Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

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sábado, 19 de novembro de 2016

Regresso do sistema dos calabotes: FC Porto afastado da Taça de futebol através de grande roubalheira...


Os calabotes aí estão de regresso. À Capela... Depois dos túneis, estorilogate, colinhos, etc... agora são roubos encomendados, já sem vergonha... E assim o FC Porto é eliminado da Taça, desta feita, com três penaltis roubados... e trabalho feito para o jogo ter ido a penaltis após prolongamento, já depois de enervados os jogadores do FC Porto, para o resultado que o árbitro e seus mandantes queriam... 

A Direção do Porto tem de tomar posição perante tanta roubalheira. A claque do Porto por outro lado também precisa de mostrar a esses árbitros e tipos da arbitragem, federação e companhia que não podem continuar a brincar com as pessoas de outros clubes... Isto é revoltante. Mouros são assim, mas há limites...  O Benfica lá jogou mal, mas ganhou porque teve o árbitro a ajudar. Por isso enquanto não houver atitude de jeito, eles não temem...

O treinador Nuno tem de deixar de ter medo e de falar abertamente o que é e o que se passa. A entrevista de final de jogo deixa os apoiantes incrédulos... - Então foi só um penalti? Ora, foram três!!!

Alguma coisa mais tem de ser feita, isto está a voltar ao antigamente. Já não basta o que se passa na política do país, até no desporto está tudo a voltar atrás...!

Armando Pinto

Nota: Imagem (acima) da Internet. Um dos três lances que só cegos, maus e mal intencionados não quiseram nem poderão querer não ver...

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quarta-feira, 11 de junho de 2014

Um olhar ao porvir do F C Porto, mirando o passado e o presente...


Neste tempo de Primavera envergonhada, em que tanto faz sol como vem chuva, para lá da crise político-monetária que faz padecer o país em que vivemos e o povo ter de levar por tabela, enquanto as classes privilegiadas assobiam para o lado, também o desporto português sofre de profunda mesquinhez organizativo-arbitrária, imperando regras déspotas, de sistemas antigos a vir ao de cima.

É perante este panorama que o F C Porto tem de rever tudo, visando que sua organização não seja engolida pelos tentáculos malévolos e consequentemente o clube e respetiva SAD não se deixem ultrapassar, para que os dirigentes da estrutura azul e branca não sejam comidos por lorpas.

Quem não se lembra de na década de oitenta, do século XX, o F C Porto ter sido nº 1 mundial?!


De muito antes, como lembra aqueles tempos em que sabíamos os nomes dos jogadores todos pelos cromos dos rebuçados, em que vinham embrulhados. Recordo-me que, pelos inícios dos anos 60's, mais coisa menos coisa (pois ainda não andava na escola), o primeiro cromo que me saiu, logo que pude arranjar uns tostões, foi um tipo que me pareceu muito feio, de tez morena e cara de poucos amigos, que vim depois a saber (pois ainda não sabia ler) que era um fulano chamado Coluna, um gajo do Benfica. Ena, como fiquei de cara à banda, pois queria mas era um jogador do Porto… e logo tratei de o trocar, conseguindo de um amigo de brincadeiras uma troca por um de cara com ar mais agradável e com a camisola linda de que eu gostava, calhando ser o Serafim. Mas depois, quando consegui mais uns trocos para comprar uma mão cheia deles, apareceu-me finalmente o Américo, de quem já gostava, de tanto se falar bem dele… Depois o Pinto, mais o Azumir, que custava a sair. E outros, que mais tarde me apercebi serem de misturas de equipas, pois nesses cromos apareciam por vezes futebolistas que já nem jogavam na equipa, com outros posteriores. E foi assim que me veio ainda ter às mãos um, cujo nome eu ainda não conhecia, um tal Nóbrega. Jogador que na gravura aparecia quase sem pés, pois que aquilo era um género de arranjo gráfico (conforme se pode verificar na gravura, passando diante dos olhos imagens dessas eras). 

*
Ora, criança ainda, lembro-me que andavam uns pedreiros amigos a restaurar uma casa, aqui pelas minhas paragens, e eles todos os dias gostavam de puxar por mim para falar do Porto, de modo a passarem o tempo de costas mais direitas, nesses entretantos. Apesar de alertado para o facto, eu, criança mas não de olhos tapados, aparava-lhes o jogo porque também gostava de falar do Porto… Mas um dia, vendo o tal “macaco” (como chamávamos aos cromos de jogadores), com pés quase achatados, um desses amigos disse-me que aí entendia porque é que no jogo anterior, o Porto não tinha ganho, dias antes, porque o Nóbrega parecia que tinha os pés tortos… Ouvida tal coisa, desandei num instante e não mais os ajudei a passar o tempo. Dali em diante, por mais que me chamassem quando passava pela obra em que trabalhavam, fazia de conta e eles não tinham outro remédio senão continuar a trabalhar, para castigo.

*

Nunca gostei de me deixar levar, como se costuma dizer, nem gosto que tentem iludir e ludibriar algo com que me identifique e me toque, Como é o caso do F C Porto. Esperando que dentro do clube se empertiguem mais, ainda, de modo a não nos comerem a moleirinha.

= Uma formação da seleção portuguesa, com Américo...

Vê-se como tratam os nossos quando, entre outros exemplos, se deparam ocasiões de representações nacionais, em momentos importantes, como sucedeu com Américo e Pinto no Mundial de 1966, Baía no Euro 2004 e agora com Quaresma... não selecionado para o Mundial do Brasil, incompreensivelmente, ele que foi um dos expoentes da equipa do F C Porto e figura do campeonato...


Neste estado a que chegou o mundo desportivo indígena está-se em período de defeso, mas não de acalmia, verificando-se como lá pelo reino da capital do antigo império vão fazendo as coisas, não olhando a meios para atingir fins. Tal o que se constata no caso da Liga, a que os clubes do sistema ditatorialmente se agarram e não querem largar o poder, mesmo que tenham de usar, como aconteceu, artimanhas de bastidores. Deparando-se no horizonte nuvens medonhas, de escuridão sistemática.

Ora, depois de tudo o que foi acontecendo ao longo da época desportiva, tendo havido fatores extra a contribuir para o que se sabe, a temporada culminou com um final algo penoso, em que se misturaram culpas alheias com erros próprios, entenda-se – porque sabemos ver e reconhecer as situações e não vemos só uma cor como os touros…

Não só no futebol, mas até nas modalidades de pavilhão. Ainda no passado domingo, dia 8 de Junho, para cúmulo do estado de podridão que se verifica, também no jogo da final da Taça de hóquei em patins, entre o FC Porto e o Benfica, houve mais uma violação da verdade desportiva, gravíssima, ao ter sido permitido ao SLB utilizar um jogador expulso na véspera; enquanto depois e durante o jogo foi um chorrilho de habilidades arbitrárias, com aquilo que se viu de penaltis, livres diretos e expulsões sempre em prejuízo do mesmo ou seja do FC Porto. A pontos de Tó Neves ter apelidado aquilo mesmo como a Taça da vergonha.


Aliás, recorde-se (como aparece, unicamente, referido na comunidade informática Portista) «nos últimos três anos, a Federação Portuguesa de Patinagem tudo fez para retirar a hegemonia azul-e-branca, em busca de alterar os números com um título do SLB...que como se sabe, no jogo decisivo entre SLB e FCP terminou com bastante tempo ainda por jogar. Mesmo com o protesto do FCP, o campeonato foi "homologado". E este ano...em vésperas de decisão do campeonato...nomearam o mesmo árbitro para os jogos Candelária-FCP e o SLB-Valongo (jogado no dia seguinte!). Então agora, no passado fim de semana, na final four da Taça...reuniram de urgência para "despenalizar" um jogador do SLB que de outra forma nem poderia jogar. Lembram-se destes temas serem apresentados na comunicação social do regime? …Nós não.»

Pois nisso é que se vê o fito com que se cosem as pontas, pensando eles, os tais do sistema desportivo, que assim poderiam acabar com a prática do hóquei patinado no F C Porto, diante da possibilidade de acontecer uma possível tomada de posição como no basquetebol… Então não é que, com essa esperança, qual jogada de antecipação, em tentativa psicológica, procuraram cozinhar algo do género, através de violação informática, tendo sido pirateada a página do F C Porto na Internet com uma falsa notícia, a tentarem lançar confusão e sabe-se lá mais ou menos o quê…

Assim sendo, tem que se contar com tudo. Às tantas estavam a ver se, futuramente, atacando mais forte e feio o F C Porto também no futebol, não conseguiriam que o clube desistisse de se manter ao mais alto nível no desporto-rei…

Como nos recorda o tempo da dupla Pedroto-Pinto da Costa, quando foi travada luta acesa para alterar o sistema BSB…

É tempo de cerrar fileiras e, como um exército de ativos e elementos de retaguarda, voltarmos a ter comandantes audazes e valentes, especialmente, como tem sido até anos ainda de fresca memória, para que o nosso general forte faça mais forte a sua e nossa gente.

O tempo agora corre mais calmo, lentamente, sem tantas novidades inventadas na comunicação, por mor de haver muito com que encher páginas e programas com o Mundial de futebol.  Em cujo certame o F C Porto só tem na equipa portuguesa o extremo Varela, mas está bem representado em diversas seleções com mais oito valorosos arietes...

Enquanto por cá, dentro, a trilogia dos equipamentos novos do F C Porto prenda alguma atenção, diante da camisola principal um pouco parecida com a histórica, ao que diz a literatura oficial, numa aproximação do passado ao futuro, enquanto dos alternativos o azul de listas enviesadas do segundo se aceite e o terceiro escapa só por não ser vermelho.


Contudo, o mais importante é o que vai acontecer com esses equipamentos vestidos pelos nossos representantes, dentro do campo. Enquanto os nossos diretores terão de estar atentos, vigilantes e cuidadosos diante do que pode acontecer. Contando sobremaneira com a preparação e organização atempada e tudo o que seja inerente a uma boa campanha.

Então poderá e deverá ser mesmo a ligação do passado ao futuro, no engrandecimento clubista e fortalecimento da mística Portista.

Nestes comenos, assim, temos de pensar no porvir. Que futuro será possível neste presente?

Uma estrofe popular canta assim:

"Porque os meus olhos se afastem
Dos teus, não lhes queiras mal.
Que as andorinhas que partem
Voltam ao mesmo beiral"

É isso, queremos que volte o passado vitorioso ainda recente, ao futuro. Ao nomeado beiral, em que se aninham triunfos, em colheitas triunfantes.

Armando Pinto
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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Tempos passados… de idealismo azul e branco.


Ai, como eu queria?!

…Como desejava tanto… o que mais queria. Pois era, ao ouvir o desfecho do "Marcelino Pão e Vinho", um filme antigo que minha avó me narrava em forma de conto, era eu ainda criança de tenra idade, como ficava a imaginar que me havia de calhar bem se pudesse escolher assim um desejo…


Dou então comigo, agora, a rever ténues imagens que ainda afloram à retina da memória. Porque há sempre ocasião em que se nos deparam memorietas das que ficaram mais impregnadas no disco rígido de nosso cérebro.

= Um F C Porto-Benfica, de inícios dos anos sessentas… =

Volte-se atrás, numa máquina do tempo, a tempos que há muito já lá vão… como que fazendo a ligação aos de agora. Não sendo novidade nenhuma aquele penalty inventado, há poucas jornadas atrás, ainda, no Estoril, sendo como foi, fora da área… Apenas que ultimamente o descaramento já não era tanto como antes. Mas ainda estão de fresca memória alguns outros desaforos, como aquela tristemente célebre arbitragem do Paixão que, num dos anos da década de noventa, nos roubou um campeonato em Campo Maior, metendo uma série de agressões que passaram impunes e vários agarrões dentro da área sobre o Jardel… tal como uns anos antes, em 1978/79 Marques Pires, da Associação de Setúbal, num Sporting-F C Porto, marcou a 15 minutos do final um penalty numa pretensa falta de Lima Pereira, em jogada desenrolada fora da grande área coisa duns três metros; só que o guarda-redes Torres defendeu o penalty chutado por Manuel Fernandes, e, assim, manteve o nulo no resultado que, no fim das contas, não impediu o F C Porto de vencer justamente esse campeonato, com um ponto de avanço…


…Num desenlace diferente do que ocorrera na finalíssima da Taça de Portugal da época anterior, ganha pelo Sporting através do árbitro Mário Luís, de Santarém, que no dia seguinte foi incluído na comitiva leonina que foi em digressão à China…


E assim sucessivamente (andando para trás, a rebobinar no sentido de marcha-atrás) num rosário de vicissitudes, até se recuar aos anos sessentas, como «em 1967/68, numa das vezes em que esteve, de novo, o F C Porto “ombro a ombro” com o Benfica para a conquista do campeonato. Então, eis que, também aí, em jogo decisivo para as contas finais, embora ainda no decurso de Janeiro de 1968, o embate na Luz se saldou com um novo “roubo de igreja”. Pormenorizando: O Benfica fez 2-0 com um golo de Eusébio (logo no início, num penalty duvidoso, por pretensa mão de Rolando) e outro de Torres; o FC Porto empatou depois, através de dois golos de Valdir; e, fez ainda um 3º golo, por Manuel António, limpíssimo, com o peito, em cima da linha de golo, mas que o árbitro Porfírio Silva invalidou de forma incompreensível. De seguida Torres fez o 3º golo do Benfica, que venceria dessa forma o jogo por 3-2, e, praticamente o… campeonato.»

= Um encontro entre o F C Porto e Benfica, com Américo a blocar o esférico por entre um aglomerado de jogadores, antecipando-se a Torres e Eusébio, na presença expetante de Atraca e Rolando =

De permeio passaram-se anos da música dos anos de sessenta, daquela que me entrava no ouvido quase ainda sem entender nada das letras, mas gostando da musicalidade que ouvia nos rádios e nos gira-discos de jovens do tempo dos meus irmãos mais velhos. Cantigas ouvidas entre 1964 e 1965, mais ou menos, que eram mesmo de encantar e ainda hoje dão certa impressão de vivermos o que não vivemos, na prática. Sem fados e guitarradas, que foi coisa que nunca apreciamos, talvez por ser deveras de garganta empinada. Metendo a tal música yé yé, como se dizia. E que era um regalo naquelas sonoridades, na voz duma  Sylvie Vartan, com La Plus Belle… de France Gall, com  Poupée de cire, poupée de son… Francoise Hardy em Tous les garçons et les filles, mais, de forma diferente, em  Voilá… a brasileira Martinha, a sussurrar que (ela) Daria a minha vida… Gianni Morandi epicamente entoando In ginocchio da te… Bobby Solo a pôr-nos romanticamente pensativos com Una Lacrima Sul Viso… Gigliola Cinquetti a fazer-nos ver amigas e colegas como se nos dissessem Non ho l'età… e a imaginar como seria se fossemos o Cristophe, com Aline, e ainda também Les Marionetes... e outras que tais… apesar de nem termos jeito para cantorias. Num mundo que se nos ia deparando nas canções e artistas em voga, cujos títulos e nomes só de os lembrar faz vir à cabeça algumas cantigas que ainda trauteamos mentalmente. Do que ficou, pois dos sonhos de entusiasmo desportivo não havia nada para ninguém… dos nossos. O que fazia revoltar o puro sentimento que havia em nós.

= Pinto remata à baliza encarnada, perante o receio do defesa Cruz…=

Na época, continuando a recuar pelo tempo, o cinema musical de Espanha enchia corações e as atenções, outrotanto. Eram familiares  cenas em que o pequeno rouxinol Joselito cantava a Campanera, como se via nas telas de cinema que passava aqui pela Longra, também. E, retornando às recordações de infância, apareciam as ternas imagens do pequenito Marcelino a rezar na ternura da sua jovialidade infantil… 

E foi assim que ouvindo minha avó contar a história do Marcelino Pão e Vinho me pus a divagar…Enquanto o entusiasta Portista continuava a ver e sentir tudo o que ia acontecendo, a favor do clube protegido do regime e do seu vizinho mais próximo, em desfavor do F C Porto…

Era… foi assim que, também com outro Silva, mas com os mesmos espinhos, uns anos antes, perpetrou um outro «autêntico “roubo” a prejudicar o F C Porto, num célebre jogo com o Benfica, dessa vez no Estádio das Antas: na temporada de 1962/63, concretamente a 24 de Fevereiro de 1963.O FC Porto da época, superiormente orientado pelo húngaro Jorge Orth, que faleceria poucas semanas depois (como aqui recordamos em anterior artigo), disputava o título a par com o Benfica, até que veio esse jogo com carácter decisivo. O Benfica fez 1-0 por Simões, o F C Porto empatou por Azumir, seguindo-se posteriormente um lance que deixou as bancadas em polvorosa e toda a gente atónita e revoltada: numa pacífica disputa de bola, a cerca de um a dois metros fora da grande área, o Torres, em disputa com o corretíssimo Miguel Arcanjo, cai… e o árbitro, Reinaldo Silva, da jurisdição de Leiria, para espanto de toda a gente apontou para a marca de grande penalidade, marcando penalty contra o FC Porto, que depois foi convertido por Eusébio. E, assim, o Benfica ganharia por 2-1, passando a liderar esse campeonato, que… “conquistaria”».

= Azumir =

Recordo-me de, nesse tempo, se ter falado que o árbitro leiriense foi conotado com uma oferta choruda do presidente benfiquista, segundo se falou um automóvel dado por Vieira de Brito, e de os diretores do F C Porto bem terem tentado reclamar, nada conseguindo porém, a não ser terem sido entretanto confrontados com ameaças do regime vigente. Quase a papel químico com uma vergonhosa arbitragem de Rosa Nunes na final da Taça de Portugal de 1964, a pontos de, nesse jogo do Jamor, ter começado cedo a apitar contra os homens do Norte, quando o F C Porto fazia pressão inicial sobre o Benfica… tendo depois expulsado Jaime, sem nada de mais (a não ser por ter reclamado na marcação dum, mais um, penalty inexistente)… e depois foi todo um somar de asneiras, num chorrilho de habilidades, que fez o resultado tomar proporções escandalosas, à vista desarmada… O que só se compreendeu dias depois, quando se viu esse árbitro numa cerimónia oficial do clube da Luz… e levou Otto Glória, nesse tempo treinador no Porto, a afirmar: «O árbitro anulou todo o esforço duma região…»!


Essas peripécias caíram mal na cabeça do jovem ouvinte dos contos descritos pela minha avozinha, já naqueles tempos. A minha avó que, paralisada como estava, passando os dias no leito de sofrimento resignado, me contava longas e ternas histórias, levando a que eu passasse horas a fio sentado à sua beira, ao lado de sua cama, a ouvi-la e a começar a interessar-me por tudo o que fosse histórias e memórias. Desde a Carochinha, à bruxa cavalona, e não sei quantas lendas e contos, ela me descrevia com todos os pormenores. Até à história do tal filme do Marcelino Pão e Vinho. Filme dos inícios dos anos cinquenta, conforme muito mais tarde me apercebi, que, assim sendo, ela não viu, pois ficou retida na cama, em paralisia do corpo, precisamente por essa altura… mas deve ter ouvido contar, por sua vez, talvez no rádio que tinha na mesinha de cabeceira, e depois sabia expor com encantamento descritivo. A pontos que parecia que eu ouvia ranger as tábuas da escada carunchenta, enquanto Marcelino subia para o sótão…


Marcelino fora posto bebé à porta dum convento e foi criado pelos frades daquele cenóbio algures dos confins duma região rural. Tendo sido muito bem cuidado pelos monges, tornando-se o centro da vida conventual, familiarizado com seus protetores, os quais carinhosamente tratava pelos nomes das funções com que o velaram. A um, por exemplo, chamava-o de frei papinha, ao que sempre lhe dava de comer, e por aí adiante. Apesar dessa convivência, ele sentia falta de ter uma mãe. Um dia encontrou um amigo especial no sótão proibido... que mais não era que uma imagem de Cristo crucificado, com quem ele, na sua inocência pueril, conversava; e vendo-o naquele estado lhe passou a levar de comer, com pão e vinho que, sorrateiramente, ia buscar à cozinha, sem os seus amigos frades desconfiarem. Até que se deu o prodígio de Cristo lhe ter perguntado o que queria que lhe desse, em recompensa de sua bondade, e, como ele confidenciou que o que mais gostava era poder ver sua mãe, foi enfim levado a vê-la… dando-se um milagre, depois presenciado pelos frades que o viram inerte, junto à cruz, de onde partira pela mão de Cristo…

= Não se trata de tempos das balizas às costas, mas duma sessão de trabalho empenhado do plantel, com o guarda-redes Armando a empunhar uma barreira de atletismo para servir de suporte à parte física do grupo, no tempo do treinador brasileiro Paulo Amaral, que o segue à saída das escadas de acesso ao relvado. =

Ora, naquele tempo, eu, o pequeno ouvinte desse maravilhoso encantamento que ia escutando de minha avozinha, tinha mãe (eu tinha a minha mãe), felizmente; e nem me passava pela cabeça, ainda, sequer o que era isso de ser órfão. Não teria também ainda grande noção de outras coisas da vida, tudo me parecia normal, a não ser… o Porto não poder vencer, como merecia e devia. E pensei (para comigo, como numa prece): - Se Cristo me perguntasse, a mim, o que mais queria… eu, sem pestanejar, queria que o meu Porto fosse campeão, que ganhasse tudo e derrotasse aqueles malvados lá de baixo que só ganhavam com “comilice” e "falcatruas"… de árbitros e mandões….!


Era o que me vinha então à cabeça. O que mais queria poder ter.

Demorou anos, muitos anos, mas (até que enfim!) veio tempo em que o F C Porto, o meu Porto, passou a vencer mais que todos os outros... embora continuem a haver jogadas de bastidores e artimanhas de bafientos agentes do regime - contudo mais combatidas e eles denunciados, com os meios atuais da globalidade existente.

...Ai, como eu queria?!  E como ainda quero… sempre, mais!!!


Armando Pinto
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