Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

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terça-feira, 15 de agosto de 2017

FC Porto Triunfador da Volta a Portugal / 2017, com Raúl Alarcón “Camisola Amarela” Vencedor da Geral Individual, + Vitória Portista por Equipas e Prémio da Montanha de Amaro Antunes!


Já está. Terminada a Volta dos 90 Anos ao final da tarde do dia santo da Assunção, a 15 de agosto, o FC Porto triunfa em toda a linha: A equipa W52-FC Porto-Mestre da Cor vence a Volta a Portugal de 2017, a 79ª edição da Grandíssima Portuguesa, conseguindo assim mais títulos, passando a ter 14 vitórias individuais e 15 coletivas, em triunfos de vencedores da Geral Individual e vitórias da classificação de Equipas.


Como cereja no topo do bolo, na última etapa, em dia de consagração, com o ambiente colorido por bandeiras, cachecóis e camisolas do FC Porto no corpo e mãos de apoiantes portistas, Gustavo Veloso venceu o Contra-Relógio em Viseu e mais embelezou a festa que se seguiu.


Ora, aí está no quadro de vencedores: Raúl Alarcón é o grande vencedor da Volta; mais 2º lugar para Amaro Antunes, também o melhor na Montanha; W52 - FC Porto - Mestre da Cor dominou por equipas; e ainda Alárcón venceu também a classificação do Combinado. Bem como o FC Porto “mete” 5 ciclistas “nossos” nos 10 primeiros classificados da etapa final, fazendo “Penta” no chamado “Top 10” do contra-relógio; e especialmente 3 no Top dos 10 melhores da classificação Geral, no final, tal o 1º e 2º, através de Alarcón e Antunes, mais o 6º com António Carvalho, portista que fez uma grande Volta também. Isso tudo, após os ciclistas do FC Porto terem ganho seis etapas, das quais 5 etapas em linha e mais 1 de contra-relogio, enquanto a camisola amarela andou no corpo do Alarcón do FC Porto desde a 1ª etapa, ao segundo dia, depois do “crono” do Prólogo. O FC Porto é mesmo um caso entre aspas, um grande clube, num mundo à parte.


Foi pois um autêntico festival dado pelo FC Porto, nesta corrida feita pelos homens de azul e branco vestidos (um dos quais entretanto de amarelo pela liderança e outro todo de azul da camisola de rei da montanha). Algo que muito “lixou” os comentadores televisivos e de vários outros órgãos de comunicação, entre gente que não conseguiu disfarçar a azia de ver o FC Porto a seguir à frente e somar sempre mais… Tal como um ou outro responsável de outras equipas não esconderam como isso os desgostou. Sem esquecer o facto do Sporting, a equipa titulada amplamente como principal opositora, não ter conseguido ganhar nenhuma etapa, sequer, nem tendo qualquer lugar de destaque, quedando-se o seu melhor representante no 4º lugar da Geral. Algo que se ocorresse com o FC Porto era sistematicamente lembrado e repetido ao longo dos dias e pelos tempos fora, mas assim nos médias nacionais não é lembrado.

Para a História: Raúl Alarcón sucede a Rui Vinhas na lista de vencedores da Volta a Portugal. Na segunda vitória consecutiva da W52-FC Porto na Grandíssima, já no século XXI.


Gustavo Veloso, da W52-FC Porto, por fim, venceu a etapa cronometrada de Viseu, última da Volta a Portugal 2017 que acabou com a vitória de Raúl Alarcón, também da equipa portista. Na derradeira etapa da Grandíssima, um crono de 20,3 quilómetros disputado em Viseu, Veloso venceu com o tempo de 26.00 minutos, menos 15 segundos do que Alarcón, que foi o segundo a fazer menos tempo no percurso, a 15 segundos, e este três segundos mais rápido do que Alejandro Marque (Sporting-Tavira).

Enquanto isso, na classificação geral liderada então por Alarcón, Amaro Antunes (W52-FC Porto) foi o segundo classificado, na frente de Vicente de Mateos (Louletano-Hospital de Loulé) que acaba na terceira posição após ganhar o duelo com Rinaldo Nocentini (Sporting-Tavira) pelo último lugar do pódio, ficando o sportinguista no quarto lugar. Com os portistas a superiorizarem-se aos principais adversários a grandes distâncias, superiores a cinco minutos.


Ora, o espanhol Alarcón venceu assim pela primeira vez a Volta a Portugal e a equipa W52-FC Porto mantém o ritmo vindo da época passada. Numa demonstração mais da boa aposta do FC Porto em se ter unido com a W52, através do bom entendimento de Jorge Nuno Pinto da Costa e Adriano Sousa Quintanilha, dois homens com bom andamento no desporto.



Depois de o francês Damien Gaudin ter vencido o prólogo em Lisboa, Raúl Alarcón assumiu a liderança no segundo dia, ao vencer a primeira etapa, em Setúbal, e não mais largou a camisola amarela, completando os 1.626,9 quilómetros do percurso em 41:46.14 h, com 1.23 minutos de vantagem sobre o colega Antunes e 5.25 em relação ao mais próximo adversário, De Mateos.


Com triunfos em duas etapas - a primeira, em Setúbal, e a quarta, no alto da Senhora da Graça - Alarcón sucede ao português Rui Vinhas, e aos espanhóis Gustavo Veloso, vencedor de duas edições (então pela sua anterior equipa patrocinada também pela W52), e Alejandro Marque. Foi este agora o segundo triunfo desde que a equipa passou a W52-FC Porto.


Alarcón é natural de Alicante, no sul de Espanha, e sucede a protagonistas de conquistas épicas como Fernando Moreira (que teve uma cavalgada autêntica na "burra", como chamavam à bicicleta pesadona desses tempos, sem dar hipóteses a todos os que o seguiram na poeira das estradas de tal era), Dias dos Santos (o tal que um dia disse “Limpámos o sarampo à gajada de Lisboa”), Sousa Cardoso com mais de meio Portugal a puxar pela sua vitória perante a sua aura), Mário Silva (apesar da intoxicação alimentar que prejudicou os azuis e brancos em 1961, e por isso depois com menos de meia equipa conseguiu superar a concorrência e derrotar os dirigentes federativos, apressados em começar a etapa em que a equipa portista estava a contas com as voltas provocadas pela tal intoxicação…) e Manuel Zeferino (cuja fuga na primeira etapa, em 1981, lhe garantiu logo um avanço de 12 minutos e 28 segundos).


Em 90 anos de existência e 79 realizações de Volta a Portugal, Alarcón tornou-se o 17.º estrangeiro a ganhar a prova maior do ciclismo português e o 6º espanhol, sendo o 1º estrangeiro em representação do FC Porto, depois dos portugueses Fernando Moreira (em 1948), Dias dos Santos (1949 e 1950), Fernando Moreira de Sá (1952), Carlos Carvalho (1959), Sousa Cardoso (1960), Mário Silva (1961), José Pacheco (1962), Joaquim Leão (1964), Joaquim Sousa Santos (1979), Manuel Zeferino (1981), Marco Chagas (1982), Rui Vinhas (2016), a que se junta Raúl Alarcón, agora em 2017, a somar 14. Enquanto por equipas vão 15… Tendo de permeio o FC Porto vencido coletivamente nas Voltas de 1948, 1949, 1950, 1952, 1955, 1958, 1959, 1962, 1964, 1969, 1979, 1980, 1981, 2016 e agora em 2017. Ao passo de corrida que no Prémio da Montanha já venceram também os então ciclistas do FC Porto Fernando Moreira (em 1947), Carlos Carvalho (1955, 1958, 1960 e 1961), Mário Silva (1962), José Amaro (1981) e Amaro Antunes, agora em 2017, também.


Quanto a números sonantes da Volta do ano: - Na classificação por equipas, a W52-FC Porto reinou a grande nível, ficando em 2º a RP-Boavista, a 23 minutos e 49 segundos, e em 3º a Efapel, a 28 minutos e 8 segundos.


- Classificação Geral Final (dos 10 primeiros):

1º Raúl Alarcón (Esp) W52-FC Porto-Mestre da Cor - 41:46:14
2º Amaro Antunes (Por) W52-FC Porto-Mestre da Cor +1:23s
3º Vicente de Mateos (Esp) Louletano-Hospital de Loulé +5:25s
4º Rinaldo Nocentini (Ita) Sporting-Tavira +5:54s
5º Alejandro Marque (Esp) Sporting-Tavira +7:10s
6º António Carvalho (Por) W52-FC Porto-Mestre da Cor +7:25s
7º João Benta (Por) RP-Boavista +7:54s
8º Henrique Casimiro (Por) Efapel +8:11s
9º Sérgio Paulinho (Por) Efapel +8:36s
10º Krists Neilands (Lat) Israel Cycling Academy +9:35s



Class. Restantes elementos da Equipa:

16.º - Ricardo Mestre (W52-FC Porto-Mestre da Cor), a 31m12s
24.º - Gustavo Veloso (W52-FC Porto-Mestre da Cor), a 42m09s
45.º - Rui Vinhas (W52-FC Porto-Mestre da Cor), a 1h29m39s
48.º - Samuel Caldeira (W52-FC Porto-Mestre da Cor), a 1h36m25s
75.º - Joaquim Silva (W52-FC Porto-Mestre da Cor), a 2h09m08s


Classificação por Equipas:

1.º - W52-FC Porto-Mestre da Cor, 125h26m02s
2.º - RP-Boavista, a 23m49s
3.º - Efapel, a 28m08s


Classificação do Prémio da Montanha:

1.º - Amaro Antunes (W52-FC Porto-Mestre da Cor), 60 pontos
2.º - Mikel Bizkarra (Euskadi-Murias), 56
3.º - João Matias (LA-Metalusa Blackjack), 48


Cl. Prémio "Kombinado":

1.º - Raúl Alarcón (W52-FC Porto-Mestre da Cor), 7
2.º - Amaro Antunes (W52-FC Porto-Mestre da Cor), 7
3.º - Vicente García de Mateos (Louletano-Hospital de Loulé), 12


Classificação por Pontos:

2.º - Raúl Alarcón (W52-FC Porto-Mestre da Cor), 130
3.º - Gustavo Veloso (W52-FC Porto-Mestre da Cor), 111

Armando Pinto
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Às Voltas da “Volta” do Ciclismo… a propósito dos Títulos do FC Porto


Neste dia em que termina a 79ª Volta a Portugal em Bicicleta, calha recordar uma também interessante edição ocorrida em 1951, com meritória participação dos ciclistas do FC Porto, proporcionadores então dum marcante domínio portista de vitórias em etapas ao longo da prova, como ficou para a história ao ter sido estabelecido o recorde de etapas ganhas por uma equipa.


Com efeito, como é recordado em “Dragões Diário”, esta terça-feira dia santo, 15 de agosto, «neste dia, em 1951, o ciclismo do FC Porto estabelecia um novo recorde: ganhava oito etapas da Volta a Portugal, metade do total. Onofre Tavares triunfou em quatro, Dias dos Santos, Moreira de Sá, Luciano Sá e Amândio Cardoso arrecadaram uma vitória cada. Hoje também pode ser um dia histórico, caso os Dragões ampliem o recorde de 13 conquistas individuais e 13 coletivas (aliás 14) na geral da prova.»

É assim de ressalvar a soma de títulos do FC Porto da classificação por equipas nas Voltas a Portugal, pois que tem vindo a ser referida a conta de 13 quando é de 14, verdadeiramente – passando a partir de hoje a ser 15 de equipas, portanto; e naturalmente 14 em vencedores individuais, como camisolas amarelas, no fim da Volta.

A confusão inicialmente começou em certa imprensa que se esqueceu de corrigir quando em 1969 o FC Porto viu ser-lhe dada razão – como recordamos aqui e agora através de recorte jornalístico d' O Porto de sete de março de 1970 (havendo sido no começo da época seguinte a reposição devida)…


Depois disso o lapso que se verifica em certos locais informáticos passou a ser por erro do site da Federação Portuguesa de Ciclismo, que seguiu as informações de um livro historiador da Volta, no qual erradamente era e é referido na Volta de 1962, ganha por José Pacheco do FC Porto, que quem ganhara por equipas havia sido o Sporting, quando foi o FC Porto. Como se pode facilmente constatar consultando a imprensa da época e inclusive noutros sítios. Dando-se como exemplo o material do livro dos 50 Anos do jornal A Bola. Onde sobre o mês de Agosto de 1962 é referido isso mesmo.


Além disto, comprovativo visível e palpável do facto, também consta algo mais no acervo patrimonial do FC Porto, detentor que é da taça correspondente, que foi entregue em cerimónia a que corresponde a foto que aqui colocamos abaixo, com José Pacheco entre os diretores e ao lado todos os componentes da equipa vencedora.


Armando Pinto
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Nota Bene: Com as vitórias alcançadas na Volta deste ano de 2017, passa a haver mais títulos do FC Porto, quer como de vencedores individuais, como por Equipas e Prémio da Montanha. Sendo de recordar, com a devida atenção para a natural desatualização, o rol do historial do ciclismo do FC Porto em 2016, até à data do artigo, (clicando) em
A. P.

sábado, 12 de agosto de 2017

Passagem da Volta a Portugal / 2017 pela Longra (Felgueiras)


Com poucos quilómetros ainda decorridos desde o início da etapa, rumo ao alto da Assunção em Santo Tirso, a 7ª tirada da Grandíssima Portuguesa de 2017, saída de Lousada ao início da tarde deste sábado, depois de percorrido pequeno trajeto dentro de terras lousadenses e entrado no concelho de Felgueiras, passou na Longra a toda a velocidade de carros da caravana e bicicletas dos ciclistas, perante a atenção das pessoas que estavam na berma da estrada. Passagem assim aplaudida por um público assinalável, já com a barriga saciada pelo almoço e, como que em sobremesa de interesse, a presenciar tal passagem dos ciclistas que se vão vendo na televisão e alguns jornais.


Desses momentos, qual reportagem possível feita pessoalmente, enquanto se deitavam olhos aos ciclistas que despertam atenção do autor e a oportunidade de clicar na maquineta fotodigital, se regista visualmente a passagem da Volta na Vila da Longra, à porta de casa do autor destas linhas e fotos  captando a passagem dos carros afetos à equipa portista, mais vista do grupo da frente em "fuga", onde ia incluído um representante do FC Porto... 


...depois o trânsito do pelotão perseguidor, ainda nessa fase de aclimatação dos voltistas... 


...até ao encerramento transitário do carro vassoura. 


Armando Pinto
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Obs.: Partilha para aqui do blogue "Longra Histórico-Literária", também do mesmo autor.
A. P.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Correndo Portugal: Andanças da Volta / 2017 pelo Vale do Sousa, com partida de etapa em Lousada e passagem em Felgueiras, terra de tradições ciclísticas e… de Adriano Quintanilha, “parceiro” honroso do ciclismo do FC Porto


A Volta a Portugal em bicicleta de 2017, na sua 79ª edição em que se perfaz a conta de 90 anos da primeira realizada em 1927, anda pelas estradas do país nestes inícios de agosto quente também no entusiasmo que a caravana do ciclismo português transporta em tão tradicional prova. E, entre as etapas de seu percurso, uma há de passagem por terras de Felgueiras, também, o que apraz aqui registar, como região que é de históricas ligações ao ciclismo, no passado, e boas ligações atuais, sendo Felgueiras o concelho natal do autor destas linhas e... de Adriano Quintanilha, grande entusiasta do ciclismo, como personagem empreendedor de diversos projetos resultantes em equipas que engrossaram o pelotão nacional ao longo de anos, quão importante figura que teve papel decisivo no regresso do ciclismo ao FC Porto e como tal no reavivar do entusiasmo atualmente à vista por esta modalidade  de heróis dos pedais.


Com efeito, a região do Vale do Sousa será uma das zonas que por estes dias (quando se escreve isto, nos inícios de agosto de 2017) terá os ciclistas da Volta a Portugal a correrem entre a verdejante paisagem destas paragens idílicas sob o céu bem azul. O que sucede à 7ª Etapa, no dia 12, após partida em Lousada, com passagem pela vila da Longra, em direção à cidade de Felgueiras e depois à Lixa, também, naturalmente correndo assim aqui em terras de Felgueiras, onde o ciclismo teve tradições efetivas (como está historiado pelo autor destas linhas, em diversas publicações), com saliência para o ciclista Artur Coelho, natural de Felgueiras, que, correndo pelo FC Porto, participou em Voltas a Portugal entre 1955 a 1961, a prova-rainha em que ele por diversas vezes foi camisola amarela e ganhou algumas etapas, além de se ter salientado com vitórias noutras corridas como em Grandes Prémios e ter representado a Seleção Nacional em duas participações na Volta a Espanha, bem como e especialmente por haver vencido a clássica 9 de Julho de São Paulo, no Brasil, em 1957, além de ter corrido em França, etc. e tal.

= Troféu da Vitória de Artur Coelho no Brasil, em exposição no Museu do FC Porto =

Nas afinidades de Felgueiras ao ciclismo também consta nos anais das corridas nacionais o protagonismo felgueirense havido com Joaquim Costa, valoroso ciclista que correu na Volta a Portugal em 1961 e 1962, tal como em 1964 coube vez a Albino Mendes (conforme de ambos também já aludimos em anteriores artigos), assim como merece saliência ter existido, em finais dos anos setentas, a equipa Zala, representativa da fábrica de calçado Zala, na qual se incluiu como treinador e ciclista Fernando Mendes, formação que correu a Volta a Portugal de 1979, e que chegou a ter pelo menos um felgueirense no plantel, de nome Miguel Magalhães; 


«««« = Joaquim Luís Costa, ciclista que representou a equipa então existente do Académico do Porto =

...tal como lembra ainda ter havido a equipa W52-Quintanilha-Felgueiras, com sede em Felgueiras e que ostentava camisola com as cores municipais com o símbolo do concelho de Felgueiras. Grupo que em 1993 alinhou nas provas do calendário velocipédico português e teve ação interessante na Volta a Portugal.

= Jornal O Jogo de 31-7-1993, apresentação das equipas para a 55ª Volta a Portugal =

Havendo depois, anos volvidos, uma outra equipa da firma felgueirense W52, também, que até saiu vencedora das Voltas de 2014 e 2015, esta que, embora com sede oficial de Sobrado-Valongo, incluiu nome patrocinador dos vinhos da também empresa felgueirense Quinta da Lixa. Equipa por fim substituída pela entrada do FC Porto nessa parceria, ficando como W52-FCPorto, com Adriano Quintanilha na cabeça, através de acordo firmado com o FC Porto, representado por elementos próprios, como um diretor mais o presidente do clube no topo orgânico e de modo particular pela representatividade que o grande clube azul e branco representa nacional e internacionalmente.

=  Revista Dragões, de Janeiro de 2016 =

Ora, o ciclismo sempre foi um desporto de heróis e, embora a modernidade tecnológica haja alterado certas panorâmicas do interesse público, continua a haver um lugar especial para certos casos que mexem com as sensibilidades, entre exemplos como é ainda o ciclismo de competição de alto nível. O que se revela em todos os que nos interessamos de algum modo por esta modalidade desportiva ao longo dos tempos e temos sempre presentes na ideia os nossos ídolos de infância e juventude, desde tempos em que, quando começamos a seguir as notícias da "Volta", havia “aqueles” ciclistas de que gostavamos (ah Sousa Cardoso, Mário Silva, Joaquim Leão, Ernesto Coelho, Gabriel Azevedo, etc!) e a nossa equipa nos fazia ficarmos presos aos relatos radiofónicos das etapas e pelo tardio da noite à espera das imagens do Diário da Volta na televisão, que era de um só canal e “bibó velho”…


Pois então, à falta de melhor, o ciclismo mais uma vez passará fugazmente na nossa terra, ao menos, depois de em anos passados já ter tido metas de chegada, primeiro em  etapas do Grande Prémio de Minho para profissionais que, em anos diferentes, teve metas finais na cidade de Felgueiras e no monte de Santa Quitéria; e depois a Volta a Portugal em Bicicleta teve chegadas na Volta de 1992, à etapa Mondim de Basto-Felgueiras da 54ª edição da Grandíssima Portuguesa, ganha então na cidade do pão de ló pelo italiano David Bramatti, da equipa Lampre; bem como na Volta de 2006, ao correr da etapa Gondomar-Felgueiras, passando na Longra com meta de aproximação à chegada, enquanto a meta final dessa 5ª etapa esteve instalada no alto de Santa Quitéria, onde triunfou o galego Gustavo César Veloso, da equipa espanhola Kaiku (o que leva a que Felgueiras esteja associada à primeira vitória em Portugal e primeira camisola amarela deste ciclista que mais tarde venceu a Volta já por duas vezes e atualmente é dos mais destacáveis nos dias decorrentes… em que é chefe de fila da W52-FC Porto); tal como em 2008 o monte de Santa Quitéria acolheu um final de etapa, mais importante ainda por ter sido no último dia, ao encerramento triunfal dessa edição da Volta, em contra-relógio vindo de Penafiel, com passagem pela Longra e chegada ao cimo dessa “rampa” de  8,4 % de inclinação média, em que triunfou o também espanhol Hector Guerra, da equipa portuguesa Liberty Seguros (tendo no pódio oficial, na alameda daquele mesmo alto da Santa, sido festejada a vitória, como vencedor da Volta, de  David Blanco, do Clube de Ciclismo de Tavira-Palmeiras Resort).

= Boletim “O Felgueiras”, nº 2 de Junho de 1987 do órgão oficial do FC Felgueiras, ao tempo que Adriano Sousa fazia parte como um dos diretores =

No meio disto, apareceu de há anos a esta parte o felgueirense Adriano Quintanilha, mais conhecido desde que patrocinou, ao longo dos anos, diversificados projetos desportivos, a partir do apoio a uma dupla de automobilistas de ralis (Nuno Pinheiro e Dr. Miguel Mota, este o autor da proposta textual para a elevação da vila de Felgueiras a cidade, entrada oficialmente e aprovada na Assembleia da República; os quais vieram a falecer num desastre automóvel fora do âmbito de provas), depois com sua participação em diversas funções no clube de futebol representivo de Felgueiras, e por fim entrado no mundo do ciclismo, nomeadamente através duma equipa que correu com o nome de Felgueiras na Volta a Portugal, até uma das recentes em que teve parceria com a marca de vinhos Quinta da Lixa. Isso já depois de entretanto ter sido membro da Direção e inclusive presidente do Futebol Clube de Felgueiras (como se recorda aqui, por recortes jornalísticos). Até que o mesmo empresário, dono da empresa W52, passou a ser parceiro do FC Porto através da respetiva equipa de ciclismo.

=  Suplemento do jornal O Jogo de 22-6-1988 dedicado ao FC Felgueiras, de que Adriano Sousa era o presidente em que o povo de Felgueiras depositava confiança numa ansiada subida  à divisão imediata à que o clube estava (então na antiga II Divisão Nacional-Zona Norte) =

Adriano Quintanilha, entretanto já se tornara famoso por levar para as etapas da Volta a Portugal parte da sua coleção de carros desportivos, com os quais por vezes acompanha a prova. Fê-lo inicialmente ao serviço da equipa Quintanilha-Moda Jovem-Paços de Ferreira, tendo de imediato logo no ano seguinte continuado com a equipa W52-Quintanilha-Felgueiras, que se manteria na modalidade também em 1993. O regresso da W52 ao pelotão deu-se em 1995 com o apoio ao Clube de Ciclismo de Paredes, ao serviço de quem, nesse ano, Cândido Barbosa se estreou como profissional. Depois veio a ligação à formação de Sobrado e a Nuno Ribeiro, um portista que, depois da experiência com a equipa W52-Quinta da Lixa, se arreigou ao FC Porto com a equipa W52-FC Porto-Porto Canal, em 2016, atualmente com nome oficial de W52-FC Porto-Mestre da Cor a correr em 2017.


Recorde-se que, no ano passado, Quintanilha subiu mesmo ao palco da cerimónia dos Dragões de Ouro, recebendo a distinção relativa ao ‘Projeto do Ano’ do distinto galardão oficial do clube, devido à prestação da equipa ‘W52-FC Porto-Porto Canal’.

=  Revista Dragões de Novembro de 2016 =

A ligação com o FC Porto começou assim em 2015, embora sem ser Portista assumido e aliás até de permeio ter diversos contactos públicos com o Benfica, segundo por vezes surge na comunicação social, e em jovem haver tido simpatia pelo Sporting, clube com o qual, até, em 2015 chegou a ter um pré-acordo para patrocinar a equipa de ciclismo dos 'leões', algo que foi quebrado e acabou por ser selado por fim com o FC Porto em finais do mesmo ano de 2015; pois, segundo Adriano Sousa referiu  publicamente «a única pessoa que apareceu e apresentou um projeto viável foi o senhor Pinto da Costa e o acordo tem viabilidade, no mínimo, para cinco anos».


Pois bem, com tudo isso e o resto, é pois a equipa de ciclismo do FC Porto um caso à parte dentro do interesse portista de adeptos seguidores, mesmo que à distância física, sendo nesse aspeto já como que familiares os nomes e caras de Raúl Alarcón, Gustavo Veloso, Rui Vinhas, Ricardo Mestre, António Carvalho, Joaquim Silva, Samuel Caldeira, Amaro Antunes, João Rodrigues, Tiago Ferreira, Daniel Freitas, Jacobo Ucha, Ángel Sanchez Rebollido e Juan Ignacio Pérez, mais Nuno Ribeiro, Maximino Pereira, Helder Alves, Miguel Vinhas, Nelson Lobo, Celestino Pinho, Alexandre Patrício, Fernando Maia, Elias Barros, etc.

Enquanto isto, aí está então o ciclismo de élite com a Volta a Portugal percorrendo parte do país profundo, dentro do que parece ser possível à Corrida Grandíssima Portuguesa, que em tempos percorria mais o país de lés as lés e ultimamente nem tanto, mediante certas condicionantes dependentes de apoios das autarquias, patrocinadores e apreciadores da passagem da "Volta".


Armando Pinto
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Nota: = Artigo para aqui partilhado do Blogue "Longra Histórico-Literária", também do autor deste "Memória Portista".
A.P.