Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

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terça-feira, 29 de julho de 2014

Uma das históricas Voltas Portistas: Cinquentenário da vitória de Joaquim Leão, na Volta a Portugal de 1964


Enquanto o futebol não retorna em força, estando-se ainda na fase preparatória da pré-época, folgam as maiores atenções que costumam incidir na bola e alargam-se raios de ação por outros motivos. Chegando entretanto o tempo da Volta a Portugal em bicicleta, em tempo de férias para muita gente, fazendo convergir focos noticiosos para o ciclismo e, assim, ao menos recordar tempos em que a modalidade ciclista tinha mais encanto, como acontecia quando alinhavam equipas dos grandes clubes portugueses a pedalar ao longo das estradas.


Com efeito, neste período de maior calor de verão, por norma, é mesmo tempo do ciclismo, ao chegar a Volta a Portugal. A corrida-rainha que provoca ainda algum entusiasmo, dando por isso mote a algumas evocações das que por vezes aqui trazemos. Vindo a talhe, aqui e agora, uma das históricas Voltas Portistas: a da vitória do grande ciclista Joaquim Leão, em 1964, que este ano de 2014 perfaz cinquenta anos desde que ocorreu.


Como de vezes anteriores, noutras oportunidades, neste e outros espaços de Memória Portista, já lembramos algumas Voltas a Portugal conquistadas por ciclistas do F C Porto e inclusive desenvolvemos currículos e lembranças de ases dos pedais que vestiram a camisola azul e branca, desta vez recordamos a brilhante vitória de Joaquim Leão, em 1964. Um triunfo também referido e ilustrado em artigos como o da Participação Portista na Volta a Portugal, por exemplo, porém desta feita mais pormenorizadamente. Deixando a narrativa a cargo de imagens documentais do arquivo pessoal do autor, de recortes e papéis preservados, algo amarelecidos pelo tempo, cujos originais temos guardados, com dobras, anotações pessoais e outras particularidades (fora as iniciais AP que, sempre de forma diversa, apenas colocamos como marca na digitalização). De material capaz de reforçar quão interessante é a história do ciclismo no seio da coletividade azul e branca, como modalidade que, em seus tempos áureos, captou muito entusiasmo e apoio à causa Portista.


Eis aí, então, algumas recordações da Volta individualmente conquistada por Joaquim Leão, e coletivamente aumentou o número de triunfos do F C Porto, em 1964.




Armando Pinto
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sábado, 12 de abril de 2014

Fernando Moreira de Sá: Ciclista "Locomotiva" do F C Porto!


MORREU FERNANDO MOREIRA DE SÁ, VENCEDOR DA VOLTA A PORTUGAL DE 1952: Soube-se na tarde de sexta-feira, através de nota difundida pela página informática oficial do F C Porto.

Então, efetivamente faleceu esse senhor conhecido como nome histórico do F C Porto, um desportista que no ciclismo levou pelo país além e mesmo pelo mundo o nome do clube azul e branco da Invicta. Fernando Moreira de Sá, ciclista dos tempos áureos do desporto das duas rodas e que dando ao pedal elevou bem alto o nome do F C Porto. Qual estrela cintilante no firmamento... bem azul.


«Morreu aos 85 anos Fernando Moreira de Sá, vencedor da Volta a Portugal em bicicleta de 1952, com a camisola do FC Porto, único clube que representou. O FC Porto apresenta sentidas condolências à família» - anunciou, na sexta-feira, dia 11-04-2014, o texto oficial constante do sítio do F C Porto na Internet.

​«Fernando Moreira de Sá foi um dos mais relevantes ciclistas da sua geração, entre as décadas de 40 e 50 do século passado, tendo ingressado no FC Porto com apenas 17 anos. E foi de azul e branco que fez toda a carreira, que teve como pontos altos a conquista da Volta a Portugal de 1952, bem como o campeonato nacional de 1950. Numa altura em que o ciclismo era uma modalidade muito popular, Moreira de Sá era um dos ciclistas mais acarinhados pelos adeptos, não só devido às suas qualidades como ciclista, mas também pelo comportamento exemplar que teve sempre para com companheiros e adversários.

O corpo estará em câmara ardente na Igreja do Bom Despacho da cidade da Maia, a partir da 14 h 00, e o funeral realizar-se-á sábado, às 15 h 30, no mesmo local.» Conforme acrescenta o site do F C Porto.


«Nascido a 12 de junho de 1928, na Maia, Fernando Moreira de Sá teve o ponto mais alto da sua carreira desportiva com a vitória na Volta a Portugal de 1952. Destaque ainda para a vitória no Campeonato Nacional em 1950 e para cinco títulos de campeão regional de fundo.» Refere a nota publicada pela Federação Portuguesa de Ciclismo no seu sítio oficial na Internet.

= Ladeando o vencedor da Volta a Portugal em 1950, Dias dos Santos, na companhia também de seu irmão Luciano. =

Ora, Fernando Moreira de Sá foi um dos expoentes dessa modalidade desportiva de pergaminhos dourados dentro da história do F C Porto. Era assim chamado popularmente, na extensão do nome, ou ainda por Moreira de Sá, para se distinguir do famoso Fernando Moreira, mais velho mas seu contemporâneo, assim como de seu irmão Luciano Sá, vencedor de duas edições da clássica Porto-Lisboa. Havendo ele, Fernando, por sua vez, tido mais triunfos e estado à beira de outros também importantes, como aqui afloramos, através de alguns recortes coevos… com que se demonstra não ter sido apenas a vitória na Volta a Portugal que o tornou afamado.


Com efeito, entre as corridas em que participou, sempre em lugares de destaque, Moreira de Sá, por exemplo, teve papel importante na Volta conquistada em 1950 pelo colega de equipa Dias dos Santos – conforme se ilustra com imagens da época, também. Mas houve outras peripécias sintomáticas de sua aura ciclista, conforme aqui recordamos, de seguida…

= Reportando à Volta a Portugal de 1951, o valor de Moreira de Sá era reforçado com a história do roubo da vitória na clássica 9 de Julho, no Brasil…=

Muito admirado no seio da família Portista, Moreira de Sá era conhecido por "locomotiva", com que ficou ainda e sempre é referido, derivado de sua velocidade evidente e por puxar, por assim dizer, o ciclismo do F C Porto para a ribalta da liderança nacional. Especialmente pela categoria de nesse tempo ter sido o melhor contra-relogista ibérico durante vários anos, sensivelmente ao longo de quase uma década.


Como lídimo representante do ciclismo nortenho, quando o campeoníssimo Fernando Moreira andou pelo estrangeiro e depois regressou sem o anterior fulgor, Moreira de Sá não teve apoio da comunicação social sulista e era visto pelos adeptos dos clubes adversários como alguém que lhes tirava veleidades… a pontos de, mais tarde, ainda, um livro intitulado História da Volta, transcrito para a página informática da Federação, lhe tentar retirar méritos, por Alves Barbosa não ter participado na Volta de 1952. Como se os lugares triunfais estivessem reservados… Mas a história encarrega-se sempre, como o azeite, de vir acima e repor as verdades, sabendo-se que Fernando Moreira de Sá teve uma carreira brilhante, digna de muito apreço. Vencedor moral, embora 2º classificado, na Volta do 9 de Julho de São Paulo-Brasil, em 1951, por não lhe ter sido reconhecida a vitória nessa prova através de artimanhas de bastidores, foi aí vítima de inventona a que em Portugal alguma imprensa pró-clubes de Lisboa deu enfoque desvirtuador, como é costume. Veio mais tarde, em 1952, a obter um importante triunfo internacional, ao vencer em Caracas (Venezuela) os 40 quilómetros à americana, com Alves Barbosa a completar a dupla e relegando para lugares imediatos italianos e luxemburgueses. E, como bem relatou Victor Queirós, profundo conhecedor da História do F C Porto, Fernando Moreira de Sá «foi um ciclista de nível mundial, o mais completo de uma família de ciclistas, os 3 Irmãos Sá, que contribuíram imenso para o domínio esmagador do FC Porto entre os anos 1940 e 1970. Moreira de Sá era um contra-relogista ímpar e um trepador emérito, e a sua humildade notou-se pela forma como se manteve ao serviço do colectivo no período mais brilhante de Fernando Moreira, com quem dominou as estradas nacionais e internacionais. Foi dos poucos a bater homem a homem Gino Bartali, bi-vencedor do Tour de France. É uma grande perda do FC Porto e do Ciclismo.»

De seu currículo, consta na ficha oficial, mais precisamente, que Fernando Moreira de Sá, sempre como ciclista do F C Porto, foi cinco vezes Campeão Regional e duas Campeão Nacional (uma como independente, categoria superior desse tempo, e uma como amador). Ganhou etapas e circuitos em provas diversas, tendo ainda em 1950 sido 2º classificado na corrida Madrid-Porto (com a participação de 10 portugueses e 10 espanhóis). Depois foi  2º classificado na Volta a S. Paulo  e 12º na Volta a Marrocos, em 1951. Na Volta a Portugal, ganhou 3 etapas. Foi o vencedor da Volta em 1952, obtendo ainda um 3º, um 4º, um 5º e um 8º lugares. Em 1952, também venceu na Venezuela uma clássica prova de 40 Kms à americana.

Em 1952 conquistou então a Volta a Portugal, um feito deveras eloquente pela sua superioridade patenteada. Tal como se recorda, aqui, por meio de nomes e números das classificações.


Detentor como foi de tão prestigiante palmarés, Fernando Moreira de Sá tem lugar entre os nomes mais ilustres do desporto dos pedais em Portugal e na memória do mundo azul e branco.

Nesse sentido, não admira, as presenças requisitadas de sua pessoa para convívios e encontros de âmbito desportivo e ambiente ciclista, ao longo dos anos. Como foi o caso fixado numa fotografia, em pose à posteridade, a perpetuar encontro de Portistas da velha guarda, com ciclistas de diversas gerações, na presença do antigo futebolista Fernando Gomes, em representação do clube. Sendo então ainda vivos todos os que marcaram presença na ocasião, porque entretanto já partiram desta vida alguns desses nomes que ficaram na história como grandes ciclistas do F C Porto. E se recordam, legendando a foto de conjunto: Da esquerda para a direita - Fernando Moreira de Sá, Sousa Cardoso, Mário Silva, Fernando Gomes, José Pacheco e Joaquim Leão (conforme foto da página do Mário Silva, nosso ídolo, como também os outros), tudo gente inesquecível dos tempos em que o ciclismo captava adeptos para as cores do F C Porto e dava alegrias, algo que no futebol não era possível, então, na era do sistema BSB do futebol indígena e do desporto mais corporativo dessa fase estatal.


Armando Pinto
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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Onofre Tavares: Referência Memorável do Ciclismo do F. C. Porto e Português.


O ciclismo é uma modalidade atrativa, diante da imagem ligada do homem à máquina, perante o esforço humano em cima da bicicleta. Pese ocorrências que desvirtuam o desporto, em que tal modalidade tem sido fértil, infelizmente, nos anos mais ou menos recentes. Enquanto, no caso que nos toca, apesar de ser uma secção extinta (por ora, em 2013 ainda) dentro do ecletismo portista, foi uma das principais modalidades no que concerne a prestígio, na vida do F. C. Porto, sendo por via do desporto dos pedais que muitos adeptos se foram afeiçoando à coletividade da Constituição e das Antas. 

Efetivamente, em tempos de menor rendimento do futebol azul e branco, quando a equipa de futebol não conseguia títulos de relevo, era o ciclismo que dava honra e glória ao grande clube portuense. Faz parte das memórias portistas do autor destas notas o entusiasmo que o ciclismo gerava, sabendo que chegado o Verão o F. C. Porto era rei e senhor pelas estradas além, com a passagem dos corredores às terras de quase todos os portugueses e até à porta de cada um, nas andanças das corridas clássicas, mais dos grandes prémios, e por fim da Volta a Portugal, quando todas as atenções se colocavam nos nomes dos grandes ases dos pedais. Sendo que o F. C. Porto detinha grande poderio na caravana ciclista, suplantando por norma os grandes rivais, vingando então erros grosseiros de arbitragens nos campos da bola e manobras diretivas do futebol. 

Eis, pois, um dos motivos porque continuamos a pugnar pela preservação histórica do historial ciclista das camisolas listadas de azul e branco, do que foi o ciclismo no F. C. Porto. Que, pese embora ter deixado de existir no nosso F. C. Porto nos tempos ainda recentes, não se pode nem deve esquecer o passado, nem muito menos haver vergonha da história comum, no sentido de não se querer avivar feridas pelo correspondente desaparecimento. Não sendo muito de entender como nos livros sobre o F. C. Porto só aparece o futebol, de fio a pavio, e o próprio museu do clube, nas versões antes existentes, apresentava uma grande maioria de percentagem em objetos e espaços dedicados ao futebol, com lacunas evidentes quanto à devida dimensão das modalidades. Desejando-se, por isso, que o futuro espaço museológico do Dragão venha a contemplar tudo e todos os que, por seus feitos valorosos, mais da lei da morte se libertaram. Mesmo sabendo-se, e todos nós sentindo, que o futebol é a mola real da vida clubista, não se deve olvidar tudo o mais, antes será de glorificar e perpetuar o que contribuiu para o engrandecimento do clube, valorizando tudo o que tem e teve valor.

Nesse âmbito, tal como já recordamos alguns dos nomes salientes da modalidade dentro do F. C. Porto, evocamos agora mais um dos ídolos do passado, trazendo à lembrança um ciclista de tempos recuados, daqueles que ajudaram a cimentar o carisma que a modalidade ganhou no seio da coletividade alvi-anil – o Onofre Tavares. Um “sprinter” de renome e especialista de provas de pista, mas também estratega de equipa; daqueles ciclistas que permaneceram nas memórias dos adeptos, apesar de não ter vencido nenhuma Volta a Portugal, a prova que mais imortalizava os grandes estradistas. Em sinal, isso mesmo, do carisma do próprio ciclista, como nome dos mais aplaudidos pelo país fora. 

Soubemos, há tempos, que neste ano corrente de 2013, o Museu do Ciclismo, sediado nas Caldas da Rainha, homenageará alguns antigos ciclistas portugueses, entre cujas grandes glórias do passado, que aí irão ter essa honra, estarão Onofre Tavares e Joaquim Leite, dois antigos desportistas das corridas de bicicletas que andaram nas estradas e pistas com a camisola do F. C. Porto. Por acaso dois corredores que tiveram seus maiores êxitos ao serviço do F. C. Porto, mas também passaram pelo Benfica. O mais novo, Joaquim Leite, depois de ter andado nos seus melhores tempos pela equipa das Antas, inclusive com vitórias em provas importantes do calendário nacional da modalidade e ter chegado a ser portador da camisola amarela na Volta a Portugal, enquanto correu pelo F. C. Porto, acabou depois por se transferir para a equipa ciclista lisboeta por sua livre vontade. Ao passo que o mais velho, Onofre Tavares, esse teve um período em que, após a sua formação e de seguida dois anos já como senior a representar o F. C. Porto, teve de interromper essa ligação noutras duas épocas seguintes em que vestiu a camisola do Benfica, mas apenas enquanto cumpriu o serviço militar, por ter estado na tropa em Lisboa; para depois logo ter regressado ao seu clube, onde acabou a carreira passado alguns anos. Havendo grande diferença de tempo entre eles, pois Onofre Tavares se distinguiu sobre o selim pelos anos de quarenta e cinquenta, ao passo que o outro mais jovem evoluiu já nos inícios da década de setenta, do século XX naturalmente.

= Foto de um painel constante num dos museus dedicados à modalidade, no caso o Museu do Ciclismo, nas Caldas da Rainha.= 

Então, damos de novo espaço ao ciclismo, aqui também, mau grado certo desencanto com as mais recentes notícias e consequências derivadas, depois que se soube que o ciclista americano Lance Armstrong vencera várias Voltas a França recorrendo a drogas, tal qual o espanhol Contador mais recentemente, assim como também em tempos se soube que algo do género ocorreu com Joaquim Agostinho, apanhado nas malhas do controle anti doping por duas vezes na Volta a Portugal, e sabe-se lá mais o que eles e outros terão feito… Ouvindo-se que em tempos de outrora também se falavam numas denominadas bombas, mas sem nada se saber ao certo. Com o que paira certa noção de que muitos grandes ciclistas teriam sido ídolos de pés de barro, tal a constatação que a modalidade era propícia ao uso de estimulantes, vulgo doping. Mas nem todos podem pagar pelo mesmo e nos tempos mais antigos os estimulantes na certa que seriam mais à base de umas boas pingas, não tanto dos bidões de água que levavam no quadro da bicicleta ou da que lhes lançavam das bermas das estradas para refrescar, mas de tintol, mais nas zonas do maduro carrascão, para quem estava habituado ao vinho verde…

= excerto duma crónica na revista Stadium, edição de 10 de Julho de 1946.= 


Recuemos então a esses tempos de antanho, quando havia pureza nas corridas de bicicletas, como em muitas outras coisas. E passamos a lembrar um dos grandes ídolos dessas eras remotas, Onofre Tavares, como era e é conhecido, esse sorridente ciclista que a meio do século XX era famoso e deveras vitorioso . 

De nome completo Onofre Alexandre Tavares Marta, nasceu em 29 de Agosto de 1927, segundo os dados conhecidos, na freguesia de Gulpilhares, concelho de Vila Nova de Gaia. Representou o F. C. Porto e o S. L. Benfica (durante o serviço militar) e manteve-se em atividade de 1943 a 1957. “Sprinter” notável, ganhou muitas corridas e circuitos. Foi Campeão Regional de Fundo por 3 vezes e de Velocidade por 6, e ainda Campeão Nacional de Fundo em 1953 e Campeão Nacional de Velocidade por 4 vezes. Mas ganhou sobretudo nome de cartaz em ter sobressaído nas vezes que correu a Volta a Portugal, prova-rainha do calendário português em que Onofre Tavares participou em oito edições, tendo sido portador da Camisola Amarela e vencedor de 10 etapas. Internacionalmente correu a Prova “9 de Julho” no Brasil e o Madrid-Porto em 1950, clássica esta onde venceu uma etapa. 

O então jovem Onofre começou a revelar-se muito novo a guiar bicicletas de corrida. Como aliás refere uma coluna que lhe foi dedicada no livro da Fotobiografia do F. C. Porto (por Rui Guedes), com foto e legenda que mais tarde teve também lugar num volume da coleção “Dragão Ano 111 (escrita por Alfredo Barbosa e editada pelo Comércio do Porto) – conforme se vê na foto seguinte. 

Aliás ele foi quase um dos pioneiros, pois foi pouco antes que começou o ciclismo no clube, já que logo nos inícios dos anos 30 apareceram as primeiras formações azuis e brancas, nas quais havia duas categorias, Fracos e Fortes, á imagem da época. Sendo que dos chamados Fortes do Porto faziam parte uns Nunes de Abreu, Adalberto Soares, Elias Cruz e José Rainho, e sabendo-se que na Volta de 1934 o F C P participou com duas equipas, nas tais diferenciadas classes. Enquanto já em 1936 havia camadas jovens de ciclismo na agremiação da Constituição, segundo se constata por registo de vitórias do então juvenil Onofre Tavares, ao que vem na Tábua Biográfica da “Fotobiografia do F C Porto” (ed. 1987, de Rui Guedes).


Desse tempo fica-se ainda a saber mais através de uma reportagem da revista "Ciclismo a Fundo", na qual foi publicado um pequeno artigo sobre Onofre Tavares no seu número 20 de "Abril/Maio de 2012". Aí, na rubrica “O que é feito de si”, o antigo campeão Onofre Tavares teve direito a estar sob os “holofotes da fama” ao recordar as mais gloriosas e pitorescas histórias de uma vida quase inteiramente dedicada ao seu desporto de eleição, o ciclismo. Com o próprio a descrever as origens da sua carreira de ciclista, por suas próprias palavras: "Ninguém na minha família tinha ligações ao ciclismo, mas quando eu tinha uns seis ou sete anos os meus pais ofereceram-me uma bicicleta e a paixão foi imediata. Como o meu pai tinha uma sapataria comecei a utilizá-la como meio de transporte para levar o calçado aos fregueses dele." E foi aos 14 anos que participou na sua primeira prova de ciclismo: "Um dia fui levar o calçado a um barbeiro que era um cliente antigo do meu pai e ele, sem eu saber de nada, inscreveu-me numa corrida de ciclismo, a Coimbrões-Grijó-Coimbrões. Sem preparação, e sem sequer saber ao que ia, consegui finalizar com o grupo da frente." 


Já mais crescidote, fazendo parte da equipa portista, contribuiu para as vitórias do F. C. Porto no Campeonato Regional de Amadores Seniores, individualmente e por equipas, e no Campeonato Regional de Independentes, em 1940/41.Época em que também, entre outros factos, contribuiu no jogo de equipa para a vitória de Aniceto Bruno nas provas oficiais Porto-Guimarães-Porto, Porto-Fafe-Porto e Circuito do Estoril. Seguindo-se no ano imediato novas vitórias nos mesmos campeonatos regionais. Por essa época, estava o ciclismo ainda a passar por uma fase indefinida, como se nota em ter havido, em Maio de 1942, um festival desportivo a reverter para a secção de ciclismo do FCP, no campo da Constituição, com a participação de outras secções do clube, através de jogos de andebol e futebol; sendo que em andebol de onze foi entre antiga equipa de 1935 e a então atual, de 1942 (verificando-se uma vitória dos mais antigos por 3-2), bem como em futebol ocorreu um encontro entre velhas guardas da equipa de 1932 e a do ano vigente, de 42 (com os mais novos a terem suplantado os mais idosos por um engraçado resultado de 7-5). Curiosamente, havia então provas de pista, em que o F. C. Porto contava com o especialista Onofre Tavares, como foi o caso duma prova chamada “Uma Hora Americana”, na qual a equipa do F. C. P. triunfou. Entre esses exemplos e mais vitórias coletivas, note-se ainda que em 1943 Onofre se sagrou Campeão de Velocidade do Norte, título que repetiu em 1944 e por aí adiante. 

Havia sucessivamente passado, entretanto, pelas diversas categorias existentes, então, alcançando em 1945 os títulos de Campeão de Velocidade e de Fundo do Norte – num tempo de que é coeva a imagem (imediata), retirada da revista Stadium de 1 de Agosto de 1945, respeitante a uma vitória verificada no mês de Julho desse mesmo ano, conforme a sua legenda: «Onofre Tavares, do F C Porto, vencedor do “critério” para Amadores».


Chegado depois à categoria superior, esse já então conhecido sprinter vence idênticos campeonatos a nível nacional, sagrando-se em 1946 Campeão Nacional, até que começa a participar na Volta portuguesa. Então logo venceu a sua primeira etapa da Volta a Portugal em 1946, por curiosidade também a primeira etapa da Volta desse ano, entre a Cova da Piedade e Setúbal, na distância de 52 km, e assim foi o primeiro dono da Camisola Amarela dessa Volta de 46. Na qual, dias depois, voltou a repetir a façanha ao vencer a 9ª etapa, chegando em primeiro à meta instalada em Castelo Branco. Enquanto, no decurso da prova, se revelou um dos principais animadores da corrida, alcançando por fim o 3º lugar final no pódio.


Dessa sua brilhante estreia na maior prova velocipédica portuguesa constam umas sugestivas e sintomáticas gravuras de banda desenhada incluídas no álbum “ OS HERÓIS DA ESTRADA” (edição Jornal de Notícias e O Jogo), cujas pranchas demonstram, a preceito, o bom desempenho obtido. 



Continuaria no ano seguinte a envergar a camisola azul e branca do seu F. C. Porto, mantendo o ritmo vitorioso, até que em 1947, devido ao serviço militar, fixado que estava em Lisboa, lá abalou para as bandas do Benfica. Como ainda se pode constatar por uma coluna que foi publicada na Stadium de 29 de Janeiro de 1947.


Intrometida que foi essa passagem pelo clube lisboeta, com cuja camisola encarnada andou em 1948 e 49 (sem grande saliência, acrescente-se, diante da falta de posição em lugares de relevo), regressou novamente à Invicta e ao F. C. Porto em 1950, para logo ter sido Campeão Nacional de Velocidade. Tendo permanecido de azul e branco os restantes anos de seu percurso, numa carreira que se prolongou a correr de bicicleta até 1957. 

Durante esse período acrescentou ao seu historial muitas vitórias, sobremaneira totalizando na Volta a Portugal significativa conta de triunfos em 10 etapas, e haver envergado a Amarela 2 vezes.

= Equipa do F C Porto que conquistou a Volta em 1950.= 

Pormenorizando um pouco, como merece o seu desempenho: em 1951 Onofre Tavares foi primeiro na 2ª etapa da Volta a Portugal, em percurso terminado em Vila do Conde, bem como venceu a 5ª etapa, finda em Évora, a 11ª etapa, em Aveiro e a 14ª etapa, em apoteótica chegada ao Porto. Depois, em 1952 venceu o Circuito da Malveira, mantendo de seguida a pedalada até à 15ª e penúltima etapa da Volta, de Braga a Vila do Conde, em cujo itinerário Onofre Tavares ajudou à vitória coletiva – pois, antes da etapa de consagração que ditou o companheiro de equipa Fernando Moreira de Sá como vencedor da Volta, houve lugar a essa etapa no sistema de contra-relógio por equipas. Tendo, nesse dia, a equipa do F. C. Porto arrancado uma boa corrida, com o conjunto formado por Fernando Moreira de Sá, Onofre Tavares, Amândio Cardoso, Luciano Sá, Joaquim Sousa Santos e Emídio Pinto a conseguirem então aumentar (para seis minutos) o avanço sobre a equipa adversária mais próxima, assegurando mais uma vitória coletiva na classificação geral respetiva, e deixando a equipa do Sangalhos no segundo posto à distância de meia dúzia de minutos.

= A equipa do F.C. do Porto, que venceu a Volta de 1952: Joaquim Sousa Santos sénior, Amândio Gomes Cardoso, Luciano Moreira de Sá, Fernando Moreira de Sá, Emídio Trindade Pinto  e Onofre Tavares.=

Continuando a enumerar suas vitórias mais significativas, em 1953 Onofre foi 1º no Campeonato Nacional de Estrada, sagrando-se assim Campeão Nacional de estrada na categoria de Elite. Após isso, em 1956, logo na 1ª etapa da Volta desse ano, ajudou à vitória da equipa do F. C. Porto na corrida de pista por equipas, no Estádio do Lima (alcançando um dos três primeiros lugares, que contavam para a classificação coletiva, junto com os colegas Artur Coelho Guimarães e José Carlos Carvalho Pereira - sendo aí Artur Coelho o primeiro e como tal quem envergou a camisola amarela), continuando depois Onofre Tavares como vencedor da 10ª etapa da Volta a Portugal, em Vila do Conde, e obtendo iguais vitórias na 9ª etapa, sobre a meta instalada em Vila Real, mais a última etapa, chegada ao Porto. Ao passo que em 1957 conseguiu vencer a 7ª etapa da Volta a Portugal, em Beja, e a 14ª, por fim, no Porto.

= Foto da festa de despedida de Aniceto Bruno, em 1951, no decurso de um festival de homenagem, na pista do estádio do Lima.= 

Em pleno Verão de 1957, decidido que seria o seu último ano de corridas, Onofre Tavares teve uma Festa de Homenagem, no Lima, a 27 de Julho desse mesmo ano. Antes do início da que seria a sua  8ª e última presença na Grandíssima Portuguesa.

Manteve depois Onofre Tavares, entretanto, sua ligação ao F. C. Porto ao longo dos anos, colaborante que foi sendo sempre que solicitado. Contudo, não só ao clube azul e branco mas também ao ciclismo nacional. Depois de se retirar da prática ciclista, por diversas vezes foi treinador, tendo estado à frente da equipa do Académico do Porto no início da década de sessenta (foi treinador em 1961, por exemplo, de Alberto Carvalho, Manuel Castro, Joaquim Costa e demais, pouco antes da extinção da modalidade no popular Académico); e sobretudo teve relevo na orientação de equipas do ciclismo portista, quer como diretor desportivo adjunto, ao lado de Franklim Cardoso e Emídio Pinto, quer como técnico principal; tendo sido sob seu comando que o F. C. Porto venceu a Volta a Portugal de 1964, a nível individual (através da vitória de Joaquim Leão), como coletivamente (na classificação por equipas). 

A este grande nome do ciclismo portista e nacional, a esse bom adepto Portista que é ainda admirado entre Portistas mais ciosos do Portismo que nos corre nas veias, fazemos esta homenagem, trazendo sua grandeza desportiva à tona das memórias alvi-aniladas. Não chegamos a acompanhar sua carreira ciclista, mas somos ainda do tempo em que ele orientou a equipa principal de ciclismo do F. C. Porto. E como vibramos - tínhamos à volta de dez primaveras de vida - quando vivemos à distância a vitória na Volta ganha com Joaquim Leão vestido de amarelo e em equipas pela formação do F. C. Porto. Não mais esquecendo aquela volta de honra final, em plena pista de Alvalade, num orgulho de então sentirmos Lisboa a ter de presenciar tal honra de exibição gloriosa de toda a equipa do F. C. Porto, ali patente e completa (por terem acabado todos os que haviam começado essa Volta a Portugal com a camisola azul e branca); indo, em roda lenta todos os componentes da equipa perfilados, em formatura sobre as bicicletas e apoiando-se com as mãos nos ombros uns dos outros, logo a seguir ao vitorioso Joaquim Leão, esse com a coroa de louros, a tiracolo; e, à frente, também de bicicleta, seguindo adiante e levantando ao alto um vistoso ramo de flores, lá ia Onofre Tavares, “à paisana”, numa verdadeira apoteose, qual justa consagração voltista de toda a equipa e do treinador.

= Volta a Portugal de 1964 - Equipa do F. C. Porto que ganhou coletivamente e colocou três homens nos seis primeiros lugares da tabela classificativa: (a partir da esquerda) Joaquim Freitas, Sousa Cardoso, Carlos Carvalho, Mário Silva, José Pinto, Onofre Tavares (orientador técnico), Joaquim Leão, Ernesto Coelho e Mário Sá. Ali estava o triunfador individual desse ano, mais outros três anteriores vencedores da Volta. =

Deixou assim esse senhor seu nome associado ao ciclismo do F. C. Porto, surgido neste clube inicialmente ainda na década de trinta e regressado nos primeiros anos quarentas, até ter sido finalmente suspenso em 1984. Estando Onofre entre seus maiores valores, integrando uma galeria de ilustres campeões, dos que ao longo dos muitos anos de atividade o F.C. Porto formou e possuiu, como foi Fernando Moreira, o primeiro ciclista dos azuis e brancos a vencer a Volta a Portugal em Bicicleta, no ano de 1948, mais Dias dos Santos, que bisou, tal como Aniceto Bruno, Moreira de Sá, Amândio Cardoso, Carlos Carvalho, Artur Coelho, Sousa Cardoso, Mário Silva, Joaquim Leão, Sousa Santos, etc. etc. Até que, ainda hoje, embora o Sporting e o Benfica tenham abandonado mais tarde (inclusive com o Benfica a ter tido uma ainda recente reaparição episódica), o F.C. Porto detém o maior número de Voltas ganhas, quer a nível individual como coletivamente.


E Onofre é sócio do F.C. Porto, clube do seu coração, sendo associado detentor dum número baixo pela sua antiguidade de inscrição, como tal. Nessa categoria, há já alguns anos, recebeu a roseta que distingue os associados pela sua longevidade associativa, em cerimónia ocorrida em 1996, aquando do 103º aniversário do F. C .Porto. Desse ato é a fotografia anexa, em que se vê o Presidente da Assembleia Geral do FCP, Dr. Sardoeira Pinto (e na presença do Presidente do Conselho Cultural, sr. Álvaro Pinto), a honrar Onofre Tavares com tal honorífico emblema que lhe ficou a assentar na lapela. 

*** 
Diante de tal memorização, trazendo à superfície da memória portista essas épocas de grandiosidade do F. C. Porto por via do ciclismo, deixamos escapar em suspiro: - Como não pôr no ciclismo Portista de tempos áureos tanto apego e significado?! 

Obviamente que o ciclismo tem decaído, perdendo quase todo o encanto para nós, também, desde que o F. C. Porto deixou de ter ciclistas. E mais, a partir que os grandes clubes portugueses abandonaram a sua prática, a modalidade começou a definhar em Portugal, chegando depois dúvidas e constatações do doping a desferir uma machadada profunda. Mas o ciclismo, apesar disso e demais ocorrências, não pode pagar as favas de tudo. E nem só o ciclismo tem retaguarda infeliz e fora das realidades. Tal como escreveu Sofia de Mello, e bem se sabe, «as pessoas sensíveis não são capazes de matar galinhas, porém são capazes de comer galinhas…» 

Armando Pinto 
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domingo, 26 de agosto de 2012

Artur Coelho - Antigo Ídolo do Ciclismo Português, Portista, Felgueirense e Vizelense…


= Artigo que está em espera para incluir um livro, quando houver possibilidades de publicação, sobre o Concelho de Felgueiras. Como tal com mensagem textual incidindo mais nesse âmbito. Porém abrangente a toda a envolvência inerente ao tema e ao personagem.

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Pelo natural sentido de interesse por tudo o que respeite a Felgueiras e à autoestima Felgueirense, interessará perpetuar todos quantos honraram o nome desta terra. Nesse aspeto, alimentando o gene Felgueirista, será de vincar que Felgueiras, além de personagens importantes da história local e da vida nacional, também teve um campeão do desporto dos pedais, nome sonante de décadas atrás, o qual (ainda que lembrado em pelo menos um livro de registo Memorial Histórico... abrangente a Alfozes de Felgueiras) não tem sido incluído na literatura monográfica municipal, nem foi ainda homenageado, por enquanto, na toponímia urbana de Felgueiras e, como tal, esteve algo desconhecido entre conterrâneos.

Efetivamente, Felgueiras deve orgulhar-se de ser natural do concelho o antigo ciclista Artur Coelho, atleta famoso que se alcandorou a lugar de destaque no panorama velocipédico nacional na década de cinquenta, com carreira desportiva de alto nível entre 1955 até 1961.

Com efeito, o ciclismo no passado teve um filho do concelho de Felgueiras entre os seus maiores expoentes, nome que passou desse modo as barreiras da interioridade, tendo sido Artur Coelho na realidade um Ás do pedal, vencendo mesmo provas importantes ao serviço do F. C. Porto, do qual o referido Felgueirense foi exímio ciclista como grande “sprinter”, especialista nas chegadas em pelotão dos finais de etapas e de circuitos, como até de contra-relógios (provas cronometradas). Tendo sido camisola amarela na Volta a Portugal algumas vezes e em mais que uma edição, além de ter vencido provas internacionais e ter feito parte de seleções nacionais participantes na Volta a Espanha.

= Artur Coelho junto com dois grandes nomes do ciclismo português e portista:
Com Carlos Carvalho e Sousa Santos, em pose na Volta que ajudou o colega carvalho a conquistar, corria o ano de 1959.


Neto de Roberto da Lixa, como era popularmente conhecido o patriarca da família, e filho de José Luís Coelho, “garagista” muito popular dos tempos românticos da vila de Felgueiras de meio do século XX, em que o ambiente era propício a que toda a gente se sentisse familiar no remanso da então pacata sede concelhia, Artur Coelho, filho mais velho de prole de doze filhos dados à luz por D. Clara Rosa, nasceu aos quatro de Julho de 1934, nos subúrbios da vila dessa era, no então lugar dos Carvalhinhos, de Margaride. Mas passava os dias no centro da vila de Felgueiras, onde seu progenitor possuía uma oficina, vulgo garagem de bicicletas, vindo-lhe daí no seio da própria família a vocação de ciclista.

Dele conta-se que, nesses tempos de sua juventude, conseguiu fazer célebre escalada, a subida antiga para o cemitério de Margaride a pedalar em marcha-atrás, façanha que na época foi muito badalada pela demonstração de tal habilidade em cima da bicicleta: Tendo subido de costas voltadas, ou seja andando às avessas, a íngreme via da encosta desde a então vila até ao cemitério municipal de Felgueiras, naquela empedrada rua a direito, como é vulgarmente referenciada a Rua da Alegria, de ligação antiga para o monte de Santa Quitéria (desde o encontro das Rua de Samoça e Rua Francisco Sarmento Pimentel até à bifurcação da Rua da Saudade e da primeira capela da Santa).

As suas aptidões levaram a que tivesse ingressado na equipa principal do Porto e passado a competir oficialmente ao lado dos nomes mais sonantes que corriam pelas estradas. Apesar da notoriedade atingida como ciclista federado, para que seu nome tivesse ficado mais célebre ainda, faltou-lhe no país uma vitória na classificação geral individual duma grande prova de etapas, como a Volta a Portugal (que, afinal, é a que mais populariza os nomes dos vencedores e os perdura à posteridade). Não tendo, enfim, conseguido essa vitória individual, devido à sua faceta de especialista em percursos rápidos ou provas com menor duração, pois que na Volta e competições desse género trabalhava mais no especto coletivo dos interesses da equipa. Foi essencialmente perito em provas de pista, circuitos (tendo ficado célebre uma espetacular vitória no circuito particular de Vila do Conde, batendo por larga margem “sprinters” famosos desse tempo, como o seu colega de equipa Onofre Tavares e Américo Raposo do Sporting); bem como de Grandes Prémios, provas disputadas em séries de alguns dias, mas especialmente em “fugas” de etapas longas, nas quais muitas vezes se distanciou do grosso da coluna do pelotão.

Contudo, superando o facto, teve brilhante palmarés a nível internacional, com destaque para importante vitória na Volta a São Paulo, prova mais conhecida por “9 de Julho” daquela cidade do Brasil, em que Artur Coelho, envergando a camisola azul e branca do F. C. Porto e ostentando o dístico de Portugal ao peito, foi no fim levado em ombros por multidão de compatriotas e brasileiros radiantes – a que se reporta a imagem junta, captando a apoteose do triunfo, vitoriado como foi no final dessa corrida (com a curiosidade da foto conter autografada dedicatória aos Felgueirenses).

= Artur Coelho (com a camisola do F.C.Porto e ostentando dístico de Portugal), no final da clássica 9 de Julho-Volta a São Paulo, a receber apoteose popular, vitoriado em ombros, como vencedor da grande prova brasileira, corria o ano de 1957 – em cuja foto consta legenda autografada, com uma dedicatória personalizada.=

Participou então em muitas provas do calendário de ciclismo nacional e além-fronteiras, das quais se salientaram prestações brilhantes nalgumas Voltas a Portugal, como noutras provas federadas nacionais e “clássicas” internacionais. Será bom recordar fases marcantes do seu currículo:

Logo no ano do seu aparecimento, em 1955, incluiu a equipa do FCP que venceu coletivamente a clássica Porto-Lisboa, na “classificação por equipas” (prova a nível individual vencida também por um atleta das Antas, Sousa Santos) e, depois, na sua “Volta” de estreia, também em 1955, Coelho teve vitória em célebre etapa Tomar-Figueira da 18ª edição da “Volta” (em tempo do célebre duelo entre Alves Barbosa, do Sangalhos, e Ribeiro da Silva, do Académico, com os Portistas Dias dos Santos e Moreira de Sá como diretos adversários e todos eles alternadamente vencedores de edições da maior prova nacional), obtendo Artur Coelho, nessa Volta/55 ainda dois terceiros lugares noutras duas etapas, na segunda entre Porto e Vila do Conde e na sétima entre Viseu e Porto, alcançando por fim, na classificação geral final o 4º lugar (atrás do vencedor Ribeiro da Silva, do Académico, e dos 2º e 3º, respetivamente, Sousa Santos do Porto e Alves Barbosa do Sangalhos), tal qual ainda foi 4º na classificação especial do Prémio da Montanha. Além de se ter sagrado vencedor coletivamente, pois que o conjunto do F. C. Porto venceu na classificação por equipas, como venceu a Taça A Bola.

= Artur Coelho na equipa do F. C. Porto que alinhou na Volta a Portugal de 1955, em cuja participação ajudou ao triunfo coletivo da formação azul e branca. Entre companheiros de fila famosos, entre os quais se pode rever Carlos Carvalho (grande trepador em provas de montanha e vencedor de uma “Volta”) e o famoso “sprinter” Onofre Tavares, mais Sousa Santos (vencedor no mesmo ano da “clássica” Porto-Lisboa), Emídio Pinto, etc.=

No ano seguinte, alcançou também a quarta posição no Campeonato Nacional de Fundo e, na “Volta” de 1956 foi Artur Coelho o primeiro dono da camisola amarela, mediante vitória no circuito portuense da etapa inicial (na pista do Estádio do Lima), envergando aquele símbolo da liderança logo à partida do Porto. Posição de primeiro classificado que manteve até à 3ª etapa, tendo nos correspondentes percursos, das ligações em que envergonhou o “maiot” amarelo, sido quinto na chegada à meta. E, nessa 19ª edição da Volta, Artur Coelho teve mesmo um ativo papel, posicionando-se sempre entre os melhores, tanto aconteceu por duas vezes em que fez o 2º lugar noutras duas etapas, mais um 3º lugar em quatro etapas, foi 4º numa outra e 5º por duas vezes em igual número de etapas (numa das quais de contra-relógio), terminando essa Volta na 9ª posição geral. Ainda em 1956, foi selecionado para a equipa de portugueses que, em género de seleção de “sprinters”, esteve em Lisboa na inauguração da pista de ciclismo do Estádio Alvalade (juntamente com o colega de equipa Onofre Tavares, do F C Porto, mais Alves Barbosa e Simões Louro, do Sangalhos, Américo Raposo e Pedro Polainas, do Sporting), participando em festivo festival alusivo, à compita com equipas de outros países.


Aumentando a pedalada, obteve depois a brilhante vitória no Brasil, em 1957, na clássica chamada “9 de Julho” de São Paulo, a Volta ao Estado de São Paulo, terminada vitoriosamente a 11 de Julho de 1957. Tal como, no mesmo ano, em França, conquistou honroso 2º lugar, a 6 segundos do triunfador, no “Paris-Evreux”. Tendo assim dado nas vistas, no mesmo ano integrou a seleção nacional que participou na Volta a Espanha de 1957 (formando equipa com Ribeiro da Silva, Alves Barbosa, Agostinho Ferreira, João Marcelino, Manuel Graça, José Firmino, Carlos Carvalho, Sousa Santos e Joaquim Carvalho, tendo apenas chegado ao fim os referidos três primeiros). E, nessa época de 1957 foi ainda o triunfador do Circuito dos Campeões, disputado na Figueira da Foz. Depois, em 1958 foi vencedor da Volta ao Porto (prova que então era famosa, e noutros anos mais recentes teve denominação de Grande Prémio do Porto, com edições desde 1926 até 1994, por ora). Ano esse de 1958 que foi até deveras frutuoso, perante vitórias sucessivas, sendo vencedor do Circuito de Garcia, do Circuito de Grândola e do Grande Prémio Vilar. Como voltou a participar na Volta a Espanha, integrado na seleção portuguesa que alinhou em 1958 na importante prova do calendário internacional (sendo a equipa portuguesa composta nesse ano por Alves Barbosa, Carlos Carvalho, Antonino Baptista, o trio que concluiu essa travessia, mais Sousa Cardoso, Emídio Pinto, Artur Coelho, José Firmino, Sousa Santos, Joaquim Carvalho e Henriques da Silva). Tal como em 1959, repetiu vitória na seguinte edição anual do Grande Prémio Vilar (à frente de Alves Barbosa, a quem superou depois de duelo renhido, tendo vencido duas etapas, às quais o bairradino respondeu com quatro, entre as nove etapas da prova, porém triunfando Artur Coelho pelo melhor tempo na geral final). Ombreava então Artur Coelho com os melhores, continuando nos lugares cimeiros durante a mesma época, mediante um 2º lugar no Grande Prémio Cidla de 59. Ao passo que, na Volta a Portugal desse ano 1959, somou saborosas vitórias em duas etapas (enquanto contribuía no trabalho de equipa, estando seu colega José Sousa Cardoso em posição de camisola amarela), tendo Artur Coelho triunfado na meta da etapa Estremoz-Castelo Branco e na de contra-relógio individual entre Covilhã-Guarda, obtendo ainda por duas vezes o 3º lugar noutras tantas etapas e o 2º posto numa; com a curiosidade de nessa etapa saída de Pedras Salgadas e chegada a Braga, durante o correspondente percurso com passagem por Felgueiras e Vizela, Coelho ter “forçado” para se mostrar na terra onde nascera, vila de Felgueiras, e também na de Vizela onde então já residia – tendo nessa escapada a companhia do colega de equipa Carlos Carvalho, o qual através do esforço conjunto verificado na mesma etapa conquistou tempo suficiente de vantagem aos demais, acabando por C. Carvalho ser vencedor dessa tirada e, depois no final também da “Volta”, que o F. C. Porto venceu igualmente na classificação coletiva.


Mantendo a pedalada ainda em bom ritmo, em 1960 Artur Coelho venceu uma etapa do Grande Prémio Vilar, enquanto na Volta/60 conseguiu ser 4º à segunda etapa, tendo depois servido mais a equipa, ajudando Sousa Cardoso a manter a amarela de primeiro desde a 5ª até à 15ª etapas, chegando ao final esse sorridente ciclista azul e branco, colega de Coelho, como destacado vencedor. Por fim, em final de trajeto, Artur Coelho deu bem um ar de sua graça na Volta a Portugal de 1961, vencendo uma etapa, ao segundo dia de corrida, na etapa disputada em circuito à volta de Espinho, nessa Volta de que foi vencedor final seu colega de equipa Mário Silva (e primeira em que o também Felgueirense Joaquim Costa alinhou, como o Vizelense Ernesto Coelho). Além da colaboração referida, durante essas vistosas participações, Artur Coelho teve também sua quota-parte no trabalho de equipa contributivo para outros triunfos individuais de colegas, bem como coletivos do F. C. Porto alcançados nas classificações de equipas nas Voltas de 1955, 58 e 59, tendo ao longo da carreira por companheiros, entre outros, diversos ciclistas famosos como Sousa Cardoso, Sousa Santos, Emídio Pinto, Azevedo Maia, Agostinho Brás, Alberto Cerqueira, Onofre Tavares, Joaquim Carvalho, Mário Sá, Carlos Santos, Mário Silva, José Pacheco, Ernesto Coelho, etc.

= Artur Coelho a chegar primeiro à meta, vitoriado pela multidão assistente, como vencedor…=

Como recordação especial guardou a bicicleta que usou, a qual de momento ainda existe na família, como relíquia sentimental, tendo estado muito tempo guardada pelo irmão Joaquim (dono da atual Garagem Coelho, em Vizela) e depois ficado para o filho Óscar Coelho, residente no Porto.

Nesse tempo foi tal a projeção alcançada por Artur Coelho nos jornais e rádio (já que a sua carreira abarcou tempos em que não havia ainda TV em Portugal e depois atingiu os primeiros passos da televisão portuguesa), que o seu nome se tornou algo lendário, tornado ídolo de muita gente e mais ainda na terra de que era oriundo. Facto que no concelho natal teve repercussão, sendo responsável por muito do entusiasmo surgido pelas corridas de ciclismo na região, com a organização de populares competições ciclistas realizadas em festas tradicionais, através de circuitos percorridos em dias de feira de Felgueiras, pela Feira de Maio, e festas anuais como nos 23 de S. Jorge de Várzea, no S. João da Longra, no Espírito Santo de Barrosas e na Senhora da Aparecida, entre outras. O cartel que Artur Coelho granjeou teve ainda consequência de ter havido uma equipa de ciclismo da Metalúrgica da Longra, nos finais da década de cinquenta, a qual esteve inscrita na FNAT participando em provas de desporto corporativo e competiu em circuitos locais. Assim como, de permeio, a admiração que o povo teve pelo conterrâneo famoso teve alguma influência sequencial em um outro ciclista Felgueirense, Joaquim Costa, passados anos, já no princípio dos anos sessenta, ter participado também na Volta a Portugal em bicicleta, ao serviço do Académico do Porto, tendo esse Joaquim Luís Costa seu nome nos jornais durante as Voltas de 1961 e 62, em que alinhou.


Artur Coelho explorara, de permeio, por conta própria o negócio da garagem de bicicletas que fora do pai, na vila de Felgueiras, onde a sua fama ajudava a que esse estabelecimento tivesse boa afluência, para venda de material ciclista e consertos de bicicletas ou como reunião de amigos e conhecidos, funcionando como que ponto de encontro de tertúlia de entusiastas do desporto dos pedais e de adeptos do F. C. Porto. Casa essa situada quase em frente de uma então conhecida Tasca do Pilo, loja de vinhos ao tempo existente ao lado da fonte do mesmo nome, da qual o famoso ciclista era cliente apreciado. O pai, com a ajuda do filho mais velho, Joaquim, tinha entretanto aberto outra casa de consertos de bicicletas em Vizela, com a particularidade de nela também haver serviço público de aluguer desses veículos, mantendo-se durante mais de um ano ainda a residir em Felgueiras, pelo que eles iam e vinham, de bicicleta, no trajeto Felgueiras-Vizela-Felgueiras que Artur Coelho acompanhava quando lhe era possível ajudar. Mais tarde passou toda a família a viver em Vizela, por mor de nas Caldas de Vizela ter ficado em definitivo o ramo comercial familiar. Por fim, visando melhoria de vida, Artur Coelho emigrou para França, de onde retornava anualmente para períodos de férias, aproveitando então para assistir na região a finais de etapas da prova-rainha estival do seu desporto e rever amigos que acompanhavam de perto a Volta a Portugal, fixando raízes ao criar uma empresa imobiliária. Tendo entretanto falecido em terra gaulesa a 17 de Fevereiro de 1983 – motivo de ter tido homenagens noticiosas nos maiores jornais franceses da especialidade aquando do seu desaparecimento, inclusive no famoso “L’Equipe” que lhe tributou merecido destaque de grande vedeta, que foi na verdade, glória do F. C. Porto e do desporto português, para orgulho de Felgueiras, berço natal, e honra de Vizela, sua segunda terra.

A mudança de Artur Coelho para Vizela, ainda novo (mas já quando era ciclista do Porto há alguns anos), originou que em Felgueiras, com o decorrer do tempo, aquele ilustre Felgueirense tivesse ficado algo esquecido, pois tal como diz o povo quem não é visto não é lembrado. No entanto ele tinha orgulho em ser natural desta terra, passando por Felgueiras sempre que podia, em visita aos amigos e mesmo a familiares que por cá deixou, pois que embora a família ficasse em maioria a viver na cidade do sopé de S. Bento das Pêras, onde granjeou posição estável, continuou com ramificações em Felgueiras, quer na sede do concelho como na Lixa.

= Excerto de crónica, do autor, com foto da coleção do autor também, publicada no Semanário de Felgueiras de 23 de Fevereiro de 2001.=

O facto da ausência física provocou assim que sobre sua figura houvesse certo desconhecimento das gerações que o não chegaram a conhecer pessoalmente ou a ouvir dele falar contemporaneamente, como aconteceu com o autor destas linhas que, sabendo da sua existência pelo que dele ouviu dizer (especialmente como grande ídolo do F. C. do Porto) e tendo conhecimento da sua proveniência Felgueirense, teve dificuldades em certificar-se da naturalidade como em obter outros dados precisos quando começou a escrever visando redescoberta conterrânea de tal perfil - conforme espalhados textos escritos quase no escuro, em especial no jornal Notícias de Felgueiras, artigos esses elaborados ainda nos primeiros anos da década de oitenta, mas mesmo assim enviados para a imprensa concelhia onde tiveram lugar os iniciais passos da tentativa de fazer justiça, neste como noutros casos similares. Ideia que foi avançando e, após tempos de curiosidade amassada em pesquisas, qual aproximação do fim em vista, mais tarde foi então dado à estampa estudo levado a público no Semanário de Felgueiras, onde foi publicado artigo que despoletou toda uma série de situações proporcionadoras de melhor divulgação. Enquanto constantes pesquisas, através de livros e jornais, foram possibilitando, ao longo de anos, obtenção de dados que estavam praticamente esquecidos do conhecimento geral.

= Artur Coelho, numa fisionomia de seus últimos tempos, segundo reportagem inserta no nº de 09-3-2001 do jornal Notícias de Vizela, fazendo referências e transcrições sobre artigo, do autor, anteriormente com lugar no Semanário de Felgueiras em Fevereiro anterior…=

Por tudo e mais alguma coisa a que a recordação faz jus, justifica-se plenamente, pela notoriedade atingida a nível nacional e sobretudo internacional, que como preito a este expoente personagem do desporto Felgueirense haja, finalmente, atribuição do nome de Artur Coelho a uma rua da cidade-sede do concelho de Felgueiras...!
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Em Vizela, entretanto, houve lembrança mas ainda também não chegou oportunidade da devida homenagem toponímica (segundo informes à época destes escritos), na terra que abraçou e de que, afinal, foi um grande embaixador, contribuindo inclusive para o ingresso de Ernesto Coelho, ciclista Vizelense, na formação do F. C. Porto (em cuja equipa principal o mesmo participou desde 1961 e ajudou sobremaneira na Volta a Portugal de 1964 ao triunfo coletivo e à vitória individual de um ciclista da equipa, nesse ano o portista Joaquim Leão).

A proposta toponímica, do nome de Artur Coelho para uma rua de Vizela, nasceu de comunhão de opinião publicamente expressa, através do então vereador municipal de Vizela Manuel Campelos, destacado ativista no processo de autonomia de sua terra, o qual afirmou planear propor em reunião da Comissão Administrativa do novel concelho a atribuição do nome de Artur Coelho para uma artéria daquela cidade-sede do jovem município, vizinho de Felgueiras, segundo revelação inserta no jornal Notícias de Vizela do dia nove de Março de 2001.

Serviu de mote, para a causa, recorde-se, uma peça inserida na rubrica “Curiosidades Felgueirenses” de colaboração habitual do autor destas linhas no jornal Semanário de Felgueiras, dedicada na ocasião à evocação do Felgueirense em apreço – num reavivar de memória, vincando ideia de que o recordado conterrâneo deveria figurar na toponímia da cidade de Felgueiras, a propósito de apresentação do respetivo currículo. Conforme foi então registado em desenvolvida reportagem da lavra de Manuel Marques, Diretor-adjunto do referido semanário Vizelense, transcrevendo passagens e até fotografia de tal artigo publicado anteriormente no aludido periódico Felgueirense a 23 de Fevereiro. Esteve inclusive uma rua destinada ao caso - segundo informação transmitida por aquele publicista Vizelense – a qual, para o efeito, terá sido a antiga Travessa Latino Coelho (que confina com a Rua Latino Coelho), onde o antigo ciclista residiu em Vizela. Mas, conforme informação prestada depois pela Câmara Municipal de Vizela (por ofício 002-07-CT, de 16/03/2007), por ora «a proposta apresentada não reuniu consenso» ainda...


E em Felgueiras, sua terra-mãe, quando haverá uma artéria para essa finalidade, entre os novos arruamentos? Enquanto, também neste caso, continua a faltar sentido de gratidão e reconhecimento!?

Entretanto, outras ocorrências têm servido para reavivar a memória deste valoroso desportista do passado. Assim, ainda em Vizela, já no ano de 2008, numa iniciativa da Associação Cultural e Desportiva Os Vizelenses, aconteceu que a realização da anual corrida de cicloturismo organizada por aquela coletividade, ao quarto ano da respetiva edição de tal prova, teve denominação de “Prémio Artur Coelho”, em homenagem ao célebre ciclista, quão recordado antigo habitante vizelense…

Como outros acontecimentos mais poderão ocorrer no porvir…

Enquanto nada aconteceu ainda em Felgueiras... Onde, além de diversas provas de ciclismo de prestígio nacional e internacional, houve já três etapas da Volta a Portugal aqui finalizadas, em espaçados outros tantos anos, por ora; e inclusive em 2008 finalizou a mesma Volta com a etapa final de consagração a acabar no alto de Santa Quitéria. Pois em Felgueiras, além de corridas de cicloturismo também, através de coletividades do sector e do poder instituído, foram-se então perdendo soberanas oportunidades de homenagear devidamente esse filho e conterrâneo que foi Artur Coelho e, primordialmente, de justificar a ligação efetiva de Felgueiras ao mundo do ciclismo e à visibilidade que proporciona…

= Respigo das páginas da revista "Mundo Azul", nº 7, Ano 1, Setembro 09. =

Por fim, ou por enquanto, depois disso tudo, ainda houve oportunidade de o fazer relembrar através de crónica que escrevemos, sobre o mesmo conterrâneo, na revista Mundo Azul, no número de Setembro de 2009 dessa publicação do Conselho Cultural do F. C. Porto.

(Material ainda em espera para incluir um livro sobre curiosidades, personalidades e factos do concelho de Felgueiras, entretanto concluído mas ainda a aguardar possibilidades de publicação…) 

Armando Pinto
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