Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

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terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Taça Intercontinental, do título Mundial de Clubes de Hóquei em Patins, já está no Museu e na História do FC Porto !

O feito e o efeito do FC Porto ter conseguido, no domingo anterior ao Natal de 2021, o importante título de Campeão Mundial de Clubes de Hóquei em Patins, é algo que muito enobrece o grande clube dragão  que anteriormente já havia sido Campeão do Mundo de futebol por duas vezes, sendo agora também no hóquei de patins.

Enquanto no futebol até agora é o único clube português com esse título alcançado pela equipa principal, acrescido mesmo de ser Bi-Campeão por vias das vitórias na Taça Intercontinental de futebol em 1987 e 2004, também neste dezembro de 2021 o FC Porto juntou o título Mundial/Intercontinental de 2021 de Hóquei em Patins, ao ter superado o Sporting. Alcançando então na lista de vencedores os anteriores portugueses campeões Óquei de Barcelos e Benfica, de modo que entre os atuais clubes principais do panorama nacional do hóquei continua a faltar assim ao Sporting e à Oliveirense esse título máximo da modalidade do setique sobre patins.

Como tal este feito tem repercussões e continua bem presente. De modo que ainda merece reforço com recorte da publicação deste dia n' O Jogo, jornal em que mais assiduamente costumo pousar os olhos (e do qual apenas se não registou aqui também a reportagem do jogo no jornal da segunda-feira, por aí a correspondente crónica de reportagem ter tido comentários deveras parciais por quem não gostou da vitória do FC Porto e tentou escamotear a má arbitragem acontecida, incluindo esquecimento da agressão do hoquista do Sporting na jogada admoestada com a injusta expulsão do Di Benedetto…).  Ao passo, sobre rodas, que esta terça-feira já merece ser prervado o texto dado à estampa no mesmo jornal O Jogo.

Ora, em reforço e complemento, nesta terça-feira seguinte, dia 21 foi feita oficialmente a entrega da Taça Intercontinental de hóquei em patins no Museu FC Porto, como vimos pela transmissão em direto no Porto Canal, cuja cerimónia, como é já tradição e se espera sempre, foi abrilhantada pelo discurso efusivo do Presidente-Dragão Jorge Nuno Pinto da Costa para os novos campeões do Mundo.

Tudo isto em seguimento celebrativo do feito do dia 19 de dezembro de 2021, cuja data ficará eternamente gravada na história do hóquei em patins como sendo aquele dia em que o FC Porto conquistou o único título internacional da modalidade que faltava no seu palmarés. Pois então a turma portista do treinador Ricardo Ares, bem secundado por Edu Farres, Miguel Almeida e Iván Jaquierz, levou a melhor sobre o Sporting no agregado das duas mãos e, no final, a festa foi imensa e merecida por todo o esforço dispensado durante os 100 minutos. Mas também sobre tudo o que tem sido feito pela secção no bem evidente labor de Eurico Pinto e João Baldaia.  

Então, curiosamente de modo até engaçado, viu-se que a taça estava com uma asa partida, devido aos muitos festejos que mereceu a sua posse entre as mãos dos vencedores. Tendo o Presidente brincado com essa naturalidade da taça assim ser testemunha do grande momento, indo obviamente ser consertada para ficar no museu em condições. Ao mesmo tempo que parabenizou o seccionista atual Eurico Pinto, digno sucessor de seu pai Ilídio Pinto, na linha de abnegados diretores históricos, recordamos, como os pioneiros Júlio António Jesus Silva, Manuel Melo Cruz, Manuel Ferreira Gomes e Mário Correia, passando por seguintes diretores como Henrique de Carvalho, Joaquim Sousa Azevedo, Professor Aires Miranda. Jorge Nuno Pinto da Costa, Fernando Barbot (pai), Alfredo Sampaio Motta, Hernâni Trindade Pereira, César e Dinis Brites, etc.

Ao passo que o treinador Ricardo Ares (com 1 Taça Intercontinental / Mundial de Clubes) entra na galeria de treinadores com títulos internacionais no FC Porto, como João de Brito (1 Taça das Taças), Vladimiro Brandão (1 Taça das Taças), Cristiano Pereira (1 Taça dos Campeões Europeus e 1 Supertaça Europeia/ Taça Continental), José Fernandes (1 Taça dos Campeões Europeus), Vale (1 Taça CERS) e Vítor Hugo (1 Taça CERS). Contando-se entretanto, até agora, em suma duas Taças das Taças, duas Taças dos Campeões Europeus, duas Taças CERS, uma Supertaça Europeia/Taça Continental, e agora a Taça Intercontinental/Mundial de Clubes como palmarés internacional hoquístico do FC Porto.

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Na página oficial "FCPorto.pt" ficou registada a entrega da taça, assim também:

« 21 DE DEZEMBRO DE 2021 

Campeões do Mundo de hóquei em patins entregaram a Taça Intercontinental no Museu FC Porto

Depois de, no passado domingo, “com grande brilhantismo”, como referiu Jorge Nuno Pinto da Costa no seu discurso, terem conquistado a Taça Intercontinental no pavilhão do Sporting, os novos Campeões do Mundo entregaram-na ao Presidente do FC Porto no Museu.

Após ter recebido a Taça, que estará brevemente exposta no Museu, e uma réplica como recordação pessoal, o dirigente máximo do clube começou por deixar uma “palavra de agradecimento” aos atletas do hóquei em patins azul e branco “por terem enriquecido este Museu de uma maneira brilhante”. O presidente destacou Eurico Pinto, o “obreiro do que vem sendo feito no hóquei em patins” que deu “sequência a uma dinastia” da qual Pinto da Costa fez parte em 1962 e revelou que a contratação de Ricardo Ares “foi quase que uma bênção porque naquele momento fizemos um desejo que era conquistar esta Taça, e realmente esta Taça está aqui”. Por fim, concluiu: “Em nome do FC Porto, quero dizer-vos que vocês ficaram na história do clube (…) Desejo-vos as maiores felicidades e que no final da época nos encontremos aqui no Museu FC Porto, será sinal que são mesmo os melhores e disso não tenho dúvida”. Seguiu-se o abraço a Eurico Pinto e a Ricardo Ares, que marcou o término da cerimónia.

Jorge Nuno Pinto da Costa: “A minha primeira palavra é de agradecimento aos campeões por terem enriquecido este Museu de uma maneira brilhante. Era um título que faltava ao FC Porto, há muito lutávamos por ele e, com brilhantismo, na casa do adversário, conseguimos consumar este desejo de todos e trazer a Taça para o Museu. Felicito-vos a todos com um grande abraço, mas não posso deixar de destacar o Eurico Pinto, que, há vários anos, dando sequência a uma dinastia no hóquei em patins, vem sendo um colaborador fantástico e tem sido o obreiro do que vem sendo feito no hóquei em patins. Como adepto e presidente, qualquer vitória me enche de alegria, mas compreenderão que, para mim, o hóquei é especial porque o primeiro cargo que ocupei no FC Porto foi na secção do hóquei em 1962, ainda nenhum de vocês era nascido. Tenho um carinho muito especial por esta modalidade em que me iniciei na minha atividade desportiva, tive a oportunidade de assistir à assinatura de contrato do Ricardo Ares, foi quase que uma bênção porque naquele momento fizemos um desejo que era conquistar esta Taça, e realmente esta Taça está aqui, um bocadinho empenada, mas vai ficar direita, sinal de que os festejos foram muitos pela forma como todos viveram esta vitória. Um abraço ao Eurico, ao Ricardo e a todos os atletas, sem exceção, que foram magníficos e conseguiram, em casa do adversário, trazer o troféu que tanto queriam. Em nome do FC Porto, quero dizer-vos que vocês ficaram na história do clube, foi a primeira vez que conquistamos este título. Desejo-vos as maiores felicidades e que no final da época nos encontremos aqui no Museu FC Porto, será sinal que são mesmo os melhores e disso não tenho dúvida. Muito obrigado e muitos parabéns a todos.”»

Armando Pinto

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sábado, 16 de janeiro de 2021

Remodelação no Porto Canal

Sendo a estação televisiva Porto Canal um dos meios de comunicação do FC Porto e tal como se registou aquando da passagem do mesmo canal para o FC Porto e com a entrada do jornalista Júlio Magalhães para a respetiva direção, também agora que se dá uma remodelação interna o assunto merece registo neste espaço de memorização portista.

Obviamente que o que interessa aqui ao autor destas notas e ao Portismo em geral será que o Porto Canal, embora continuando a ser generalista, passe a dar mais conteúdos sobre o FC Porto, de agora e sempre.

Conforme foi divulgado: «O Conselho de Administração da Avenida dos Aliados, detentora do Porto Canal, disse em comunicado que Júlio Magalhães deixou o Porto Canal passando dois dos membros da Administração a exercer funções executivas no Porto Canal: Manuel Tavares como Administrador Executivo e Francisco De La Fuente como Diretor de Programas de Entretenimento.»

Eis o Comunicado:

«O Conselho de Administração da Avenida dos Aliados SA vem comunicar a saída de Júlio Magalhães do canal, agradecendo, desde já, o modo como desempenhou o cargo de Diretor Geral, permitindo que o Porto Canal possa abrir uma nova etapa na sua história de 14 anos. Neste sentido, informa que dois dos membros do Conselho de Administração da Avenida dos Aliados SA passam a exercer funções executivas no Porto Canal: Manuel Tavares como Administrador Executivo e Francisco De La Fuente como Diretor de Programas de Entretenimento.

Estas alterações obedecem a um reposicionamento do Canal a partir da singularidade de que desfruta por ser a única estação televisiva de âmbito nacional a emitir a partir do Porto.

A Direção de Informação do Porto Canal permanece a cargo de Tiago Girão.

O Conselho de Administração

da Avenida dos Aliados, SA »

Assim sendo, e também conforme tem sido divulgado nalguma imprensa, a ideia é de o Porto Canal passar a ser mais Porto. O que diz muito e é o que interessa.

Entretanto, fixa-se aqui em registo de partilha a notícia reportando o caso, do que veio publicado este sábado no Jornal de Notícias.


Obs.: Partlha-se a notícia do JN por este estar a ser um jornal ultimamente passado para o lado dos interesses da capital, e contra o único símbolo nortenho que tem resistido ao centralismo. como consegue superar o poderio da corrupção benfiquistona. Tal como mais recentemente se comprova na vergonhosa análise à arbitragem do FC Porto-Benfica de futebol para o Campeonato da Liga, em que na crónica JN é branqueada a vergonhosa roubalheira acontecida. Deste modo, com esta partilha de um quadrante baixado ao poder reinol, se nota como mesmo assim o Porto Canal e tudo o que é FC Porto ainda se eleva.

Armando Pinto

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Recordando João Pinto, na calha do seu “Jogo da minha Vida”


Passou esta terça-feira no Porto Canal, no Universo Porto Jornal e no âmbito da rubrica “O Jogo da Minha Vida” que tem vindo a ser dado a conhecer na antena do canal televisivo do clube, a recordação de João Pinto como “guardador” da “orelhuda” taça da Taça dos Campeões Europeus em 1987. Vindo acima das lembranças toda aquela envolvência de, quase em êxtase, todos termos visto um jogador do FC Porto a receber aquela taça que até ali só tínhamos visto capitães de outras equipas estrangeiras receberem. E como deu especial gosto ver ao mesmo tempo na televisão a legenda "FC Porto Campeão Europeu-1987".


Eu, ao final da tarde desse dia 27 de Maio de 1987, então tendo em minha casa a companhia de amigos que vieram viver comigo esse momento único, e depois de tudo o que passamos durante o jogo, foi de pé e quase de cara encostada ao televisor que vi aquilo, quase ainda sem acreditar, mas a sentir em cheio... dei comigo aí a rir-me de emoção ao ver o João Pinto agarrado à taça, lá em Viena, na terra das valsas de música clássica, como melodia que tão bem soava ao coração. Parecia que era eu ali a agarrá-la, como bons anos antes, em Junho de 1968, senti ao ouvir pela rádio que o então capitão Pinto, o Custódio Pinto cabecinha de ouro e diamante, levantava a Taça de Portugal no Jamor… Tal como nos tempos em que esperei anos por um triunfo em Portugal, chegara enfim algo mais por que tanto esperei viver um dia, e logo ao mais alto nível da Europa do futebol.


Pois ao rever isso, algo que jamais sai dos sentidos, recordo os apontamentos que naquele tempo anotei pessoalmente, a registar para mim tal grande alegria, essa grandiosa conquista do FC Porto. Coisa que terá de ser de conhecimento dos vindouros, para contar aos netos, que também vivemos isso. Não no local, por não nos ter sido possível, mas como se lá estivéssemos. Quão estive de corpo e alma. Perdurando pelos tempos adiante terna recordação, mais tarde até vincada com a colocação de autógrafos de alguns dos campeões europeus no livrinho alusivo a essa final triunfante.


Ainda no passado domingo, no FC Porto-Aves, o vimos ao lado de Gomes, quando o Bibota recebeu a ovação da homenagem de solidariedade com que o mar azul o tributou. Estando ao lado do tradicional Capitão da equipa, o seu amigo, colega e nosso correligionário Capitão de Viena, o João Pinto. Figura carismática do portismo que nos percorre e ocorre nas memórias eternas.

Armando Pinto
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segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Notícias sobre o FC Porto de regresso ao Porto Canal, com o Universo Porto-Jornal


Com alguma surpresa, nesta segunda-feira 14 de outubro, ao passar hoje os olhos pelo Porto Canal soube aqui o autor deste blogue que está de regresso ao ecrã normal um programa de formato noticioso com lugar no televisivo Porto Canal.

Há algum tempo que o canal portista não era chamariz de interesse clubista, a não ser à noite com os programas habituais Universo de Bancada, de Imprensa, Entrevista, etc. Por ultimamente o canal televisivo do FC Porto ter andado algum tempo algo arredio de programação noticiosa sobre o clube, desde que surgiu a variante de visão noutros suportes.

Agora, segundo soubemos, volta a haver coisa de interesse com o Universo Porto – Jornal, como “um programa de informação desportiva, sobre conteúdos do FC Porto. Trata-se de um programa diário, de segunda a sexta-feira, com todas as informações do FC Porto, um olhar atento sobre o dia-a-dia do clube, com síntese sobre todas as modalidades.”. Nos horários das 13,00 e 19, 30 horas.

Saúda-se tal regresso à antena do Porto Canal, com a certeza de deixar de ser necessário novamente andar com o comando caseiro a clicar em espaços de canais afetos aos clubes adversários, para o efeito de atualização possível.

Armando Pinto

sábado, 4 de maio de 2019

"125 EM AZUL": A História do FC Porto contada em quatro capítulos. E algo mais... no Porto Canal.


"125 EM AZUL": A História do FC Porto contada em quatro capítulos

Num precioso documento visual, mais grafismo complementar, qual documentário com todos os condimentos, a História do FC Porto é passada em imagens e ideias nesse conjunto de quatro capítulos, da lavra de Rui Cerqueira e uma vasta equipa cujos nomes aparecem ao correr da respetiva indicação da ficha técnica, incluindo realização e edição de Luís Esmael, Marco Carvalho, Ricardo Sobral e Nuno Magalhães. Tendo como mentores (segundo aparece escrito no final) Helder Gomes e Rui Cerqueira, através de guião de Guilherme Mesquita e narração a cargo de Rui Cerqueira, que também faz a entrevista de fundo.


Trata-se duma «grande produção do clube, com imagens inéditas e o Presidente como narrador». Começado a ir para o ar na terça-feira 23 de abril, no Porto Canal, tal documentário intitulado  “125 em azul”, é «uma grande produção do FC Porto que conta a história do clube ao longo de quatro episódios, exibidos semanalmente.»

Nesse mega produto historiográfico de imagens e narrativa, «o Presidente Jorge Nuno Pinto da Costa é a figura central da obra e, num depoimento exclusivo, revisita os principais momentos da sua governação, mas também, antes disso, o tempo que viveu como dirigente e adepto, além daquilo que contam os livros de história. Funciona, por isso, como cicerone para esta viagem histórica, que apresentará imagens inéditas e testemunhos revisitados de outras das figuras que fizeram e fazem a história do FC Porto.»


O primeiro episódio foi, então, transmitido no Porto Canal, no dia 23 de abril, terça-feira, às 21 h 45, com Live, também, na App e Portal FC Porto. Com o nome “Pontapé de Saída” percorreu os primeiros anos de vida do clube até chegar ao 25 de abril de 1974.

O período seguinte à revolução dos cravos, até à eleição de Jorge Nuno Pinto da Costa para a presidência, em 1982, foi já contado no segundo episódio (“E depois de abril”).

Então, estando para ser aqui referenciado esse peculiar programa após sua total apresentação, no final, do mesmo fazemos já um justo juízo com antecipação da referência que o autor deste blogue tinha em mente para este espaço de memorização. Pois, pelo que já vimos, fácil é dizer que o "filme" tem qualidade que baste, ou melhor dizendo de forma direta: - É muito bom! Por isso recomenda-se!!!

Em episódios exibidos semanalmente às terças-feiras, o próximo capítulo será sob título genérico “Portugal, Europa, Mundo!”, «incidindo no início do período de domínio do FC Porto a nível interno, a meio dos anos 80, passando pelas primeiras conquistas internacionais, em 1987, e terminando com o histórico Penta, às portas do século XXI.» Até que o ciclo se fecha com “À conquista do futuro”, 4º e último capítulo, «que passa em retrospetiva a era José Mourinho, o segundo tetracampeonato e o terceiro tri, com a conquista da Liga Europa em Dublin pelo meio, até chegar aos dias de hoje.»

Eis pois um belo documento, que fica a perdurar e a fazer sobreviver ao tempo a História do FC Porto, nomeadamente desde que Pinto da Costa deu um definitivo impulso à Vida do FC Porto. Num bem documentado trabalho, profusamente ilustrado com imagens corridas e fotos coevas, a deixar boa sensação. Honrando bem o FC Porto, quão bem fica assim assinalada a marca dos 125 anos do clube Dragão.

Nota Bene: A meio destas possibilidades do mundo portista se ir documentando memorialmente, por meio das imagens destes programas, entre os dois primeiros capítulos deste” 125 em Azul” e os restantes, surge no Porto canal, no “Universo Porto-Entrevista”, mais uma boa conversa televisiva para a malta de outros tempos relembrar e nos dias que correm dar a (re)conhecer ao grande público, sobretudo às gerações mais novas, um grande valor do hóquei em patins – José Fernandes. Em mais um valioso contributo de Rui Cerqueira, que entrevista esse antigo hoquista e depois também treinador campeão europeu do FC Porto, o Zé Fernandes que foi e é o técnico do até agora último título de campeão europeu conquistado pelo hóquei patinado do FC Porto.


Uma entrevista  que, como tem sido normal, poderá ser vista ainda mais tarde, noutros dias e horas diversas, nas repetições sempre propícias.

A não perder…!

Armando Pinto

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sexta-feira, 30 de novembro de 2018

“Visita especial” em documentário do Porto Canal: Os dois treinadores campeões europeus do hóquei do FC Porto com a equipa portista


Na véspera de importante jogo da atual fase da Liga dos Campeões de hóquei em patins, o Porto Canal levou ao atual Museu do FC Porto e depois ao pavilhão Dragão Caixa os dois treinadores que comandaram as equipas do FC Porto nas épocas das duas conquistas da Taça dos Campeões Europeus de hóquei patinado, Cristiano Pereira e José Fernandes.


Então, antes do jogo com os italianos do Lodi, este sábado, o canal televisivo levou ao ecrã as imagens de visita proporcionada aos referidos nomes grandes do hóquei azul e branco, para através dessa realização promover um encontro de incentivo aos atuais hoquistas, com vista à concretização da vitória tão ansiada e consequente repetição da conquista que tem faltado.


Dois treinadores campeões, recorde-se, depois de terem sido jogadores de grande prestígio: Cristiano Pereira, formado no FC Porto e internacional com marcas relevantes, o grande hoquista que esteve no arranque do desenvolvimento do hóquei no FC Porto a partir de finais da década dos anos sessentas e foi bandeira da secção hoquista pelo tempo adiante; mais Zé Fernandes, que com o colega formou dupla avançada de renome.

Foi com agradável surpresa, efetivamente, que vimos Cristiano e Fernandes a andarem pelo museu, conforme tivemos oportunidade de vislumbrar nas imagens do Jornal Universo Porto (da "meia hora", como por cá se diz das 12, 30 h), esta sexta-feira, no canal tv do FC Porto. Tendo os dois craques do hóquei podido rever no Museu FC Porto by BMG as taças europeias que ajudaram a conquistar, além dos outros trofeus e recordações patentes. Embora o atual museu até nem tenha muito material exposto sobre o desporto dos patins, ainda se pode ali ver um “stick” (setique), junto com umas caneleiras doutros tempos e antiga máscara protetora de guarda-redes, tal como uma camisola (das que Cristiano envergou), no pequeno espaço dedicado às modalidades, mais uma estátua, das que estão à entrada, do também antigo mas mais recente hoquista Vítor Hugo (bi-campeão europeu como jogador, então treinado pelos dois recordados valores do passado). 


Nota-se sobremaneira a falta de uma estátua também do Cristiano, que foi efetivamente o maior representante do hóquei portista (um dos primeiros campeões europeus do clube, como campeão em 1969 no Europeu de juniores e durante anos, nos anos setentas e parte dos oitentas, o único portista que ia às seleções de seniores), além de algo do género também de Acúrcio Carrelo, que foi o primeiro internacional do clube no desporto jogado sobre patins. Assim como deveria haver imagens fixas das conquistas internacionais do hóquei e do bilhar, as modalidades que além do futebol já ergueram trofeus de competições europeias.


Cristiano e Zé Fernandes, depois bem acompanhados por Rui Cerqueira, foram ao pavilhão atual do clube e no Dragão Caixa cumprimentaram todos os hoquistas e o treinador da atualidade do hóquei em patins do FC Porto. Com os quais conversaram e puderam manifestar a esperança que reina no seio da família portista, deixando pessoalmente mensagens de incentivo e formulando votos do sucesso ao alcance dos jovens valores que defendem atualmente as camisolas do hóquei do FC Porto.


Dessa louvável iniciativa, em reportagem mais uma vez bem conseguida pelo jornalista Rui Cerqueira, juntamos algumas imagens captadas diante da televisão aqui de casa do autor destas linhas.


Armando Pinto

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domingo, 16 de setembro de 2018

António Oliveira: O “Sandokan do FC Porto” – no “Universo Porto Entrevista”


Oliveira, o Oliveira da célebre equipa de Rodolfo, Gomes e Oliveira cantada nos discos comemorativos do título de campeões nacionais de 1978, foi o herói da história passada em entrevista televisiva no Porto Canal. Entrevistado desta feita numa das entrevistas de carreira que o Porto Canal tem realizado. Tendo de se repetir as palavras porque não há forma de sintetizar melhor esse encontro de Oliveira diante dos espetadores, como o autor destas linhas, que estive de frente ao televisor a seguir atentamente a conversa, logo na primeira passagem desse programa, na noite de sábado de meio de setembro. A ponto de quase desejarmos que o entrevistador, Rui Cerqueira, fizesse as perguntas que nos apetecia fazer, perante as questões que nos vinham à ideia. Estando Oliveira em frente ao entrevistador e diante das câmaras, como que câmaras e entrevistador fossemos nós. Quão Oliveira desperta interesse em questões portistas.


Oliveira… Assim como Custódio Pinto foi o rosto que vimos pelas fotos de jornais em 1968 a receber, beijar e levantar a Taça que tão bem soube ao mundo portista ver o Porto finalmente ganhar, como ficou para a história de meias já em baixo, pelas canelas das pernas e camisola de fora, como se viu o Pinto, depois de a receber das mãos do presidente da nação, ao tempo o almirante Américo Tomás, a erguer a Taça de Portugal que ele e Américo Lopes, Valdemar Pacheco, Francisco Nóbrega, Djalma, Pavão, José Rolando, Jaime Silva, Atraca, Eduardo Gomes e Bernardo da Velha venceram em pleno relvado do Jamor… também Oliveira foi quem vimos e ficou nas fotos, de barba e sorriso rasgado, a levantar a Taça em 1977, no camarote presidencial do estádio das Antas, recebida das mãos de Mário Soares, então primeiro-ministro da nação. Tendo sido aí Oliveira, de barba crescida à Sandokan (herói de filmes televisivos), que lá em cima representava toda a equipa, com quem depois partilhou no relvado, passando a taça a Gomes, Rodolfo, Torres, Murça, Freitas, Duda, Taí, Gabriel, Simões, Seninho, etc. etc, como representou todos os portistas, os que aplaudiram esses bravos depois na volta de honra, diante dos adeptos, ou quem em casa ou onde se encontrava ouviu pela transmissão radiofónica do Quadrante Norte o Amaro gritar o golo de Gomes e relatar o ambiente vivido nas Antas.


Oliveira que anos antes recebera o último passe de Pavão, foi também quem fez o remate de livre que originou a recarga de Ademir para o golo do empate com sabor a vitória de Maio de 1978 e por fim marcou o primeiro golo do último jogo do regresso dos títulos nacionais ao Porto… mas também o Oliveira que anos mais tarde ficou associado a momentos de fraca memória, quando foi para o Sporting e falou como leão, sobretudo… Assim como volvidos anos regressou como treinador, tendo arcado com tenaz oposição do sistema do futebol português através do programa Donos da Bola da SIC, mas, superando isso e a costumeira roubalheira arbitral contra o Porto, foi o técnico do Tri e do Tetra, deixando por fim o trabalho feito para o Penta que se seguiu…


Ora Oliveira esteve então no “Universo Porto-Entrevista” do Porto Canal. Podendo assim o mundo portista rever-se nalgumas recordações e extensivamente poder fazer-se algumas reflexões. Porque Oliveira é figura que capta atenções e gera diferentes pontos de vista, tal como nuns aspetos leva facilmente à simpatia e noutros deixa a pairar algumas interrogações se queria mesmo dizer ou não o que as palavras dizem mas poderão não querer dizer. Tal como uma coisa é uma coisa e outras coisas podem ser outras coisas.  Sendo contudo notório ser portista e sócio que vive o clube à sua maneira, além de acionista da SAD e da admiração que merece o seu empreendedorismo, como empresário de sucesso, nomeadamente enquanto figura para já marcante na cidade do Porto. Ele que é natural de Penafiel, onde deixou nome no futebol, também, mas especialmente por continuar como figura nacional e portuense afetivo, também.  


Oliveira, que fez seu percurso de formação no FC Porto e no FC Porto foi um dos maiores futebolistas de sempre...


... tal qual como treinador foi campeão nos dois anos em que esteve à frente da equipa portista, é um nome que dispensa muitas apresentações no aspeto histórico.


Tendo sido um bom entrevistado, desta feita, marcou alguns pontos na opinião pública, para amenizar a ferida que há na história portista de Oliveira quando jogou pelo Penafiel contra o FC Porto nas Antas, em 1981, ter tido atitudes que caíram mal, e depois quando jogou pelo Sporting ter ficado célebre a sua frase de quando cair um leão outro se levantará... Havendo a entrevista passado um pouco ao lado, além do caso das memórias para a atualidade e possíveis lampejos futuros. Sem esquecer que foi contemporâneo da ultrapassagem do "Cabo Bojador" do futebol português, mesmo que nos dias que correm ainda haja resquícios, mormente com os campeonatos ganhos pelo Benfica em moldes do túnel da Luz, do modo que a descoberta dos famosos e-mails demonstra e a situação nacional se reflita em haver toupeiras nos sistemas fortes da nação.  


Em suma, sem necessidade de se alongar o percurso curricular de Oliveira, explanado em diversos locais e dos mais variados géneros e feitios, deixamos pequena amostra de sua ficha de carreira. Enquanto fica boa sensação de se ouvir Oliveira, como se viu no Porto Canal. Por quanto fez, jogando e treinando, continua nome importante na História do passado do FC Porto.


Armando Pinto
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quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Carlos Duarte – Um “Senhor artífice” do futebol dos anos cinquentas e “Artista” de terna entrevista do Porto Canal


Um dia, pelos idos anos de inícios da década de setenta, sensivelmente por volta de 1971, jovem entusiasta do mundo portista, embora como sempre muito reservado no meu mundo, fui apresentado pelo guarda-redes Armando ao Carlos Duarte que fora jogador do FC Porto. Estando então com o meu amigo sr. Armando Silva no café do largo do Araújo, para os lados de Leça, onde morava Armando, quando voltou a jogar no FC Porto e por sinal também ali vizinho de Carlos Duarte. Quando o vi a sorrir para mim e estender-me a mão senti uma sensação indescritível, por estar diante desse grande jogador, que eu não vi jogar mas conhecia pelas cadernetas dos meus irmãos mais velhos e de o ver em gravuras nos jornais, além de ouvir seu nome nos relatos radiofónicos que escutava junto à cama de minha avozinha, paralisada no leito como a conheci sempre em minha infância e que me ajudou a crescer ouvindo-a contar-me histórias. E Carlos Duarte era da minha história, não da dos contos infantis, mas do que eu ia imaginando na cabeça de pequeno portista. E ali estava ele à minha frente. Só que como nunca fui muito falador, nessa como em tantas situações, guardei comigo essa sensação, além naturalmente de ainda ter ajudado à conversa, mais como ouvinte. Como desta feita, ouvindo a entrevista que Rui Cerqueira fez ao Carlos Duarte, estive com atenção redobrada, revendo idêntica sensação, desta vez de sentido atento, preso ao ecrã, pois ali se exprimiu, nos seus 85 anos de vida, esse grande extremo direito do FC Porto dos anos cinquentas, cuja carreira apesar de lesões graves ainda durou a entrar pela década dos anos sessentas.


Com a entrevista emitida pelo canal televisivo Porto Canal neste início de setembro de 2018, na linha de entrevistas de retrospetiva de carreiras de personagens desportivas de relevo, foi agora conseguido registar à posteridade mais um belo documento memorial, tendo Rui Cerqueira conseguido puxar memórias ainda possíveis para lá da idade do entrevistado. Louvo assim Rui Cerqueira, pelo que concretizou com esta sua iniciativa, como anos atrás conseguiu Bernardino Barros com atraente e ternurenta entrevista com o guarda-redes Américo. Ficando ideia, para outras oportunidades do género, que ficaria bem intercalar flashes ilustrativos entre as imagens da conversa (entrevista), havendo fotografias e até ainda imagens históricas em filmes de arquivos.

= No Lar-Casa  do Jogador do FCP, situado na Praça das Flores, para os jogadores solteiros e estágios para todos antes dos jogos.

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Carlos Duarte, aos olhos de afeiçoado portista nascido em 1954, também é associado como um dos marcadores dos golos com que o FC Porto, vencendo o Benfica em pleno mês do Natal desse ano, em Lisboa, trouxe para o Porto o troféu de vencedor do jogo da inauguração do estádio original do Benfica – ao tempo ainda conhecido por estádio de Carnide e mais tarde chamado estádio da Luz, o antigo, antes de ter desaparecido para dar lugar ao atual salão de festas de algumas das boas vitórias azuis e brancas…

Sendo assim isso, então, no ano de nascimento do autor destas linhas, tal facto é um dos fastos da folha de vida pessoal, qual cartão marcador de livro vital. Em que Carlos Duarte teve interferência, ao ter marcado um dos golos e por estar nas imagens que depois, passados anos, vi – com Carlos Duarte presente no ato da entrega oficial do vistoso trofeu.

= Equipa do FC Porto da Época 1954/55, no jogo da Inauguração do Estádio da Luz, a 01/12/1954: SLB, 1 - FC Porto, 3. Golos de Jacinto (P.B.), Carlos Duarte e Perdigão. Em cima da esquerda  para a direita - Barrigana, Virgílio Mendes, José Maria Pedroto, Ângelo Carvalho, Joaquim Machado, José Valle e Pinho. Em baixo, pela mesma ordem-Carlos Duarte, Hernâni Silva, António Teixeira, Monteiro da Costa e José Maria.

= Carlos Duarte na ocasião da entrega do Troféu da vitória da Inauguração (Taça Cosme Damião) – em imagem retirada de retransmissão televisiva, muitos anos depois…

Carlos Duarte viera pouco tempo antes para o FC Porto, chegado ainda no ano de 1952, depois de ter tido primeiro contacto com o FC Porto aquando da célebre viagem da equipa principal do FC Porto a África, em 1949, durante a célebre “Caravana da saudade”. E, como disse na entrevista, ficou apaixonado pelo FC Porto. Ele que em pequeno lá em Angola tinha certa simpatia por Travassos e como tal era mais virado ao Sporting, em tempo do Estado Novo cujo sistema também, com a lavagem cerebral que havia a favor de Lisboa e arredores, fazia com que o Porto não tivesse tanta expansão pelas regiões ultramarinas. Mas com aquela digressão pelas paragens africanas, muitos adeptos se voltaram para as cores portistas. E com a vinda de alguns jogadores dessas antigas províncias, mais se intensificou a simpatia pelo clube das Antas nos naturais luso-africanos. Tanto que o antigo presidente angolano, José Eduardo dos Santos, um dos portistas conhecidos por esses sítios, ficou a ser grande admirador de Carlos Duarte desde que ele vestiu a camisola do FC Porto – como mais tarde teve oportunidade de lhe demonstrar, em romagem de saudade que o antigo futebolista fez à terra natal.

= 1952. Em tempo de entrada na equipa de Carlos Duarte e Albasini. (Na foto, de cima para baixo e da esquerda para a direita: Américo, Virgílio, Carvalho, Barrigana, Valle, Del Pinto, Albasini, e Osvaldo Cambalacho; Hernâni, Porcel, Monteiro da Costa, Pedroto, José Maria e Carlos Duarte.)


Atualmente com 85 anos de idade (em 2018, a caminho dos 86 em março próximo), o extremo direito nascido em Angola (segundo números que constam) realizou um total de 228 jogos ao serviço do FC Porto, nos quais marcou 98 golos, sendo assim na atualidade ainda o décimo goleador da história do clube. Enquanto na Seleção Portuguesa em 8 jogos (7 pela A e 1 pela B) marcou também 1 golo. Apesar de não ter jogado em alta competição como avançado centro, conforme na época se chamava, mas sim como extremo direito, formando asa desse lado com Hernâni ao lado e Virgílio atrás, numa ala conhecida por trio maravilha. Sendo que no formato tático do futebol desse tempo a linha avançada era composta por extremo direito, interior direito, de um lado, e do outro interior e extremo esquerdo, com o avançado centro ao meio, como o próprio nome indicava. De modo, que como Virgílio era defesa direito e Hernâni interior, jogavam entre eles quase de olhos fechados já e com combinações perfeitas. E com Hernâni completava dupla famosa, de passes e remates, do que hoje se diz assistências e conclusões.

= Equipa do FC Porto da Época 1952/53. Viagem ao Arquipélago dos Açores em 1953, no final do Campeonato Nacional. Em cima e da esquerda para a direta: Ângelo Carvalho, Albasini, Barrigana, Francisco Gonçalves (massagista), Eleutério, Joaquim Machado, Zé Maria, Cândido de Oliveira (treinador principal), Américo (meio encoberto), António Teixeira e Vítor Santos (jornalista); em baixo pela mesma ordem, Artur Sousa Pinga (treinador adjunto), Carlos Duarte, Correia, Pedroto, Pinto Vieira, Osvaldo Cambalacho e Monteiro da Costa.

Estava-se aí numa época de futebol algo romântico, jogado mais em jeito, com os mais habilidosos a poderem mostrar-se. Carlos Duarte imprimia e completava isso com velocidade e finta curta sempre em corrida, deambulando e centrando o jogo para os colegas, sem perder a baliza de vista, levando a ter marcado à sua conta muitos golos também.


Chegara Carlos Duarte ao Porto numa boa remessa de jovens esperanças, num quarteto vindo de África, junto com Albasini, Perdigão e Miguel Arcanjo. Como comprova uma interessante reportagem de apresentação, passado algum tempo, da chegada desse lote de ouro negro, como se dizia perante os valores provindos do filão da África portuguesa (e inclusive serviu de nome a um conhecido conjunto musical, o famoso Duo Ouro Negro, composto por dois portistas, também). Em cuja narrativa, à maneira da época, era referido que a dificuldade maior tinha sido antes de vir, pelo receio do pai. Como era então contado no jornal O Porto, em seu suplemento semanal O Porto Magazine de 16 de Junho de 1953.

= O Porto Magazine

O certo é que depois se confirmou aquilo que dele se aguardava e muito mais. «Extremo velocíssimo, impunha-se pelo faro de golo, próprio de quem em Angola tinha colado na testa o rótulo de avançado-centro. Estrela do FC Porto na década de 50, foi um dos homens mais importantes no renascimento que o clube ensaiou por essa altura. Os dragões impediram-no de sair para Itália e, depois, uma lesão grave impediu-o de ir mais longe na carreira. Autor do primeiro tento de uma equipa nacional em Wembley, foi nessa altura forçado a tomar uma de duas estradas: o FC Porto não acedeu a possível transferência milionária para o Milan e ele sofreu a primeira lesão grave, que após um ano de paragem lhe tirou boa parte dos atributos físicos. Guardou para a história o facto de ter sido uma das figuras mais importantes no primeiro renascimento do FC Porto, na década de 50.»


Carlos Duarte, de nome completo Carlos Domingos Duarte, nasceu em Angola a 25 de Março de 1933, em Calulo, Nova Lisboa, e por lá começou a mostrar dotes de goleador. Jogando a avançado centro, por ter capacidade de marcar golos. Era esguio e veloz, o que fazia dele um avançado perigosíssimo. Entretanto recebeu convite e acabou por vir jogar para a metrópole, com destino ao Porto. A necessidade de fortalecimento da equipa de honra do FC Porto levou a direção do clube a procurar reforço da equipa, que se fez tanto no plano nacional (tais os casos de Teixeira, Cambalacho, Pedroto, vindos de clubes do continente…) como em África, de onde vieram, de uma assentada, Albasini, Perdigão, Arcanjo e Carlos Duarte (das províncias ultramarinas). E a verdade é que essa nova vaga reforçou a construção duma excelente equipa, em que Carlos Duarte foi entrando aos poucos, assim como os colegas. O seu primeiro jogo com a camisola do FC Porto foi na Póvoa, em jogo de início de época, no âmbito da Associação de Futebol do Porto.


Depois, estreou-se também no Campeonato Nacional em Outubro de 1952, e ao segundo jogo a contar para o campeonato, a 7 de Dezembro, fez o primeiro golo na prova maior portuguesa, aproveitando um passe de Pedroto para abrir o marcador numa vitória por 4-0 sobre o Barreirense, nas Antas. Tendo Carlos Duarte acabado por marcar sete golos nesse primeiro campeonato, com destaque para um hat-trick ao Estoril (quando Hernâni, devido a estar ao tempo em serviço militar na zona de Lisboa, jogava pela equipa da linha estorilista, mas sem ter jogado contra o FC Porto, por sua vontade manifestada anteriormente na assinatura do contrato). Numa conta inicial de golos com marca Duarte, aos quais somou mais dois na Taça de Portugal, prova na qual a equipa não conseguiu vencer na final.


O regresso de Hernâni, em 1953, veio dar uma nova dimensão ao futebol do FC Porto. Carlos Duarte, que com ele formava dupla de sucesso, foi um dos que mais contabilizou isso para elevar o nível, terminando a época com dez golos, entre eles mais um hat-trick, dessa vez ao Vitória de Guimarães, em Dezembro. Por essa altura já o angolano Carlos Duarte fora aos trabalhos da seleção nacional, embora duma primeira vez em que esteve escalado não chegou a jogar, ficando a assistir junto à linha. Até que depois se estreou com a camisola de Portugal, tendo o responsável Salvador do Carmo o colocado no lugar de Hernâni a meio de um particular contra a África do Sul, a 22 de Novembro de 1953, jogo esse que os portugueses ganharam por 3-1. 

= Recorte de jornal (“ O Porto”) publicado emAbril de 1955, aquando do jogo FC Porto, 5-Real Madrid, 2 – que Carlos Duarte teve de ver da parte de fora do campo, devido a lesão…

= Em recuperação. Depois de ter sido operado, andando de bicicleta às voltas na pista de cinza do estádio das Antas, como era normal naqueles tempos.

Seguiram-se alguns tempos de menor utilização no FC Porto, com reflexo de acalmia na sua carreira internacional, até que voltou a arrancar verdadeiramente em 1957, quando Tavares da Silva o incluiu no lote de jogadores com que atacou a qualificação para o Mundial da Suécia. Até lá, Carlos Duarte nunca se esquecera de como marcar golos – jogava era menos vezes. Em 1955/56, contribuiu com sete golos pelo FC Porto para o título de campeão, festejado com um 3-0 em casa frente à Académica. Mesmo participando em apenas oito jogos, fez outro hat-trick da ordem (num 10-1 ao Barreirense, em Março de 1956) e marcou pela primeira vez num clássico, ajudando na vitória por 3-1 sobre o Sporting no dia de ano novo. Na Taça de Portugal, só jogou a final, mas foi o suficiente para a erguer bem alto, depois da vitória por 2-0 sobre o Torreense, numa partida em que assistiu o amigo Hernâni com o passe para o primeiro golo.

= Equipa do ano da "dobradinha" de Campeonato e Taça de 1955/1956

= Equipa do FC Porto da Época 1957/58. Final da Taça de Portugal, no Estádio Nacional, 15/06/1958. SLB, 0 - FC Porto, 1. Golo de Hernâni. Em cima da esq. p/ dta. Virgílio Mendes, Barbosa, Miguel Arcanjo, Ângelo Sarmento, Albano Sarmento e Manuel Pinho. Em baixo pela mesma ordem, Carlos Duarte, Gastão, Osvaldo Silva, Hernâni e Perdigão. Treinador Otto Bumbel (orientador de que mais gostou, como conta na entrevista ao Porto Canal, por  saber dar-lhe liberdade em campo, de modo a com ele ter jogado mais e melhor).

= Entrevista de Carlos Duarte ao Jornal O Porto de 11 de Julho de 1956, após digressão da equipa do FCP ao Brasil.

De volta às escolhas habituais depois do Verão de 1956, Carlos Duarte esteve no segundo jogo do FC Porto contra o Atlético de Bilbau, na estreia da equipa na Taça dos Campeões Europeus, fazendo mais onze golos no campeonato que o FC Porto perdeu, por um ponto, para o Benfica, depois de diversos casos em que, como de costume, a equipa nortenha foi prejudicada… 

= Titulares e suplentes do jogo com o Bilbau, na estreia do FC Porto em competições oficiais europeias - Em cima: Barrigana, Carvalho, Porcel, Pedroto, Albasini, Miguel Arcanjo, Osvaldo, Pinho e Virgílio. Em baixo; Romeu, Monteiro da Costa, Teixeira, Gastão, José Maria, Perdigão e Hernâni. Não foram utilizados Albasini, Osvaldo e Pinho.

... E recordando essa eliminatória (em que Carlos Duarte participou no segundo jogo, da  dupla jornada), numa conversa de evocação, passados 30 anos, em entrevista à revista DRAGÕES

Entretanto, voltou à seleção, ainda que para protagonizar um caso bizarro: Tavares da Silva ia incluí-lo na equipa que, em Alvalade, corria Janeiro de 1957, inaugurava frente à Irlanda do Norte os jogos noturnos da seleção nacional quando foi avisado de que o angolano não estava na lista de futebolistas inscritos pela FPF na FIFA. Assim sendo, só voltou mesmo à seleção na derrota contra a Itália em Milão (0-3), em Dezembro, coisa que deixava Portugal fora do Mundial de 1958. Carlos Duarte entrava então na melhor fase da sua carreira. Foi preponderante no segundo lugar do FC Porto em 1957/58, com nove golos no campeonato, bem como na conquista da Taça de Portugal, ganha na final contra o Benfica com um golo de Hernâni (1-0), em cuja caminhada marcou por três vezes. Em Março de 1958, fez o golo português na derrota contra a Inglaterra (2-1) em Wembley, fazendo luzir sobre si os holofotes da poderosa imprensa britânica, que o considerou melhor que Tom Finney. Quem não estava a dormir era o Milan, que logo fez chegar ao Porto a intenção de pagar 600 contos pelo jogador, que apesar da já longa carreira ainda só tinha 25 anos e muito para dar. Só que o FC Porto, que já pensava vender Jaburu, não esteve pelos ajustes, deixando Carlos Duarte a sonhar com maior fama e o dinheiro que podia ter ganho. Mas sem fazer birra, mantendo-se a cem por cento no FC Porto.

 = Campeões Nacionais em 1958/59

Assim sendo, Carlos Duarte não virou a cara à luta, partindo para aquela que terá sido a sua melhor época de sempre. Fez 14 golos na vitória portista no campeonato de 1958/59, só sendo superado por Teixeira e Hernâni. E somou-lhes mais dez na Taça de Portugal, cuja final os portistas perderam para o Benfica, com expulsão de Carlos Duarte e do benfiquista Mário João no início da segunda parte, depois de ter ripostado a mais uma das muitas agressões de que foi vítima por parte do benfiquista. “A cada vez que tocava na bola era agredido”, lamentou-se depois o extremo angolano. Começava ali aquele que viria a ser o pior período da carreira do futebolista, que já somara a sétima internacionalização em Junho de 1959, contra a RDA, nas Antas, jogando numa vitória por 3-2 que permitia aos portugueses continuar no Europeu. De regresso de férias, partiu uma perna num choque com um jogador do Espanhol de Barcelona, em jogo particular, o que lhe roubou quase toda a época: só voltou à competição em Junho de 1960, na segunda partida dos quartos-de-final da Taça de Portugal contra o Barreirense. Dizia-se que a inatividade o tinha prejudicado, que já não era o mesmo jogador. Ainda assim, Carlos Duarte voltou a ser selecionado, dessa vez para a Seleção Nacional B, em Dezembro de 1960 e completou mais quatro épocas no FC Porto.


Assim, além dos 7 jogos que fez pela Seleção Nacional A, envergou ainda mais uma vez a camisola das quinas pela Seleção B em 1960.

Vestiu a camisola do FC Porto pela última vez a 19 de Abril de 1964, no fecho do campeonato, que os dragões fizeram ganhando por 1-0 ao Lusitano de Évora. Foi de férias para a Corunha e quis ficar a jogar por lá. Tal não lhe foi permitido, o que levou a que voltasse a Portugal, em Outubro, mas para jogar no Leixões, que era nesse ano treinado pelo seu amigo Pedroto. Ainda representou os leixonenses na Europa – derrota por 3-0 em Glasgow com o Celtic a 7 de Outubro, implicando a eliminação da Taça das Cidades com Feira – e fez um campeonato muito regular, com mais quatro golos. O último, marcou-o ao Sporting, a 28 de Março de 1965. Lançou a equipa para a recuperação de 1-3 para 3-3 mas, no ato, magoou-se no tendão de Aquiles e não voltou a poder jogar. Acabava ali o futebolista Carlos Duarte, um dos maiores no renascimento que o FC Porto ensaiou na década de 50.


Para a história em número, eis a sua ficha:

= Na equipa do FC Porto em 1964 (Na foto, a contar de cima e a partir da esquerda: Otto Glória (treinador), Rolando, Joaquim Jorge, Paula, Alberto Festa, Almeida e Américo; Carlos Duarte, Valdir, Azumir, Custódio Pinto e Hernâni.)

Carlos Duarte nasceu no dia 25 de Março de 1933 em Calulo, Nova Lisboa, Angola.

Representou o Futebol Clube do Porto durante as épocas de 1952/53 até 1963/64.

A sua estreia com a camisola dos Dragões foi na Póvoa, em jogo de início de época (segundo o livro que lhe foi dedicado na coleção "Idolos do Desporto"), tendo marcado inclusive um golo; e para o Campeonato Nacional (conforme regista o blog "Estrelas do FCP") aconteceu no dia 12 de Outubro de 1952 no Campo dos Arcos em Setúbal, onde os portistas visitaram o Vitória F.C., tendo os sadinos vencido por 3-0, num jogo a contar para a 3ª jornada do Campeonato Nacional da época de 1952/53.

Em 1955/56 sob o comando técnico de Dorival Yustrich, venceu pela primeira vez o Campeonato Nacional; e também a Taça de Portugal ao derrotar o S.C. União Torreense por 2-0 na Final.


Na época de 1956/57 o F.C. Porto estreou-se nas competições europeias ao defrontar o Athletic Club Bilbao na 1ª eliminatória da Taça dos Clubes Campeões Europeus, com Carlos Duarte a ser um dos jogadores titulares que alinharam no jogo da 2ª mão disputado no Estádio de San Mamés.

= Duas poses de grande significado: No dia da vitória da primeira Taça de Portugal ganha pelo FC Porto, no final do jogo em que o Porto venceu por 2-0 o Torriense, em 1956, festejando toda a equipa já com a taça; e também no final da festa de consagração dos Campeões de 1959, mostrando Carlos Duarte satisfação natural por ter recebido a faixa correspondente, junto com os colegas Hernâni e Arcanjo.

Venceu ainda a segunda Taça de Portugal na época de 1957/58 com um triunfo sobre o S.L. Benfica por 1-0.

Na temporada de 1958/59 nova vitória no Campeonato Nacional já com Bela Guttman como treinador.

Conquistou também a Taça Associação de Futebol do Porto por 8 ocasiões.

Carlos Duarte foi um extremo-direito veloz e de elevada qualidade que possuía um drible curto mas sempre com os olhos postos na baliza.

Terminou a sua ligação aos Dragões no final da temporada de 1963/64, nas 12 épocas em que esteve nas Antas disputou 228 partidas oficiais, marcou 98 golos e conquistou 12 Títulos.

Depois de deixar de jogar no F.C. Porto alinhou ainda no R.C. Deportivo Coruña e depois no Leixões S.C. onde sofreu uma grave lesão.

Carlos Duarte representou também a Seleção Nacional por 8 ocasiões.


Em 2003 foi justamente homenageado pelo Futebol Clube do Porto com o Dragão d´Ouro da categoria de Recordação, como homenagem respetiva na atribuição dos galardões máximos do clube nesse ano.» Troféu que recebeu em sessão solene de 2004 (das mãos do dirigente Álvaro Pinto, presidente do Conselho Cultural do FCP)


Palmarés
2 Campeonatos Nacionais da 1ª Divisão (Portugal)
2 Taças de Portugal
8 Taças Associação de Futebol do Porto
- tudo pelo FC Porto.


Depois de ter acabado a carreira, por vezes aparecia pelas Antas, sobretudo quando havia treinos no campo número dois, exterior ao antigo Estádio das Antas, ocasião em que os habituais mirones e alguns dos adeptos fiéis aproveitavam para falar com ele sobre o F.C. Porto.


O que era natural, sendo Carlos Duarte figura pública e uma das Lendas do FC Porto. A pontos de em seu tempo, sabendo-se como perante a imprensa e editoras lisboetas, quase só contarem atletas de Lisboa e arredores, quer de futebol como de outras modalidades, Carlos Duarte ainda ter sido então dos poucos valores do FC Porto (perante o volume de nomes de outros clubes) que foram incluídos na coleção Ídolos do Desporto, com o livro que em 1957 lhe foi dedicado: "O extremo direito que Monteiro da Costa descobriu para o F. C. do Porto". Assim intitulado, em sumário momentâneo, por na altura haver vários avançados dentro do FC Porto para o mesmo lugar e ter havido uma boa opção, a contento de todos e da história daí resultante. Tendo ficado na memória da geração de seu tempo e na transmissão dos tempos a ala direita, qual ala dos namorados da batalha de Aljubarrota, formada por Virgílio, Carlos Duarte e Hernâni, assim como o grupo forte da equipa em que Carlos Duarte jogou com Teixeira, Monteiro da Costa e Jaburu, mais o célebre quinteto avançado composto por Carlos Duarte, Hernâni, Noé, Teixeira e Perdigão.


Carlos Duarte está na história do FC Porto e do futebol português. Sabendo-se por isso muito a seu respeito, como ele até ficou admirado por ainda acontecer, conforme deixou escapar na entrevista ao Porto Canal, em modo engraçado e de ternura imensa. Com admiração do universo portista, sendo uma honra ainda se poder ver grandes valores desses tempos heroicos, como felizmente restam Carlos Duarte e Américo, por exemplo. Com direito a constar na Memória Portista.

Armando Pinto
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