, por empréstimo, em 1957/58 - continuando a pertencer ao FC Porto), e de novo e por fim o FC Porto (até 1969, terminando ao final da época de 1968/1969

Vida profissional: Em jovem trabalhou com o pai, que tinha uma fábrica de cortiça. Depois, além do futebol, Américo teve ainda no início da carreira futebolística uma sociedade em estabelecimento de venda de motos, no Porto, com António Teixeira, José Pedroto e Carlos Vieira, colegas futebolistas mais velhos. Depois teve uma confeitaria em Espinho e uma fábrica de pastelaria. Mais tarde, já após o Mundial de 1966, estabeleceu-se com a Casa Magriço, de artigos desportivos, com duas lojas no Porto. E por fim fundou e dirigiu a Clínica Boa Hora, na terra de sua residência, em São Paio de Oleiros (concelho de Santa Maria da Feira). 

Títulos conquistados: Nos seniores e equipa de honra de FC Porto - 1 Campeonato Nacional da 1ª Divisão (de 1958/1959); 1 Taça de Portugal (1967/1968); 7 Taças Associação de Futebol do Porto (Anos 60), mais alguns torneios, como por exemplo o Trofeu Luis Otero, em Pontevedra, e o Trofeu Corpus Christi em Ourense, ambos na Galiza-Espanha. E quando junior no FC Porto - 2 Campeonatos Regionais de Juniores.

Internacionalizações: Foi "Internacional" 16 vezes pela chamada Seleção Nacional, sendo 1 na B e 15 na A (além das diversas vezes que foi selecionado mas esteve como suplente não utilizado). Havendo jogado pela seleção B contra a Bélgica e pela A com a Suíça, Bélgica, Argentina, Inglaterra, Brasil (2 vezes), Roménia (2), Itália, Suécia, Noruega (2), Bulgária (2) e Grécia. Isso em tempo de poucos jogos das seleções portuguesas (quão só por uma vez houve apuramento para fases finais e tal aconteceu para o Mundial de 1966 - em cuja fase em Londres Américo ficou de fora, pela proteção aos do sistema BSB – tendo mais tarde o selecionador reconhecido o erro, pois com Américo Portugal poderia ter conseguido muito mais que o 3º lugar obtido).

- Distinções Desportivas: Baliza de Prata” (da Agência Portuguesa de Revistas, por ser o guarda-redes com menos golos sofridos no Campeonato Nacional de 1963/64, “Óscar da Quinzena” (da RTP), em 1964; “Prémio do jornal O Porto”, 1965; “Troféu Pinga”, em 1966 (máximo galardão do FC Porto, antecessor do Dragão de Ouro); “Medalha de Ouro Ao Mérito” da Federação Portuguesa de Futebol (por ter feito parte dos 22 Magriços na campanha do Mundial de 1966); “O Melhor do Ano” (escolha do programa radiofónico “Escolha o seu Ídolo”), em 1967; “O Melhor Desportista do Ano”, do jornal O Norte Desportivo, 2 vezes, em 1967 e 1968; "Prémio Imprensa", da Casa de Imprensa de Lisboa; “Prémio Somelos-Helanca”, do jornal A Bola, em 1968; “Dragão de Ouro-Recordação”, em 2017.

- É uma das lendas do grande clube FC Porto, com placa alusiva no passeio da fama junto ao pavilhão Dragão Arena...


- ... e está imortalizado no Museu do FC Porto por uma estátua no cimo do autocarro da AT "Destino: Vencer".

 

Como teve oportunidade de ainda ver, estando representado  no Museu do FC Porto através duma sua camisola numa vitrina também. 


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- Cidadania e Distinção Social: Depois de acabar a carreira de Desportista, como cidadão foi Presidente da Junta de Freguesia de São Paio de Oleiros (concelho da Feira), sua terra de residência (desde 1957), escolhido em 1976 como 1º Presidente eleito, ou seja após o 25 de Abril de 1974, e depois reeleito, tendo exercido como responsável autárquico o cargo de representante máximo dessa freguesia durante dois mandatos, em 6 anos  (sendo que ao tempo cada Exercício era de 3 anos). Sucedendo mais tarde ter sido distinguido por seus serviços com a  Medalha de Mérito da Vila de São Paio de Oleiros - Grau Máximo - Medalha de Ouro, na respetiva edição de 2015.

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Na página informática do FC Porto, fcporto.pt, fica registado: « No FC Porto, clube que ajudou a conquistar uma edição da Liga portuguesa e outra da Taça de Portugal, foi galardoado com o Troféu Pinga, em 1966, e com o Dragão de Ouro de recordação do ano, em 2017. Pela seleção de Portugal, participou em 15 jogos e integrou o plantel que participou no Mundial de 1966, em Inglaterra.

Em casa, era “tudo azul” como confessou numa entrevista ao Maisfutebol, em 2017. Até a chupeta que usava quando era bebé, não fosse o clube que viria a representar com enorme devoção “o maior amor” da vida: “A minha chupeta era azul e branca (risos). O meu pai tinha uma empresa de cortiças e já era portista. Portanto, está a ver, não tive hipóteses. O FC Porto é o maior amor da minha vida, juntamente com a minha esposa”.

Realista e terra-a-terra, era reconhecedor do próprio talento e do percurso imaculado que havia cumprido de azul e branco. “Olho para trás e sei que era bom”, referiu na mesma ocasião, antes de fundamentar: “Era corajoso, mergulhava aos pés dos avançados, metia a cabeça onde eles metiam as botas. Fui um dos melhores da minha geração, se calhar o melhor”.»

E era mesmo!

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Até sempre amigo senhor Américo ! 

- Armando Pinto